terça-feira, setembro 30, 2008

Esse tem meu voto!



ENERGIA SOLAR

Quase metade da energia solar produzida no mundo ocorre na Alemanha. Esse impacto é fantástico. Mas o que realmente faz com que a Alemanha consiga esse desempenho? Isso porque se sabe que grande parte do tempo por lá é nublado.
A resposta está no direito de todo cidadão poder montar uma pequena central de energia de fontes renováveis e as operadoras da rede elétrica do país são obrigadas a comprar o que for produzido. E pagam uma tarifa preestabelecida que vale por 20 anos. É o que permite uma lei conhecida pela sigla EEG (Erneuenbare Energien Gesetz) promulgada no ano 2000.

O megawat hora (MW) da energia solar produzida pela utilização de placas fotovoltaica é vendido a 460 Euros. Equivalente a R$ 1.150,00 na paridade do euro a R$ 2,50 (câmbio antes da turbulência). Para ter idéia de grandeza, o MW cobrado no Brasil é em torno de R$ 430,00 para consumo residencial acima de 150 kWh. Sem o ICMS (R$ 107,50) e sem o Pis e Cofins (R$ 39,80) o MW no Brasil fica em torno de R$ 280,00. O custo da energia nova, basicamente oriunda de termoelétricas, para os consumidores do mercado livre situa-se em torno de R$ 150 o MW. O consórcio vencedor da usina de Jirau comprometeu-se a vender o MWS a R$ 78,87.

Os produtores alemães vão desde grandes empresas a simples moradores que colocam painéis fotovoltaicos sobre os telhados de suas casas. Há cooperativas de unidades fotovoltaicas que faturam mais com o investimento na implantação de painéis do que com o dinheiro depositado no Banco.

A edição de Exame de 24/09/2008 publica uma série de estudos. Entre os estudos sobre energia figuram dados sobre as lições da Alemanha (página 14 e seguintes). Muito oportuna a sua leitura.

segunda-feira, setembro 29, 2008

TEORIA DA BALOTAGE!

Balotage é como os argentinos chamam uma eleição com segundo turno, "espanizando" o termo. Uma eleição em dois turnos tem uma dinâmica política específica, que vem estudada pontualmente por muitos politólogos. Em 1999 o Instituto Friederich Nalmann do Partido Liberal Democrático da Alemanha patrocinou em Montevidéu um seminário com especialistas europeus e latino-americanos sobre os mistérios da balotage. O atual Prefeito do Rio foi convidado e participou como ouvinte e debatedor.
Esses mistérios estão localizados em como desenvolver o primeiro turno de forma a construir a ponte para agregar forças num segundo turno. Isso terá que se dar na comunicação dos candidatos e suas propostas divulgadas. Uma primeira análise é saber quais dos demais candidatos os seus eleitores poderiam num eventual segundo turno serem atraídos para a sua candidatura. De nada serve escolher um candidato de amaciamento, se seus leitores são antípodas de sua candidatura.

Uma vez escolhidos os candidatos de amaciamento, há que se escolher um deles. Esta escolha terá dois aspectos. Primeiro não pode chocar os seus próprios eleitores. Segundo, deve ser uma candidatura com lastro de forma a que valha a pena amaciar. Amaciamento é encontrar qualidades neste candidato ou no mínimo não atacá-lo.

Mas há um risco. Se o candidato de amaciamento tem lastro, ou seja, tem intenções de voto significativas, esta tática sempre terá o risco de que este cresça e o ultrapasse. Em 2000, o atual prefeito do Rio aplicou esta tática de amaciamento na candidata do PT e no candidato do PDT. Este duplo amaciamento era necessário porque eles trocavam votos entre si e a queda do candidato do PDT poderia levar a do PT ao segundo turno.

A tática funcionou, mas o risco foi enorme. A diferença dele para a terceira colocada do PT foi de apenas 14 mil votos. Mas esse amaciamento foi decisivo, pois esta agregação de votos no segundo turno foi milimétrica e deu a vitoria ao atual prefeito no final.

A eleição no Rio-Capital em 2008 partiu com 4 candidatos de oposição, viáveis. Inevitavelmente terão que criticar o governo. Mas qual será esse limite? E - os cinco candidatos - inclusive a do prefeito, que alvos devem escolher e que candidato ou candidatos devem amaciar?

O desespero de ir para o segundo turno, muitas vezes torna inviável a própria candidatura no segundo turno. Portanto a agressividade deve ser medida, como oposição ou entre a oposição, e desde a candidata do prefeito em relação aos demais. Eles têm pensado nisso? Ou só se fixado no primeiro obstáculo.

A ansiedade virá porque esta escolha de amaciamento - s - atrasa a agregação de intenção de votos, mas pode ser a pedra de toque da vitória no segundo turno.

PARA ENTENDER O PRÉ-SAL

1. Este Blog convidou três técnicos seniores da Petrobrás com especialização em pesquisa de petróleo em águas profundas e fez perguntas simples, que todos fazem. Quais as reservas estimadas? Quanto custará a extração? Quanto tempo levará para se tornar comercial?

2. A primeira resposta é que nunca serão reservas inferiores a 30 bilhões de barris, mas podem ser 70, podem ser 100 podem ser 150, podem ser 200, podem ser até de 250 a 300 bilhões de barris (que nesse caso seria uma Arábia Saudita). O custo da extração, segundo eles, mesmo chegando aos enormes valores divulgados só seria um problema no caso de reservas mais próximas ao mínimo. Fora disso as linhas de financiamento estariam disponíveis, pois seguro o retorno. Quanto ao tempo para se tornar comercial, nunca seria antes de 2020.

3. Então este Blog perguntou: - Por que essa discussão sobre ter uma empresa nova ou não? A explicação é muito simples. Com as possibilidades de reservas estarem num amplíssimo intervalo entre 30 e 300 bilhões de barris, se uma empresa nova for criada, esta colocaria no mercado financeiro e de capitais, papéis cujo valor flutuaria de forma especulativa por pelo menos cinco anos, variando entre ser um "mico", na pior situação, e ser um "maná" na melhor situação, para os especuladores.

4. E este Blog perguntou: - A quem interessa a empresa nova? Resposta pronta: aos especuladores no mercado financeiro e de capital com enorme risco para o país, de especularem subavaliando as possibilidades das reservas, e ao próprio governo federal, que poderia adiantar receitas em curto prazo, mesmo que a risco de estar transferindo fortunas. Por isso se discute onde aplicar as receitas do pré-sal 12 anos antes de existirem. Fazer caixa a vista induzindo a especulação é o que pretende o governo federal.

quarta-feira, setembro 24, 2008

O Chefe!

Trechos da entrevista de Régis Debray (foto), ao La Nacion!

1- No fundo, o político consiste em evitar o pior. E o que é pior para o grupo humano? A desunião, o desmembramento, a dissolução. O chefe existe para lograr a unidade. Seja onde for, é o chefe que mantém a coesão ou produz a unidade no seio de um grupo.

2- O chefe é sempre um homem de palavras. Uma palavra que cristaliza, que dinamiza, que constrói o rebanho. Estou-me referindo ao rei pastor, que não é o único arquétipo. É o que mostra o caminho. Moisés é o exemplo perfeito. É a versão semítica, arcaica, mas Bonaparte também foi rei pastor.

3- Há o rei tecelão. Seu trabalho é o de conciliar os audazes e os conservadores. Em toda a sociedade existem aqueles que querem mudar e aqueles que querem conservar. O papel do chefe tecelão é o de harmonizar a cadeia e a trama, tornar compatível o que em princípio não o é. Simbolicamente, rei tecelão deve fabricar um abrigo que protegerá o grupo do frio, do desmembramento, da dispersão.

4- Estou me referindo a dois modelos fundamentais, mas muito atuais, de chefe. As pessoas desejam ter um chefe ao se sentirem ameaçadas pela dissolução.

5- Há muitas modalidades de chefe. Há o chefe distante, como De Gaulle ou Che Guevara. Esta observação lhe parecerá surpreendente, mas ambos eram pessoas que se mantinham à distância, com certa frieza, com certo déficit voluntário de comunicação. Depois, está o chefe efusivo, o chefe de proximidade. Penso, por exemplo, em Fidel Castro.

6- O chefe é o dono do tempo. Não se deixa impor pelo tempo: cria seu ritmo. Criar o calendário é um privilégio do chefe. O chefe é amado pelos seus, mas pode não amá-los. É alguém que tem o privilégio de não amar. Isso é o que se chama de impassibilidade do chefe, até sua indiferença. Uma vez, perguntei a François Mitterrand qual era seu segredo. Respondeu-me: “A indiferença”.

7- Trata-se de uma certa distância de todos, enquanto todos devem estar próximos, devem sentir-se próximos ao chefe e, sobretudo amados por ele. O chefe é a pessoa capaz de cerrar os dentes e ter suficiente confiança em si mesmo para inspirar aos demais. O chefe tem essa capacidade, que às vezes se chama a implacabilidade, que é muito fácil de admitir na guerra.

8- Por isso, é tão difícil para um intelectual ser chefe. Porque, por definição, um intelectual é aquele que duvida sempre, que coloca em julgamento suas idéias e suas opiniões.

9- O chefe é o encontro entre uma personalidade e uma conjuntura. Isso não se aprende.

10- O chefe que se deixa ver com demasiada freqüência em rêmige, praticando o jogging, corre o risco de perder sua autoridade. O rei tem dois corpos: um profano, outro sagrado. O simbólico, o de sua imagem oficial, esse que permite construir o imaginário coletivo, uma imagem magnificada, solene, e o corpo físico. Quando se mostra de maneira demasiada esse corpo físico, se revela o indivíduo. E o indivíduo é como os outros.

11- O chefe é um coletivo individualizado, um coletivo sublimado. É necessário que o chefe seja uma sublimação. É teatro, dirá você. Sim, mas o teatro forma parte da vida política. O chefe existe: é necessário saber disso para não cair-se na mistificação do chefe.

12- De tanto se tentar rechaçar o chefe, acaba-se aceitando o primeiro que aparecer. Melhor falar do chefe para evitar o pior, que é a mistificação do chefe, o culto da personalidade e todas as manifestações extremistas da autoridade.

13- A autoridade é moral, é imaginária, não repousa sobre uma força. Não é uma questão de músculos ou de número. A autoridade é uma questão de crença ou de conhecimentos. O professor tem autoridade numa classe. É necessário que tenha essa autoridade, pois, do contrário, se produzirá a desordem e o pequeno cacique acabará por tomar o poder. Isso não será bom nem para os alunos, nem para o conhecimento.

14- Tratar de evitar que um janota acabe acreditando ser o patrão, é justamente a democracia.

terça-feira, setembro 23, 2008

A CRISE DA ECONOMIA AMERICANA (Explicada de forma didática)

Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares, financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou para o Paul se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares.
Com os 800.000 dólares, Paul, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou três casas em construção dando como entrada algo como 400.000 dólares. A diferença, 400.000 dólares, que Paul recebeu do banco, ele se comprometeu: comprou carro novo (alemão) para ele, deu um carro (japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou TV de plasma de 63 polegadas, notebooks, cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.
Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o Paul tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez.
O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil! Parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre.
Milhões tiveram a mesma idéia do Paul. Tinha casa para vender como nunca.
Paul foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das três casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, das cuecas, dos notebooks, da TV de plasma e do cartão de crédito.
Aí as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as três casas mas, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. Paul se danou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das três casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul.
Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos que não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as três casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Paul quebrou. Ele e sua família pararam de consumir...
Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseados nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos Pauls esses títulos começaram a valer pó.
Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.
Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel... Preço que despencou.
Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e de repente passou a valer 300.000 dólares e mesmo pelos 300.000 não havia compradores.
Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A inadimplência dos milhões de Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba. Acabou.
Com a inadimplência dos milhões de Pauls, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado.
O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir.
O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo, porém essas ações levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e, até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.
O FED trabalhava e, o mercado ficava atento e as famílias esperançosas. Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, na segunda feira última, quebrado, insolvente.
No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por dois dólares por ação. Há um ano elas valiam 160 dólares. Durante esta semana dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez seria o Lehman Brothers, um bancão. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na próxima segunda-feira.
O que começou com o Paul hoje afeta o mundo inteiro e, a coisa pode estar apenas começando. Só o tempo dirá.
E no começo dessa semana, dia 15 de Setembro de 2008, o Lehman Brothers pediu falencia,desempregando mais de 26 mil pessoas e provocando uma queda de mais de 500 (quinhentos ) pontos no Índice Dow Jones, que mede o valor ponderado das
ações das 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de New York - a maior queda em um único dia, desde a quebra de 1929.
Esse dia, certamente, será lembrado para sempre na historia do Capitalismo.

domingo, setembro 21, 2008

A hora da Caça...SHOW

video
Impressionante, veja o vídeo e a força da natureza!

Horizontes da reforma política

Participei recentemente do Simpósio Brasileiro de Estudos Constitucionais promovido pelo Interlegis e que contou com a participação dos ilustres professores da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre de Morais e Elival da Silva Ramos. Naquela oportunidade afirmei que não posso enxergar outro horizonte de mudança que não contemple uma profunda reforma política. Destaquei, entre outros pontos, que precisamos inclusive redesenhar o nosso parlamento. É necessário redimensionar o Poder Legislativo Federal e alçá-lo a um patamar que esteja à altura dos anseios da sociedade.
Tenho proposta nesse sentido que, em um só tempo, restabelece o equilíbrio na representação das bancadas na Câmara dos Deputados, assembléias legislativas e câmaras de vereadores, com a conseqüente diminuição dos gastos públicos. Sou autor de outra proposta de emenda à Constituição (PEC) com o objetivo de reduzir de três para dois o número de senadores em cada estado e no Distrito Federal. Entendo que o Senado não deve ficar de fora do esforço de redução do número de parlamentares que compõem o Poder Legislativo no Brasil. Não é uma questão só de economia, envolve a busca de qualidade e valorização desse Poder. Crescemos em número e nos fragilizamos. Na minha ótica, aprovada a proposta, teremos um Legislativo mais enxuto, econômico, eficiente e, sobretudo, mais respeitado pela população do país.
Ao contrário do que muitos defendem, acredito que a reforma política é de total interesse dos cidadãos. Por razões óbvias. O desgaste atinge não só a classe política, mas se alastra na direção das instituições públicas e partidos políticos. Há um desencanto na sociedade brasileira em razão dos escândalos de corrupção que, lamentavelmente, se sucedem.
O governo, após marchas e contramarchas, encaminhou uma proposta de reforma política. A iniciativa governamental está centrada nos seguintes pontos: fidelidade partidária, lista fechada de candidatos, financiamento público de campanhas, inelegibilidade, fim das coligações proporcionais e cláusula de barreiras. É uma proposta insuficiente, que deixa de contemplar inúmeros pontos nodais.
Vamos aqui nos ater à instituição do voto facultativo, um dos pontos não previstos na reforma política enviada pelo Executivo. A propósito, sou autor de uma proposta de emenda à Constituição sobre o assunto, apresentada nos idos de 2003. O meu objetivo com esta proposição foi provocar a discussão sobre um tema recorrente entre os estudiosos de matérias eleitorais. Acredito que é preciso remeter à lei a competência para sua adoção, retirando-a da esfera constitucional.
Inclino-me pela corrente que acredita verdadeiramente na maturidade do povo brasileiro, que não necessita de imposição legal para o perfeito cumprimento de sua ‘obrigação cívica'. Com a evolução do nosso sistema educativo, dos meios de comunicação que hoje atingem os mais longínquos rincões da pátria, com o advento da internet que se populariza dia-a-dia facilitando a informação, houve um amadurecimento da sociedade brasileira que se politizou a olhos vistos.
A maturidade política de nosso povo vem sendo demonstrada de maneira inequívoca em episódios emblemáticos da luta pela redemocratização do País, cujo ponto mais alto foi o movimento pelas Diretas Já, sem falar na sua participação ao longo do processo do impeachment, entre tantos outros.
Observa-se atualmente a participação crescente do povo em tudo o que interessa aos destinos nacionais. Nesse contexto, torna-se um contra-senso pretender-se coagí-lo ao cumprimento de um dever cívico. Mesmo em temas eleitorais, temos tido a demonstração de que tal coação é desnecessária. Nossos jovens se alistam espontaneamente e os idosos, mesmo desobrigados, insistem no comparecimento às urnas, demonstração cabal do amadurecimento da consciência coletiva nacional.
Importantes países que adotam a democracia representativa não reproduzem o modelo vigente no Brasil. Ao contrário, prevalece a livre manifestação da vontade popular. Basta citar um exemplo - o dos Estados Unidos, que não recorre ao recurso do voto obrigatório e nem por isso as campanhas eleitorais deixam de ser fervorosamente disputadas.
Como regra geral, o voto facultativo é o modelo adotado nas principais democracias do mundo contemporâneo. Ele implica no reconhecimento da autodeterminação do cidadão e é entendido como fruto de sua liberdade de escolha. Não pode estar jungido a uma norma legal impositiva que, em última instância, é uma negação do próprio significado do vocábulo, pois na expressão ‘voto' está embutida a idéia de liberdade.
Proponho que se remeta à lei a regulamentação sobre o voto, bem como sobre o alistamento eleitoral, desconstitucionalizando-se a matéria e equiparando a forma de regulação aqui adotada ao sistema de outras democracias do mundo, a exemplo da Suíça, Comunidades Britânicas, Alemanha, Espanha etc.
O voto numa democracia é uma manifestação de vontade e o exerce quem está consciente e tem discernimento para tal.

O Senador Alvaro Dias é 2º vice-presidente do Senado e vice-líder do PSDB

sexta-feira, setembro 19, 2008

Quem sabe faz a hora

Neste momento, é evidente que o nosso prezado Bacen deve estar tendo dificuldades em aplicar as reservas brasileiras. Grandes bancos americanos deixaram de ser confiáveis, sem falar nas chamadas non-bank financial institutions nos EUA e em outros paises. Nomes como Morgan Stanley, Wachovia, UBS estão em listas de "problem financial institutions" pelo mundo afora. Pois muito bem. Há cinco meses atrás, nós já havíamos percebido este dilema e apresentamos a solução.
Luiz Cezar Fernandes* (foto) publicou este artigo há vários meses atrás no Jornal do Brasil e Isto É Dinheiro. Merece ser reproduzido agora diante do agravamento da crise internacional de crédito.
QUEM SABE FAZ A HORA” - proteção contra a crise financeira internacional e o uso eficiente das reservas brasileiras

Luiz Cezar Fernandes
Publicado no Jornal do Brasil de 11/4/2008
A crise internacional de crédito começa a afetar o crédito para o Brasil.
O Banco Central do Brasil não só deve como pode adotar uma atitude proativa, para minimizar o impacto deste “choque externo de crédito” sobre o nosso País, utilizando eficientemente as nossas reservas internacionais em moeda estrangeira - e não ficar inerte por muito tempo, como o Federal Reserve nos EUA, o que é incompreensível. Vamos explicar a seguir.
Por motivos completamente diferentes, a crise financeira internacional deverá provocar sobre o comércio exterior brasileiro o mesmo efeito que se verificou no início da década de 80 durante a crise da dívida externa brasileira: escassez de crédito.
A partir de 1982/1983, o Governo Brasileiro foi obrigado a criar o chamado Projeto III para garantir o financiamento das exportações e importações do Brasil na época já que os bancos internacionais estavam retirando rapidamente dinheiro do País – sobretudo o capital de curto prazo – ao verificarem que as reservas brasileiras estavam se aproximando de zero.
Agora, em 2008, por razões que não têm absolutamente nada a ver com o Brasil, está havendo uma grande contração geral de crédito nos bancos internacionais, contração esta que certamente vai incluir bons clientes exportadores ou importadores brasileiros até grandes multinacionais. É lógico que a redução de crédito se traduz em forte elevação no custo do dinheiro ou até mesmo falta de recursos para renovar linhas assim como novos financiamentos.
É importante explicar que a contração do crédito internacional de um modo geral independe de possíveis novas baixas de taxas de juros nos EUA e em outros paises. Ela já está ocorrendo – e de modo intenso – por uma combinação de razões relacionadas à crise financeira internacional, principalmente nos EUA.
Acontece que a “crise” não só está motivando forte redução no valor de mercado do capital dos grandes bancos internacionais, mas também está forçando estes mesmos bancos a recomprarem créditos ruins ou podres que foram cedidos para terceiros (para veículos como hedge funds ou “special investment vehicles”) com determinadas promessas de garantia e recompra.
Ocorre, porém, que os bancos são obrigados a manter certos limites máximos – definidos pelo chamado Acordo de Basiléia – de concessão de empréstimos e financiamentos baseados em determinados múltiplos em relação ao valor de mercado do seu capital.
Com isso, apenas de exemplo, um banco que estivesse emprestando 10 para cada 1 de capital – no limite – pode ter tido o seu valor reduzido para 0,5 e ao mesmo tempo obrigado a recomprar outros 10 que foram “vendidos” para fora do balanço. A relação aumentou simplesmente de 1 para 10 para 1 para 40. Consequentemente, de algum modo, o banco vai ter de retornar ao múltiplo original, seja com mais capital, seja parando de emprestar, seja vendendo “bons”ativos, ou mesmo descumprindo compromissos anteriores de garantia de linhas de crédito aos melhores clientes.
Vale ressaltar que aumentos de capital são obviamente limitados, além do fato de que – mesmo que estejam tentando - não se consegue elevar “artificialmente” de forma relevante o valor de mercado de instituições financeiras (com compras de ações de bancos por órgãos governamentais).
Pode-se afirmar com certeza que empresas brasileiras, exportadores, importadores e bancos vão encontrar muita dificuldade de renovar financiamentos e pré-financiamentos ou captar recursos novos junto a mercado internacional. Vale frisar que, em matéria de empréstimos de longo prazo de um modo geral, os mercados internacionais simplesmente travaram.
É aí que o Banco Central do Brasil precisa atuar novamente com rapidez, ao contrário da atitude inercial do Federal Reserve nos EUA. Assim como fez por diversas vezes, evitando crises sistêmicas da industria bancária brasileira.
Temos diante de nós a oportunidade de minimizar o efeito da crise, com o uso mais eficiente das reservas brasileiras. Além de manter reservas em moeda estrangeira aplicadas em títulos seguros – sobretudo dos EUA - ou depositados em bancos estrangeiros (que certamente não renovarão linhas com bancos e empresas brasileiras), queremos sugerir que o Banco Central se antecipe e passe a financiar o comércio exterior brasileiro com suas reservas internacionais, financiando empresas e bancos brasileiros no exterior, o que supriria a falta de financiamento às nossas exportações.
Em 1982/83, o chamado Projeto III se situava na faixa de US$ 10 bilhões. Pode-se imaginar para os níveis do comércio exterior brasileiro de hoje um programa de US$ 30/40 bilhões.
A propósito, por coerência, é de se esperar que as pessoas físicas e jurídicas brasileiras que podem manter legalmente depósitos no exterior dêem maior preferência aos grandes bancos brasileiros com agências no exterior, que se encontram em posições de extrema solidez, em contraste com certos nomes famosos da chamada “banca internacional”.

Dica do leitor e amigo, Cláudio Bentes!
* Ex controlador do Banco Pactual.

NOVA NOTA DE U$ 1

quarta-feira, setembro 17, 2008

HOMER SIMPSON E "A CONSTRUÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE UM CANDIDATO”!

Trecho de resposta de Gilson Schwartz (foto) - professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA, onde leciona Economia da Informação e Novas mídias - no caderno ALIÁS do Estado de SP.

1. Estive com um grupo de professores da USP que foram discutir com o (editor-chefe) William Bonner como era feito o Jornal Nacional. A certa altura, questionamos se as notícias não eram veiculadas de uma forma simplista demais. Foi quando Bonner comentou que era preciso levar em conta que as notícias estavam sendo comunicadas a um tipo como Homer Simpson.

2. O personagem de fato é um ícone do indivíduo menos consciente. Na época, estabeleceu-se um debate, e publiquei uma carta citando uma obra que faz a análise filosófica dos Simpsons, chamada Simpsons e a Filosofia. Homer é o primeiro capítulo - e lá está dito que ele não é uma pessoa sem virtudes. É apenas um homem aristotélico, ou seja, sua virtude está no meio termo e muitas vezes na mediocridade.

3. A mediocridade, claro, é um risco, da mesma forma que o juízo mal informado. No caso da política, a construção da informação sobre um candidato está em boa medida direcionada ao Homer e não àquele sujeito mais consciente que talvez desejasse saber, em primeiro lugar, quem financiou sua campanha. Uma hora isso vai sair no jornal, mas apenas uma elite estará disposta a ler.

O Alcance Geopolítico da Crise!

Trechos do artigo do catedrático em ciências políticas, Sami Nair (foto) em El País.

1. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer a existência da crise, a nível não apenas nacional, mas também planetária. O economista Jacques Attali - que subestimava com grandiloqüência a crise há uns meses, fala agora do tsunami que se aproxima. Em segundo lugar, reconhecer que não se trata apenas de uma crise de financiamento, mas uma crise que já toca o coração mesmo da economia: empresas de construções, cadeias de comercialização.

2. Terceiro, entender que se trata de uma crise duradoura, tal como o FMI afirma – prevê no mínimo dois anos – e que não se vai poder solucionar com as receitas tradicionais do laissez faire liberal, mas que necessita de novos mecanismos, pós-liberais, que poderão incluir tanto ações reguladoras dos tipos de juros, a aceitação por parte dos governos da necessidade de déficits orçamentários e, até em alguns setores, nacionalizações imprescindíveis, como ocorreu na Grã Bretanha. Quarto, ter claro que esta crise econômica, financeira e de largo alcance também é uma crise geopolítica que exige a reorganização progressiva da relação de forças em escala planetária.

3. Há novos pólos econômicos que os Estados Unidos não podem controlar: China, Índia, Brasil, México e países emergentes da ASEAN, que estão de fato reorganizando o sistema comercial e produtivo planetário. Agora, ao contrario dos japoneses, europeus ou países do Golfo – cujos interesses e posicionamentos no dispositivo econômico internacional são cúmplices dos Estados Unidos – os países emergentes querem ter um peso no jogo mundial, porque, na globalização atual, suas vantagens comparativas (sobretudo a mão de obra barata e a ausência de políticas sociais) os favorecem.

4. Devemos colocar novas interrogantes, impensáveis há apenas duas décadas: como se vão inserir estas economias emergentes no capitalismo do século XXI? Que modelos de hegemonia vão prevalecer com a progressiva decadência da dominação ocidental sobre a economia mundial? Atualmente, o eixo dominante é uma aliança conflitiva, mas necessária, entre os Estados Unidos, a Europa, o Japão e os países do Golfo. Vai-se abrir esta aliança a China, Índia, Brasil e México. Qual será o preço social da abertura? E, no caso contrário, como irão reagir estes novos pólos de poder?

5. Em poucas palavras, estamos diante de uma crise mundial que não é somente a ponta do iceberg, mas que esconde uma importante reorganização geopolítica em que vencerão os que melhor saibam utilizar suas forças e administrar suas fraquezas.

6 idéias para resolver a crise nas polícias

1. Todas as Polícias viveram crises profundas a partir dos anos 70, em função da mudança do perfil e da estrutura do crime, em especial em função das características de Crime Organizado e Internacionalizado, da Juvenilização do Crime e da Diversificação, Extensão e divulgação da Violência num mundo conturbado. Todas – independente do continente ou do grau de desenvolvimento do país - passaram por importantes reformas e reestruturações.

2. Em todos os casos se iniciou pela reestruturação da infra-estrutura policial. 21 foram sempre as prioridades: i) reestruturação dos sistemas de identificação e informação, informatizando-os; ii) introdução de um sistema sofisticado de comunicação permitindo acessar os policiais a qualquer nível – colegiado ou individual; iii) completa reestruturação da academia de polícia e do processo de atualização e treinamento; iv) ampla descentralização com concentração de funções para os crimes regionalizados (regiões de segurança, distritais...) inclusive com peritos instrumentados;

3. v) centralização para o Crime Organizado, (drogas, armas, seqüestro, crimes financeiros, crimes contra a fazenda...); vi) centralização para as investigações não regionalizáveis, cuja investigação seja de prazo e de alcance maiores; vii) separação da investigação, da rotina das delegacias; viii) criação de um sistema de “inteligência” centralizado; ix) dar autonomia para que as “centralizadas” se articulem naturalmente com as “descentralizadas ou distritais”;

4. x) iniciar sempre uma investigação no caso de ocorrências com armas ou drogas, informando as centralizadas; xi) definir um sistema de autorização, controle e articulação com as empresas privadas de segurança, inclusive com seu acionamento quando necessário; xii) priorizar e estruturar o sistema de comunicação social; xiii) diversificar as intervenções interagindo com os sistemas educacional, de saúde, urbanismo, posturas e trânsito; xiii) estruturar um vetor próprio em relação a violência na família;

5. xiv) estruturar um vetor próprio em relação a juventude; xv) qualificar as delegacias para atrair a população e facilitar o trabalho dos promotores, defensores, juízes de instrução, o pequenas causas ou especiais e assistentes sociais não permitindo nelas, a permanência de presos por mais de 48 horas; xvi) fiscalizar as fronteiras, inclusive, quando for o caso, com guarda costeira; xvii) criar um sistema de renda indireta para o policial, com dado chave de remuneração, (habitação, saúde, educação para os filhos,...);

6. xviii) reestruturar a polícia técnica com o amplo uso de tecnologia; xix) criar uma estrutura de conselho junto ao secretário, de forma a garantir a continuidade da política de segurança pública fora da alternância política; xx) atuar como ”sistema de justiça” – segurança-setor prisional-promotoria-judiciário — a partir das “regiões de segurança”. xxi) cadastro atualizado de policiais e ex-policiais.

terça-feira, setembro 16, 2008

Uma obra de arte sem Moldura

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O cara desce na estação do metrô de NY vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de
1713,
estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam
a bagatela de 1000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.

Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

sábado, setembro 13, 2008

Na UFRJ isto já saiu do papel...

Veículo de transporte de massa capaz de chegar a uma velocidade de até 400 quilômetros por hora. Parece mágica mas é tecnologia brasileira.
Há dois anos vem sendo desenvolvida no Laboratório de Aplicações de Supercondutores (LASUP) da COPPE e da Escola de Engenharia da UFRJ.
A tecnologia é baseada na formação de um campo magnético de repulsão entre os trilhos e os módulos de levitação (pastilhas supercondutoras que substituem as rodas e são compostas de ítrio, bário e cobre).
Para criar o campo magnético, que é o que faz o trem levitar, os cientistas resfriam os supercondutores a uma temperatura negativa de (-) 196° C, utilizando nitrogênio líquido.
O nitrogênio é um combustível que custa menos de R$ 0,30 e não polui o ambiente.
O projeto é inovador.

Coordenado pelos professores da UFRJ: Richard Stephan, Rubens de Andrade Júnior e Roberto Nicolsky, dos Institutos de Engenharia e de Física.
Será que , um dia, mereceremos ver este fruto do saber aplicado na nossa realidade cotidiana? Nós, acostumados a ver o tempo correndo depressa, e o progresso, devagar...
Quem sabe,no dia em que alguma empresa estrangeira comprar a patente.
Daí, em mãos de estrangeiros, o que é brasileiro anda e fica bom...

O trem levitará lá fora, e nós, netos de Jeca Tatú, iremos tirar retrato com o nosso celularzinho.
Se quiser saber mais acesse animação, clique aqui.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Segurança em alerta

É dever do Estado oferecer segurança à população brasileira e assegurar a manutenção da paz e da ordem pública em todo o território nacional. Essa missão vem sendo negligenciada, comprometendo o desenvolvimento em todas as suas vertentes, conturbando o cotidiano das pessoas no campo e na cidade, transformando as ruas em praças de guerra e mantendo famílias trancafiadas nos seus lares. A violência se espalha acuando a sociedade literalmente desprotegida.
Recente pesquisa realizada pela FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - exibe números que retratam um país em guerra. As estatísticas são aterrorizantes. Uma em cada 10 pessoas da cidade de São Paulo vítimas de episódios de violência no último ano (assalto, seqüestro, agressão física ou abuso sexual) apresenta sinais de transtorno de estresse pós-traumático. É o equivalente a 1,1 milhão de pessoas que, nos últimos 12 meses, sofreram ou testemunharam situações violentas e desenvolveram problemas emocionais debilitantes o suficiente para impedí-las de seguir com uma vida normal. Muitas delas abandonaram o trabalho e desestruturaram totalmente seu núcleo familiar.

Quando a pesquisa ampliou o foco sob análise, passando a abranger a vida toda das amostras, a ocorrência de estresse pós-traumático mais do que dobrou: 26% dos paulistanos - o equivalente a 2,8 milhões de pessoas - apresentaram sinais compatíveis com esse distúrbio emocional deflagrado pela violência.

O transtorno de estresse pós-traumático é um distúrbio emocional altamente incapacitante, em geral apresentado por ex-combatentes de guerra, e apenas nos últimos anos começou a ser investigado no Brasil. É, portanto, uma doença característica de países em conflito.

Com efeito, os números apresentados na pesquisa retratam um país em guerra, como atesta Marcelo Feijó de Mello, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo. O comentário não é apenas metafórico. Segundo o referido especialista em distúrbio pós-traumático e membro da rede brasileira que investiga os efeitos da violência sobre a saúde mental da população, a ocorrência dessa disfunção psiquiátrica nas 2 cidades brasileiras com os mais elevados índices absolutos de violência (Rio de Janeiro e São Paulo) é próxima - e algumas vezes superior - à observada em países que recentemente passaram por guerras ou conflitos armados internos, como Argélia, Camboja e Etiópia.

A guerra urbana está aí: um em cada 20 mortos no Brasil é vítima de homicídio, na maioria dos casos assassinatos envolvendo o uso de armas de fogo, que ceifaram a vida de 50 mil brasileiros apenas em 2004.

O índice de pessoas que perderam a vida vítimas de agressão passou de 14,1 para cada grupo de 100 mil habitantes, em 1980, para 27,2 por 100 mil habitantes, em 2004. Três vezes superior à média mundial de homicídios calculada pela Organização Mundial de Saúde, essa taxa reflete apenas a média nacional.

Em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Recife esse índice é bem mais elevado, em especial entre os jovens do sexo masculino, alcançando por vezes patamares superiores aos de Cali, na Colômbia, que, no início da década de 90, era considerada uma das cidades mais violentas do mundo.

Em que pese o fato de, a cada tragédia humana veiculada pela mídia, o Parlamento se mobilizar para votações urgentes de projetos que aperfeiçoem a legislação brasileira, quando esses fatos caem no esquecimento o ímpeto legiferante se esvai. Menciono os projetos que o Senado aprovou em momentos dramáticos para o país, em razão da explosão da violência. Lamentavelmente, essas propostas estão paralisadas na Câmara dos Deputados.

Sou autor de um projeto que dormita naquela Casa e que "blinda" os recursos públicos destinados à segurança. Segundo essa proposta, o governo, seja federal ou estadual, ficará impedido de contingenciar, transferir ou praticar o desvio de finalidade, evitando a aplicação indevida dos recursos que foram consignados no Orçamento com o fim específico de combater a violência no País.

Fiz um apelo da tribuna ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, para colocar em pauta a matéria. Sabemos que o tripé da consciência é formado por 3 matizes da necessidade: a necessidade histórica, a jurídica e a moral. A segurança da população abrange os 3 vetores e impõe celeridade.


O Senador Alvaro Dias é 2º vice-presidente do Senado e vice-líder do PSDB

Isso é que é um peão!!!!! Filme recuperado de um rodeio em Bagé 1964

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Pra que servem os comerciais e a campnha política na TV

Já foi o tempo em que o eleitor se fixava nos programas e comerciais eleitorais, se comovia ou se mobilizava com eles. Há pelo menos 4 anos que não é mais assim. Nem por isso os programas e comerciais perderam a importância. A começar pelo fato que o eleitor médio acha que quem tem pouco tempo de TV não tem chance. Ter tempo suficiente é fundamental para dizer: - Eu existo.
Uma vez com um tempo suficiente de TV, esse deve permitir ao eleitor ter imagens que ajudem a memória do eleitor, mesmo aqueles - que não são poucos - que apertem o botão do "mute". Os personagens e os temas devem ser abordados de forma que uma atenção de segundos seja suficiente.

O eleitor não está nem aí para a campanha. Até que surgem os candidatos na TV à sua frente. É provável que o desgaste dos políticos leve o eleitor médio a desqualificar todos. Mas dia a dia, com ou sem "mute" a TV vai servindo como um despertador: - Trimmm, a eleição está aí.

Com este trimmmmm... o eleitor inicia seu processo de tomada de decisão. Da negativa caminha em direção a uma decisão. As pesquisas pré-TV vão ficando para trás, a menos que algum candidato seja ou tenha sido prefeito ou governador, quando a pesquisa incorpora um julgamento. Quanto aos demais, não. O processo está aberto.

Deflagrado pela TV este processo de conversas, fluxos de opinamento, troca de opiniões, as/os candidatas/os, precisam ter na base uma semeadura suficientemente ampla, para serem comentados positivamente. Ou seja, para que no primeiro filtro eles fiquem para a escolha final.

Com o processo de decisão a caminho - já na segunda quinzena de setembro - o eleitor já não aperta o "mute" e caminha para decidir. Nesse momento, programas e comerciais de TV, devem mesclar uma espécie de - o melhor até aqui - com pontuações afirmativas e compromissos.

Essa é a dinâmica de um processo que é despertado pela TV, irrigado numa curva ascendente pelo boca a boca, filtrado na segunda parte desta curva, e que retorna a TV para a decisão final. Todas as fases são importantes. Pesquisa antes da TV é principalmente memória de nomes.

Já começou a tocar o trimmmmmm... do despertador em todas as residências. Apenas estará despertando o eleitor. Por enquanto.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Um pouco sobre Biden

Joseph Biden Jr. (foto) é um veterano senador pelo Estado de Delaware e preside o comitê de Relações Exteriores do Senado. Chegou ao Senado em 1972, com 29 anos de idade. Um mês após ter sido eleito, a mulher e filha de Biden morreram em um acidente de carro.
A escolha de Biden está sendo vista como uma forma de trazer experiência política e conhecimento de política internacional para Obama. Como se sabe, Obama esta em seu primeiro mandato como Senador. Política externa é também um dos assuntos nos quais John McCain é visto por potenciais eleitores como mais experiente do que o democrata.

Nos últimos anos, Biden viajou oito vezes ao Iraque e duas ao Paquistão e ao Afeganistão. Na segunda-feira, ele regressou de uma viagem à Geórgia.

E curioso notar que o anúncio da escolha do vice-presidente foi feito aos correligionários de Obama por meio de uma mensagem de telefone celular. E o primeiro comício da dupla poderá ser acompanhado pelos correligionários da chapa democrata ao vivo e pela internet.

O site de Biden na internet é modelar:
http://biden.senate.gov/

terça-feira, setembro 09, 2008

Por que não voto distrital para os vereadores?

1. Os programas dos candidatos a vereador mostraram mais uma vez o caos oferecido para o eleitor indeciso ou mais de 75% dos eleitores numa pesquisa de uma semana atrás. Num sistema pluripartidário como o nosso, mesmo nas eleições majoritárias, quando se apresentam 10 e mais candidatos (caso de Curitiba) a confusão se estabelece para o eleitor o que termina reforçando a imagem negativa dos políticos.

2. Já comentei que a TV funciona como um despertador eleitoral do eleitor. Mas a quantidade de candidatados atrasa a atenção do eleitor a qualquer conteúdo. Desta forma os candidatos majoritários devem reforçar o conteúdo naquilo que sua identidade já traz como currículo. Mas ainda não há porque se alterar aqui.

3. O caos na apresentação dos candidatos a vereador reforça a necessidade de se adotar - pelo menos a esse nível - o Voto Distrital Puro. Isso permite ao eleitor ter informação direta dos candidatos, despolui a propaganda eleitoral nas ruas, torna os mandatos mais orgânicos e os partidos solidariamente mais unidos sem concorrerem entre seus candidatos. 87% dos eleitores não se lembram em que vereador votaram nas últimas eleições.

4. E seria uma medida simples. A lei estabeleceria o volume de votos por distrito por município. Sempre que um município tivesse menos eleitores que este volume, a eleição distrital seria em todo o município, o que significa que o eleitor tem acesso direto aos candidatos.

5. Se Curitiba fosse um paradigma para a lei, com eleitorado de 1 milhão de eleitores e 37 vereadores, cada distrito teria 100 mil eleitores. Com a descentralização das zonas eleitorais já feita pelo TRE-PR - que passaram de 4 para 10 - esse trabalho estará facilitado. A lei pode permitir que os TREs ajustem o volume em mais ou menos 10%.

6. A "distritalização" do voto nos municípios daria maior transparência aos chamados currais eleitorais, pois todos os candidatos teriam acesso direto aos eleitores, físico e virtual. Hoje com os currais existentes os candidatos desistem dessa e daquela área e vão fazer campanha em outras. Com a "distritalização" todos os partidos - especialmente os maiores - lançariam candidatos em todos os distritos e com isso os currais eleitorais receberiam cunhas e teriam uma taxa de abertura maior.

7. A relação do eleitor-candidato seria muito mais orgânica, as campanhas mais baratas e a prática política dos partidos em busca de candidatos nos distritos onde se mostraram mais fracos, tenderia a ser permanente e não apenas durante as eleições. A busca de voto indiscriminada como hoje onde um candidato a vereador está em qualquer lugar torna aquela relação frágil ou inexistente.

8. E o voto municipal-distrital de vereador reduziria a impulsão desse para as próximas eleições, tornando mais harmônica e sinérgica a relação entre deputados e vereadores num mesmo partido.

Charge Benett da Gazeta do Povo-PR

Comercial inteligente sobre a prevenção da AIDS!

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