terça-feira, julho 31, 2007

LULA SE ENCOLHE FRENTE À ADVERSIDADE!


Não é a primeira vez que Lula se encolhe frente à adversidade. Em 2005 - durante o mensalão - ocultou-se, e saiu da toca em Paris numa entrevista amadora desastrada. Agora - da mesma maneira. Encolhe-se, se oculta, perde a iniciativa, cancela sua agenda no sul, e a muda para o nordeste. Esta mudança de agenda foi feita da mesma maneira em 2005.
Os políticos que se encolhem frente às adversidades não são casos raros. Alguns sistematicamente, numa espécie de ciclotimia, onde se deprimem a qualquer noticia e fato negativos. Há um elemento comum entre eles: colocar a culpa na imprensa. São vários os casos de políticos que na adversidade, param de ler os jornais e não ouvem ou assistem o noticiário. Não entendem o papel - em todo mundo - da imprensa na cobertura política onde faz o controle de qualidade (passam os produtos bons; ficam e são expostos os produtos ruins).

O jogo - política/imprensa - está mais do que estudado. Nas ditaduras a imprensa permitida faz o que o governo quer. Do outro lado, entre os políticos frágeis, os governos fazem o que a imprensa quer. Como sempre, no meio está a virtude.

Um político que se encolhe frente à adversidade - como Lula - reage quase sempre de uma mesma forma: corre em direção a seu nicho de opinião pública, e passa a tratar apenas deste. E justifica junto aos assessores que é isso que o país precisa. No caso de Lula, se ele permitisse um gravador a seu lado, o que diria seria algo como, "pensam que vim aqui para atender os ricos?"; “essa imprensa serve aos poderosos"; "vou tratar do meu povo e deixar esses pequeno-burgueses de lado".

A vaia e a tragédia, auto-atocaiaram Lula. Improvisou uma cirurgia numa vista alegando terçol e com isso se autojustificando pela ausência. Os desdobramentos de sua ciclotimia política podem ser apenas pessoais - meno male - para seu grupo interno. Mas podem ter efeito maior, reorientando suas prioridades ainda mais e muito mais para o assistencialismo desregrado, buscando foco, naqueles que não lêem jornais, e que com alguma bolsa no bolso, podem servir de claque para levantar a moral do chefe.

As idas de Lula ao nordeste em 2005, foram assim: com direito a claque e cenário, e ele suado no meio dos amigos contratados, voltando a ser o líder sindical. Essa regressão protetora de seu encolhimento na adversidade voltará nos próximos dias. E contará com a TV para registrar seu passado, teatralizado no presente - sem gravata, suado, sem plural...

Um político completo na chefia de governo - um estadista - não é o que temos. A adversidade o colocou na clandestinidade. E o despachou para os seus nichos, de AeroLula, num contraponto triste com a pequena burguesia que rejeita, por autodefesa.

FINANCIAL TIMES: acidente da TAM é 'desastre envolvido em farsa'

Um artigo assinado pelo correspondente do jornal britânico "Financial Times" no Brasil, Jonathan Wheatley, critica duramente a resposta do governo brasileiro ao acidente envolvendo o avião da TAM, na semana passada.
Com o título `Desastre envolvido em farsa`, o texto começa dizendo que `é difícil decidir qual das ações do governo após o pior desastre da história da aviação brasileira é mais representativa da incompetência de sua resposta a uma crise que já durava pelo menos dez meses`.
O jornalista pergunta, em seguida: `terá sido a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não aparecer em público até três dias depois do acidente ou a de não fazer nenhuma declaração nas primeiras quatro horas [sua mensagem de condolências chegou depois, por exemplo, do que aquela do presidente Néstor Kirchner da Argentina]?`
O texto segue listando uma série de críticas ao governo, citando o fato de que o ministro da Defesa Waldir Pires negou ter responsabilidade pelo acidente repetidas vezes e afirmando que ele deveria ter sido afastado do cargo em setembro do ano passado, após o acidente com o avião da Gol que deixou 154 mortos. Eu concordo com ele!
O artigo fala ainda do fato de os diretores da Anac, a Agência Nacional de Aviação Civil, terem sido condecorados `quando deveriam receber reprimendas ou as demissões que merecem` e comenta ainda o episódio da filmagem que registrou o momento em que o assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia comemorava a notícia de um possível problema mecânico na aeronave. Isto é uma vergonha! Como você condecora diretores de um agência que cuida da aviação brasileira em pleno desastre aéreo causado por incompetência deles?
A conclusão do correspondente é que `qualquer que seja a causa do acidente, ele era uma tragédia esperando para acontecer`.
`A extrema necessidade de um governo mais eficiente no Brasil nunca esteve tão clara.`
Volto a dizer o que todo mundo já sabe! O Brasil precisa sair da comodidade e pensar mais na coletividade. Até quando o país vai aguentar um governo tão ridículo como este? É urgente ir as ruas e protestar! Eles (os políticos) estão relaxados e gozando das nossas caras. Por muito menos tiraram o Collor. O que o povo brasileiro está esperando? Mais um desastre aéreo?

ANTONIO CARLOS MAGALHÃES!

1. O único Presidente do Congresso no pós-guerra que garantiu a independência do legislativo em relação ao executivo e ao judiciário.

2. A mais importante e duradoura liderança regional no pós-guerra. Quanto a esta característica lembraria o artigo de Juan Llach da Universidade Austral: " É esta a tendência chamada de "territorialização" da política. Já faz tempo havia intuído esse notável político norte-americano que foi Thomas "TIP" O Neill, ao dizer que "toda política é local".

3. O político com liderança nacional que mais formou quadros para a administração pública.

segunda-feira, julho 30, 2007

DA SÉRIE: LÁ... COMO... AQUI...! - Trechos do artigo - Federativos e Unitários no século XXI

Juan Llach - economista e sociólogo, professor da Universidade Austral. La Nacion.
1. Uma mudança que abre a possibilidade de uma federação mais genuína, é a tendência do renascer do espaço local, como renovada volta da torca da democratização e que se observa no mundo todo. Ao amparo da globalização e dos blocos econômicos ou políticos de alcance continental, que o possibilitam e estimulam, os poderes nacionais, as regiões, os Estados subnacionais e as cidades, vão ganhando mais e mais autonomia, de fato e de direito. Os exemplos proliferam, do Reino Unido à Bolívia, da ex-União Soviética à Indonésia.
2. É esta a tendência chamada de "territorialização" da política, o auge dos políticos donos de um território e a margem dos partidos nacionais. Já faz tempo havia intuído esse notável político norte-americano que foi Thomas "TIP" O Neill, ao dizer que "toda política é local".
3.
Nunca como agora (na Argentina) existiu no país semelhante expropriação para a construção de um poder com vocação hegemônica, e que agora não se limita a cooptar vontades dos estados, mas também dos municípios, com a força de um irresistível vendaval que arrasa os sonhos de construções autonômicas locais.

4.
Muitas coisas poderiam afirmar-se deste centralismo do século 21, menos sua natureza progressista. É, por definição, reacionário, porque vai à contramão das tendências universais e não está aproveitando a oportunidade, que se oferece ao país pela primeira vez, de construir afinal, um país equitativo e federado, como, aliás, manda a constituição.

Ponto cego do Cindacta Brasília

sábado, julho 28, 2007

ESSES AMERICANOS...

NA MESMA OCASIÃO
Como países da América, tanto os EUA quanto o Brasil foram invadidos pelos europeus na mesma ocasião. E ambos foram alvos dos mesmos interesses de seus descobridores: a exploração das riquezas existentes no continente.
ATITUDES
Ora, se tudo começou na mesma época, só as atitudes dos diversos governantes de ambos os países, ao longo destes mais de 500 anos, explica as razões para que o primeiro tenha prosperado tanto, acabando por se transformar na maior potência do mundo, enquanto o outro preferiu ficar para trás, envolvido em práticas de administração nada promissoras.
CLIMA
E mais: a América do Norte sempre teve desvantagem climática em comparação com a América do Sul. Isto num período em que a agricultura representava quase 100% das atividades econômicas do mundo todo.
MEDALHAS
Pois bem. Passados mais de 500 anos, tudo mostra que os brasileiros em geral aprenderam muito pouco. Tomemos como exemplo o que está acontecendo nos Jogos do PAN. Os americanos foram recebidos com vaias, mas seus atletas vão deixar o Brasil com os peitos cheios de medalhas de ouro, prata e bronze.
ESPÍRITO ESPORTIVO
Nas vitórias conquistadas, nas mais diversas quadras, não se viu, nem ouviu, até agora qualquer tipo de ofensa, briga ou comportamentos de baixaria por parte dos americanos do norte. Afinal, eles vieram aqui para jogar, disputar e, se possível vencer. Venceram. E não choraram quando algumas vitórias escaparam. Um show de espírito esportivo, antes de tudo. Sem deserção.
VAIA E CHORO
Na disputa da final do basquete feminino, as americanas foram exemplares. E a torcida brasileira, por sua vez, ao invés de aprender como deve proceder para participar dos jogos, e incentivar os atletas, vaiou. Vaiou e chorou.
MESMAS OPORTUNIDADES
Depois de tudo isto uma coisa ficou bem clara neste PAN: as vaias nada mais são do que pura inveja. Inveja de gente competente, que tem capacidade para vencer. Inveja de um país rico e poderoso. Que assim como o Brasil teve as mesmas chances. Eles aproveitaram muito bem. Nós, pelo visto aproveitamos o tempo para vaiar.

BACK-DROPS!

Elisabeth Bumiller, em artigo publicado no New York Times, tratou do assunto sob o sugestivo título: "Os produtores de imagem de Bush elevam a arte teatral a novas alturas". Não passa desapercebido, a quem lê as colunas deste site, o quanto o presidente Bush tem tirado proveito das "photo opps" que sua equipe produz. Algumas destas fotos de oportunidade são fáceis de lembrar: A aterrissagem de George Bush no deck do porta-aviões, ao estilo 'Top Gun', será recordada como um dos mais audaciosos momentos do teatro presidencial da história americana. Não passa, porém, do último exemplo de como a administração Bush está indo muito além das bases teatrais estabelecidas pela Casa Branca do tempo de Reagan, no uso dos poderes da TV e da tecnologia para promover a presidência.
Funcionários de administrações passadas, Democráticas ou Republicanas, encantam-se ao ver como a Casa Branca não parece perder uma única oportunidade para apresentar Bush em cenários dramáticos e perfeitamente iluminados. É tudo planejado: a Casa Branca abasteceu-se de pessoal especializado das redes de TV em iluminação, ângulos para câmeras, e a importância dos cartazes e efeitos de fundo de cena.
Segundo o principal responsável pelo trabalho de construção de imagem de Reagan, Michael Deaver, "eles entendem o visual tão bem quanto qualquer um jamais entendeu (...) Eles fizeram do visual uma forma de arte".
Dan Bartlett, o diretor de comunicações da Casa Branca, disse: "Nós damos uma atenção muito especial não apenas ao que o presidente diz, mas também ao que o povo americano vê. Os americanos têm uma vida muito ocupada, e, muitas vezes, não têm a oportunidade de ler uma matéria ou ouvir uma mensagem por inteiro. Mas, se eles puderem ter uma compreensão imediata do que o presidente está falando, assistindo a um spot de 60 segundos na TV, nós alcançamos a nossa meta de comunicadores. Por isso, nós tratamos este assunto tão seriamente".
A "grande novidade" que os especialistas de marketing político estão identificando, porém, é o uso criativo e inovativo dos efeitos de fundo de cena (backdrops). Eles foram recuperados da função banal que possuíam para integrar-se à "mise em scène" cuidadosamente produzida. Assim, banners, cartazes, agrupamentos de soldados, atrás do pódio presidencial (ao estilo do filme "Paton"), grupos de pessoas, jardins, interiores, monumentos, e até equipamentos de guerra, são trabalhados como reforço, explícito ou subliminar, da mensagem que o presidente quer passar, e da sua imagem como líder nacional.
Um cameraman de uma rede nacional de TV chegou a afirmar: "Eles abordam o local de cada evento como se fosse um estúdio de TV", e equipes de TV comentam que raramente tiveram imagens tão atraentes como agora, para mandar para as salas de edição. A melhor conclusão sobre esta inovação foi feita pelo antigo responsável pela imagem de Ronald Reagan: "Eles entendem que, dando profundidade à imagem, o candidato ou o presidente aparece muito melhor. Eles sabem que o que está em volta da cabeça é tão importante quanto a cabeça".

QUEM PERDERÁ EM 2008

Trechos do artigo de Antonio Estella, professor de Direito Administrativo da Universidade Carlos III de Madrid. Claro, ele fala das eleições espanholas do ano que vem.

1. Ganha as eleições o partido capaz de comunicar-se melhor com a sociedade e projetar um modelo que, embora não sendo exatamente o presente na cabeça da gente num determinado momento, é sim o que quer imitar.

2. A capacidade de um ator político comunicar-se com a sociedade e projetar um modelo determinado voltado para o futuro está em função de sua capacidade de comunicação.

3. Recolher os rumores que estão sendo veiculados pela gente. Nas últimas semanas se adotou uma série de iniciativas que permitem pensar em retificações em sua forma de comunicar as medidas. Primeiramente, o Presidente decidiu criar o Centro de Imprensa de Moncloa. Em segundo lugar, o Governo está evitando o erro de fazer com que a gente "pense em elefantes".

4. Faltava ao Governo querer batalhar pela comunicação; agora, parece que irá fazer isso. Esta iniciativa, junto com sua capacidade de comunicar-se com a gente e projetar um modelo, em que a sociedade deseje sentir-se refletida na eleição do ano que vem.

A IMPORTÂNCIA DE UMA "MARCA PAÍS"

Trechos do artigo de Andrés Oppenheimer

1.O que mais me surpreendeu do novo ranking da "nota de 40 nações – seu nível de aprovação no mundo" foi que o Brasil, a Argentina e o México apareceram medianamente avaliados, considerando a volatilidade de sua região. Segundo o Ranking Anholt, uma sondagem de opinião junto a 25.000 pessoas em 35 países sobre como são avaliados os produtos, a gente, a cultura, os governos e o turismo de outros países, as nações da Europa e o Canadá tem as melhores notas do mundo. A lista está encabeçada pela Grã Bretanha, seguida por Alemanha, Canadá, França e Suíça. Os Estados Unidos estão na 11a colocação; o Brasil, na 19a; a Argentina, na 23a; e o México, na 30a .

2. Simon Anholt, o perito britânico em medição da reputação internacional de países, que conduz esta pesquisa junto com a empresa consultora Global MarketInsite, declarou-me ter começado a elaborar este trabalho há dois anos, porque, numa economia globalizada, os países com melhor nota terão uma vantagem competitiva cada vez maior para vender seus produtos no exterior. "O países de origem são uma parte muito importante da imagem de um produto", me assinalou Anholt.

3. Anholt respondeu que os países latino-americanos foram relativamente bem classificados, mas tem um grande problema: a gente no resto do mundo guarda uma imagem positiva da cultura, da gente e das paisagens latino-americanos, mas uma imagem negativa dos produtos e dos serviços da região. "A América Latina apresenta uma marca branda ", disse Anholt.

4. "O Brasil mostra uma pontuação muito alta como destino turístico e atração cultural, porém todos os países da América Latina tem notas muito baixas em fatores importantes, como a qualidade de seus produtos", acrescentou. Quando se pede aos inquiridos que classifiquem os 40 países segundo a qualidade de seus produtos, o Brasil ficou em 26o lugar; a Argentina, em 30o; e o México em 34o, muito abaixo da imagem geral desses países. Os três países que, de acordo com os ouvidos, fabricam os melhores produtos são o Japão, os Estados Unidos e a Alemanha.

5. Diz Anholt. "Quando falo de melhorar a marca país, não estou falando de promoção. Muitos países gastam muito dinheiro em estúpidas campanhas de publicidade. Isso não funciona", respondeu. "O que eles precisam é melhorar a qualidade de seus produtos e elaborar planos de 10 a 15 anos, que envolvam uma estratégia nacional coordenada de todos os setores da sociedade", "O Brasil é o país latino-americano com maiores oportunidades, porque tem a seu favor uma imagem externa muito positiva por causa de sua música, de seu futebol e da alegria da vida, mas não tem sabido colocar essa imagem a serviço de sua economia", declarou Anholt.

O LÍDER E A ADVERSIDADE!

1. Os grandes comandantes, os grandes líderes se testam na adversidade. Nas batalhas mais simples com vitórias garantidas não faz muita diferença quem esteja no comando.

2. As batalhas que marcaram os grandes generais, as vitórias políticas que consagraram os grandes lideres têm sempre esta característica: a capacidade de superar a adversidade e transformar derrotas em vitórias, superando desafios com humildade, habilidade e coragem.

3. Os dirigentes que se desmancham, que se desintegram, que tremem frente a uma simples adversidade podem ser tudo menos líderes e muito menos estadistas.

4. Uma vaia – por maior que seja - é uma simples pedra no meio do caminho. Uma pedra não maior que uma pedra portuguesa. Mesmo que se tropece nela, nada mais é que um cisco na frente dos desafios de um grande líder.

5. Um país – que enfrenta desafios tão grandes como as diferenças socioeconômicas, a necessidade de desenvolvimento com eqüidade, a defesa nacional... - não pode contar – para estas tarefas - com dirigentes que se amesquinham frente a pequenas pedras, de vaias, no meio do caminho.

Plataformas da Petrobrás emitem tanto CO2 equivalente, que todos os veículos da Cidade de SP!

Um volume de gás carbônico (CO2) equivalente ao emitido pelos veículos da cidade de São Paulo pode estar sendo despejado na atmosfera diariamente pelas plataformas de produção de petróleo da Petrobrás. A estimativa é do Banco Mundial. A instituição calcula que a queima ou a liberação de gás (chamada de venteio) sejam responsáveis pela emissão de 350 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano em todo o mundo.
No Brasil, o volume de emissões pelas plataformas de petróleo varia entre 4 e 7 milhões de toneladas por ano, dependendo do volume de gás queimado, diz o consultor do Banco Mundial Francisco Sucre. A título de comparação, estudo da Coppe/UFRJ para a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da prefeitura de São Paulo estima que todo o transporte rodoviário na capital paulista lance na atmosfera 7,6 milhões de toneladas de CO2 por ano. É o setor que mais polui a cidade, aponta o inventário das emissões feito pela universidade.
Fonte: O Estado de São Paulo

DA SÉRIE: LÁ... COMO AQUI...! "A ILUSÃO DO MARKETING"

Trecho de matéria do colunista de La Nacion Mariano Grondona!

1. Quando uma empresa lança um novo produto, pode ceder à tentação de elogiá-lo de maneira exagerada. Se a gente "compra" este exagero, também comprará, pelo menos ao começo, o produto que se anuncia. Isto acontece até ao momento em que a realidade substitua a ingenuidade dos compradores.

2. Na política ocorre outra coisa quando um candidato "sobrevende" com eficácia suas contraditórias afirmações. Por acaso Maquiavel não advertiu que em política as aparências substituem a realidade? Se a campanha lançada pelo Governo apenas dissimula, como temos visto, a lógica inexorável dos fatos, também é verdade que, se seu engano perdura o suficiente, isso pode assegurar-lhe o triunfo eleitoral, porque o mais importante não é necessariamente a verdade, mas uma aparência enganadora.

3. O mais importante numa democracia adolescente como a nossa é, em suma, a eficácia das comunicações. E, se o engano acaba por descobrir-se demasiado tarde, ainda assim os "marqueteiros" terão obtido o que mais lhe importa: o poder da vitória.

4. O exagero sobre o produto que se vende não precisa durar para sempre. Bastarão alguns meses. Ainda que continue sendo verdadeira a advertência de Abraham Lincoln, segundo a qual "pode-se enganar muita gente por muito tempo, mas não toda a gente por todo o tempo", será bastante aos "marqueteiros" do Governo que o breve tempo de engano dure até a próxima eleição. Depois, Deus o dirá.

5. Todos recordamos como uma hábil ação publicitária nos apresentou De la Rúa como o firme e decidido governante que na verdade não o era. As conseqüências vieram depois, mas elas não afetaram o prestígio profissional de seus "marqueteiros". Os assessores da dupla Kirchner terão de seduzir a tribuna apenas até 28 de outubro. Como somente depois fica descoberto o engano da "mudança na mudança", que agora proclamam, isso lhes bastará, porque seu real motivo não é o de anunciar um programa capaz de ser realizado no longo prazo, mas sim explorar a ilusão da gente no curto prazo. Apenas depois, entre 2007 e 2011, talvez a profecia de Lincoln se concretize por completo.

PSICOPROFILAXIA DAS DORES DA VAIA!

1. TIXOTROPIA – É o fenômeno físico-químico que explica porque o excesso de floculante para amolecer uma mistura na confecção de uma massa homogênea por moagem pode transformá-la em pedra. Jacques Seguelá (foto) – assessor de imagem de François Mitterand - em seu livro – Em nome de Deus (não traduzido ao português) recomenda aos políticos um movimento oscilante de – emersão/ submersão - de forma a não se expor continuamente à "luz do sol, pois as queimaduras do excesso de exposição, são de terceiro grau". A assessoria de Lula faz exatamente o contrário quer expô-lo ao sol (imprensa, especialmente TVs) todos os dias.
2. FALSA PROXIMIDADE – É o fenômeno em que o círculo próximo do líder (presidente, primeiro-ministro) procura levá-lo apenas aonde os aplausos serão inevitáveis. E então envolvê-lo num calor artificial de infravermelho. A assessoria de Lula vai mais longe e usa "claques de aluguel". Isso dá ao líder (presidente, primeiro-ministro) a falsa impressão de popularidade. E o mais grave: a cobertura da imprensa coonesta as imagens e esta sensação, que se transforma em popularidade de pesquisa, sem lastro.
3. A MORTE DO COMERCIAL DE 30" – Nos últimos seis anos o impacto do uso de publicidade política na TV, vem perdendo impacto. Os comerciais políticos tradicionais de 30" não produzem memória nem minutos depois. É como se o telespectador achasse tudo a mesma coisa e tivesse a sensação de manipulação. A assessoria de Lula insiste em gastar bilhões em publicidade na imprensa buscando popularidade para o governo. O efeito é zero na imprensa independente. Na imprensa dependente da publicidade do governo o efeito é uma mídia "espontânea" favorável, o que amplia a falsa impressão de que vai tudo bem nas áreas alcançadas por ela.
4. O EFEITO HERNÁN CORTEZ - É quando políticos de uma região imaginam que os fatores locais independem da presença de políticos locais (que conhecem bem a região – sob qualquer ponto de vista). A consagração no inicio é o desastre posterior. A assessoria de Lula decidiu conquistar o Rio – onde sua avaliação é a pior do Brasil - a partir da posse do novo governador. Destacou volumosa transferência de recursos e passou a trazer Lula ao Rio com freqüência às vezes semanais. Numa dessas, ele teve 4 eventos no mesmo dia e sempre acompanhado das “claques de aluguel". Até o interlocutor local escolhido – o vice-governador é um político do interior. As prioridades escolhidas foram os locais que a imprensa mais destaca. Só que são lógicas opostas muitas vezes. O governador – que deveria ter o papel principal - foi tratado como coadjuvante. Resultado: a produtividade política foi nenhuma.
5. PESQUISAS E OS SBF - Pesquisas de opinião na mão de amadores iludem. Sua leitura deve levar em conta – muito menos patamares - que tendências em série e fatores que influenciam. Por exemplo, o bolsa-família que atinge um limite e em seguida os possuidores começarão – naturalmente - a exigir mais e a capitalização passará a ser decrescente e negativa. A porcentagem mais relevante em pesquisa hoje é a dos SBF (Sem Bolsa Família). A rejeição a Lula dos SBF é de 40%. A assessoria de Lula não consegue ver que esta % será crescente pelo esgotamento – físico - e depois perceptivo, dos programas assistenciais.

IMPRENSA, POLITICA E INSTITUIÇÕES!

1. Uma ampla pesquisa nacional feita em 2006 - coordenada pelo professor José Alvaro Moysés (foto) - confirmou o que a série de pesquisas que realiza desde o final dos anos 80 vem mostrando: quase 70% dos eleitores brasileiros não confiam em nossas instituições. Não é preciso lembrar, que lá atrás - fechando a lista, vem o congresso, os deputados e senadores.

2. O apoio a Democracia é amplo - uns 2/3 dos eleitores. Mas parece que o eleitor confunde democracia com um senso comum de liberdade, e voto livre. Para boa parte dos eleitores não ter deputados e senadores vai bem.

3. Esta questão nos traz de volta as relações entre imprensa, política e instituições.

4. A imprensa tem como produto a audiência, que multiplica a captação de publicidade, que é o seu negócio. As noticias são a matéria prima da audiência. Ora, sempre que um fato, ou idéia ou opinião tenha uma alta receptividade de opinião pública, inevitavelmente, será destacado, sempre que ocorra. E quando ocorrer, com a força da demonstração e da prova justificando a opinião publica existente, maior destaque terá. Isso produzirá uma convergência entre imprensa e opinião, uma enorme sinergia.

5. Com isso fecha-se um círculo vicioso e inevitável. Quanto mais sólidas as instituições, mesmo que a opinião pública desconfie delas, quanto mais esta desconfiança tenha como limites sua própria existência, menor risco de que aquele círculo vicioso afete as instituições. Mas quanto mais frágeis elas são, maior este risco.

6. Temos visto isso desde sempre na América Latina. E vivemos um ciclo de riscos, como se pode ver na Venezuela, no Equador, na Bolívia e até mesmo na Argentina com a lei delegada geral para Kirchner. O que virá quando a economia argentina deixar de crescer os 8%, 9% de hoje?

7. Sempre há a possibilidade de um esforço da imprensa para que o noticiário, ao destacar as distorções, reafirme as instituições. Quando estas naufragam, a primeira vitima será a imprensa, como aliás estamos vendo naqueles paises citados.

NEM TUDO DEVE DEPENDER DOS ÍNDICES DE AUDIÊNCIA!

Artigo do filósofo alemão Jürgen Habermas no Clarin de Buenos Aires e Le Monde de Paris.

1. Permanece a discussão em torno do caráter de mercadorias, da cultura e da informação. As empresas de imprensa e comunicação produzem programas para os expectadores e vendem os dados de seus níveis de audiência e público às companhias publicitárias que os necessitam para comercializar tempos e espaços.

2. Este princípio de organização, apesar de sua existência generalizada, teve o mesmo efeito na esfera político-cultural, que uma tempestade de granizo numa plantação de milho. Sistemas audiovisuais como, por exemplo, o da Alemanha, se esforçam por limitar os danos causados.

3. Em todo o caso, as leis regionais sobre a mídia, as decisões do Tribunal Constitucional, relativos a estas questões e os princípios de programação dos estabelecimentos públicos, refletem o conceito de que a mídia eletrônica massiva, não deve satisfazer apenas as necessidades de diversão e distração dos consumidores - necessidades, aliás, facilmente comercializáveis.

4. Os ouvintes e expectadores não são unicamente consumidores, e, portanto usuários do mercado. São também cidadãos que gozam de um direito de participação cultural, de acesso ao fato político e de participação na formação da opinião publica.

5. Sobre a base desta exigência jurídica, os programas que garantem à população esta "provisão de fundo", não podem ficar apenas dependentes de sua eficácia publicitária e do apoio de patrocinadores.

6. Por isso, a contribuição que se paga na Alemanha, e que autoriza o financiamento desses programas de "fundo" e que deriva de uma decisão política, tem que poder, inclusive, ficar a margem dos altos e baixos da conjuntura econômica, da mesma forma que os orçamentos regionais.

Enquanto isso em Natal-RN

Clique na imagem para vê-la ampliada.

sexta-feira, julho 27, 2007

Carta aberta ao Senador Renan Calheiros

Por Tereza Collor

Senador Renan Calheiros. Do menino ingênuo que fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978, que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar, você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas. Você é um homem ousado. Compreendeu num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a digladiar-se com os poderosos 'Omena', na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.
'Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz'. As vacas de Renan dão cria 24 horas por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas! Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana.
Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um ou mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe um dia, derrotaria a todos eles, os 'emplumados almofadinhas' que tinham empregados, cujo serviço exclusivo era abanar, por horas, um leque imenso, sobre a mesa dos usineiros para que os mosquitos de Murici (em Murici até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros, o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho, onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.
Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca. Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele, aliaram-se, começou a ser parido o novo Renan.
Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito. Os seus colegas de Universidade diziam isto. Longe de ser um demérito, esta sua espessa ignorância literária, faz sobressair, ainda mais, seu talento de vencedor.
Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e a ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria, em tudo. Haveria de ser recebido em Palácios, em mansões de milionários, em congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando você chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seria rebatizado em fausto e opulência. Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei.
Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: A alma terá como a terra, uma túnica incorruptível. Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: Suje-se gordo! Quer sujar-se? Suje-se gordo!
Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez. Neste mandato nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço! Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou esta sua campanha com US 1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do trabalho.
E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-los nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço.
O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha, e é tudo seu, montanha e glória, ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme que blefa rindo e cujos olhos indecifráveis intimidam o adversário.
E joga tudo. E vence. No blefe.
Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem na política brasileira a tem? Quem neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais; atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu; pai velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?
Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje hospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola? Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal?
No velho dizer dos canalhas, todos fazem isto, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta, pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasimodos morais para blindá-lo.
E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra, Siba, é o camareiro de seu salvo conduto para a impunidade, e fará de tudo, para que a sua bandeira, absolver Renan no Conselho de Ética, consagre a sua carreira.
Não sei se este Siba é prefixa de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra muito bom de tarefa. Olhe o jeito sestroso com que ele defende o chefe. É mais realista que o Rei.
E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan. Que Corregedor! Que Senado! Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura:
1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil, 2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil, 3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil, 4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil e só.
Você não declarou nenhuma fazenda nem uma cabeça de gado! Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$ 1 milhão e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale R$ 3.000.000.
Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000. Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhões, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranja? Que herança moral você deixa para seus descendentes.
Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena? Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: Não tenho uma tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho. É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!
O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos, cúmplices. Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje, perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!
Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara. Os alagoanos agradecem.
Thereza Collor.

quarta-feira, julho 25, 2007

BANCO MUNDIAL: BRASIL DE LULA É CAMPEÃO DA CORRUPÇÃO E DA INCOMPETÊNCIA!

BBC - Brasil tem pior controle da corrupção em 10 anos, diz Banco Mundial

1. O controle da corrupção no Brasil atingiu em 2006 o seu pior patamar em dez anos, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial (Bird). Segundo o relatório Assuntos de Governança, do Bird, o índice de controle de corrupção "mede a extensão em que o poder público é usado para ganhos privados, incluindo pequenas e grandes formas de corrupção, assim como o 'seqüestro' do Estado pelas elites e pelos interesses privados". O índice brasileiro de controle de corrupção caiu para 47,1 em 2006, em uma escala que vai de zero a cem. Em 2000, o país chegou a ter um índice de 59,1.

2. O estudo do Bird - que faz parte de um projeto que reúne indicadores de boa governança mundial - avaliou 212 países segundo seis critérios diferentes. Além de controle de corrupção, o Brasil também piorou nos últimos anos nos índices que avaliam a eficiência do governo, a qualidade dos marcos regulatórios e a força da lei.

3. O índice que avalia a eficiência do governo - a qualidade dos serviços públicos, a independência do governo e a implementação de políticas - mostra que o Brasil vem caindo desde 2003. O índice passou de 60,7, naquele ano, para 52,1, em 2006. O índice de eficiência do governo só foi inferior a isso em 1996 (47,4), primeiro ano avaliado pelo Banco Mundial.

4. O índice da qualidade dos marcos regulatórios - que, segundo o Bird, mede a habilidade do governo de formular e implementar leis que estimulam o setor privado - também caiu no Brasil entre 2003 e 2006: de 62,9 para 54,1. A força da lei - que avalia a confiabilidade da polícia e dos tribunais - também piorou no Brasil, segundo o Banco Mundial. O indicador brasileiro caiu de 50, em 1996, para 41,4, em 2006 - o pior índice da história.

terça-feira, julho 24, 2007

segunda-feira, julho 23, 2007

O que ocorreu não foi acidente, foi crime

FRANCISCO DAUDT
Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.
Remeto-me ao livro de García Marquez, "Crônica de uma morte anunciada". Todos sabiam e ninguém fez nada. E não me refiro a você, leitor, que se consome em sua impotência diante deste e de tantos descalabros que vimos assistindo semanalmente. Ao ponto de a ministra se permitir ao deboche extremo do "relaxa e goza'? Será esta sua recomendação aos parentes das novas vítimas? Refiro-me às autoridades (in)competentes, inapetentes de trabalho gestor. Refiro-me ao presidente Lula, que, há quantos meses, ó Senhor, disse em uma de suas bazófias inconseqüentes que queria "data e hora para o apagão aéreo acabar", como se não dispusesse da devida autoridade para tal.
Sinto pena de não ter estado na abertura do Pan, de não ter engrossado aquelas bem merecidas vaias. Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais "elites", que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer.
Qual de nós escapou do medo de voar desde o desastre da Gol HÁ NOVE MESES? Qual de nós assistiu confortável o jogo de empurra, "a culpa é dos controladores'; "não, é do ministério da defesa'; "a mídia também exagera tudo'; "é do lobby das empreiteiras que só querem fazer obras inúteis e superfaturadas nos aeroportos". Qual de nós deixou de ficar perplexo com a falta de ação efetiva para que o problema se resolvesse?
Perdão, acho que a tal falta de ação geral de governo é de tamanho tão extenso e dura tanto tempo que muitos de nós a ela nos acostumamos. Sou psicanalista, e, por dever de ofício, devo escutar o que meus clientes queiram dizer.
Pois nunca pensei que fosse pronunciar no consultório uma frase que venho repetindo há algum tempo, depois de que mensalões, valeriodutos, Land-Rovers, dólares na cueca, dossiês fajutos, renans calheiros, criminalidade, insegurança pública, impunidade, pizzas e tudo isso que o leitor já sabe se despejam fétida, diária e gosmentamente sobre nossas cabeças. A tal frase: "Não quero falar desse assunto". Os pacientes me respondem com alívio, "Ufa, eu também não!' É o desabafo da impotência partilhada. "Welcome to Congo'? Talvez seja um insulto ao Congo.
Pois agora quero falar deste assunto. Deram-me a oportunidade de ser menos impotente. Sei que falo por uma enorme quantidade de brasileiros trabalhadores que sustentam essa máquina de (des)governo, muitos mais que os 90 mil do Maracanã, para expressar o nojo e a raiva que esse acúmulo de barbaridades nos provoca. O governo sairá da inação, da omissão criminosa? Alguém será preso, punido por todas essas coisas? Infelizmente, duvido. Talvez condenem a mim, por ter deixado o coração explodir. Pagarei o preço alegremente, lembrando Graciliano Ramos, que, visitado no cárcere, travou com o amigo o seguinte diálogo:
- Puxa, Graça, você, aí dentro, de novo?
- E você, o que faz aí fora? Nestes tempos, lugar de homem honesto é na cadeia.


FRANCISCO DAUDT , 59, é psicanalista e colunista da Revista da Folha

segunda-feira, julho 09, 2007

Sobre o sagrado direito de ser otário!

Um novo conceito radical de marketing

- Eu sou John Nike, agente de Marketing de Guerrilha, Produtos Novos.
- Hack Nike.
- Começamos a vender os Mercury há seis meses. Sabe quantos pares já vendemos?
Hack balançou a cabeça. Cada par custava milhares de dólares.
- Um milhão? arriscou Hack.
- Duzentos.
- Duzentos milhões?
- Não duzentos pares.
- O nosso John aqui – disse o outro John – foi pioneiro no conceito de marketing por recusa de vender produtos. Isso deixa o mercado louco.
- E agora está na hora de tirar proveito. Na sexta-feira, vamos jogar quatrocentos mil pares no mercado a dois mil e meio cada.
Mas o negócio é seguinte, Hack; se as pessoas perceberem que cada shopping center do país tem os Mercury, vamos perder todo o prestígio que nos deu trabalho para montar. Estou certo?
- Está.
- Então o que vamos fazer?
Hack balançou a cabeça.
- Vamos atirar neles – disse o VP John. – Vamos matar todos que comprarem um par.
- O quê? perguntou Hack.
O outro John disse:
- Bem, não todo mundo, obviamente. Achamos que só temos que apagar... o que foi que decidimos? Cinco?
- Dez – disse o VP.
- Certo. Apagamos 10 clientes, fazemos com que pareça coisa de garotos do gueto e teremos a credibilidade das ruas entrando sem parar. Aposto que vamos acabar com o estoque em vinte e quatro horas.
O diálogo acima foi retirado do livro EU S/A e se passa num futuro próximo, quando os sobrenomes das pessoas foram substituídos pelo nome das companhias para as quais trabalham. Quem não tem emprego também não tem sobrenome.
Tirando o absurdo da ação de PR Stunt (matar pessoas), a estratégia de “recusa de vender produtos” para conseguir "street cred" já é uma realidade entre os fabricantes de tênis que criam séries super limitadas, vendidas a preço de ouro, para gerar boca-a-boca e mídia espontânea.
Para falar sobre estes pares de tênis mais cobiçados foi lançada a nova revista da Editora Trip (encartada na Trip de maio) – Sneaker Trip – sobre sneaker culture, ou em português claro: revista sobre a cultura do tênis (de calçar, não o esporte).
Saiba mais sobre o livro EU S/A.
Veja o ótimo site Sneaker BR que há muito tempo já trata do assunto.

ENTREVISTA DO CONSAGRADO POLITÓLOGO GUILLERMO O`DONNEL!

Personalização das campanhas é que desideologiza e despolitiza. Riscos das instituições frágeis.

La Nacion -Trechos.

1. - Fala-se de uma redefinição do que tradicionalmente conhecíamos como esquerda e como direita.
- Em minha opinião, postular o fim das ideologias é muito conservador e não estou de acordo com isso. O problema é que a crise de 2001 fez com que se conformassem "espaços", que é um excelente eufemismo para evitar dizer "partidos". Na prática, isso implica numa mélange de vários setores que convergem, basicamente, em torno de candidatos, e não de ideologias ou plataformas. Nesse contexto de confusão, em que muita gente com pensamento parecido está em "espaços" distintos, é impossível saber como e para que estamos votando. Fica confusa a representação e, como se trata de um alienamento produzido por una transação entre aliados táticos, leva ao quietismo. Por quê? Porque impede debater os grandes temas nacionais e fixar uma posição.

2. – Por quê?
- Porque esse tipo de governos por delegação e de decisão tem uma característica muito perigosa: quando chegam as épocas das vacas magras, que vem de maneira inevitável, não tem apoio institucional. Em outras palavras: não há um conjunto de instituições com poder, recursos e prestígio, a fim de que o país ande bem e com capacidade de contenção. A tarefa de erosão institucional faz com que não haja rede. Esta carência tende a provocar desmoronamentos drásticos. E minha preocupação aguda sucede porque esses desmoronamentos, como o que tivemos com Menem ou em 2001, são pagos não apenas pelos governos, mas também pelos países e, o que é pior, pelos mais pobres.

AS PESSOAS SE CANSAM... Da série... aqui... como lá...!

Trechos de artigo de Mariano Grondona - La Nacion.

1. Não está escrito em nenhuma Constituição, mas, todas poderiam conter, um primeiro artigo com esta redação: "a gente se cansa". Cedo ou tarde a gente se cansa. Quando se inicia uma nova etapa, a gente fica encantado. Passado um tempo, desencantado. Não está escrito nas Constituições, mas, no coração dos homens.

2. A grande superioridade da democracia sobre a autocracia é que, enquanto a segunda se crê interminável, a primeira é, em resumo, "a civilização do desencanto".

3. Estes sintomas de esgotamento do encanto, refletem, por sua vêz, na mudança que está ocorrendo não entre os protagonistas, mas na base da sociedade. Nas recentes eleições de Neuquem, Terra do Fogo e Buenos Aires, o "kirchnerismo" perdeu. A perspectiva triunfal que os animava na direção das eleições de outubro começa a esgotar-se.

4. O país não está mudando apenas pelo cansaço. Está mudando porque, além do desencanto que agora surge, apareceu um novo encanto: "O encanto republicano". Algum dia chegará, também a este novo espírito, o desencanto. Os novos protagonistas, num dado momento, também terão de resignar-se quando lhes chegar esta hora, como recentemente o fez Tony Blair.

CURTO & GROSSO

quinta-feira, julho 05, 2007

DISFARCE

Enquanto a grande maioria da nossa sociedade está admirada com o sucesso que vem sendo conquistado pelo Brasil no mundo todo, do desempenho da nossa economia e outras coisas mais, o grupo governante não está parado. Usa as boas notícias para disfarçar suas pretensões ideológicas.
Algumas dessas pretensões são idênticas àqueles que constam nos escritos por Lênin, em 1913: Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual; Infiltre e depois trate de controlar os meios de comunicação; Divida a população em grupos antagônicos incitando-os a discussões sobre assuntos sociais.
Destrua a confiança do povo em seus líderes que não estão alinhados com os mesmos princípios; Fale sempre em democracia e estado de direito. Mas, quando oportuno tome o poder.
Na realidade Lênin escreveu o decálogo muito conhecido. Usei alguns ítens embora todos estejam bem atuais e de acordo com os procedimentos.
Para completar e comparar o que Lênin escreveu e o que está sendo feito por aqui, mais esta, que está viva como nunca: procure catalogar todos aqueles que têm armas de fogo, para que sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência.

O PRAZO

ORIGINAL
Foi muito original a declaração de Hugo Chávez, ontem proferida, dando prazo de 90 dias para que o nosso governo decida sobre a adesão da Venezuela no Mercosul. Como Chávez nada tem de ingênuo é óbvio que ele sabe bem o que quer.
MERCOCOMUNISTA
De antemão, como já disse anteriormente, nada me convence de que o presidente Lula desdenhará da participação da Venezuela no Mercomunista do Sul. Afinal, tanto Lula como Chávez são sócios, com forte influência, do nada comentado na imprensa, Foro de São Paulo. Afinal, os princípios e os objetivos aprovados pelos membros do clube não serão desrespeitados assim, sem mais nem menos.
DEPOIS DO PRAZO
O mais provável é que no prazo de 90 dias nada aconteça. Principalmente para demonstrar ao povo que o governo não é comandado por Chávez, coisa que soaria muito mal. Como seria uma desmoralização aceitar o tal prazo, depois de passados os 90 dias tudo se resolverá. A Venezuela, portanto, entrará fora do prazo e com grande festa. Esta é a minha convicção.

O DURÃO BARROSO E O MOLENGÃO LULA

AMENIZANDO O TOM
Conforme escrevi acima, o presidente Lula já demonstrou todo o afeto por Chávez quanto a pressão que este está fazendo quanto ao ingresso da Venezuela no Bloco Mercomunista. Depois de fazer a afirmação, diante do presidente da União Européia, em Lisboa, que: - Se não quiser não fica -, já tratou de amenizar o tom.
ARREMATE
Lula arrematou dizendo que vai conversar com o amigo Chávez. Ora, a conversa não poderá ser outra que não o convencimento da importância da Venezuela no Bloco Neo-Comunista Latino. Ou seja, vai fazer um carinho e dizer que a participação de Chávez é indispensável.
INDISPENSÁVEL
Como Lula não condena, em hipótese alguma, a atitude ditatorial do íntimo amigo, pela não renovação da concessão da RCTV, coube ao presidente da União Européia, Durão Barroso, tomar a iniciativa durante o encontro, ontem. Durão fez questão de dizer, alto e bom som, que a democracia é condição indispensável para qualquer país entrar no Bloco Europeu.
REAL INTERESSE
Foi, de novo, lamentável mais este puxão de orelhas na nossa diplomacia, que só comete erros e mais erros. Lula, com estas manifestações claras, e conscientes, de apoio aos novos ditadores latinos, traduz o real interesse do Mercosul: ser um bloco de países que pregam o totalitarismo e o populismo.
DURÃO
Enquanto o presidente da União Européia é um Durão, o presidente Lula é um Molengão. Durão, a exemplo de Lula, também entende que cada país deve ser o que seus eleitores querem. Mas todos precisam saber que, países que queiram ingressar na União Européia, só terão vez se seus líderes praticarem a democracia. Durão disse, em outras palavras, que a Venezuela jamais teria vez no Bloco Europeu.

TRECHOS DO ARTIGO DE FELIPE GONZÁLEZ: A ACEITABILIDADE DA DERROTA!

O que fortalece a democracia!!!!!

El País.
1. Com freqüência, defendi a idéia da aceitabilidade da derrota como elemento essencial do funcionamento democrático. Costumava contrapô-la à alternância defendida pelos demais. Depois, fui refletindo em público sobre as atitudes dos que são incapazes de aceitar a derrota, afirmando quanto é fácil aceitar a vitória. O passar do tempo e a observação dos comportamentos me levaram a considerar serem mais complexas as implicações destas afirmações.

2.
Continuo acreditando, junto com meu amigo A. Prezowsky, que a aceitabilidade da derrota melhor define a democracia do que a alternância. Se não ocorrem razoáveis condições de igualdade de oportunidade entre as opções em jogo, a derrota poderia não ser aceitável de maneira legítima e estaríamos colocando em perigo a validez do sistema, porque se faria impossível o triunfo da alternativa de poder e esta teria a tentação de romper esse sistema.

3.
A importância para o funcionamento da democracia radica na expectativa que se gera no perdedor da contenda. Perderam, mas poderiam ter ganhado, o que ajuda a possibilidade de consegui-lo na próxima ou na vez seguinte. Esta expectativa mantém o grupo dentro do jogo, evita a tentação de ruptura e termina fortalecendo e validando o próprio sistema democrático.

4.
Os elementos que constituem a aceitabilidade da derrota, ou, se o preferirem, a razoável igualdade de oportunidades das forças em presença, são diversos, embora alguns sejam essenciais e outros, mais ligados às circunstancias. Uma clara divisão de poderes, por exemplo, é essencial. Se o poder judiciário atua de maneira enviesada em favor de uma opção política, pode desequilibrar gravemente as oportunidades. O mesmo acontece quando os meios de comunicação não tem um grau de pluralismo razoável e se concentram, de modo exagerado, em torno de uma das opções em jogo, ou quando se desequilibra dramaticamente o financiamento de partidos sem um marco regulatório capaz de impor certos limites.

5. O peculiar desta tese é que, quando alguém não sabe perder, são muito elevadas as possibilidades que tampouco saiba ganhar. Assim, os políticos que não sabem aceitar sua derrota, quando triunfam, fazem um uso abusivo do poder obtido. Diz-se que o poder sobre as suas cabeças e perdem o sentido da realidade ou de sua própria estatura.

Incitatus melior senator quam Renan fuit

Conta a História que Calígula (Caius Caesar Germanicus), terceiro imperador Romano, nomeou seu cavalo favorito, Incitatus, para o Senado. O ato provocou profundo mal-estar entre os senadores e o patriciado de Roma, mas a idéia do imperador louco não era tão ruim assim. Incitatus jamais atentou contra o erário, não consta que conhecesse um só lobista de empreiteira, não tinha fazendas nem traficava com vacas de qualquer espécie e não forjava papéis (em seu tempo o papel ainda não existia).
Tratava-se de senador honesto, exemplar, sem agenda oculta, caixa 2 ou qualquer fato que o incriminasse. Seu único defeito era não ter tido um só voto para ganhar o mandato de senador, mas isso também não o deixaria mal no Senado, onde cinco dos 16 membros da Comissão de Ética também não precisaram de um único sufrágio para chegar ao Senado, a começar pelo presidente, o senador Sibá e o relator-brucutu, Wellington Salgado.
Mais uma vez os brasileiros assistem a um festival de cinismo, que se não fosse trágico poderia fazer parte de um roteiro do Casseta & Planeta, tal é o volume de besteiras que ali são ditas. Não escapou nem Joana D'arc que morreu numa fogueira "que lhe consumiu os cabelos" (certamente morta por causa dessa perda capilar). O relator-brucutu insistia em "relatar meu relatório" e fazia cara de mau durante toda a sessão do Conselho, cruzando os braços e dizendo que renunciaria (como renunciou). A seu lado, Sibá mirradinho e muito mais esperto, propunha o adiamento da sessão, novas perícias e cavava um pouco a cova de Renan (ele já foi coveiro e deve entender de morto). Brucutu insistia em "relatar meu relatório" e dava a impressão de que a qualquer momento faria picadinho de Sibá. Incitatus relincharia envergonhado...

Algumas ilhas de integridade como Simon e Peres não bastariam para salvar o Senado se Jeová resolvesse destruí-lo, como fez com Sodoma. Abraão (como bom semita) negociou com Deus, que exigia 50 justos para poupar Sodoma, e este se comprometeu a deixar por 10 e não arrasar a cidade. Não havia 10 justos. Haverá no Senado?

O país economizaria dinheiro e paciência se adotasse o sistema unicameral, como a maioria das democracias. A Inglaterra está extinguindo a Câmara dos Lordes. O Senado seria, por definição, uma câmara revisora, um hemiciclo de políticos experientes, sábios, maduros, preparados para evitar e corrigir abusos, erros e desatinos dos deputados. Mas o que se vê é uma associação de semiletrados, com indivíduos de caráter duvidoso e não raro folhas corridas.

Qual é o objetivo dessa Casa? Sibá demonstrou, não ser tão idiota quanto Renan acreditava que fosse, ao entregar-lhe o julgamento "ético" do affair. O presidente do Senado estava tão certo da absolvição que sequer se preocupou em dar a mínima verossimilhança a seus papéis e vacas fajutas. Bastou a Globo fazer um pouco de jornalismo e a vaca foi para o brejo...

Quando penso em senador, penso em alguém como Afonso Arinos, Paulo Brossard, Petrônio Portella, Santiago Dantas, Darcy Ribeiro, mas certamente não em alguém como a imensa maioria dos parlamentares hoje naquela Casa, que não tem qualificação nem para vereador de cidade de quinta categoria. Do jeito que vem caindo, o melhor é acabar de vez com o Senado na reforma política que deveria já estar sendo discutida, mas que mais uma vez cede lugar a mais um (e certamente não o último) escândalo desta República podre.

PS - Renan avisou que não cai só; teremos Roberto Jefferson II? Imaginem-o dizendo: "Aqui ninguém é melhor do que eu! Todos têm vaca...".

Tradução do título: Incitatus foi melhor senador que Renan.

terça-feira, julho 03, 2007

MAIS SOBRE OPERAÇÃO ALEMÃO!

Mapa esquemático do Complexo do Alemão

Esse operativo no chamado Complexo do Alemão coloca lenha na fogueira de um debate permanente. O que é uma operação policial e o que é uma operação militar. Esse debate é que coloca o Exército numa posição reticente. Uma operação militar tem como objetivos clássicos a ocupação do território e a eliminação do inimigo. Outro conceito militar, que vem pelo menos desde Napoleão, é concentrar forças contra o segmento do inimigo que se quer destruir. Como se aplica isso numa favela? Receio que a operação citada tenha se aproximado mais de uma operação militar que de uma operação policial. Por isso o exército receia entrar, pois começará dando apoio e terminará na linha de frente, aplicando seus princípios que não são policiais, mas militares. Com todas as conseqüências para a população civil”.

De um general da ativa que democraticamente publico.