segunda-feira, dezembro 31, 2007

Um Ano Novo?

Todos nós gostamos de anunciar boas notícias na passagem do ano. Queremos ser portadores de esperança, profetas de “amanhãs que cantam”.
Preparem-se, porém, caros leitores. O que vocês verão aqui é o oposto. É um chamamento – em nome da responsabilidade política – para aposentar de vez o wishful thinking: quer como compensação psicológica (uma forma de auto-engano), quer como discurso marqueteiro para conquistar clientes, apoiadores ou admiradores políticos.

É preciso reconhecer que, infelizmente, as notícias não são alvissareiras neste final de 2007. Ao contrário do que cantaram os adeptos da New Age (em suas diversas formas, das mais racionalistas até às mais espiritualistas), é muito grave a situação do mundo nesta primeira década do terceiro milênio. E isso tende a se agravar na próxima década (ou, pelo menos, nos próximos cinco a sete anos). É o que estou prevendo e vou tentar dizer por quê.

O século 21 começou mal. Por toda parte verifica-se um recrudescimento do estatismo e do unilateralismo, acompanhado de um declínio da democracia: tanto em termos da taxa de democratização dos países, que vinha crescendo desde os anos 20 do século passado e que caiu a partir do final da década de 1990, quanto do ponto de vista dos retrocessos autocratizantes verificados em vários regimes na América do Sul, na Ásia e na África.

O que preocupa, ao contrário do que afirmaram há poucos anos as grandes potências ocidentais, não é só o terrorismo islâmico – uma reação violenta ao processo de globalização e, sobretudo, ao processo de miscigenação (sim, a Al Qaeda é a afirmação perversa de uma espécie de culturalismo intolerante, uma resistência desesperada a um mundo que tende a ser tornar mestiço em termos culturais). Temos razões de sobra para nos preocupar, mais ainda, com o combate ao terrorismo que poupa, em nome da racionalidade econômica, as emergentes autocracias do petróleo e do gás: sejam ditaduras como Angola e o Irã, sejam protoditaduras, como a Rússia e a Venezuela (vergonhosamente apoiadas, por sua vez, pelas velhas ditaduras como China e Cuba).

Putin (um assassino da KGB) recebe o título de personalidade do ano da revista Times. Tal distinção tem um forte conteúdo simbólico regressivo. Os ditadores chineses são admirados no mundo todo – e inclusive por nossos empresários – por terem aplicado a fórmula exitosa do capitalismo de Estado. E ninguém lhes põe reparo quando protegem o Irã e promovem uma recolonização econômica da África. Venezuela cresce a taxas chinesas. Angola cresce a taxas ainda mais altas, estratosféricas (o dobro das chinesas). Os economistas liberais – adeptos de uma espécie de religião laica: o fundamentalismo de mercado – que passaram a vida inteira tentando nos enganar com a mentira de que crescimento econômico (crescimento do PIB) era o mesmo que desenvolvimento, agora já não sabem bem o que dizer.

A China é boa porque cresce a taxas superiores a 10% ao ano? E o que dizer de Angola que cresce a 26%? A Rússia de Putin pode fazer o que quiser, pois tem muito petróleo, muito gás (e muitas armas)? A Venezuela de Chávez pode desestabilizar os regimes latino-americanos usando o dinheiro de sobra da estatal PDVSA? E o Irã agora já pode fazer o que bem entender (pois também tem lá suas reservas não desprezíveis do “ouro negro”)?

Mas o que fazer se esses países resolverem se unir em uma aliança pragmática em nome da reafirmação do Estado (pouco importando sua declarada ideologia) e contra a democracia e a liberdade? Bush e Blair (e seu sucessor) não estavam preparados para responder essa questão. Os regimes europeus mais civilizados não estavam preparados para responder essa questão. O fato é que nem os liberais, nem os chamados social-democratas (que são, na verdade, estatal-democratas), estavam preparados para o inusitado mundo que emergiu após os atentados de 11 de setembro de 2001.

We become what we hate! O caminho de combate ao terrorismo escolhido pelas grandes potências ocidentais trouxe, como lamentável contrapartida, um recrudescimento do estatismo, aprofundando all over the world o autoritarismo dos regimes políticos e contaminando o planeta com superávits de ordem (ou – o que é a mesma coisa – com déficits de liberdade). Vejam agora o que se passa no Paquistão nuclear, onde o candidato a ditador Pervez Musharraf se prepara para tirar proveito do assassinato de Benazir Bhutto, promovendo uma autocratização ainda maior do regime em nome do combate ao terrorismo.

Não, não é um pesadelo: isso está acontecendo, debaixo de nossos olhos. A onda estatizante é uma onda autocratizante. Como disse Thomas Melia, vice-diretor-executivo da Freedom House, “há uma outra Guerra Fria a caminho. Agora não é Oriente versus Ocidente, mas democracia versus não-democracia”.

Má notícia! Essa nova guerra fria não está a caminho: já chegou! Mas nem nossos liberais, nem nossos social-democratas, viram nada. Estão cegos. Ainda estão acreditando que o crescimento econômico e a mão invisível do mercado levará ao desenvolvimento e à democratização das sociedades.

O que está ocorrendo, porém, é o oposto: crescimento, sim, mas com mais-Estado; crescimento sim, mas com menos-democracia. Como constatou
Andy Robinson, em artigo publicado nestes dias (La Vanguardia, 28/12/07), o nacionalismo (leia-se: estatismo) de recursos está provocando “uma nova guerra fria”... para a qual estão se reunindo “líderes nada sintonizados com o consenso liberal da globalização, privatização e mercados livres, de Hugo Chávez a Evo Morales, de Vladimir Putin a Mahmud Ahmadinejad”. É “o novo poder geopolítico dos produtores de petróleo e gás, que se estende do Oriente Médio à América Latina, da antiga União Soviética à África”.

Vejam algumas das evidências apresentadas por Robinson:


1)
“Na última terça-feira em La Paz (Bolívia), a Gazprom, gigante de energia controlada pelo Estado russo [da qual se diz que Putin detém 4,5% das ações], já presente na Venezuela, anunciou um investimento de 1,4 bilhão de euros no setor de gás boliviano, justamente no momento em que as multinacionais privadas, assustadas com as políticas de nacionalização do presidente Evo Morales, andam pisando em ovos”.

2)
“Ao mesmo tempo, produtores de energia acumularam bilhões de petrodólares em poderosos veículos estatais de investimento, como a Autoridade de Investimentos de Abu Dhabi, hoje maior acionista do maior banco do mundo, o Citigroup. A Arábia Saudita, maior produtor mundial de petróleo, acaba de anunciar que criará o maior fundo de investimentos estatal do mundo e com maior participação de empresas petroleiras estatais. Desde a Gazprom até a PDVSA venezuelana ocorre uma transferência de poder do setor privado para os Estados”.

3)
“As empresas estatais chinesas, por sua vez, assinaram acordos de fornecimento em longo prazo da África - Sudão, Chade, Argélia, Angola -, ao Oriente Médio e a América Latina, o que reforça a posição dos países petroleiros menores. O novo governo equatoriano de Rafael Correa se incorporou à Opep e rescindiu o contrato da multinacional americana Occidental”.

4)
“Desafiando diretamente os EUA e a Europa na área do mar Cáspio, Rússia e China assinaram acordos com países produtores como o Casaquistão, o último convertido à causa do nacionalismo de recursos, que renegociou contratos com multinacionais como Exxon-Mobil e Royal Dutch Shell para elevar as receitas estatais na exploração no mar Cáspio. Ao mesmo tempo, o governo cazaque de Nursultan Nazarbajev anunciou um acordo com Putin para construir um gasoduto do Cáspio até a Rússia, frustrando as tentativas européias de reduzir sua dependência do gás da Rússia”.

5)
“Os investimentos chineses e russos em infra-estrutura petroleira e em armamentos no Irã abortaram a estratégia dos EUA e Israel de forçar uma mudança de regime no Irã”.


Pois bem. O que os nossos liberais e os nossos social-democratas não viram? Eles não viram, fundamentalmente, que essa nova “guerra fria econômica”, de que fala Robinson, é a mesma nova “guerra fria política” (contra a democracia) de que fala Melia.

Todos os países que estão se unindo nessa regressiva aliança estatista (ou do “neonacionalismo de recursos”) são países com altos índices de crescimento e baixos índices de desenvolvimento (quer se considere o desenvolvimento humano, medido pelo IDH – Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD; quer se considere o desenvolvimento econômico, medido pelo CGI – Índice de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial; quer se considere o desenvolvimento tecnológico e a sintonia com as inovações contemporâneas, medido pelo IG – Índice de Globalização, da AT Kearney/Foreign Policy). Nenhum desses países da aliança do estatismo-regressivo tem IDH igual ou superior a 0,9. Nenhum deles tem CGI maior ou igual a 4,6. E nenhum deles figura na lista dos 30 países que têm ambientes mais favoráveis à inovação. Será por acaso?

O mundo democrático desenvolvido – tendo a frente países como Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Hong Kong, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido, Singapura, Suécia e Suíça – está virando uma ilha de prosperidade econômica e boa governança, crescentemente cercada por países que crescem a altas taxas, dominados por regimes mais ou menos bestiais, que estão pouco se lixando para coisas como democracia, Estado de direito, civilidade ou decência.

É fato: todos os paises que estão apoiando ou se unindo nessa aliança estatista são ditaduras (como China ou Angola) ou protoditaduras (como Rússia ou Venezuela). O grande perigo – pelo menos para nós – é que consigam atrair as democracias formais parasitadas por regimes neopopulistas manipuladores (como Argentina e Brasil).

Perdão por enviar uma mensagem tão fúnebre numa época que deveria ser de esperança. Mas o fato é que, do ponto de vista da democracia e do desenvolvimento humano e social sustentável, o mundo não vai nada bem nesta quadra. Esquerda e direita estão se unindo em torno da reafirmação do Estado e a primeira vítima já está sendo a liberdade.

E as coisas só tendem a piorar se não acordarmos, se não cairmos na real, se não reconhecermos que nossos esquemas de interpretação do mundo foram por água abaixo e se não tomarmos a firme decisão de buscar novos caminhos, não mais baseados no estadocentrismo ou no mercadocentrismo, no coletivismo massificante ou no individualismo estiolante.

UM TEXTO PARA SER LIDO E RELIDO PELOS POLÍTICOS BRASILEIROS E ADAPTADO PARA NOSSA REALIDADE QUE - CLARO - ESTÁ MUITO MAIS PRÓXIMA DA ARGENTINA!

Artigo de Mariano Grondona - jornalista sênior e colunista aos domingos, em La Nacion.

1. Cada nação tem duas constituições. Uma, a constituição escrita, contém os textos legais. A outra, a constituição real, é maneira como o país vive a sua constituição escrita. Aqui, neste nível mais profundo, jogam as crenças, os valores que cada nação desenvolveu no transcurso do tempo. A constituição escrita é como o nível consciente da cada pessoa, o que ela quer ser. A constituição real é o nível do inconsciente que inspira em segredo, tanto as pessoas como as nações.

2. Ao igual que as demais nações, os EUA e a Argentina são influenciados por seu inconsciente coletivo. E assim, pode ocorrer que dois países semelhantes ao nível de suas constituições escritas, sejam radicalmente diferentes, a nível de suas constituições reais. É o que ocorre entre EUA e AR e entre eles e nós.

3. Tomemos um exemplo para ilustrar este contraste. No plano das constituições escritas, EUA e AR se definem do mesmo modo, como "repúblicas presidencialistas". Mas o sentido profundo da instituição presidencial entre eles e nós é oposto. Nos EUA, a instituição presidencial foi criada por Hamilton e Madison para moderar o perigo que os autores do “O federalista", viam no possível desborde demagógico do Congresso e dos Estados locais. Entre nós, na AR, a instituição presidencial não foi criada para moderar a euforia do Congresso e dos governadores, mas ao contrário, para dar-lhe ao país uma unidade de mando que o salvaria da desintegração.

4. Por isso, nos EUA, a crise presidencial sobrevém quando um presidente se torna demasiado forte,e assim foi porque Nixon foi destituído pelo Congresso, porque o acusavam de haver-se convertido em um "presidente imperial". Na AR, inversamente, ocorre o perigo dos presidentes débeis, como De La Rua, porque se algo não suportamos é que ninguém mande.

5. A um país aborrece o excesso de poder. Ao outro, se estremece diante da ausência de poder. Este contraste entre ambas constituições reais, se dá, sem embargo, ao abrigo de uma mesma constituição escrita, nesta questão. É que, em seu inconsciente coletivo, nossos países albergam temores distintos. Os norte-americanos temem mais que nada ao absolutismo, do qual se livraram com a independência. Os argentinos temem um mal que consideram ainda maior, porque tem padecido com freqüência: esse mal é a anarquia.

ÁFRICA SUBSAARIANA JÁ TEM 760 MILHÕES DE HABITANTES!

África excluindo os países do norte da África. Clique na foto ao lado para ter uma visão geral! Trecho da entrevista do Le Monde a dois demógrafos especialistas em África!

John May - Atualmente, a África subsaariana representa 12% da população mundial. Em meados deste século, ela representará 19%, ou seja, cerca de 2 bilhões de habitantes, contra 760 milhões hoje. Na África subsaariana, duas pessoas em cada três têm menos de 25 anos. Em nenhum outro lugar do mundo esta situação é encontrada. Na China, as pessoas com menos de 25 anos representam apenas 40% da população, e 30% na Europa.

Jean-Pierre Guengant - As evoluções demográficas na África se caracterizam por estarem defasadas em relação ao restante do mundo. Historicamente, foram apontados dois choques de maior importância para o continente negro: a escravidão e a colonização. Os especialistas explicam que entre 1500 e 1900, grosso modo, a população da África praticamente não aumentou. Alguns autores avaliam até mesmo que ela diminuiu

INVESTIMENTOS DE FUNDOS CHINESES EM BANCOS AMERICANOS!

Abaixo estão alguns investimentos de fundos soberanos em bancos americanos. Este processo já começara antes da atual crise, mas se acentuou de forma significativa na medida em que essas instituições procuram garantir mais liquidez . Como outros, o Banco Morgan Stanley vendeu, por US$5 bilhões, uma parte de seus ativos ao fundo soberano chinês. Esta venda foi motivada por uma perda maior com o subprime anunciada na mesma ocasião da venda. O banco fez reservas de US$5,5 bilhões além da já anunciada de US$3,7 bilhões.

Citigroup - Abu Dhabi Investment Authority $7.5bn
Morgan Stanley - China Investment Corp $5bn
Blackstone - China Investment Corp $3bn
Bear Stearns - Citic Securities $1bn

sábado, dezembro 29, 2007

HUCKABEE CRESCE E ASSUSTA OS FAVORITOS!

Huckabee já passou Giulliani na Florida (25% contra 19%) e Mitt Romey colado com 19%. De acordo com o site Political Wire, Giulliani sempre apontou Florida como um dos estados que ele ia ganhar, e com a perda em Iowa e Carolina do Sul a candidatura de Giulliani começa a fazer águas nos estados chaves. As primárias na Flórida serão em 29 de Dezembro. Huckabee é líder conservador e religioso. Fora isso há algumas coincidências entre este e Bill Clinton. Ambos foram governadores do Arkansas, são músicos (Clinton toca sax, Huckabee toca baixo e tem uma banda de rock). Eles nasceram na mesma cidade, Hope/Arkansas. Dick Morris trabalhou na campanha de Clinton e na campanha de Huckabee para governador de Arkansas.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

BOM MOCISMO, DOENÇA INFANTIL DO CENTRISMO!

1. Há uma frase muito usada por alguns políticos: "faço oposição ao governo e não ao país". Em geral produzida pelos que estão no governo para iludir a oposição. Uma análise cuidadosa dela, mostra que implica em uma tautologia ou então não faz sentido.

2. O regime democrático se estabelece pelo respeito às leis vigentes, e pelas regras para mudá-las. Estabelece-se por um sistema de acesso ao poder que não seja excludente. E finalmente, por consensos estabelecidos no amadurecimento da democracia que os retira da disputa pelo poder. Um exemplo é o caso da moeda. A introdução progressiva de bancos centrais independentes retira a moeda do confronto político. Ela deixa de ser política econômica estrito senso, e passa a ser uma preliminar de política econômica.

3. Excluídas as regras do jogo e a dinâmica legal que estabilizam as instituições, excluídos os consensos pilares de um regime democrático específico, os demais assuntos podem e devem ser expostos ao debate político e seus naturais atritos.

4. Se for assim, imagine-se alguma coisa que ganha em lei um prazo certo para terminar e a própria lei a chama de provisória ? E que o governo quer prorrogar o prazo de sua provisoriedade e nada mais que isso. Esse é um exemplo maior e evidente de questão que deve ir ao debate político com vistas a prorrogação de sua provisoriedade ou cumprimento da lei de origem que estabeleceu prazo certo de funcionamento.

5. Assim foi com a CPMF. A oposição queria apenas cumprir a lei que a eliminava neste final de ano. O governo queria mudar a lei e prorrogá-la. Para uma audiência desatenta, pareceu o contrário. Pareceu que a oposição queria mudar. Não: a oposição queria cumprir a lei e nada mais. E o seu caráter provisório denotava seus problemas.

6. No meio desse quadro, os governadores de SP e MG, se somaram aos que queriam mudar a lei. Usaram e abusaram da máxima non sense do item 1... no caso. Os desatentos poderiam imaginar que se tratava de uma opinião técnica sobre equilíbrio fiscal. Não. Fazia parte da "misancene" política que está sempre na comunicação de candidatos majoritários: - Mire-me pois estou acima destas questões políticas e olho apenas para o país. Evidentemente era esse o objetivo e não a medida em si.

7. E de certa maneira tiveram algum sucesso com a repetição da máxima non sense acima. Até do presidente receberam elogios e reconhecimento. Bem, esse mais esperto, legitima o contrário do que estava fazendo (mudando a lei) com a opinião de opositores.

8. Nada mais que jogo de cena, pré-eleitoral. Nada mais que isso! Quem leu com atenção, percebeu! Bom mocismo e nada mais! Aliás uma doença infantil do centrismo.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

“O EDITORIAL É A CONSCIÊNCIA DE CULPA DO NOTICIÁRIO"!

1. Essa frase é de Jean Daniel (foto) - editor na época do Nouvel Observateur. A grande manchete do Globo, no dia seguinte da derrota do Goevrno, colocou lenha no terrorismo do governo diz: "Sem CPMF, governo deve subir impostos e congelar salários" . Mas seu editorial - Ganhos e Perdas - começa assim: “Foi derrotado, na madrugada de ontem no Congresso, um modelo fiscal forjado a partir da saída de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda, assentado em gastos correntes em alta e sustentado por uma carga tributária ascendente para financiar a gastança.”

2.
Na verdade os recursos saem da mão do governo federal e vão para o consumo e investimento das pessoas e empresas. E nessa dinâmica econômica as pessoas voltam a pagar impostos e contribuições, num valor proporcional pela velocidade muito maior de circulação da moeda. E que os Estados e Municípios, que tinham que mendigar convênios, recebe agora os tributos através de compartilhamento do imposto de renda, do IPI, do ICM, e diretamente do ISS etc... livrando-se do talo imperial do governo federa. Nesse sentido a extinção da CPMF reforça a Federação.

3.
Este Blog sugere a leitura de textos sobre Supply-Side Economics. Na falta de livros a mão, basta entrar no google ou outro buscador, colocar a expressão, e clicar.

4.
E as mentiras do governo ficaram expostas e com assinatura de Lula, ao dizer que 100% da CPFM ia para a saúde. Então a CPMF não era a base do bolsa-família. Elementar meu caro Watson!

O bem que a passagem do tempo fez ao homem!

Trechos de uma longa entrevista de "Lucho" Garzon, Prefeito de Bogotá, transcrita na edição de 09/12/2007 de "El Tiempo":

1- Eu atuei na política durante os anos 70 e 80 com o fígado; ou seja, com raiva e com ressentimento de quem queria fazer da revolução um cenário para ressarcir as exclusões de tipo econômico, social e afetivo de então. Caiu o Muro de Berlim, mas felizmente não tombou sobre mim; eu caí por cima do Muro de Berlim. Ocorre que, desde os anos 90, eu me reconcilio com a vida. Antes dos 90, havia em mim um ressentido.

2- A esquerda é amar aos outros. A direita é amar-se a si mesmo. Conheço muitos esquerdistas que atuam como a direita; egoístas, não solidários, ego-centristas. E conheço muitos que são designados de direita, que atuam com um grau muito elevado de solidariedade e de generosidade. Eu me declaro um reformista absoluto: reformas sociais, econômicas e políticas. O reformismo que represento é a luta pelos direitos, e não a luta de classes. Isso me diferencia bastante de aqueles que pretendem fazer da política um antídoto: anti-Uribe, anti-Bush, anti-Clinton, anti-TLC,... Tudo é anti, anti, anti.

3- Nos anos 70 e 80, dizíamos que necessitávamos uma guerrilha, porque havia um estado de sítio. Acabou-se o estado de sítio com a Constituição de 91. Depois, se disse que a luta contra a pobreza se fazia num cenário de guerrilha, não num outro cenário. Demonstramos o contrário, em Bogotá: reduzimos a pobreza em 61% e em 38%, a indigência; E o país também avançou. Agora, estamos discutindo o tema do delito de rebelião num momento em que a linha de ação das FARC é a de que os fins justificam todos os meios. Não se pode entrar nessa discussão, porque se acaba legitimando, de alguma maneira, o cenário das FARC.

4- Não nos lançamos em candidaturas para fazer oposição. Realizamos um governo com base no desenvolvimento de reformas e foi nisso que votou a gente. A gente não votou num discurso anti-tudo. É, nem mais, nem menos, o referendo de uma política reformista.

5- Parece-me que não teríamos podido lograr os resultados alcançados somente com o investimento político, com o não ter roubado dinheiro, com ter reorientado o orçamento, com o ter fixado metas de crescimento em Bogotá, se houvéssemos tido um entorno determinado. E esse entorno, graças ao Exército e à Polícia, enfrentou o terrorismo, enfrentou o seqüestro, mudou a situação econômica. Então, negar isso ao "uribismo!, como fator de valor agregado, me parece uma bobagem. Nós, em Bogotá, subimos para o quarto ao lado do TLC e ajudamos. Preocupou-nos o tema da segurança alimentar e o tema das drogas genéricas, e trabalhamos de modo firme, mas não nos apusemos de per se. Não creio que essa possa ser uma opção.

TRATADO DE LISBOA

Firmado no Mosteiro dos Jerônimos pelos líderes dos 27 países da União Européia, redefinindo as instituições do bloco e o seu equilíbrio de poder. Principais pontos:

1. Um político ocupará o cargo de Presidente do Conselho Europeu, com mandato de dois anos e meio, quando, pelo o atual sistema, os países se revezam na presidência a cada seis meses;

2. Um novo posto, que combina os cargos de chefe da diplomacia da UE (ora com Javier Solana) e o de comissário de negócios exteriores (ora com Benita Ferrero-Waldner), será criado, a fim de dar ao bloco mais influência no cenário internacional;

3. A Comissão Européia será menor, com menos comissários do que países membros, a partir de 2014;

4. O peso dos votos entre os países membros será redistribuído, num modelo a ser implantado entre 2014 e 2017;

I. Enquanto a Constituição rejeitada na França e na Holanda tentou substituir todos os tratados anteriores do bloco, o novo tratado se limita a fazer emendas ao Tratado sobre a União Européia (Maastricht) e ao Tratado de Estabelecimento da Comunidade Européia (Roma). O novo tratado não faz referência aos símbolos da EU (bandeira, hino e lema), apesar de estes continuarem a existir.

II. Todos os 27 países do bloco devem ratificar o tratado em 2008 para que ele seja colocado em prática em 2009. No entanto, o tratado poderá ser rejeitado se apenas um dos 27 países membros do bloco não ratificá-lo. Desta feita, a maioria dos países planeja ratificar o tratado no Parlamento, o que significa probabilidade menor de rejeição do que num referendo.

Uma saudação de Natal do poeta da democracia aos brasileiros

Walt Whitman (1819-1892) dedicou um texto à então recém-nascida República brasileira pouco antes de morrer. Chama-se “Uma saudação de Natal (de uma Constelação do Norte a uma do Sul, 1989-90”. Trata-se de um daqueles seus textos cheios de entusiasmo pela democracia, plenos de fé no futuro. Segue uma tradução que fiz (não poética) com algumas licenças — traduzir “throe” como “dor do nascimento”, por exemplo (pareceu-me o mais adequado ao sentido do texto) ou “impedimentas” como “próprio fardo”. De qualquer modo, o sentido geral é o que segue lá. E sempre será o caso de termos saudade daquilo que o poeta americano da democracia anteviu para nós. Acho que ainda não aprendemos direito a “verdadeira lição” de uma nação que brilha no céu. Um tanto taciturnos, como diria o nosso Drummond, seguimos tendo grandes esperanças. Bom Natal, queridos! Voltem sempre aqui, que apareço a qualquer momento. Já lhes escrevi isso no ano passado. E repito agora, o segundo desta nossa comunhão.

A Christmas Greeting" (From a Northern Star-Group to a Southern. 1889-90)
Welcome, Brazilian brother — thy ample place is ready. A loving hand — a smile from the North —, a sunny instant hail! (Let the future care for itself, where it reveals its troubles, impedimentas. Ours, ours the present throe, the democratic aim, the acceptance and the faith). To thee today our reaching arm, our turning neck — to thee from us the expectant eye. Thou cluster free! thou brilliant lustrous one! Thou learning well the true lesson of a nation's light in the sky (More shining than the Cross, more than the Crown,). The height to be superb humanity.

“Uma saudação de Natal (de uma Constelação do Norte a uma do Sul, 1989-90”.
Bem-vindo irmão brasileiro! – teu vasto destino está dado. A ti, a nossa mão amiga — um sorriso vindo do Norte —, uma saudação cheia de sol! (Que venha o futuro, com suas dificuldades e seu próprio fardo. É nossa, é nossa a dor do nascimento, a busca da democracia, a aprovação, a fé). A ti estendemos hoje nosso braço, voltamos nosso pensamento — a ti, nosso esperançoso olhar. Tu te juntaste aos livres! Tu passaste a ter brilho próprio! Tu aprendeste direito a verdadeira lição de uma nação que brilha no céu. (Mais brilhante do que a Cruz, mais brilhante do que a Coroa). O apogeu da suprema humanidade.

Alvaro Dias faz um histórico da moeda e diz que o Plano Real provocou mudanças importantes no País

O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) fez em plenário, na última quinta-feira (20/12), um retrospecto da história da moeda brasileira e elogiou os economistas e políticos responsáveis pelo lançamento do Plano Real, em 1994, quando se iniciou a estabilidade da moeda brasileira: "A eleição de Fernando Henrique Cardoso aprofundou e consolidou o Plano Real, buscando a modernização por meio de reformas capazes de eliminar estruturas atrasadas e injustas que travavam as potencialidades nacionais. Os desafios são gigantescos, mas não se pode negar a indiscutível melhoria das condições de vida da grande maioria dos brasileiros.
Sem o Plano Real, tudo isso teria sido impossível de se concretizar. E, no seu epicentro, estão a estabilidade da economia e algumas reformas do Estado que foram realizadas. A relativa descentralização da renda nacional só vem sendo possível porque a inflação foi domesticada".
Tempos de inflação alta
Alvaro Dias falou sobre a divisão do trabalho e a temporada de inflação alta que elevou preços, corroeu a estabilidade e prejudicou trabalhadores: "O Brasil, por muitos anos, foi aquele operário chapliniano apertando a porca inflacionária numa especialização de futuro incerto. As várias alternativas de controlar e enjaular o monstro inflacionário sempre redundavam em monumentais fracassos. No final da década de 80, atingiu-se o índice de 83% ao mês".
É preciso ter memória
Veio o Plano Cruzado, que fracassou e, em 1990, o congelamento monetário - outro fracasso. O senador lembrou a posse do vice-presidente Itamar Franco, que se deu em um cenário de crise política e a chegada do cruzeiro real. À frente do Ministério da Fazenda, o então senador Fernando Henrique Cardoso, convocou uma equipe de competentes economistas e formuladores de políticas. O Presidente Itamar Franco prestigiou seu Ministro e lançou o padrão monetário que estabilizaria a economia brasileira: o Real. Os céticos e negativistas à época denunciavam que seria uma farsa destinada a injetar ânimo nas eleições gerais de 1994. Equivocaram-se. "Nos últimos 13 anos, os brasileiros passaram a conviver com uma realidade que muitos não conheciam. O Brasil tem hoje uma moeda nacional que orgulha os brasileiros. É preciso ter memória. Preservar essa conquista é dever de todos. É chegada a hora de aprofundar reformas inadiáveis e disciplinar as despesas públicas. Investir na infra-estrutura e fazer da educação e saúde um binômio inegociável completam um rol de ações estratégicas, que podem assegurar um Brasil moderno, desenvolvido, com justiça social", disse.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

O FUNERAL DA CPMF E AS MENTIRAS EM TORNO DELA!

1. O golpe final à CPMF veio quando o senador Jereissati leu - já no final - em plenário a carta do ministro da fazenda, desmentindo o que os representantes do governo diziam que era o conteúdo da proposta. Lula mentiu até o ultimo momento. Não eram 100% para a saúde, mas progressivamente até 2010. Mentiram deslavada e com firma reconhecida.

2. A proposta de 100% para a Saúde era uma farsa. Hoje o orçamento da União aplica esses 40 bilhões de reais em Saúde. O que os espertos do governo queriam era uma simples troca de fonte: de outros tributos para a CPMF sem mexer em nada.

3. Qualquer estudante de economia sabe que quando se reduz um tributo (escola da economia de oferta), os recursos vão para a sociedade. Esta gasta ou seja consome, investe, poupa, ou aplica estes recursos. Sobre este gasto incidem os tributos existentes - a renda, ao consumo, ao produto, ao serviço, às operações financeiras, etc... Provavelmente com uma velocidade de circulação maior que o uso anterior pelo governo. Portanto sobre o valor da CPMF transferido automaticamente, incidirá no mínimo a carga tributária atual de 37%. Ou seja: retornam ao governo - de forma segura - e por tributos muito mais justos - pelo menos uns 16 bilhões de reais. Pelo menos.

4. Espera-se que os bancos reduzam na margem a taxa de juros pois a carga tributária sobre a movimentação financeira diminuiu.

5. Espera-se que Lula tenha aprendido a lição e respeite o Congresso Nacional e a Oposição. Recebeu aulas de democracia e de economia, no episódio. Ganhou o Brasil!

SE NÃO É "VERO", É BEM "TROVATO"!

O embaixador de Israel pede a palavra na Assembléia Geral Especial das Nações Unidas que discutia as questões do Oriente Médio,e diz: "Antes do discurso propriamente dito, quero contar uma história. Quando Moisés conduzia o povo judeu depois do êxodo, chegou a um oásis perto da Terra Prometida onde havia um lago maravilhoso, com água fria e cristalina. Moisés se despiu e mergulhou para se refrescar e recobrar as forças. Ao sair da água, viu que suas roupas tinham sido roubadas. Irritado, exclamou: 'com certeza foram os palestinos!". Arafat, que se encontra na assembléia, irritado, protesta: "Naquele tempo embaixador, não havia palestinos nesta parte do mundo!" E o embaixador de Israel arremata: "É justamente por aí que pretendo começar o meu discurso" .

REFORMA POLÍTICA!

1. No momento crucial da transição espanhola á democracia, o presidente de governo - deputado Adolfo Suárez - fez um longo pronunciamento na TV, de uns vinte minutos. Essa é uma peça histórica. Adolfo Suárez, em resumo diz, que definir uma nova Constituição, começa pela Reforma Política, pois é essa que dará representatividade e legitimidade a Assembléia Constituinte a ser eleita. Ou seja: para Suárez a Reforma Política precede a Constituição. Quando avaliamos o que ocorreu no Brasil - com uma constituinte construída pelo fracassado plano cruzado -, ou mesmo em Portugal, com o entusiasmo da revolução dos cravos, e o que ocorre na Venezuela, Bolívia e Equador, onde por razões de oportunidade eleitoral se constroem constituições à imagem e semelhança das ambições de poder do caudilho de plantão, é que se pode falar da fragilidade das instituições posteriores o que exigiu amplas reformas constitucionais no Brasil e em Portugal e exigirá,certamente, naqueles três outros países.

2. O discurso completo de Adolfo Suárez na rede de TV está no livro "Los Discursos del Poder" Editorial Belacqva - Barcelona. Esse Blog transcreve abaixo, trechos selecionados de A Soberania Pertence ao Povo - Adolfo Suárez - Madrid 10 de outubro de 1976.

3. Falar de política para um Chefe de Governo significa intentar afastar incógnitas e clarificar objetivos que perseguimos... Apresento aqui, um Projeto de lei para a reforma política ... Mas a opinião pública exige fatos e, com eles, queremos responder ... É um projeto simples e realista, que trata de servir de canal formal para que o povo possa desempenhar o protagonismo que lhe corresponde.

4. Evidentemente, podíamos sentir a tentação de redigir uma Constituição completa e distinta, reguladora de todos os aspectos da vida política. Preferimos, contudo, dar um passo para a legitimidade aos grupos e aos partidos, por meio do voto. Com este último, começamos a converter em realidade o que já disse em certa ocasião: elevar à categoria política de normal o que, nas ruas, é simplesmente normal, retirando dramatismo e ficção da política por intermédio de eleições.

5. O Governo que presido não se coloca na vida política com uma simples e provavelmente demagógica substituição das classes dirigentes ... Mas se trata também de que a Espanha encontre um ambiente favorável para formar uma grande política de Estado que precisa da colaboração de todos na parcela de trabalho ... É necessário evitar cair numa dessas tentações: partir do zero, desconsiderando o que constitui nossa própria História e o conjunto de fatos que enche mais vidas, ou o que ignora a transformação real que se está operando em todos os segmentos da sociedade espanhola.

6. O Governo se defrontou com três tipos de necessidades, que requerem três tipos de ações. A primeira é facilitar a transição. Resolveremos isso com a lei de reforma política anunciada. Significa reconhecer a voz do povo ... Enquanto não forem afastadas as incógnitas políticas, que gravitam em torno do país, não poderá haver nem a reativação, nem a estabilidade da economia. Há aí um ponto adicional para nos demonstrar a inter-relação dos processos econômicos e políticos e uma transcendental razão acrescentada, pela qual, enquanto reordenamos a economia, teremos de acometer, com toda a claridade, rapidez e firmeza, a importante operação de nossa reforma política.

7. As tarefas da reforma não farão que se esqueçam nossos objetivos como nação. Vamos começar um grande debate nacional sobre nosso futuro. .... Trata-se da definição de uma grande política de objetivos nacionais comuns, que não possa ser rechaçada de maneira fundamentada por nenhum grupo, por nenhum partido, por nenhuma instituição que participe da essência desta comunidade de idéias e de interesses que chamamos de Espanha. Tenho consciência da dificuldade dessa grande política de Estado, das mudanças de governo, da diversidade de opinião,do exercício de opções e alternativas pluralistas e distintas.

8. Mas não é lógico que cada governo, que chegue ao poder, mude os objetivos, cuja consecução só se logra por meio de longos anos de esforços continuados das grandes linhas da política exterior; o projeto de fazer uma Espanha mais humana e personalizada, que responda a esquemas básicos de política educativa e cultural; a elevação do nível de bem-estar daqueles que não alcançaram um mínimo justo e tantas outras coisas, não pode ficar submetida a alternativas circunstanciais.

9. Por isso, hoje, que é um dia a mais na política espanhola, quero dirigir-me a todas as mulheres e a todos os homens da Espanha. Quero, em nome do Governo, convidar todos a um acordo básico. ... Sobrepor, durante o tempo que dure a construção de nosso novo horizonte, os interesses gerais aos particulares. ... Nosso tempo fala de novas aspirações. Fala de centrar nosso papel no equilíbrio político do mundo. Fala de criar novas ilusões coletivas; fala, em definitivo, de uma grande solidariedade nacional em prol de um futuro de prosperidade.

10. Teremos a confiança de que nada do que espere o povo espanhol no futuro possa ser mais difícil do que superar o que já foi resolvido no passado. ... Diante desse povo, cuja politização é a simples, mas soberana, politização de querer decidir seu futuro, e decidir em paz, com ordem e segurança, queremos comparecer hoje. E repetir, uma vez mais, que o futuro não está escrito, porque só o povo pode escrevê-lo. Para isso, ele tem a palavra. O Governo, que presido, preparou os instrumentos para que possa expressar-se com autenticidade. Para garantir, em definitivo, sua soberania. A soberania do povo espanhol.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Como diz o meu amigo Solda: Quem é que faz essas fotos?

O que será que eles estão olhando?

DITADURAS, PROTODITADURAS E MANIPULADURAS

Quem é o principal inimigo da democracia? Responder essa pergunta hoje não é tão fácil como há alguns anos. Antes se podia dizer que tudo que não leva à democracia, leva à ditadura. No geral, a resposta continua válida. Se democracia é processo de democratização, tudo que não democratiza, autocratiza.
No entanto, embora ainda existam várias ditaduras no mundo, as ameaças mais recentes à democracia não provêm mais desses clássicos regimes que não se baseiam na votação universal, direta e secreta, para escolha de governantes e legisladores e suprimem diretamente a liberdade e os outros princípios democráticos. Existem hoje – e isso, infelizmente, parece estar em expansão – regimes eleitorais que caminham na contramão do processo de democratização, como as protoditaduras e as manipuladuras.

DITADURAS
Ditaduras são regimes nos quais não vigem os princípios democráticos da liberdade, da publicidade, da eletividade, da rotatividade (ou alternância), da legalidade e da institucionalidade e, como conseqüência de todos esses, da legitimidade democrática. Exemplos: China, Cuba, Coréia do Norte.

PROTODITADURAS
Protoditaduras são regimes nos quais, a partir de governos eleitos, se instala o banditismo de Estado com o objetivo de falsificar os princípios democráticos, em especial a liberdade (sobretudo de imprensa) e a rotatividade (ou alternância) no poder. Exemplos: Rússia, Venezuela e os países sob sua influência como Bolívia, Equador e Nicarágua.

Em geral as protoditaduras atuam concentrando poderes no chefe de Estado, atacando e perseguindo os meios de comunicação e/ou criando novos meios de comunicação subordinados ao governo (como, por exemplo, TVs governamentais), reestatizando a economia (ou, pelo menos, interrompendo os processos de privatização), demonizando as elites e culpando-as por todo mal que assola seus países, promovendo plebiscitos e referendos populares para mudar a Constituição, bypassar as instituições, derruir as regras da democracia representativa e aumentar ou prorrogar indefinidamente o mandato do chefe do Governo, construindo instrumentalmente inimigos externos para militarizar as instituições e tentar instalar um estado de guerra interno que justifique a adoção de leis de exceção.

MANIPULADURAS
Manipuladuras são democracias formais parasitadas por regimes neopopulistas manipuladores, onde um grupo privado ascende ao poder pelo voto e, com base na alta popularidade de seu líder, tenta permanecer no poder sem violar abertamente a legalidade democrática mas pervertendo a política e degenerando as instituições para manipular a opinião pública e as leis a seu favor. Exemplos: Argentina e Brasil.

Em geral as manipuladuras atuam pelo emprego da propaganda e da demagogia, do assistencialismo e do clientelismo (tornando as populações Estado-dependentes), da exacerbação do fisiologismo e da corrupção instalada no centro mesmo governo, do inchamento do Estado e do aparelhamento da máquina governamental e adjacências (criando uma espécie de “Estado paralelo”). As assim chamadas manipuladuras são as protoditaduras possíveis em países complexos, em que uma sociedade civil mais forte, uma classe média mais vigorosa e um arcabouço institucional mais estável rejeitariam a adoção das fórmulas protoditatoriais puras, que são viáveis em países mais simples e com menor tradição democrática.

As manipuladuras tendem a se transformar em protoditaduras (o que, ainda bem, não quer dizer que conseguirão fazê-lo). As protoditaduras, por sua vez, caminham para se transformar em ditaduras, mas, tudo indica, não para a forma clássica de ditadura (crescentemente rejeitada pela opinião pública mundial) e sim para ditaduras eleitorais (onde autocratas disfarçados de democratas lançam mão – com alta freqüência – de expedientes eleitorais e outras formas mais diretas de consulta às populações, como plebiscitos e referendos).

O que há em comum em todas essas formas avessas à democracia ou que tentam refrear o processo de democratização das sociedades é o estatismo. Tanto ditaduras, quanto protoditaduras e manipuladuras, são estatistas.

A onda autocratizante que varre o mundo nesta primeira década do século 21 representa um recrudescimento do estatismo. Esse fenômeno vem se refletindo inclusive no interior de alguns regimes democráticos consolidados.

Todo estatismo é autocratizante. Pode-se dizer, portanto, que o estatismo é o principal inimigo da democracia.

A profissão do PT no governo é mentir

Ricardo Noblat, ontem no seu blog, matou a charada. Pergunta ele: “a turma do governo não defendia a absolvição de Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado duas vezes de quebra de decoro, para evitar a derrota da CPMF? Não dizia que se fosse cassado se poderia perder preciosos votos de aliados dele e, por tabela, a CPMF? E agora?”
E é o próprio Noblat que responde: “Apoiado por 14 partidos, o governo imaginava contar com 53 votos no Senado. Precisava de 49 para aprovar a CPMF. Não precisava de um único voto da oposição. Conseguiu 45. Alguns dos senadores que votaram pela cassação de Renan votaram também para enterrar a CPMF. Os votos do PMDB fiéis a Renan, portanto, não fariam diferença. Como não fizeram”.

E conclui: “Era possível ter previsto isso? Claro que sim. O governo salvou Renan porque queria salvá-lo - não pela CPMF”.

Bem, mas se não foi pela CPMF, por que o governo salvou Renan? Ora, parece óbvio: para impedir uma debandada na aliança bandida, para evitar instalar uma crise entre aqueles que, em passado recente, se associaram ao governo para delinqüir e dele obtiveram a garantia de que não seriam incomodados caso conseguissem levar seus partidos para a base de apoio situacionista. É o caso de Renan, artífice da sujeição do PMDB às vontades de Lula.

Então Renan – e Lula disse isso em alto e bom som, para quem quisesse ouvir – devia ser protegido. Era “um aliado” (e nas circunstâncias só se pode entender essa palavra no particular sentido de comparsa).

Mas por que o governo mentiu, dizendo que precisava salvar Renan em nome das criancinhas e dos miseráveis que cairiam em desgraça profunda, na mais cruel penúria, se o imposto do cheque não fosse prorrogado?

Em primeiro lugar, mentiu porque sua profissão é mentir. O centro da política petista-governista está baseado na mentira, na enganação, na falsidade. Eles mentem descaradamente e usam a mentira como método de governo (ou de manipulação neopopulista).

Em segundo lugar para não “pegar mal” na opinião pública um apoio tão descarado dado a um parlamentar investigado por numerosos crimes. Queriam passar a idéia de que estavam salvando Renan pelo bem do Brasil. Tudo faz parte da grande mentira segundo a qual Lula e o PT só fizeram o que fizeram (e só continuam fazendo o que fazem) movidos por causas nobres.

Parte da mídia, maldosa, criptopetista ou criptolulista, ajuda a vender a versão. E outra parte, ingênua, compra o gato por lebre e divulga o embuste.

terça-feira, dezembro 18, 2007

JUAN BAUTISTA ALBERDI FOI O MAIS IMPORTANTE INTELECTUAL ARGENTINO VOLTADO PARA A POLÍTICA, DO SÉCULO 19

Nasceu em 1810 e entre outros feitos negociou o reconhecimento da independência argentina, pela Espanha em 1855, 45 anos depois, dela. A do Brasil foi reconhecida por Portugal e Inglaterra de 1825, 3 anos depois.
Em seu artigo semanal no caderno Zona do Clarin, o historiador Felipe Pigna faz um resumo da vida publica de Alberdi. Deste artigo foram retiradas estas duas citações, que servem muito, para os dias de hoje. A citação, "os empréstimos não são feitos para realizar as obras públicas, mas as obras públicas são feitas para realizar os empréstimos" é deliciosamente genial. Este Blog se lembrou da Transposição do Rio São Francisco. Textos escritos no início nos anos 1870.

1. Disse Alberdi: “Da guerra nasce o governo militar, que é o governo da força substituindo a justiça e o direito, como princípios da autoridade. Não podendo fazer que o que é justo seja forte, se faz que o que é forte seja justo. O direito da Guerra, é, o direito ao assassinato e ao incêndio, à devastação na maior escala possível. Estes são crimes pelas leis de qualquer país do mundo. A guerra os sanciona e os converte em atos honestos e legítimos, vindo portanto, ser a guerra, o direito ao crime".

2. Agudo observador da realidade argentina, ele escreveu: “Nos países novos em que a realidade abunda mais que o juízo, se dá freqüentemente o nome de empréstimos para obras públicas, ao que em realidade são obras públicas para empréstimos. Assim, tão pronto como o empréstimo é conseguido, a obra pública perde seu objeto. Quanto mais irrealizável, mais serve a obra a seu objeto, que é o empréstimo, não a obra.”

sábado, dezembro 15, 2007

AMÉRICA LATINA NÃO É MAIS AMBIENTE PARA AUTORITARISMO DE NENHUM TIPO!

Trechos do artigo de Natalio R. Botana - em LA NACIÓN, sobre o novo horizontalismo!

1. A dialética amigo-inimigo tem, nesta montagem da liderança, um papel decisivo que rechaçaria, à primeira vista, a convivência pluralista e a expressão autônoma do povo eleitor. Contudo, algo falhou nesta engrenagem. Até 2 de dezembro, a dinâmica do "chavismo" encadeava uma sucessão de vitórias. A gerência do Estado, a entrada no mundo dos excluídos por meio de umas "missões bolivarianas", embebidas de justiça social, o maná que brota do petróleo, o controle dos meios de comunicação: tudo isto anunciava outra vitória, embora ao custo de gerar mais divisão e rancor.

2. Por outro lado, se na Rússia a sociedade parece inclinada a aceitar esta mistura de autoritarismo e de capitalismo, com a supremacia de um Estado que também capta a renda petrolífera, na Venezuela o espelho da opinião deu mostras recentes de que o socialismo chavista não a tem consigo. Nas atuais condições sociais, pode-se estabelecer em nossos países uma hegemonia que renegue o pluralismo político e a autonomia da sociedade civil?

3. Disto pode inferir-se que muito pouco se conseguiu de antemão na América Latina. Não há lideranças permanentes, se levarmos em consideração que nossas sociedades estão agora em pleno movimento. Elas são atravessadas por toda classe de conflitos: de distribuição, de origem étnica, de incorporação de massas urbanas. São sociedades que combinam momentos de ebulição e de apatia, nos quais se torna cada vez mais difícil armar esquemas inspirados em experiências do passado, como o cruzamento entre Perón e Fidel Castro, de que se vangloria Chávez. Na verdade, estamos avançando num terreno instável, onde as sociedades e seus eleitorados surpreendem e produzem mudanças bruscas de direção.

4. Devido à consciência que se difunde sobre a injustiça das desigualdades, as tradições que não foram abolidas e o desenvolvimento de novos extratos sociais nascidos da expansão do sistema educativo, nossas sociedades são, cada vez mais, sociedades horizontais. Resistem à imposição de regimes políticos verticais, entre outros motivos porque, sobre esta horizontalidade, superpôs-se a horizontalidade que deriva da mutação que estamos experimentando na escala das comunicações.

5. Já se disse, talvez com razão, que a Venezuela suportou um vazio no campo da oposição. Apesar disto, estes vazios hoje se preenchem rapidamente. Os agrupamentos estudantis mobilizaram o voto com a Internet e com celulares. Se a Internet não é, ainda, o meio de comunicação dos setores mais desfavorecidos, o telefone celular certamente o é. Portanto, as mudanças de opinião são mais vertiginosas, principalmente quando a ocasião é propícia e o lance consiste em votar pelo sim ou pelo não.

6. Na encruzilhada desta dupla horizontalidade – a social e a tecnológica – um referendo pode ser fatal. Sabemos que, na América Latina, a democracia é sacudida por golpes de opinião de tamanhos diversos. Certos governos são eleitos e depois destituídos, como se os registros da representação política oscilassem entre a normalidade eleitoral e os sobressaltos extra-eleitorais das mobilizações populares. Nesta sucessão de golpes de opinião.

7. Antes, as hegemonias duravam porque as maiorias eleitorais as queriam; agora, pareceria que as peças daquela forja do poder popular se estão oxidando. A hegemonia, então, não vai longe. Apesar disso, a contradição entre os governantes que sonham com esta classe de dominação e os segmentos da sociedade que não estão dispostos a aderir a tais desígnios é fonte de polarizações e de retrocessos. Aprender esta lição não é simples.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

"E se os políticos pudessem calar-se por pelo menos um mês? "

Trechos do artigo do historiador Paul Kennedy, da Universidade de Yale, no Clarin, a partir do Cala-te dito pelo Rei da Espanha a Chávez.

1. Não seria um alivio para os ouvidos da humanidade se os políticos reduzissem em geral a quantidade de declarações que fazem sobre temas da atualidade? A lista de exemplos políticos de verborragia e hiperatividade podem estender-se com facilidade. Falar demasiado e atuar com excessiva freqüência reduz a credibilidade do que se pretende alcançar. Os mestres dessa arte quase esquecida de ficar na sua, fechando a boca, são os chineses.

2. Dão sua opinião apenas quando precisam fazê-lo e, de preferência, em particular. As diferenças internas se discutem a portas fechadas. Salvo no caso de surgir um tema demasiado irritante, optam pela diplomacia discreta e não pela oratória pública, e quase sempre se saem bem.

3. Talvez os chineses sejam os melhores discípulos da grande figura alemã de Otto von Bismarck, do que os ocidentais. Sem dúvida, Bismarck fez uma série de declarações públicas, mas em geral preferia atingir seus objetivos por meio da diplomacia e da negociação. Sua proporção de êxitos, até ao final de seus vinte anos como primeiro Chanceler alemão, foi extraordinária. Essas foram, sem dúvida, épocas extraordinárias, muito especialmente em termos históricos. A Alemanha era o eixo do sistema da Grande Potência Européia, Bismarck era um grande jogador de pôquer e um diplomata genial.

4. De todas as maneiras, esse exemplo extremo bismarckeano do "silencio é ouro" e a reticência atual das autoridades chinesas com relação a temas internacionais complexos são pontos que valem a pena considerar. Por mais que nossos políticos não possam guardar um longo silêncio, nem desaparecer durante toda uma estação, não poderiam comprometer-se a "se calarem" por um mês? Bastaria até uma semana. Por favor.

A ESCOLA NORTE-AMERICANA DE COMUNICAÇÃO POLÍTICA QUE SE RESUME NUMA FRASE DE DICK MORRIS

- "todo dia é dia de eleição" - se transforma num instrumento forte para raros e talentosos políticos, como Bill Clinton. Lula é o exemplo ao contrário, mas acha que está agradando. O desgaste político é um processo cumulativo, e acumulativo, e na primeira crise se transforma em desintegração rápida de imagem. Mas - como afirmava Jacques Seguelá - referencia da escola francesa - isso acaba produzindo queimaduras de terceiro grau na grande maioria dos presidentes e chefes de governo.

AS PALAVRAS E A POLÍTICA!

Trecho do artigo de Ricardo Lagos (ex-Presidente do Chile) no Clarin.

Quando as palavras prejudicam a política

1. Há pouco tempo, Saramago disse com muita sabedoria. "Hoje, existe uma espécie de menosprezo por essa coisa tão simples que antes era falar com propriedade. Quando eu era trabalhador, sempre tinhas as ferramentas limpas e em bom estado. Não conheço uma ferramenta mais rica e capaz que o idioma. E isso significa que se deve ser elegante na dicção. Falar bem é um sinal de pensar bem".

2. É lamentável que se esqueça de algo tão elementar. Mais ainda quando alguns empregam os meios de comunicação como forma de relacionar-se entre os Estados. Uma retórica política feita desde a mídia para a mídia. Com o maior respeito por estes, a diplomacia requer um diálogo discreto e, com freqüência, esse diálogo deve ser reservado para que frutifique.

3. Isso se procuramos ser capazes de convencer e não de vencer. Vence-se normalmente com a força e convence-se normalmente com as palavras e a razão.

4. Por detrás de tudo isso, está a sabedoria de saber escutar. Como muito bem disse Bolívar, "quem manda deve ouvir, ainda que sejam as mais duras verdades e, depois de ouvidas, deve aproveitar-se delas para corrigir os erros". Aí está a chave do desenvolvimento do ser humano ao longo de sua história.

5. Aprendamos com o passado. É hora de ter atenção nas palavras, as próprias e as dos outros.

terça-feira, dezembro 11, 2007

PESQUISAS, AVALIAÇÃO E SUCESSÃO DE LULA!

1. O Instituto IPSOS publicou no ESP, pesquisa de opinião nacional com mil entrevistas. Pesquisas exigem sempre cuidado na análise. O eleitor médio não tem o nível de atenção, racionalidade e informação dos analistas ou dos interessados em política. Hoje, menos ainda pelos escândalos divulgados. Os estudos de maior profundidade que este Blog tem tido acesso mostram que o quadro não é tão linear como a razão jornalística exige.

2. O bolsa-família é o programa do governo Lula que mais consenso produz, cruzando as respostas por quaisquer perfis do eleitor. A resposta à pergunta ("o que Lula fez de bom no governo?") que dá ao bolsa-família 43%, a estabilidade econômica 20%, a ajuda aos pobres (que poderia ser somada ao bolsa-família), 10%... mostra exatamente isso. Mas isso não quer dizer que seja a principal razão de voto.

3. Estudos econométricos de causalidade mostram que a razão hipotética de se votar em Lula hoje é a questão econômica, estabilidade e crescimento. Por isso não há qualquer contradição do eleitor quando responde sobre o presidente responsável pela estabilidade econômica quando Lula tem 67% e FHC 7%. Essa resposta apenas ratifica o que as razões de causalidade demonstram. O ponto não é a bolsa-família, mas a economia. A boa economia de FHC terminou há 10 anos atrás, na crise de setembro de 1997.

4. Este Blog publicou uns meses atrás (vejam no arquivo), resumo de um artigo do historiador e politólogo argentino, Natalio Botana, onde mostrava o paradoxal na América Latina entre economia e democracia. Ou seja, aqui, quanto melhor a economia mais autoritários ficam os governos. É o que vemos hoje pela AL afora. Com Lula e PT é exatamente assim: o executivo manda e o legislativo se submete. O caso Renan é exemplo disso. E é isso o que o executivo quer, aqui e alhures. Um quadro econômico inverso, certamente produziria não só a queda da avaliação de Lula, como a fragilização do executivo em relação ao legislativo e aos políticos.

5. Por outro lado, a fragilização do legislativo leva o eleitor a estar cada vez mais desligado da representação política dos partidos e mais ligado aos personagens. Por isso (e por sorte para eles) não existe PT, mas Lula. O problema é que o desenho do personagem Lula, não é clonável entre os políticos destacados hoje. Nenhum deles do PT, ou fora dele é da família Lula. Ao contrário, Serra, Aécio e Alckmin, são da família FHC.

6. Desta forma a eleição presidencial de 2010, parte de duas situações: a) não há personagem sucessor; b) depende da dinâmica econômica daqui para frente. Quando surge no horizonte um crescimento de 5%, o governo vai ao orgasmo, pois sabe que é esse seu pilar de sustentação e de transferência de votos. Mas quando a crise "hipotecária" sinaliza nuvens carregadas para a economia e os índices de preços pululam, todo este quadro se desfaz.

7. E se for assim, teremos uma eleição lotérica de partida na medida que a memória econômica negativa passará a ser de FHC e Lula e não só de FHC - segundo governo. Esta característica estimulará o lançamento de muitas candidaturas, e um quadro eleitoral imprevisível, onde os perdedores no primeiro turno poderão ser decisivos no segundo.

8. Desta forma, a pesquisa que se tem que ficar atento é a projeção de cenários para o futuro. É mais trabalhoso e sofisticado do que pesquisas sobre o que se pensa hoje. Os bons economistas sem partidos sabem como fazer. E a metodologia - que alguns chamam de quali-quantis - está a disposição de todos os interessados de forma a combinar projeção de cenários com os fatores de peso.

*A charge é de Tiago Recchia do jornal Gazeta do Povo-PR.

"A ESQUERDA É MELANCÓLICA E REPARADORA!"

Leia abaixo trechos do artigo - SAIR DO PESSIMISMO - de Daniel Innerarity, em El País! Imperdível!

1. Acho que boa parte do que se passa com a esquerda em muitos países do mundo é que ela se limita a ser a antidireita, algo que não tem nada a ver com uma verdadeira alternativa, apesar das aparências. Já se disse que a esquerda quer não tanto despertar a esperança coletiva, mas sim inquietar o eleitorado para ganhar a preferência que, resignadamente, nos faz decidir pelo mal menor. Ou de modo sintético: atualmente, a direita é otimista e a esquerda, pessimista.

2. O que ocorre é que as emoções e as idéias estão mais estreitamente relacionadas do que podemos supor. Se examinamos as coisas desta forma, percebemos o deslocamento ideológico que está acontecendo.

3. Tradicionalmente, a diferença entre progressista e conservador correspondia ao pessimismo e ao otimismo. Mas, em grande medida, isto não é mais assim. O estado de espírito geral da direita, que tem o seu maior expoente em Sarkozy, é justamente o contrário da resignação: decidida e atuante, sem complexos, confiante no futuro e com uma firme resolução de não deixar para ninguém o poder de comando da vanguarda.

4. Esta disposição é o que está trazendo dificuldades para uma esquerda que, muito embora tenha boas razões para se opor, não as tem no momento de propor algo melhor. Abraça-se a causa dos excluídos ou se converte em advogada do pluralismo, não o faz para construir a partir de tudo isso uma concepção alternativa do poder. A esquerda é, fundamentalmente, melancólica e reparadora. O socialismo é entendido atualmente como reparação das desigualdades da sociedade liberal.

5. A mentalidade reparadora configura-se às custas do pensamento inovador e antecipador. Desta forma, não se oferece ao cidadão uma interpretação coerente do mundo que nos espera, visto apenas como algo ameaçador. Mobilizar os bons sentimentos e evocar continuamente a ética não é suficiente; faz falta entender as mudanças sociais e saber de que modo podem ser conquistados, nas novas circunstâncias, os valores que o identificam a alguém.

6. A primeira dificuldade da esquerda para configurar-se como alternativa esperançosa provém desta espécie de "heroísmo diante do mercado", que impede a compreensão de sua verdadeira natureza. Para uma boa parte da esquerda, raciocinar economicamente é conspirar socialmente. Ela pensa que o social não pode ser preservado mais do que contra o econômico. A denúncia ritual da mercantilização do mundo e do neoliberalismo provém de uma tradição intelectual que contrapõe o social ao econômico, que tende a privilegiar o determinismo e as construções diante das oportunidades oferecidas pela mudança social.

7. Em vez de proclamar que "outro mundo é possível", é melhor imaginar outras formas de conceber e atuar neste mundo. A idéia de que não se pode fazer nada diante da globalização é uma desculpa da inapetência política. O que não se pode fazer é agir como antes. A esquerda não se livrará deste pessimismo que a atormenta enquanto não se esforçar para aproveitar as possibilidades geradas pela globalização e orientar as mudanças sociais num sentido mais justo e igualitário. Um projeto político deve encarnar uma esperança, racional e inteligente, ou não será mais do que a inércia necessária para continuar a manter-se sofrivelmente.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

AINDA O CONSERVADORISMO DA ESQUERDA!

Trecho do artigo de Anthony Giddens - Modernizar a Esquerda!

1. Num mundo em constante mudança, existe outra dimensão de igual importância, a da modernização em oposição ao conservadorismo. Modernização significa elaborar políticas que nos permitam adaptar-nos a um mundo diferente do anterior, no qual a globalização é o principal motor da mudança.

2. E já não há porque se identificar a direita política com o conservadorismo. Pode haver modernizadores de direita; Sarkozy é um exemplo perfeito. O futuro da esquerda na França está em adotar a modernização, ou, em outras palavras, em elaborar políticas que nos ajudem a preservar e a aprofundar os valores da esquerda na era da globalização. Temos que convencer os conservadores de esquerda no sentido de avançarem em direção à modernidade.

3. O socialismo em si é um projeto morto, porque se baseava na idéia de que os mecanismos de mercado podem ser substituídos por uma economia regulada e na tese de que é possível superar o capitalismo com uma sociedade muito diferente. O socialismo era filho da sociedade industrial, ao passo que agora vivemos numa sociedade pós-industrial (globalizadora), com uma estrutura de classes diferente e uma dinâmica diversa. Já não podemos definir a esquerda em função da luta da classe operária; a classe operária está desaparecendo.

A BURSCHENSCHAFT!

Venho arquivando há alguns anos, artigos e trechos de livros sobre a vida de Julio Frank. São poucos. Não cabe aqui detalhar sua misteriosa vida, mas lembrar que - fugido da Alemanha - passando pelo Rio e Sorocaba, fundou como professor em 1831, na Escola de Direito do Largo de São Francisco em SP, uma sociedade fechada entre estudantes, a Burschenschaft nos moldes da sociedade que participava na universidade germânica em que estudava e que foi conhecida entre os estudantes daqui, de forma simplificada, como Bucha.
Frank era um ídolo dos estudantes da Faculdade de Direito. Quando faleceu foi enterrado por eles no pátio ao lado das famosas Arcadas da Escola de Direito. Esta sociedade teve tal força que dela participaram, em vários graus, oito Presidentes da República: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Venceslau Braz, Artur Bernardes e Washington Luis. Getulio Vargas, depois que tomou o poder com a revolução de 30, afirmava que o Brasil era inadministrável com a existência da Bucha, que era o poder de fato. Por isso mesmo tentou remover o túmulo/escultura de Julio Frank e não conseguiu.
Este Blog pede para que, quem tiver algum material a respeito, ou souber onde pesquisar, informe para que os poucos arquivos a respeito possam ser ampliados.

Acima a foto do túmulo/monumento de Julio Frank em fotografia tirada em setembro de 2007, em uma visita a Faculdade de Direito em SP, com o propósito citado.

domingo, dezembro 09, 2007

Efeitos do uso prolongado da maconha ...

EM DEFESA DO AUTOR!

Trechos do artigo/carta - NO BAILE DO MINISTRO DA BANDA LARGA AUTOR NÃO ENTRA- do compositor Fernando Brant (foto), ao ministro Gilberto Gil

1. Quem está por trás desse massacre aos autores, dessa campanha mundial, economicamente forte e organizada? Certamente, os grupos que dominam a internet: a Microsoft, o Google, as telefônicas, que poderiam usar obras artísticas sem pagar. Por que o Gilberto Gil não propõe uma “Technology Commons”, para que todos tenham acesso gratuito ao que os chamados provedores de conteúdo nos oferecem mediante pagamento?

2. Qualquer que seja o assunto, o ministro descobre um jeito de atacar os autores. Ele tem idéia fixa contra nós. Piratearam um filme? É hora de mudar a lei autoral. Ele acha normal que se faça cópias ilegais (é a modernidade, a tecnologia, a compulsão da juventude). Será que ele julga correto que se viole contas bancárias, se calunie pela internet ou se propague a pedofilia? Se tantos praticam um crime, a solução seria mudar a lei para que tudo (matar, roubar) seja permitido?

3. Gil repete como ladainha essa concepção de mundo. Autor profissional não cai nessa, mas alguns autores jovens se convertem a essa religião suicida. Universitários e professores desavisados passam a defender tal anarquia. Quem defende a barbárie não é moderno nem revolucionário. Quem está a favor dos direitos não é conservador: é civilizado. Autores, artistas e músicos brasileiros: protejam-se do ministro bárbaro, exterminador de criadores. Lembrem-se da lição de Cacilda Becker: “não me peçam de graça a única coisa que tenho para vender”.

PODER POLÍTICO E PODER JUDICIÁRIO: NUANCES!

"el poder", pelo pintor e ceramista argentino Raúl Pietranera

Qualquer manual de ciência política - e mais ainda seus autores centrais - informam que quando o poder político se fragiliza, se dilui, parte de seus espaços é ocupado pelo poder judiciário. Esse, com isso, assume progressiva e crescentemente funções políticas, sob os aplausos da opinião pública e estímulo dos meios de comunicação, estes naturalmente focados na audiência.
Os analistas falam em três vertentes desta relação entre poder político e judiciário.
Numa primeira, com o poder político fortalecido e legitimado, o poder judiciário assume características técnicas como poder extraído de concurso público, onde basicamente aplica as leis com rigor formal.
Numa segunda vertente, com o poder político numa situação intermediária, com algum desgaste, o poder judiciário de propõe a fazer justiça e decide com flexibilidade em base aos princípios gerais de justiça social e cidadania. É o que muitos chamam de direito alternativo e que avançou muito no Brasil nos últimos anos.
Na terceira vertente, com o poder político muito fragilizado, de certa forma como ocorre hoje no Brasil, onde a opinião pública multiplicada pelos meios de comunicação (como audiência), deslegitima o poder político, forma-se um aparato parajudicial, onde a opinião pública impressiona em diversos graus o poder judiciário, cujas decisões relativas ao poder político e a questões de grande visibilidade social e econômica, são impactadas por esta mesma opinião pública.
A parajudicialidade é a combinação entre um poder judiciário que ocupa o vácuo político, uma opinião pública mobilizada e meios de comunicação estimuladores e multiplicadores deste processo.
As três vertentes - a formal, a alternativa e a parajudicial - costumam ocorrer simultaneamente em diversas proporções, ampliando-se o espaço de cada qual em proporção a menor ou maior deslegitimação do poder político. O esperado é que o poder judiciário oscile entre suas vertentes formal e alternativa.
Mas fatos de grande repercussão de opinião pública que deslegitimam o poder político empurram o poder judiciário em direção a terceira vertente. A decisão do senado sobre seu presidente pode ter sido um destes fatos, com conseqüências muito mais amplas e graves do que imaginava a maioria dos senadores. Com esse cenário o poder político deve avaliar seus desafios, agora. Aguardam-se os desdobramentos!