sábado, junho 30, 2007

E OS POLICIÓLOGOS? REFLEXÕES SOBRE A OPERAÇÃO-ALEMÃO!

1. A operação ocorrida no Complexo de Favelas do Alemão, é tudo o contrário do que os policiólogos mediáticos vem dizendo há anos. Aliás, todos se lembram - imagens da TV mostraram - quando a policióloga ONG - Viva-Rio e os policiólogos de plantão, pediram que a polícia - que ocupava a Rocinha - saísse de lá. E - quem não se lembra - quando a partir de 1999 influenciaram a segurança pública para um alto de fogo sempre que o tráfico de drogas - traficasse a vontade - sem que houvesse troca de tiros em disputas de bocas de fumo. E o GPAE? Era a polícia cuidando da boca de fumo para não haver tiroteios. Aliás, um GPAE foi criado na Vila Cruzeiro. Onde está?

2. Nesses dois dias só não se ouviu a opinião destes policiólogos. O que eles tem a dizer? O que acham? Estão esperando - furtivamente os resultados para opinar?

3. Depois de ter registrado que aquele cerco anterior com 20 homens não daria - como não estava dando - em nada, espero que o próximo passo vá além do cerco e mega-incursão. Que se ocupe de fato o Complexo, e que a policia fixe-se nas partes superiores e desaloje de lá os bandidos definitivamente. Os corpos dos bandidos mortos (relógios, roupas, tipo físico...) sinalizam que eram soldados da baixa hierarquia do tráfico. As armas apreendidas corresponderam a isso, fora aquelas que servem mais para fotos que para a ação, como metralhadoras antiaéreas ou lança rojões.

4. O processo de recomposição das gangs é automático, com novos integrantes, novas armas, novas munições, novas drogas... Aliás, os novos "soldados" por menor experiência são mais perigosos... Por isso - o que diz o secretário de segurança que é apenas o início - traz uma expectativa positiva dos desdobramentos. A Maré então - onde há um batalhão PM - mal localizado - por decisão do secretário de segurança da época, e onde no extremo oeste milícias já ocupam mostrando que os bandidos não estão com essa bola toda, poderia levar o batalhão para o miolo da área, como propôs a prefeitura na época. Coisa fácil de se fazer, obra simples.

5. O programa de segurança pública apresentado pelo PFL, em 1998 e 2002, priorizava a ocupação das comunidades do corredor da Tijuca para se ir numa progressão, reduzindo o confronto inicial e ampliando-o a outras áreas. Tudo bem: que sejam as do corredor da Leopoldina. Mas falta - conjuntamente - a transformação progressiva - uma a uma - das áreas integradas de segurança - nos bairros, em laboratórios de Policia Integrada e rotina exemplar. Começar-se-ia - naquele programa - pela Ilha do Governador. Agora pela Baixa Leopoldina - Ramos, Bonsucesso, Olaria.

6. A Operação-Rio de 1994-1995, mostrou que as operações de ocupação em comunidades, sem outras correspondentes nos bairros adjuntos, reduz - no início - a criminalidade associada ao tráfico de drogas, mas faz explodir a criminalidade de rua. A Secretaria de Segurança Pública pode pedir os números do início de 1995 e conhecê-los. E fazer uma re-avaliação da Operação-Rio para não repetir os mesmos erros com as conseqüências conhecidas.

7. Torço para que as informações ainda não conhecidas sobre desdobramentos da dinâmica da Operação Alemão sejam aquelas que - finalmente produzam o moto-contrário do atual. Ou seja: que bandido corra e tenha medo da polícia. E que a presença da polícia ali - e alhures - seja como é nos bairros melhor policiados, como os da zona sul.

sexta-feira, junho 29, 2007

Acordo entre Volks e Ford para novos projetos (AUTOLATINA 2)

Trata-se de um novo conceito de automóvel, mix de minivan com perua.
A nova Autolatina ainda não sabe se vai chamar o carro de Kombelina ou de Belombi.

quinta-feira, junho 28, 2007

PESQUISAS SÃO TERRENOS MINADOS... PARA OS AÇODADOS!

1. Mais pesquisas publicadas, mais uma comemoração dos amigos de Lula e mais uma divulgação lúdica. As pesquisas sempre dizem mais no que tem por dentro, nos cruzamentos e nas séries que nas perguntas formais.

2. O eleitor, quando responde a uma pesquisa política, tem sempre na cabeça uma equação de primeiro grau: quem entraria em seu lugar? Mesmo longe da eleição. Um presidente ou governador/prefeito de grande Estado ou Cidade tem sua avaliação sempre relacionada com a alternativa a ele. E existindo essa alternativa, a carga da crítica aumenta, mesmo que essa alternativa fique calada. É como se o eleitor se sentisse como parte de uma força expressiva. É sinérgico.

3. As pesquisas - no que tem por dentro e nos cruzamentos - vão mostrando o governo Lula e Lula num processo de desgaste crescente, que ainda não se traduz em sua avaliação pessoal. É como se um edifício estivesse com rachaduras internas, mas as paredes onde elas estão fossem repintadas e por fora se vê um prédio sólido. Os sinais vindos das pesquisas são evidentes, tanto em relação a funções básicas de governo - saúde, segurança... - quanto ao comportamento do presidente (Vavá, etc...). Os analistas dizem: Lula resiste. Na verdade resiste externamente e faz água internamente.

4. A metástase de opinião pública, ou é impulsionada por uma explosão, ou se dá de forma progressiva. Por isso quando se publicam gráficos de pesquisa em série, pode-se notar as curvas de tendências. Por que o último ponto não é igual ao ponto do meio? Porque o processo de contaminação de opinião pública é progressivo. Lula vai se livrando dos problemas e jogando-os às feras: Delúbio, Dirceu, aloprados, Vavá... Mas novas rachaduras vão surgindo.

5. As últimas duas pesquisas nacionais - CNT e DEM - mostraram que o impacto do bolsa família é decrescente. Natural, pois quando se recebe pela primeira vez, se vibra. Mas meses depois se quer mais. Afinal 30 ou 50 reais não são o sonho de consumo de ninguém. Esta curva dos gastos assistenciais dos governos populistas é mais que conhecida. Vai se exaurindo no tempo. Hoje - garantidamente - as respostas cruzadas sobre a economia dão mais vitalidade ao governo Lula que o bolsa-família.

6. Os jornais dizem que os governadores - da base do governo - de outros Estados estão enciumados com os lançamentos do PAC no sudeste. Mas por que no Sudeste, deveriam se perguntar? Pelas razões acima, seja por reflexão, seja por intuição, seja por coincidência.

7. Se a oposição ler corretamente as pesquisas verá que este processo metástico já está iniciado desde 2005. Mas o edifício não cai sozinho em curto prazo se as rachaduras não aumentarem. Para isso a oposição deve conhecer as rachaduras e trabalhar sobre elas. E personalizar alternativas. Os governadores se inibem por sua condição. Se continuarem vão entrar novos personagens, por fora e o bom comportamento deles, será o desastre para eles em 2008.

8. O talento de Blair resistiu até o ponto que surgiu uma alternativa (David Cameron) hábil e contundente. Foi esta alternativa que ampliou as rachaduras. Sem ela não haveria Iraque que desmontasse Blair. As eleições de 2005 continham todos estes elementos. Diziam: - voto em Blair, mas estou doido para me livrar dele. É o que já dizem as pesquisas. Para leitores atentos.

IMIGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO!

1. O prestigiado economista Guilhermo De La Dehesa - ex-ministro da economia de Felipe Gonzalez na Espanha, analisa os estudos sobre o impacto da imigração sobre a economia espanhola, demonstrando seu impacto positivo.
2. Entre janeiro de 2000 e de 2007, o numero de imigrantes na Espanha cresceu 3,6 milhões, de 923 mil a 4,5 milhões, o maior da União Européia.
3. Uma análise mostra que se entre 1995 e 2005 a população economicamente ativa não tivesse tido o aporte de imigrantes (80% do acréscimo da PEA) o crescimento do PIB por habitante teria sido negativo em 1,17% e não, como foi, positivo em 2,6%.
4. Outra análise diz que o aporte direto da imigração ao crescimento econômico entre 1996 e 2005 foi de 1,1% por ano, sobre um crescimento total de 3,6% ao ano. Isso significa uma participação de 30,5% no crescimento.
5. Num período mais curto - entre 2001 a 2005 - esta contribuição dos imigrantes aumentou muito. Foi de 1,6% em um crescimento total do PIB espanhol de 3,1%, ou seja, um aporte de 51,6%.

FÁBRICA DE ESQUELETOS

ESPECIALIZAÇÃO
Entre tantas coisas que acontecem, dia após dia, nesta interminável novela dos controladores de vôos, ou crise dos aeroportos, duas delas são absolutamente certas:
1- A crise ainda vai durar pelo menos uns dois anos;
2- Os nossos governantes vão continuar fazendo, ao longo deste tempo, declarações idiotas, infelizes e revoltantes.
ATITUDE ESTRANHA
Entretanto, o que é mais estranho neste lamentável episódio sem fim é a opção pela falta de explicações objetivas, claras e sinceras por parte das companhias aéreas aos seus milhares de passageiros, que ficam à espera de seus vôos por horas e horas. Isto é algo que a sociedade não compreende.
SILÊNCIO TOTAL
Não é compreensível que as empresas não digam, claramente, que os controladores de vôos estão em greve há nove meses, desde o desastre do Legacy com o avião da Gol? Todo mundo já sabe que existe uma operação tartaruga e uma má vontade explícita por parte dos controladores. Mesmo assim as empresas optaram por se manter em silêncio sem transferir a culpa pelos infernais atrasos aos seus reais responsáveis. Curioso, não?
CONTA GORDA
Bem, mas nem por isto as empresas aéreas estão paradas. Todos os custos desta operação grevista estão sendo anotados nos seus mínimos detalhes, a todo o momento, para serem cobrados mais tarde da União. Gente: a conta já está bem gorda e deverá ser apresentada, dia menos dia.
PASSIVO
Custos de vôo em órbita, ou seja, o tempo que o avião fica no ar aguardado condições de pouso, o qual é medido pelo combustível gasto enquanto o avião fica fazendo voltas; diárias de hotéis pagas para passageiros que não embarcam para seus destinos; refeições para os mesmos; e outras coisas mais...
CONTA PARA TODOS
Este enorme esqueleto que o governo não consegue tirar da linha de produção vai custar muitíssimo caro para todos nós. Se já custa bastante para os passageiros que perdem vôos, tempo, paciência e dinheiro, vai custar também para os contribuintes que não viajam de avião, mas que acabarão pagando a conta generosa por serem contribuintes de impostos. Este é o Brasil, gente.

terça-feira, junho 26, 2007

ARGENTINA: ATÉ QUANDO?

1. A economia argentina cresce nos últimos anos, a uma taxa entre 7% e 9%. A taxa de desemprego nos anos Kirchner caiu de 20% para 8,7%, abaixo da do Brasil que passa de 10%. A moratória da divida com reconhecimento apenas dos credores que aceitaram um desconto de 75%, não abala as suas relações externas. O câmbio de 3 pesos por dólar se descolou do real que deixou de ser paritário com o peso para cair abaixo de 2 por dólar. Com isso aumentou o poder de compra do brasileiro na Argentina, que se tornou barata e atrativa. A taxa de investimentos sobre o PIB alcança 23% uns 4 a 5 pontos maior que a do Brasil. Para um PIB medido pela taxa de cambio de 220 bilhões de dólares as receitas fiscais somam 52 bilhôes de dólares e as despesas - incluindo o serviço da dívida - 47,5 bilhões aportando um superávit fiscal global, de 2% do PIB. As exportações somam 47 bilhões de dólares e as importações 32, produzindo um superávit de 15 bilhões ou 7% do PIB. Com isso as reservas em moeda estrangeira chegam a quase 35 bilhões de dólares ou 15% do PIB. Se o poder de compra da classe média se pode medir pelo automóvel que usa, o panorama de Buenos Aires é muito pior do que o de SP, Rio ou Santiago do Chile.

2. O prefeito eleito de Buenos Aires neste domingo, o empresário Mauricio Macri de 48 anos, fundou um partido PRO - proposta republicana - e derrotou o candidato de Kirchner, que entrou de cabeça na campanha. Kirchner tem amplo apoio da população argentina, com exceção da capital onde sua aprovação é pouco maior que 30%. Com a importância relativa de Buenos Aires - muito mais que SP se quisermos comparar com o Brasil - no longo período de transição de seis meses a partir de hoje - inevitavelmente presidente e prefeito com status de governador - terão que sentar e conversar.

3. Macri acusa o governo de esquerda que sai de Buenos Aires de demagógico e fiscalmente irresponsável. Criou um poder judiciário municipal inócuo, criou (embora não tenha implantado ainda) comunas - que são sub-prefeituras eleitas pelo voto direto com máquina própria e mergulhou num empreguismo de “companheiras e companheiros" que chega a dobrar o numero de servidores em várias secretarias (que chamam de ministérios). Macri precisará de uma reforma constitucional para cancelar estas medidas. Terá maioria para isso e terá que fazê-lo no inicio do governo. Vai sentar com Kirchner e pedir gestão de parte da policia e de parte do sistema de transportes. Se incluir a policia de investigação, certamente não conseguirá. A segurança publica é regida por lei nacional e não pela constituição.

4. Macri diz que o apoio que o capital financeiro internacional vem prestando à política econômica de Kirchner, se deve ao superávit fiscal, que segundo Macri é uma questão fundamentalista para o sistema. Não importa muito o cambio e nem tanto a inflação, para eles, afirma.

5. Macri sublinha que a inflação é maior do que a declarada e lembra que Kirchner mexeu na metodologia do índice. Mas alerta que o mais grave é a rede de subsídios que usa e que segura a inflação artificialmente e lhe dá popularidade. Aí estão principalmente o subsidio ao transporte público (tarifa metade da de equilíbrio) ao gás (já não há oferta suficiente para a demanda) e combustíveis...etc... Sem estes subsídios e sem a mexida no índice, a inflação estaria num patamar mais próximo dos 20%.

6. Macri ironiza dizendo que Kirchner gosta mesmo é de trabalhar com uma equipe que esteja abaixo de seu nível intelectual (se assim se pode chamar) - o que dá um caráter medíocre ao ministério. Cita especialmente a ministra da economia, que pouco sabe de sua pasta.

7. No final de outubro haverá eleição presidencial. Kirchner não tem oposição, governa por decreto através de lei delegada até 2009. Diz que vai lançar sua esposa para sua reeleição. Poucos acreditam. O único nome que teria condição de enfrentá-lo seria Macri, mas este afirmou - e gravou para TV e Radio - tantas vezes quantas lhe perguntaram na campanha, que não sairá da prefeitura.

8. Agora é acompanhar, tanto o quadro político com este novo fato em Buenos Aires, quanto o quadro econômico, se haverá fôlego para a estabilidade precária argentina resistir a tantos golpes de populismo econômico.

SEU VÔO ATRASOU? RECEBA INDENIZAÇÃO!

O blog democrata (www.blogdemocrata.com.br) fornece formulário-modelo para que vítimas do apagão aéreo possam abrir ação na Justiça, contra a União e a Infraero,reivindicando indenização por danos morais e materiais. A indenização pode ter valor de até 60 salários mínimos, ou o equivalente a R$ 22 mil e 800 reais. O caminho dos passageiros prejudicados é o Juizado Especial Federal (JEF) dos municípios. "Segundo o que dispõem os artigos 6º, VI e VII e 14 (caput) do Código de Defesa do Consumidor, assim como a Constituição Federal, a União tem de suportar a pena de indenizá-lo por danos patrimoniais e morais".

O HIPOTÉTICO MODELO POPULISTA

TRECHOS DO ARTIGO – O HIPOTÉTICO MODELO POPULISTA - DE MARCOS AGUINIS, EM LA NACION!
1. Nenhum regime populista conseguiu (ou quis seriamente) acabar, por completo, com a pobreza, estimular uma educação aberta, ou desmontar o fanatismo. Seus programas não se voltam para o desenvolvimento sustentável e firme. Não lhe interessam nem os direitos individuais, nem a majestade das instituições republicanas. Ao contrário, exagera o assistencialismo mendicante, impõe doutrinas tendenciosas e exalta diversos tipos de animosidade para conseguir a adesão de multidões desprotegidas, exploradas, ressentidas ou perturbadas pela confusão. O mexicano Enrique Krause assegura que nunca falta o personalismo, porque o partido ou o movimento se constrói em torno de uma figura providencial. O líder é um demagogo, porque se acomoda, mente, adula e desacredita, segundo convenha ao crescimento de seu poder.

2. Não há regime populista que tolere a absoluta liberdade de imprensa. O modelo populista identifica os fundos do Estado com os fundos do Governo ou – pior ainda – fundos dos que tem a manejo do poder. Usa-os de maneira discricionária para submeter opositores, cooptar vontades e fazer propaganda. Também não faltam as alianças com a “burguesia nacional”, ou com os “empresários patriotas”, ou sejam, aqueles que preferem subornar funcionários para obter privilégios, em lugar de produzir de forma realmente competitiva.

3. Também pertence a esse modelo seu desdém para com a ordem legal. A lei é apenas um traje que se ajusta de acordo com o gosto e a medida. Está claro que o modelo populista não aceita a alternância, mas sim quer permanecer aparafusado ao trono. Reeleição ilimitada ou presidência vitalícia. A todas essas características não lhe falta o cultivo da utopia. Ou seja, a promessa de que se avança na direção de um futuro esplendido. É uma ilusão, que se prepara com tenacidade, o mesmo que atribuir a culpa a outros e ao passado para encobrir a ineficiência da gestão atual e disfarçar os sintomas da deterioração. A hipnose de repetir, que se lograram resultados brilhantes com este modelo populista e que serão ainda melhores, não deixa de perturbar e convencer. Enquanto nos resignamos à mediocridade de continuar navegando sem rumo.

4. A verdade é que o culto da personalidade – em torno da qual se constrói quase tudo -, a ausência de controles republicanos, a instabilidade jurídica, a falta de visão estratégica, a crescente crispação de ódio e o objetivo excludente de manter-se no poder a todo custo sabotam o progresso real. Com semelhante clima, não se podem esperar investimentos genuínos e caudalosos.

POLÍTICOS E ESCÂNDALOS!

Trechos do livro de DICK MORRIS - O Novo Príncipe!

“Não há maneira de ‘ganhar’ na cobertura de um escândalo. A única maneira de sair vivo é dizer a verdade, agüentar o tranco e avançar”. Quando se abre um escândalo o repórter que o descreve tem munição guardada para os próximos dias e os editores fatiam a matéria – pedaço a pedaço - para render e produzir a cada dia uma nova revelação". “Uma mentira leva a outra e o que era uma incomodidade se aproxima da obstrução criminal da justiça”.

A PANDEMIA OCULTA!

"A Pandemia Oculta"- artigo de Moisés Naím (diretor do Foreign Policy e autor de "Ilícito: como traficantes, contrabandistas e piratas estão mudando o mundo") - mostra o crescimento da criminalidade urbana no mundo todo (recrudescimento nos EUA) e fala de causas! El País! Trechos!

1.
O mundo está sofrendo uma severa epidemia de criminalidade urbana. Os índices de criminalidade vêm aumentando quase em todas as partes. Os dados disponíveis informam acerca de um enorme e crescente número de civis que são atacados, seqüestrados ou assassinados por outros habitantes de sua mesma cidade, muitas vezes de seu mesmo bairro. Com freqüência, as vítimas são tão pobres quanto os delinqüentes. Segundo um informe das Nações Unidas de 2003, a delinqüência está aumentando em todos os países avaliados por essa organização.

2.
Até nos Estados Unidos, onde é sabido que os índices de criminalidade se reduziram a partir de meados da década de 90, o FBI informa que delitos violentos têm aumentado drasticamente nos últimos anos e seu ritmo está-se acelerando. Em 2005, se registrou o maior incremento dos últimos 15 anos. A associação norte-americana Foro de Investigação Executiva Policial, composta por membros das forças da ordem, indica que, nas cidades dos Estados Unidos, os homicídios aumentaram em 71%, os roubos em 80% e os ataques à mão armada em 67%, entre 2004 e 2006. Em Boston, o número de assassinatos atingiu o índice mais elevado dos últimos 11 anos.

3. A delinqüência também está aumentando no Reino Unido, De acordo com a União Européia, este país tem “elevada criminalidade”. Um informe da UE de 2007 qualifica Londres como “capital européia da delinqüência”. A região mais assassina do mundo é o Caribe, seguido primeiramente pela África meridional e ocidental, e, depois, pela América Latina. Contudo, o aumento da criminalidade é uma tendência mundial. O índice de homicídios na Rússia é 20 vezes maior do que na Europa Ocidental. Em toda a Ásia, as taxas de criminalidade vêm-se elevando.

4. Por desgraça, embora as conseqüências do incremento da criminalidade estejam claras, suas causas são muito menos óbvias. A idéia, por exemplo, que a delinqüência surge inevitavelmente da pobreza, é uma concepção tão comum, quanto errônea. Não há correlação entre ambos os fatores. Alguns países pobres sofrem altos índices de criminalidade, e outros não. Há os que assinalam que as taxas de delinqüência podem explicar-se com uma alusão à fortaleza das instituições religiosas, medidas por meio de estatísticas de assistência aos templos, participação em atividades religiosas e pesquisas de opinião. Uma vez mais, não existem provas estatísticas dessa relação.

5. Então, o que causa as cifras da delinqüência? Os peritos estão de acordo em que o crime prolifera quando se combinam três fatores: percentual elevado de jovens, muitas drogas e fácil acesso a armas. A desigualdade econômica e a urbanização também aceleram as taxas de criminalidade. Além disso, quando o comportamento criminoso estabelece suas raízes num bairro ou numa cidade, custa muito tempo e um imenso esforço recuperar as ruas e devolver a segurança aos cidadãos. É preciso entender melhor o crime, atacá-lo de muitas maneiras. Impedir sua ascensão é difícil, mas muito mais fácil é lograr sua queda. Esta deve ser uma prioridade nacional e internacional.

ONG CARA DE PAU!

Durante anos conseguiram financiamento para dizer que as armas dos bandidos eram quase todas - mais de 80%, diziam - fabricadas no Brasil. Iludiram até a imprensa que entrou na onda do referendo do desarmamento. Agora - na maior cara de pau - fala como se já soubesse que arma militar de bandido não é fabricada no Brasil. Essas que a gente vê na TV nos tiroteios de nosso dia a dia!
JORNAL NACIONAL!
O caminho do contrabando de armas
Uma investigação do governo americano rastreou a origem de quase três mil armas encontradas nas mãos de criminosos no Brasil. O resultado é alarmante. Fuzil AR15, pistola 9 milímetros e pistola .45 têm sua venda proibida no Brasil. São as armas preferidas do arsenal dos bandidos brasileiros, compradas nos Estados Unidos. “Venderam para alguém, que não foi aqui direto, mas veio acabar aqui, não é? Qual é o caminho do desvio?”, pergunta Rubem César Fernandes, coordenador do Viva Rio. Pela primeira vez na história, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigou o caminho das armas apreendidas com bandidos no Brasil entre 1998 e 2003. Todas as armas foram compradas nos Estados Unidos. Parte delas é de fabricação americana. Outra parte foi importada da Europa, Israel e também do Brasil por revendedoras americanas.

MUDA O MAPA POLITICO DA ALEMANHA!

Até aqui os dois grandes partidos - Cristão Democrata de centro-direita - e Social-Democrata - de centro-esquerda, polarizavam a política alemã, construindo maiorias com os liberal-democratas (entre 5% e 7%), e os Verdes (idem). Mas agora com a união entre os socialistas do leste, herdeiros do PC com expressiva presença na ex-Alemanha Oriental e os social-democratas dissidentes liderados por Oskar Lafontaine - ex-presidente do SPD - social-democrata - a política alemã tende para um quadro de três forças.

segunda-feira, junho 25, 2007

quinta-feira, junho 21, 2007

A Contra-Revolução de 64 teve como seu principal líder o controvertido Gen. Mourão Filho (foto). O General não conheceu o Lula. Mas, ao que tudo indica, além de seu destemor pessoal, era um profeta. Vejam o que ele escreveu no início dos anos 70:

"Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso ".

MOURÃO FILHO, Olympio: "Memórias". Porto Alegre, L&PM, 1978. Pag. 16

VOTO EM LISTA!

1. A racionalização do voto em lista - contra e a favor - apenas oculta as questões de fundo para o caso brasileiro. Com um voto proporcional aberto, a lógica eleitoral é a do cada candidato é um partido. Isso produz uma multidão de casos específicos e de caminhos para o voto. Por isso mesmo a mudança não é simples.

2. Mas há também uma questão pragmática, que gerou insegurança nos partidos que regionalmente não tem marca, pois a presença de suas lideranças nacionais nos programas regionais em nada afetaria. Isso agravado quando não há lideranças regionais. Raros são os partidos com marca temática. O PV poderia ser um deles.

3. Além disso, os políticos com voto tipicamente distrital perdem a força que tem hoje. E a dança dos parlamentares pelos partidos estaria inviabilizada, reforçando a perda de força dos donos de voto distrital.

4. Os raciocínios e exemplos discutidos na noite de anteontem seguiram este caminho. - Mas só o Lula vai poder aparecer nas listas do PT no Brasil todo e dar força ao PT onde ele não existe. - Só o PV, dos micro-partidos, poderá fazer campanha para a lista. - No Estado X não há problema, pois a liderança regional impulsiona a lista. Mas nos que não tem nem marca nem estas lideranças?

5. E o exercício de formar listas, criou mais insegurança: será pela votação? Será pela fidelidade parlamentar? Partido que inexiste em um município está louco atrás da lista, especialmente se tiver liderança regional para puxar. E o partido que na eleição anterior elegeu uma chapa grande? Como fazer a lista?

6. Para os suplentes - diziam alguns - defendendo a lista, a solução seria reservar 20% dos gabinetes dos eleitos para abrigá-lo e darem continuidade a seu trabalho político.

7. A racionalidade da lista e o exemplo de vários paises, foi sendo desmontada pela diversidade de situações num país continental, federado e de partidos que se unem numa legenda nacional que lhes dá tempo de TV, mas que em cada Estado, é um Partido distinto.

8. Remontar as peças, e estabelecer uma maioria em plenário será tarefa extremamente complexa. Certamente voltará ao debate o voto em lista e distrito dividido pelo meio: o distrital-misto.

quarta-feira, junho 13, 2007

OLHE POR QUE ELES TÊM PAVOR DE PRIVATIZAÇÃO !!

As empresas estatais eram, e continuam sendo uma influência perniciosa sobre as finanças públicas por quatro bons motivos:
(1) em média, dão prejuízo e pagam poucos impostos;
(2) exigem aportes do Tesouro para fazerem investimentos, os quais, quase sempre, fazem pela metade;
(3) quando dão lucro, a taxa de retorno é pífia especialmente se comparada ao custo dos recursos, ou seja, ao custo da dívida pública;
(4) invariavelmente são focos de geração de obrigações previdenciárias e trabalhistas muito além do que conseguem custear a partir dos beneficiários, ou seja, estão repletas de passivos ocultos e "direitos" adquiridos pelas corporações.
Privatização diminuiria ladroagem política
O governo federal deveria retomar o processo de privatização com vigor. Reduziria sensivelmente a corrupção ao diminuir o número de cargos em estatais que loteia entre políticos em nome de uma governabilidade que atualmente inexiste. Tem algum sentido o ditado "A oportunidade faz o ladrão". Para preservar parte de nossa classe política, seria conveniente impedir que ela caísse em tentação.
É furado o argumento de que planos de carreira diminuiriam a corrupção nas estatais ao reduzir o número de cargos de indicação política.
Corrupção existe também na iniciativa privada. A diferença é que o prejuízo não fica com os cofres públicos, cujos recursos vêm dos tributos cobrados de toda a população.
Basta explicar à população que, ao privatizar empresas que funcionam como ninhos de ladroagem, o objetivo é concentrar os recursos do Estado no que realmente interessa!
Vejam que interessante os estudos sobre o que foram as privatizações. Ouçam aqui.
Com a estatização da Petrobrás Bolívia, o país perdeu duas vezes. Ouçam aqui.
"Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e ex-diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - que fez um levantamento próprio sobre os resultados da privatização -, vê como retrocesso a paralisação do processo de desestatização. Ela acredita que falta esclarecimentos à população em geral sobre os benefícios do processo. Pesquisa divulgada ontem pelo Ipespe/Valor mostra que 70% em um total de mil pesquisados desaprovam a privatização de grandes empresas.
Ela também desmistifica o discurso de desemprego pós privatização e cita o exemplo da Companhia Vale do Rio Doce, que tinha 11 mil funcionários em 1997, ano de sua venda, e hoje tem tem 44 mil empregados diretos e 93 mil indiretos."
Eu não entendo porque o petralhas continuam insistindo em usar a Cia Vale do Rio Doce como exemplo de que a privatização é péssima para o país. Não sabem se informar, ler, argumentar...ô praga! Leiam o estudo aqui.
E para finalizar, ouçam aqui o porque dos que não gostam de privatização.

DE LULAS E LAMBARIS! - Segundo a Wikipédia são usados como isca na pesca de peixes maiores!

Lambari (peixe)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Lambari é a designação vulgar de várias espécies de peixes do gênero Astyanax, família Characidae, comum nos rios do Brasil. Seu tamanho médio é de 10 centímetros, possui um corpo prateado e nadadeiras com cores variadas conforme as espécies. São considerados como uma iguaria e também são utilizados como isca na pesca de peixes maiores.

PS: Pois então! Lulla se referiu ao irmão Vavá como um "lambari" perto dos peixes grandes envolvidos em malandragem. Agora estou entendendo bem o que quis dizer!

COLUNA DE RUY CASTRO NA FOLHA DE SÃO PAULO: ATÉ O PRÓXIMO ESCÂNDALO. TRECHOS.

Página da Wikipédia intitulada "Lista de escândalos de corrupção no Brasil",de Geisel para cá. No governo Geisel (1974-1979), a Wikipédia aponta 10 escândalos; no de Figueiredo (1979-1985), 11. No governo Sarney (1985-1990), o recorde negativo: 6 escândalos. Engraçado: na época, tinha-se a sensação de um por dia. No governo Collor (1990-1992), as coisas começam a esquentar: 19 escândalos. E o governo Itamar (1992-1994), para quem sente saudades dele, comparece com 31 escândalos. Adivinhe quem vai para o trono: os governos FHC (1995-2002) e Lula (desde 2003). O primeiro emplacou 44 escândalos; o segundo, 101, e a Wikipédia ainda não incluiu a Operação Xeque-Mate.

EXTREMAMENTE GRAVE! LULA CONFUNDE CONCEITOS: DEMOCRACIA E LEGALIDADE!

1. A estapafúrdia declaração de Lula que a decisão de Chávez sobre a RCTV é democrática, mostra que a ele falta mais que informações: faltam conceitos. Um ato de governo aplicando a legislação existente pode ser legal, mas não necessariamente é democrático. Até as ditaduras definem um marco para a legalidade que estabelecem. E aplicam as suas leis com as justificativas que usam para legitimá-las. Em geral demonizando um adversário e seus riscos. Com isso censuram ou controlam a imprensa, queimam ou proíbem livros, etc...
2. Na visita a Havana em dezembro de 2004, o prefeito do Rio e seu secretário de governo na época conheceram o Centro de Formação de Educação Física Latino-americano, onde estudavam vários brasileiros. Os alunos só podiam ver a TV cubana e mais o Discovery Channel. Numa salinha que visitaram havia 24 horas por dia uma pessoa analisando os programas do Discovery Channel que entravam. Se algum programa fosse considerado ideologicamente perigoso, os sinais eram cortados. Legal? Possivelmente nas regras cubanas de "defender o povo contra a ideologia do imperialismo norte-americano".
3.
Chávez espertamente aproveitou a popularidade de inicio de governo e convocou uma
Constituinte onde teve ampla maioria e criou uma outra legalidade, destituindo ministros da suprema corte, etc...e uma nova eleição para prolongar o seu mandato e poder fazê-lo indefinidamente. Em seguida convocou eleições e uma nova camarade de putados. Na eleição seguinte a manipulação era de tal ordem que nenhum partido opositor se dispôs a legitimar a farsa. Todos os deputados eleitos o foram dos partidos de apoio a Chávez. Recentemente criou um partido único: disse que os que o apóiam ou entravam para este partido ou seriam considerados adversários.
4. Em base a esta "legalidade" Chávez fechou a RCTV.
5. E Lula disse que era um ato DEMOCRÁTICO! Aliás, o PT também e por decisão coletiva.
6. Cuidado! Muito cuidado! Voltemos a Martin Niemöller e lembremos do poema: primeiro foi com "eles": tudo bem. Mas... finalmente chegou aqui.

terça-feira, junho 12, 2007

AGORA É NO EQUADOR!

Estado de São Paulo
Ação contra jornal alarma Equador

As recentes pressões do presidente equatoriano, Rafael Correa, contra a imprensa de seu país revelam um quadro preocupante no que se refere à liberdade de imprensa em mais uma nação latino-americana. As relações entre o presidente equatoriano e os meios de comunicação estão estremecidas desde maio, quando ele resolveu abrir um processo contra o diretor-presidente do jornal La Hora, Francisco Vivanco, por um editorial que dizia que Correa governava com 'tumultos, pedras e paus'.
'Esse processo mostra uma escalada de violência por parte do governo, que vem desqualificando permanentemente os meios de comunicação no país', afirmou Vivanco, por telefone, ao Estado. De acordo com o presidente do La Hora, toda a imprensa equatoriana viu o episódio como uma ameaça clara à liberdade de expressão no Equador.

CICLOS: CONSELHO GERAL DE ENSINO DA GB QUER ADOTAR EM GERAL!

The Guardian, 9/06/2007-. (www.guardian.co.uk)

Todos os exames devem ser abolidos para crianças menores de 16 anos, por causa do estresse provocado e que faz com que os alunos se insurjam contra a própria educação, segundo um conceituado corpo de professores. Num ataque notável à política do governo britânico de prosseguir com a política de exames para crianças a partir do primeiro ano primário, o Conselho Geral de Ensino está clamando por "uma revisão urgente e fundamental do regime de provas". Num relatório, o Conselho afirma que os exames não estão resolvendo a implementação de padrões de educação, levando as crianças à desmotivação e ao estresse, alem de encorajar os adolescentes atingidos a abandonar a escola.

A POLÍTICA COMO TRAIÇÃO!

A) Trecho inicial do artigo de Andrés Ortega em El País.

1. Nenhuma outra atividade, como a política, no sentido da luta pelo poder, implica tanta disposição a trair os mentores que se apresentam como companheiros ou amigos.
2. Maquiavel situou a traição dentro da "virtú" política, que pouco tem a ver com a moral e com o ódio.
3. A traição pode plasmar a dialética hegeliana (só que sem a idéia de progresso) na qual se nega o anterior : não se trai para ser igual ao traído. Isso explica que alguém que estava trabalhando com seu predecessor acabe sendo muito diferente ao chegar à cúspide.
4. Para ser traidor deve se ter resistência. As traições ocorrem dentro de uma mesma família (política). Não se trata de se passar ao inimigo, mas de trair o amigo, o companheiro, dentro do próprio grupo. Os desdobramentos nem sempre são pacíficos


B)
Início de legislatura em 1937. Churchill - já deputado veterano - degustava seu charuto,
aguardando a primeira sessão. Senta-se a seu lado um jovem e estreante deputado, e puxa conversa, apontando para a bancada da frente, simétrica, dos deputados do outro partido, e diz. -É deputado... ali na frente estão os nossos inimigos. Churchill reagiu de bate-pronto: -Inimigos, não. Ali estão os nossos adversários. Nossos inimigos estão aqui atrás.

BOOM IMOBILIÁRIO

OMISSÃO DE GOVERNOS
Algumas, ou muitas, cidades brasileiras, lamentavelmente, não estão preparadas para aproveitar o boom imobiliário que já começa a acontecer em todo o país. Simplesmente, porque seus governos não querem ou não estão atentos aos pré-requisitos de suas responsabilidades.
DEMANDA REPRIMIDA
Tais requisitos de responsabilidade dos governos são aqueles que dizem respeito às questões de infra-estrutura (energia, saneamento, arruamentos) e demais planos que têm o poder de encantar os milhares compradores de imóveis, reprimidos ao longo de anos, que querem participar da festa do consumo habitacional.
INGREDIENTES
O volume de crédito imobiliário, combinado com o prazo concedido pelo agente financiador, mais o preço a ser pago pelo mesmo são ingredientes importantes para que as coisas aconteçam. É assim que acontece no mundo todo. Com ou sem boom imobiliário.
BLOCO NA RUA
Aqui no Brasil, além dos tais ingredientes econômicos, ainda convivemos com o temível risco jurídico, que aos poucos vêm sendo resolvido. Até porque é condição - sine qua non - para os agentes apostarem no negócio imobiliário. Como o custo do financiamento está ficando cada dia mais atraente para os compradores, o negócio agora é só botar o bloco na rua.
CADEIA PRODUTIVA
Junto com a construção dos imóveis toda uma cadeia de negócios e produtos vai atrás. E depois de prontos os imóveis entram para valer os setores do mobiliário, iluminação, cozinhas, artigos para decoração e assim por diante. É por isto que um dos índices mais importantes da economia americana é aquele que mede o desempenho da construção de imóveis. Ele mexe, como se vê, muito com vários setores da economia.
PARTICIPAÇÃO RIDÍCULA
O Brasil, como é pra lá de sabido, depois do fechamento do BNH a participação do crédito para a habitação no percentual do PIB, passou a ser ridículo em qualquer jargão. Menor do que 2%, gente. Isto significa que para comprar casa própria só com dinheiro disponível.
POSSIBILIDADE DE CRESCIMENTO
Observem o quanto o Brasil pode crescer neste fantástico mercado da construção de moradias, comparando o percentual do crédito para habitação em relação ao PIB de outros países selecionados.

Reino Unido = 80%
EUA = 75%
Espanha = 55%
França = 28%
Chile = 15%
México = 8%
Brasil = 2%

Se o país triplicar a relação ainda ficaremos abaixo do México. Que tal?

sexta-feira, junho 08, 2007

UM SÍMBOLO DO ATRASO

PRETENCIOSOS
Não tenho certeza, mas creio que são somente dois os estados brasileiros (PR e RJ)) que adotam o salário mínimo regional. Uma prova clara de que sempre há quem goste de se notabilizar e ficar marcado por certas atitudes pretensamente justas e humanas. Só que, neste caso, pelo atraso e pela estupidez.
OFERTA E PROCURA
Salário é igual a uma commodity. A qualidade também impera na formação do preço do possível contratado. O preço do salário varia, obviamente, de acordo com a oferta e a procura. E os benefícios adicionais concedidos pelos contratantes representam diferenciais importantes para inibir as trocas de empregos.
SERES CELESTIAIS?
Agora me respondam: como é possível que deputados saibam dizer qual o valor mínimo que as pessoas devem receber para trabalhar com carteira assinada? Que condições são essas que os fazem melhor do que o mercado? São, por acaso, seres celestiais que sabem quanto alguém deve receber pelo que faz, minimamente?
INIBIR A COMPETITIVIDADE
Pois foi exatamente isto que aconteceu no Paraná Depois de muita discussão o salário mínimo do PR foi fixado em R$ 457,00. E de nada adiantou as federações empresarias (que compõe os setores que realmente empregam na iniciativa privada) explicarem que isto não vai aumentar os empregos, mas inibir mais ainda a competitividade já pouco existente no PR.

Cometário de Max Gheringer na rádio CBN

"Existem muitos gurus que sabem dar respostas criativas às grandes questões sobre o mercado de trabalho. Aqui vai um pequeno resumo da entrevista com o famoso Reynold Remhn:

Pergunto: Ainda é possível ser feliz num mundo tão competitivo?

Resposta:
Quanto mais conhecimento conseguimos acumular, mais entendemos que ainda falta muito para aprendermos. É por isso que sofremos. Trabalhar em excesso é como perseguir o vento. A felicidade só existe para quem souber aproveitar agora os frutos do seu trabalho.

Segunda pergunta: O profissional do futuro será um individualista?

Resposta:
Pelo contrário. O azar será de quem ficar sozinho, porque se cair, não terá ninguém para ajudá lo a levantar-se.

Terceira pergunta: Que conselho o Sr dá aos jovens que estão entrando no mercado de trabalho

Resposta:
É melhor ser criticado pelos sábios do que ser elogiado pelos insensatos. Elogios vazios são como gravetos atirados em uma fogueira.

Quarta pergunta: E para os funcionários que tem Chefes centralizadores e perversos?

Reposta:
Muitas vezes os justos são tratados pela cartilha dos injustos, mas isso passa. Por mais poderoso que alguém pareça ser, essa pessoa ainda será incapaz de dominar a própria respiração.

Última pergunta: O que é exatamente sucesso?

Resposta:
É o sono gostoso. Se a fartura do rico não o deixa dormir, ele estará acumulando, ao mesmo tempo, sua riqueza e sua desgraça.


Belas e sábias respostas.

Eu só queria me desculpar pelo fato de que não existe nenhum Reynold Remhn. Eu o inventei. Todas as respostas, embora extremamente atuais foram retiradas de um livro escrito a 2.300 anos: o
ECLESIASTES , do Velho Testamento . Mas, se eu digo isso logo no começo, muita gente, talvez, nem tivesse interesse em continuar ouvindo.

Max Gheringer para a CBN".

quarta-feira, junho 06, 2007

MAR DE LAMA

Lendo o noticiário de hoje, me veio à memória um comentário de Franklin Martins, quando ainda atuava na TV Globo, dizendo alguma coisa mais ou menos assim: "Ora, todo mundo sabe que o governo Lula não é um mar de lama". Ele falava para desqualificar as suspeitas que surgiram, se não me engano, com a descoberta do esquema Waldomiro-Dirceu. Pois é... O tempo passou e Franklin, que já operava informalmente como assessor de imprensa do Planalto, assumiu finalmente sua real condição. E de lá para cá, não deu outra: foi só mar de lama.
Hoje poderíamos afirmar o oposto do que disse Franklin: "Ora, todo mundo sabe que o governo Lula é um mar de lama" (com exceção das oposições, é claro). Vejam o noticiário dos últimos dias, rememorem o que saiu na imprensa nos últimos três ou quatro anos e façam as contas:


1) Quantos amigos e parentes de Lula estão envolvidos em casos suspeitos?

2) Quantos colaboradores pessoais, da "cozinha" do presidente, foram acusados de crimes e outras ilicitudes?

3) Quantos ministros e outros altos cargos de confiança do governo federal foram afastados sob sérias acusações de irregularidades?

4) Quantos ministros atuais de sua Excelência estão tentando caminhar "no fio da navalha"?

5) Quantos aliados estratégicos de Lula estão neste momento sendo investigados pela polícia?


Sim, corrupção no Brasil sempre houve, mas nunca a ponto de transformar boa parte da cúpula do governo federal num caso de polícia. Não, não há precedentes para esse mar de lama em que estamos imersos desde 2003.

E não adianta muito a PF fazer uma operação espetacular atrás da outra. Cada nova operação apaga o impacto da anterior, já notaram? De sorte que os presos da operação imediatamente anterior são soltos e vão se acomodando no anonimato enquanto esfria a indignação do distinto público. Amanhã, ninguém vai lembrar mais de nada. E aí eles voltam.

Os escândalos sucessivos vão banalizando o escândalo e vão elevando o nível crítico da indignação. Se alguém desviou um recurso, isso passa a ser quase nada em relação a quem montou uma quadrilha para desviar recursos. Se alguém meteu a mão no dinheiro público, isso passa a ser um mero deslize em relação a quem deturpou a natureza de uma instituição colocando-a a serviço do crime. É como se a falta maior desculpasse a menor.

A espiral da impunidade vai, assim, rebaixando os critérios éticos e, inclusive, diminuindo a eficácia das sanções legais. Esse é o resultado objetivo da perversão da política e da degeneração das instituições promovidas pelo lulopetismo. Não é preciso grande esforço para concluir que isso não pode acabar bem.

Vai aqui um recado para os empresários (já que dezenove em cada vinte grandes e médios empresários acham que tudo bem, porque a economia vai bem, porque Lula não está fazendo besteiras nesse campo etc. e tal, devemos fechar os olhos para a esculhambação geral que o governo está promovendo em todos os demais campos da vida nacional). Atenção, meus caros: abaixo de certo nível de credibilidade das instituições políticas, a segurança jurídica despenca. E despenca de uma vez! Isso é praticamente inevitável, mesmo que a economia mundial e nacional vivam no sétimo céu.

O que estamos assistindo nos últimos dias são apenas os primeiros sinais da putrefação do governo. É razoável supor que haja mais, muito mais do que o está vindo a tona em virtude da impossibilidade de controle sobre todas as facções da Polícia Federal e sobre a imprensa e a mídia em geral.

Se existisse oposição no Brasil é óbvio que este governo já teria sido afastado. Mas mesmo sem oposição - ou com uma oposição jogando a favor do governo, pronta para salvá-lo na última hora - o governo Lula não tem como acomodar adequadamente a massa informe de interesses díspares que hoje compõem a sua base de apoio. Mais cedo ou mais tarde esse arranjo perverso - e perverso inclusive com os aliados, pois que são estes arrebanhados instrumentalmente, comprados com dinheiro, cargos ou outras prebendas para servir aos propósitos de um única organização - tende a ruir. Aí é que nós vamos ver, além do mar, a lama jorrando em múltiplas cascatas, as "Cataratas do Iguaçú" da imundice.

Antes, porém, eles tentarão "disciplinar" a Polícia Federal. Atuando seletivamente (sim, pois que até agora não sabemos a origem do dinheiro do falso-dossiê, nem o que faziam os homens de confiança de Lula na trama - assim como não temos notícia de nenhuma investigação que focalizasse as cabeças coroadas do PT envolvidas em irregularidades), a PF serviu aos propósitos do governo, sobretudo durante a campanha da reeleição, mas agora já começa a se transformar num problema.

Ah! sim, e eles também tentarão, de todas as formas, controlar os meios de comunicação. Mas depois da patacoada de Chávez, isso ficou um pouquinho mais difícil, não é mesmo?

De sorte que a "fórmula" lulopetista de poder, que parecia tão boa, pode não funcionar. Nisso tudo que está vindo à tona não há um dedo da oposição. O esperto Lula já se imaginava realizando o sonho dourado de qualquer governante autoritário: governar com uma 'oposição a favor'. No entanto... apesar de tudo, apesar dos bons ventos da economia mundial, apesar da grande popularidade do líder carismático, o arranjo vem fazendo água; ou melhor, lama.

PESQUISAS E DEMAGOGIA! Aqui... como... lá...!

Trechos da coluna dominical de Mariano Grondona em La Nacion: O Novo Nome da Demagogia!

1. O verbo adular provem do latim adulari, uma expressão próxima a acariciar e a adulterar. Este último verbo provem da raiz AL, ou seja, mais além de ou no latim - alter, outro. Seguindo esta pista etimológica poderia dizer-se que a adulação tem o efeito de alterar, de levar mais além de si mesmo, a quem o adulador adultera, primeiro sua própria imagem para manipular depois a vontade. Fascinado pelo adulador, o adulado - acredita -, e cai, a partir daí, baixo a influência de quem o manipula como um meio para seus próprios fins. As carícias do adulador corrompem a sua vítima, alteram a sua natureza.
2.
Quando Aristóteles tratou deste tema em A Política, distinguiu dois tipos de adulação, conforme o regime político. Nas monarquias os cortesãos inescrupulosos corrompiam o rei mediante as caricias da adulação. Nas democracias, cujo soberano é o povo, os políticos corrompiam o povo mediante as caricias da demagogia. Mas hoje os demagogos contam com um poderoso instrumento que os contemporâneos de Aristóteles não tinham: a capacidade de medir cientificamente os sentimentos e as preferências dos adulados. Hoje a terra fértil que nutre a demagogia é a proliferação de pesquisas.

3. Aristóteles elaborou dois tipos de discurso: o eXotérico - destinado ao publico em geral -, e o eSotérico, reservado a seus discípulos. Da mesma forma há que se distinguir dois tipos de pesquisas: a exotérica, que se exibe ao publico, e a esotérica, para uso reservado do cliente.
4. O objetivo das pesquisas exotéricas, é o marketing. Quando se pode apresentar com um mínimo de verossimilhança, uma pesquisa que favorece a um candidato este decide divulgá-la. Elas tratam de um exitismo, de um jogo de ganhador. O observador deve ter muito cuidado com elas.
5. As pesquisas esotéricas, são as que mais se aproximam da verdade. Mas só o cliente a conhece. Mas que efeito produzem sobre o político que a contrata?
6. O sociólogo Dick Morris, consultor a seu tempo de Clinton, distingue três tipos de políticos: o "idealista falido" que tem grandes ideais, mas não consegue comunicá-los ao publico; o "Idealista Astuto", que tendo grandes ideais consegue comunicá-los e que é o melhor dos políticos porque é o estadista capaz de guiar seu povo. E o pior político é o "Demagogo" que - ao contrário - não abriga nenhuma idéia própria, mas que para triunfar se limita a cultivar sem escrúpulos, o que o público deseja, usando as pesquisas esotéricas sem preocupação com a realidade ou o futuro. Quer governar em direção a seu próprio êxito apenas.
7.
Tanto o idealista astuto como o demagogo utilizam pesquisas esotéricas. Um para comunicar com eficácia seus ideais. O outro para manipular as massas segundo a arte perversa da adulação.

8. Idéias que hoje não atraem majoritariamente o público poderão atrair no futuro quando as fórmulas demagógicas mostrarem sua falácia. Mas no outro extremo da tipologia de Morris milita uma grande quantidade de políticos que se limitam a medir as pesquisas esotéricas para dizer à maioria, em cada momento, o que ela deseja escutar. Estes demagogos se dedicam exclusivamente ao curto prazo: prometem o que se deseja hoje. Quando o humor social muda eles mudam também.
9. Mas seu destino os espera, certamente, em longo prazo, que agora desdenham.

PESQUISAS!
Nenhum instituto de pesquisa na Argentina deu mais que 35% das intenções de voto para Macri, candidato a prefeito de Buenos Aires. Aliás, 35% só um e uma vez. Em geral Macri tinha um pouco menos de 30% das intenções de voto em todos os institutos. Abertas as urnas Macri obteve 45,6%. Com a palavra os institutos para explicar. Se é que dá para explicar.

Como sobreviver a um escândalo*

Meses atrás, Dick Morris - que se tornou conhecido por ter sido assessor de imagem de Clinton, ou marqueteiro, como se costuma chamar no Brasil - publicou seu quarto livro, "O Novo Príncipe" ("The New Prince"). Antes deste vieram "O Salão Oval", em 1997, "Vote.com", em 1999, e "Jogos de Poder", em 2002.
"O Novo Príncipe", ainda não publicado no Brasil, é leitura obrigatória para quem está no poder e sabe da complexidade que é a comunicação dos governos. Ela é muito mais difícil que o marketing eleitoral, mais delicada e mais sensível, por ocorrer dia a dia, todos os dias, e se inserir num universo extremamente diversificado de toda a mídia, de comunicação direta, de boatos, de opinião pública segmentada, de contracomunicação da oposição e dos insatisfeitos. Morris trata disso na parte 2 de seu livro, que chama "Governar".

A força de um escândalo é a sua importância política, ou seja, o quanto ele está vinculado às decisões de governo

Essa segunda parte se divide em 80 páginas e vários capítulos tratando de temas tão delicados como a necessidade de uma maioria cotidiana, exercício da liderança, agressividade ou conciliação, inércia burocrática, cuidar das costas/ controlar seu partido, cortejar a oposição, grupos de pressão, como arrecadar dinheiro e continuar sendo virtuoso, o mito da manipulação da mídia, como sobreviver a um escândalo etc. É este capítulo, "Como Sobreviver a um Escândalo", que me parece leitura obrigatória para todos os que acompanham com atenção a conjuntura das relações perigosas dos bingos e jogos eletrônicos na qual nos encontramos.
Morris inicia-o com uma assertiva: "Não há maneira de "ganhar" na cobertura de um escândalo. A única maneira de sair vivo é dizer a verdade, agüentar o tranco e avançar". E continua: "Depois, há que distrair a atenção do público sobre o escândalo, centrando-se em outros temas mais amplos de sua agenda". Se ele for ultrapassado.
O autor, a partir daí e com a vasta experiência junto à imprensa norte-americana no desencadeamento da divulgação de escândalos de todos os tipos, lembra que, quando se abre um escândalo, o repórter que o descreve tem munição guardada para os próximos dias e os editores fatiam a matéria, pedaço a pedaço, para produzir a cada dia uma nova revelação. Ou seja, de nada adianta querer suturar o escândalo com uma contra-informação no nascedouro da notícia, no veículo que a publicou, pois virão outras logo depois, desmoralizando a defesa. Sem esquecer que outros veículos entram para concorrer com fatos novos.
A chave, para Morris, é não mentir. Para ele, o dano de mentir é mortal. "Uma mentira leva à outra, e o que era uma incomodidade se aproxima da obstrução criminal da Justiça." Ele sublinha que a força de um escândalo é a sua importância política, ou seja, o quanto ele está vinculado às decisões de governo, pois as pessoas perdoam muito mais facilmente aqueles fatos que não têm relação com o ato de governar, como escândalos privados, de sexo, amantes, drogas... Morris diz que é sempre bom olhar e pesquisar bem a reação final do público em relação ao acusado. "Se os eleitores se mostram verdadeiramente escandalizados com o que dizem que você fez, é melhor que não tenha feito. Roubar dinheiro quase sempre não se perdoa."
Em outros tipos de escândalo, os eleitores se mostram menos intransigentes, mais suaves e compreensíveis. Ele divide a reação dos eleitores por faixa de idade. Os mais velhos são quase sempre os menos tolerantes com os escândalos de qualquer tipo. Os de idade intermediária, nascidos nos anos 50, tendem a ser mais flexíveis, especialmente com escândalos ligados a droga, sexo e outros tipos de comportamento privado. Os eleitores de 20 a 30 anos são conservadores, mas pragmáticos, e querem saber mesmo é da vida que suas próprias famílias levam, fixando-se mais no caráter da pessoa do próprio governante. Portanto, além da complexidade ao enfrentar um escândalo, a comunicação de governo sobre o que está ocorrendo deve ser, pelo menos, etariamente segmentada.
Da leitura de "O Novo Príncipe", especialmente da parte 2 e do capítulo sobre escândalos, uma conclusão pode se tirar para a nossa conjuntura: ou as autoridades de primeira linha do governo nada - absolutamente nada - têm a ver com as "waldomiralhas", ou o jogo está perdido. Se estiver perdido, e à medida que a pessoa presidencial nada tem a ver com isso, é bom que eventuais responsáveis sejam de fato -e não pró-forma- afastados de qualquer convivência governamental, por traição de confiança. Caso contrário, o próprio governo será contaminado e terá perdido precocemente a batalha de opinião pública e, conseqüentemente, a batalha política. Por exemplo: nenhum presidente sul-americano tem os deveres de casa econômicos tão bem feitos quanto o do Peru - reservas, inflação, crescimento - e, ainda assim, nenhum é tão mal avaliado quanto ele. O governo peruano se desfez numa ampla diversidade de escândalos, que passou por camas, drogas e outros quesitos. Eles foram sendo perdoados, até que chegaram aos cofres e foram empurrados como os escândalos anteriores. Nesse ponto o governo acabou: não podia, ou não queria, falar a verdade.
É recomendável aos governantes a leitura de "O Novo Príncipe". Custa menos e vale mais do que a maioria das assessorias e consultorias de publicidade, que ganham muito e produzem pouco para a imagem dos governos.

Cesar Maia, 58, economista, é prefeito, pelo DEM, do Rio de Janeiro.

*ARTIGO PUBLICADO NA IMPRENSA E REPRODUZIDA NO BLOG – ANTES DE SER EX - DOIS ANOS ATRÁS! COMO SOBREVIVER A UM ESCÂNDALO!