sábado, janeiro 31, 2009

Comercial da Igreja Católica

E AGORA RAFAEL? COMO FICA A MOEDA? VOCÊ NÃO É, OU ERA, ECONOMISTA?

1. O Equador decretou moratória da dívida externa. Isso significa uma interrupção de empréstimos externos e de financiamento das importações do país, que terão que ser pagas a vista. Bem, nada demais se a sua moeda fosse ainda o "sucre". Mas não é. O Equador adotou o dólar como moeda de circulação há alguns anos atrás. A Argentina teve que abandonar a conversibilidade quando o dólar circulava como moeda de curso normal no interior da economia.

2. Tendo o dólar como moeda de circulação e não tendo canal de irrigação de sua base monetária, terá obrigatoriamente que ter um superávit sustentável em sua balança comercial, que é concentrada em bananas e petróleo. Sendo assim, esse superávit será o limite de irrigação de sua economia, se houver. Se não houver, a economia fica estrangulada e os juros vão para as alturas. Se abandonar o dólar, a inflação irá para as alturas. E se o superávit for pequeno, será condenada a uma economia primário-exportadora tradicional.

3. A outra alternativa, com licença da má palavra, será flexibilizar o tráfico ou produção de cocaína, e com isso produzir dólares. A economia da Colômbia nos anos das crises no México (efeito tequila), Ásia e Rússia, não sofreu quase nada pelo circulante paralelo.

“CRESCIMENTO ZERO SERÁ BOM RESULTADO PARA O BRASIL EM 2009"

Estado de SP. Trechos da entrevista de Kenneth Rogoff. Professor em Harvard é um dos mais respeitados economistas do mundo hoje. Foi economista-chefe do FMI

1. A economia global está apenas entrando na pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. As commodities estão despencando e o mercado de crédito secou. Ou seja, é uma situação extremamente difícil e perigosa. O crescimento no Brasil certamente vai desacelerar. Mas, ao mesmo tempo, a inflação permanece elevada. Isso deixa ao Banco Central um espaço menor para responder como gostaria (à desaceleração). Além disso, o real depreciou-se fortemente. Reduzir a taxa de juros desvaloriza o real à frente. Mas, como os juros estão caindo rapidamente mundo afora, o BC brasileiro acabará reduzindo a taxa.

2. Qual sua projeção para o crescimento do Brasil em 2009? Crescimento zero será um bom resultado, levando-se em conta o ambiente global. / Mas as pessoas aqui falam algo entre 2% e 3%. Elas são otimistas. A economia global está afundando muito rapidamente. / O que o Sr. espera especificamente para os EUA? Uma recessão que dure 2009 inteiro. Em 2010 e 2011, o crescimento ainda permanecerá lento, abaixo de 2%. Os preços das residências continuarão a cair e o desemprego, a subir. Os emergentes também terão uma queda em 2009, mas se recuperarão mais fortemente em 2010 e 2011. / E o PIB (Produto Interno Bruto) americano em 2009? Crescimento negativo entre 3% e 4%.

CRISE ATUAL É O INVERSO DA DE 29 EM SUAS CAUSAS! OS REMÉDIOS NÃO SÃO OS MESMOS!

Este Blog recomenda a leitura. Fez a redução possível no artigo de Daniel Gustavo Montamat, doutor em economia, publicado no La Nacion!

1. Os sintomas dessa crise se parecem com os da crise dos anos 30, pelo consenso unânime de injetar liquidez. Mas a causa é distinta da observada na crise de 1930: aquela foi uma crise de sobre-produção e esta é uma crise de sobre-consumo. Para facilitar a digestão dos desequilíbrios, impõe-se preservar os mecanismos que dinamizem o comercio mundial. Estados Unidos deverão reativar-se mais por meio de investimento e de exportações do que por consumo.

2. A primeira globalização, que experimentou a economia mundial no final do século XIX e começo do século XX, também teve fundamento num salto tecnológico com grandes lucros de produtividade. O mundo se tornara interdependente como nos nossos dias. Aquela globalização acabou por impulsionar a crise dos anos 30, que, tal como o atual, ficou caracterizada como financeira, quando, na realidade, também foi precipitada por desequilíbrios econômicos.

3. É esclarecedor estudar o comportamento da economia americana no período anterior à depressão dos anos 30. Conforme a produção aumentava e o emprego baixava, a produção por homem/hora (produtividade da mão de obra) se incrementava com rapidez; de fato, entre 1920 e 1929. Em 1929 os lucros das grandes empresas manufatureiras se elevaram de modo significativo: triplicaram em comparação com os de 1920. A iniqüidade na distribuição dos benefícios da produtividade daquela segunda revolução industrial, junto com a ausência de mecanismos de crédito hoje existentes e o predomínio de preferências de consumo moderno, gerou uma crise de sobre-produção e de sub-consumo nos Estados Unidos, que se propagou para o resto do mundo.

4. As receitas keynesianas para ocupar os recursos ociosos e ativar a demanda global eram o remédio apropriado para digerir os estoques acumulados e colocar de novo plenamente em funcionamento o aparelho produtivo. Naquela crise, o mundo se fechou ao comércio com políticas protecionistas, adiando a digestão dos desequilíbrios e prolongando a tendência recessiva.

5. A crise econômica atual, também tem sua origem em grandes desequilíbrios da economia dos Estados Unidos. Mas, neste momento, ao contrário dos anos 30, estamos diante de sobre consumo. Também a onda globalizante do final do século passado e do começo deste século está originada numa revolução tecnológica. Como nas ondas anteriores, geraram-se lucros substanciais de produtividade.

6. Os salários dos chineses e a competência de sua manufatura favoreceram a estabilidade de preços e o poder de compra de muitos bens derivados da nova tecnologia industrial. O surgimento da China e de outros países emergentes na economia global também explica em boa parte o auge dos preços de energia e de alimentos nos últimos anos.

7. Entre 1950 e 1980, por cada dólar de produto mundial havia um dólar e cinqüenta de crédito. Em 1990, a relação passou de 1 para 3 e, em 2007, de 1 para 4,5. O crédito fácil e a alquimia financeira, em que a atomização do risco implica em sua eliminação, foram fundamentais para o consumismo, porque permitiram flexibilizar as restrições orçamentárias até os limites irracionais. Durante muitos anos, a economia americana consumiu acima de suas possibilidades, operando como comprador em última instância dos excedentes comerciais do resto do planeta, que a financiaram com excedentes de poupança.

8. A comunidade internacional operou até agora sobre os efeitos financeiros da crise. O fantasma dos anos 30 obrigou a tomar medidas para assegurar a liquidez do sistema. Agora cabe a vez de atacar a causa econômica da crise. Isto também compromete um esforço mundial concertado. Numa sociedade onde houve sobre-consumo, deve-se ter cuidado com as políticas de estímulo da demanda global, mesmo quando a recessão freie as vendas e acabe por aumentar os estoques.

9. A atual administração (com Alan Greenspan na direção da Reserva Federal) enfrentou a crise das ações ponto com e a recessão do princípio do novo século com um arsenal de políticas monetárias e fiscais destinadas a estimular a demanda. Logrou o objetivo por alguns anos, até a explosão da bolha imobiliária. Voltar a estimular o sobre-consumo americano para sair da crise é o atalho que muitos imaginam, porque subscrevem o diagnóstico financeiro e subestimam o diagnóstico econômico do problema.

10. Cuidado, porque a ansiedade de curto prazo pode levar a fomentar outras bombas de tempo no futuro imediato. O acordo mais relevante para abordar o capítulo econômico e as conseqüências sociais da crise passa por preservar os fluxos do comercio mundial. O comercio permitirá reequilibrar a economia mundial minimizando os custos inevitáveis do ajuste. A volta a praticas protecionistas pode tornar as coisas muito mais difíceis. Estados Unidos deverão reativar-se com ênfase nas exportações e nos investimentos.

11. A crise e suas prioridades não podem adiar decisões fundamentais em matéria de energia, meio ambiente e recursos naturais. Em tempos pós-modernos, um papel chave que deve reforçar-se nos Estados e nos organismos internacionais é a representação no presente dos interesses das futuras gerações. Quando as vacas gordas voltarem para inaugurar outro ciclo, a comunidade internacional deve ter acordos avançados que reconciliem o crescimento com desenvolvimento sustentável.

PRESIDENTES SE SENTEM NO DIREITO DE GOVERNAR SEGUNDO LHES PAREÇA MELHOR!

Trechos da entrevista de Guilherme O'Donnel, doutor em Ciência Política, argentino que por muito tempo deu aulas em São Paulo. La Nacion - 10/12/08. Serve muito bem para o Brasil.

1. A base de tudo isso está numa forte tradição argentina de movimentos e de delegações. Não apenas o peronismo, em sua tradição histórica, mas também o radicalismo. Esta concepção de movimentos totalizantes leva a padrões de democracia de delegação, democrática porque as autoridades resultam de eleições razoavelmente limpas. Mas a idéia é que, uma vez eleito, o presidente ou a presidenta sintam o direito, não somente a obrigação, de governar segundo lhe parecer melhor, sem restrições institucionais.

2. Essas seriam simplesmente doenças impostas pelo regime democrático, que se deve procurar evitar, cooptar, anular, tornar o mais ineficaz possível, a fim de que o Executivo eleito decida o que parece melhor para o país, bem ou mal, em boa ou má fé. Essa forma de conceber o poder é intrinsecamente anti-institucionalista. Vale a idéia de que “eu ganhei e, então, tenho o direito de dirigir este país de acordo com o que me parece adequado e vocês, que perderam, só podem esperar as próximas eleições e ver se as ganham, e talvez tenham o direito de fazer as coisas sem consulta, como eu faço hoje”. O enorme desafio da política argentina é o de superar esta visão.

3. Todo partido ou toda coligação de partidos, esteja governando ou não, o que deveria fazer é coincidir em bases programáticas. Ouvimos todo o tempo frases de que se deve melhorar a qualidade institucional, combater a pobreza, que se impõe melhorar a distribuição da renda, são frases legítimas, mas vazias, quase lugar comum. Quem as diz não está dizendo nada.

4. Meu sonho seria que, nas próximas eleições, os partidos apresentassem programas. Quais são as grandes questões importantes para nós? Cinco ou seis. Acerca disso, vamos fazer a, b, c, d? Diretamente ou por intermédio do Legislativo. Meu sonho inclui tanto os que perderam quanto os que ganharam aceitem observatórios nos quais existam setores responsáveis da sociedade civil que observem e continuem assinalando os intentos reais de cumprimento ou não desses programas.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

AI-5: UMA OUTRA VERSÃO!

A história do AI-5, que completou 40 anos dia 13 de dezembro, passado é contada como desdobramento da decisão da Câmara de Deputados de não permitir o julgamento do deputado Marcio Moreira Alves, garantindo sua imunidade parlamentar. Em seguida o presidente Costa e Silva convocou os ministros próprios para tomar a decisão.
Este Blog teve acesso a um relato de um ex-Prefeito do Rio, que estava preso na época no DOPS de Minas Gerais, a respeito e obteve outra versão. Naquele dia 13, conta o Prefeito, os presos políticos no DOPS foram chamados a arrumar seus pertences e subir a ante-sala do delegado. Este leu o mandato de soltura dos mesmos. E em seguida leu o AI-5, o que tornava sem efeito o mandato e os mandou de volta para a cela.

Para o Prefeito, tudo leva a crer que o caso Marcio Moreira Alves foi um pretexto para uma decisão que estava madura para ser tomada. Numa matéria da FSP com o ex-ministro-chefe da Casa Civil do Presidente Costa e Silva, Rondon Pacheco, confirma essa avaliação do Prefeito. O Prefeito lembra que o voto sendo secreto, parlamentares da própria base do governo poderiam ter votado contra o governo por recomendação deste.

Os presos no DOPS de BH estavam juntos no Congresso de Ibiuna, mas todos eram dirigentes de suas organizações políticas, que adotaram a luta armada. Já estavam presos, portanto há 2 meses. A leitura deste mandato de soltura sugere que o judiciário estivesse adotando o mesmo procedimento no caso de outros presos políticos, já que estes, naquela época, tinham destaque.

Segundo o relato de Rondon Pacheco à FSP, na reunião de ministros, a proposta do ministro da justiça, Gama e Silva, incluía o fechamento do Supremo. Ou seja, a intervenção seria na justiça também. A ditadura perderia o disfarce. O voto do ministro Aliomar Baleeiro, no STF, autorizando processar o deputado, é mostra disso e foi uma tentativa, ingênua, de salvar o judiciário.

A decisão final, e para isso basta ler o texto do AI 5, resumido pelo ESP no caderno especial, cumpriu com os mesmos objetivos ao restringir o direito ao habeas corpus, assim como a quaisquer recursos à justiça por parte dos presos políticos.

Com isso, o poder judiciário, em todas as suas instâncias, deixava de decidir no caso de presos políticos. Era como se houvessem dois judiciários. Um, o próprio governo federal, para os casos dos presos políticos, onde o judiciário deixou de ser um poder. E o outro, o judiciário, para todos os demais casos.

Na versão do Prefeito, o AI-5 foi baixado contra o judiciário, retirando dele qualquer poder de julgamento sobre os presos políticos. E isso deve ter ocorrido pelo fato de mandatos de soltura, habeas corpus, relaxamento de prisões, acesso de advogados ou familiares estarem começando a serem decididos pelo judiciário.

Mas como fazê-lo? E por quê? Nada mais adequado do que estabelecer uma ruptura provisória com o legislativo usando o caso do deputado como pretexto. Em seguida se excluía os presos políticos do alcance do judiciário e se reabria o Congresso, mantendo a mesma caricatura de democracia.

Na medida em que a repressão ganharia, a partir daquele momento, uma intensidade de violência muito maior, com depoimentos sob tortura e com confronto com as organizações armadas, haveria a necessidade de retirar tais atos do alcance do judiciário. Se o judiciário já começava a decidir em casos mais simples, como o exemplificado no início, ele não poderia funcionar. Mas fechá-lo seria de uma vez por todas tirar as máscaras do regime. A solução melhor foi o pretexto, e em seguida o AI-5, deixando o judiciário aberto, mas fora dos "crimes" políticos.

O VICE-PRESIDENTE!

1. Pediram minha opinião sobre como se deve organizar uma chapa de Presidente e Vice no Brasil e se o ideal é que o Presidente seja de uma região e o vice de outra para somar votos. As eleições brasileiras, assim como outras nas Américas, onde há vice-presidente, não têm demonstrado isso. Em geral o papel do candidato a Presidente é tão destacado e a eleição tão personalizada nele, que o vice, em outra região, cumpre muito pouco ou nada o papel de agregador de votos.

2. É claro que numa Federação como o Brasil, obrigatoriamente o vice terá que ser de um Estado diferente do Presidente, mas não será isso que vai afetar o resultado eleitoral. JK escolheu Jango por razões de ordem política para mobilizar o PTB, um partido popular em razão do acordo por espaços no governo.

3. Jânio escolheu Milton Campos para compor seu discurso da ética. Collor escolheu Itamar pensando na questão regional, mas essa não teve qualquer impacto. FHC compôs com Marco Maciel muito mais pela capilaridade do PFL em áreas onde o PSDB era fraco. Mas a eleição se deu em torno do Plano Real. Lula escolheu José de Alencar para sinalizar que não haveria radicalização política em seu governo, não por razões regionais.

4. As questões que cercam a escolha do vice são de duas índoles: a confiabilidade, a lealdade e a discrição, de forma a que o presidente possa ser substituído em viagens e que a personalidade do vice não concorra com a do presidente. Uma vez vencido esse obstáculo, então se avalia que perfil reforçaria a imagem do presidente e geraria mais entusiasmo com a expectativa de poder.

5. A escolha que não atentar para estas razões pode produzir um multiplicador negativo. A chapa Lott-Jango não foi sinérgica, assim como a Lula-Brizola. Na ânsia de agregar, muitas vezes se constrói o inverso. Não observando o item 4, a chapa mesmo que vencedora vai realizar um governo instável, com a expectativa do vice de ir além das funções de substituição na ausência. Exemplo disso foi a chapa Getulio Vargas-Café Filho onde o vice conspirava contra o presidente no momento da crise de 1953/1954. A tudo isso se chama de engenharia política, onde se trabalha simultaneamente a melhor equação de vitória e a melhor de governo sem que uma afete a outra.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

MEU CARO PRÍNCIPE

Se realmente pretender o desenvolvimento do Brasil de forma sustentável por mais algumas décadas será necessário, entre outras coisas, promover uma reforma tributária de forma justa.

Há mais de quatorze anos os presidentes Henrique Cardoso e Lula da Silva formularam várias propostas sem conseguirem as mudanças fundamentais. As não poucas alterações aprovadas serviram unicamente para aumentar a capacidade de arrecadação do poder público em prejuízo do povo.

Uma reforma para ser saudável deve ser neutra. Neutra em relação ao “status quo” da distribuição de recursos entre a União, Estados e Municípios. Afinal de contas continuamos como uma Republica Federativa.

Deve também ser neutra em relação às disputas regionais.

Outro cuidado deve ser com respeito aos custos entre os setores sociais e econômicos que recolhem tributos. Acho que precisam ser mantidos, no máximo, os atuais, podendo ocorrer redução em alguns. Imperiosa é a neutralidade.

Pautado com esses princípios o meu caro príncipe poderá bloquear os interesses corporativos e federativos que os parlamentares, governadores, prefeitos e entidades sindicais patronais e dos trabalhadores procurarão introduzir, aproveitando a oportunidade da mudança.

Como imposto bom é o imposto velho, sugiro aproveitar a última proposta como “boneco”. Exclua a taxação de petróleo e energia elétrica nos Estados de origem, seguindo a regra geral de taxação no destino; exclua a prorrogação da provisória Zona Franca de Manaus; reduza o prazo de ajuste os “incentivos fiscais” criados pela guerra fiscal; Não amplie os recursos para o FNDR (Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional); E exclua os outros penduricalhos que a “corporação” introduzirá em 2009. E exclua o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) do IVA-F e do partilhamento de sua refeita pelos entes federados. Em compensação inclua no partilhamento a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), através de sua incorporação ao Imposto de Renda. Em 2007 o IPI arrecadou R$ 33,8 e a CSLL R$ 34,4.

Se Maquiavel estivesse vivendo nos tempos atuais, a sua segunda carta ao príncipe seria mais ou menos de acordo com o texto acima.


Enviado por Hélio Mazzolli – economista – Sócio RI 61878 - Rotary Club Criciúma


quinta-feira, janeiro 08, 2009

RICHARD SENNET - Trechos

Sennet (foto), autor consagrado em livros como "O Declínio do Homem Público" e "O Carne e Pedra", esteve em SP no mês passado participando da Conferência Urban Age. É professor da New York University e da London School of Economics.

1. "É uma escolha construir em favelas ou em outro lugar. Minha preferência é valorizar as pessoas que já vivam em uma determinada área melhorando suas residências (com água, eletricidade, etc..). O que eu sou contra é derrubar tudo e construir de novo. Sou absolutamente contra. Eu acho que você constrói com aquilo que tem. Esse é o tipo de urbanismo que eu defendo: dar um passo de cada vez."

2. “Nessa crise tem se prestado muita atenção aos bancos, ao sistema financeiro global. Penso que se deva dirigir o foco para as pessoas e para o trabalho. Isso significa prestar muita atenção nas economias locais.
...Precisamos então nos preparar. E isso significa criar empregos locais."

sexta-feira, janeiro 02, 2009

A dificuldade de atuar !

Trechos do artigo de Ignácio Sotelo (foto), catedrático de sociologia, no El País de 02/12/08.

1. “Pensar é fácil, atuar, difícil; mas o mais difícil é atuar seguindo nosso pensamento”, escreveu um Goethe que soube combinar a criação com a atividade político-administrativa. Se a ação se move no plano de uma política que persegue uma única preocupação, chegar ao poder e, quando o tiver alcançado, não perdê-lo, as complicações crescem exponencialmente, ao chocar com estruturas consolidadas de poder.

2. Nada é mais perigoso em política do que abandonar a via traçada para alcançar objetivos estabelecidos. Chega ao alto o político que, alheio a qualquer originalidade na ação ou no discurso, se tenha identificado por completo com o partido a que pertence, defendendo os interesses, mas também o estilo e os pré-julgamentos dos grupos sociais que representa. Nada prejudica tanto o político profissional como uma ação ou um pensamento fora do esperado, contra os que tendem a estar muito bem blindados.

3. A política se converteu, assim, ao âmbito do tópico e da rotina, onde desde um primeiro momento cabe excluir qualquer surpresa no discurso ou nos comportamentos. O mais grave é essa mesma atitude ter-se estendido à informação e aos comentários jornalísticos, que se movem também de maneira automática. Aumenta, nessas condições, a distância entre o que ocorre num mundo que se está mudando em alta velocidade e a avaliação coletiva que se tem disso.

4. A crise não rompeu porque os cidadãos a pé fizeram fila nos bancos para recuperar os depósitos; foram os bancos que, desconfiando uns dos outros, tornaram patente a crise. São os Governos, ou seja, os responsáveis pelo controle do sistema financeiro, sobre cuja solidez até a pouco não perdurava nenhuma dúvida, os que puseram em circulação as maiores suspeitas, ao anunciar garantias crescentes. Enquanto não se conheçam as causas, não há como recuperar a confiança e não cabe identificá-las dentro das coordenadas teóricas que impõem as relações de poder que estão desmoronando a olhos vistos.