domingo, março 30, 2008

Os sites de informação da Internet concorrem com as televisões

Do Le Monde.

As eleições municipais foram muito lucrativas para os sites de informação da Internet. Por ocasião dos dois turnos da votação, certos sites registraram picos de conexões comparáveis às audiências das grandes cadeias de televisões hertzianas. À época do primeiro turno da eleições municipais, no domingo, dia 9 de março, o site lemonde.fr distanciou-se de seus rivais, atraindo mais de 1.6 milhões de visitas (52% a mais do que num domingo “normal”). No dia seguinte, ele recebeu mais de 2.17 milhões de visitas (+ 40%). No total, os sites do Le Monde na Internet somaram mais de 4 milhões de visitantes, quando as tardes eleitorais das emissoras de TV France 2 e France 3 atraíram, respectivamente, no domingo, 3.4 e 3.5 milhões de telespectadores.

sexta-feira, março 28, 2008

Livro conta a trajetória de Ney Braga na política

A modernidade na política paranaense começou com Ney Braga. A tese é do livro que conta a trajetória do ex-governador do Paraná, de autoria do jornalista Vanderlei Rebelo. Pesquisador da política paranaense, Rebelo lança sua segunda obra, que anteriormente escreveu a biografia do também ex-governador do Paraná, Bento Munhoz da Rocha Neto.
Para o jornalista, contar a história da política do Paraná, mais do que um trabalho, é o prazer de realizar a pesquisa. Segundo Rebelo, os dois personagens biografados por ele são dos mais significativos da política do Paraná. Bento representou o político com prestígio nacional, admirado pela sua erudição e Ney Braga teve uma influência decisiva para que o Paraná fosse notado no cenário nacional.
O livro foi lançado pela gráfica do Senado Federal. O prefácio foi escrito pelo senador Álvaro Dias, último adversário de Ney Braga em eleições, em 1982. Segundo Alvaro, esse aspecto foi fundamental para que ele tivesse isenção para reconhecer as qualidades do ex-governador.
"Em 1968, comecei minha carreira política como adversário de Ney, uma vez que ele integrante do governo militar. Em 1982, disputamos a eleição de senador e tive a felicidade de vencer. Mas é importante reconhecer, que o Paraná passou a ser um estado moderno do ponto de vista político, a partir de 1960, com a atuação de Ney Braga", explica o senador.

Quais seriam os 10 mandamentos de Maquiavel?

Em seu livro O Príncipe, Maquiavel traça o perfil que deveria ter um governante na transição da idade média para o renascimento. O perfil que ele traçou para aquela época se mostrou atual todas às vezes, que desde então, foi confrontado com a realidade.
Não me lembro de ter lido em nenhum lugar sobre algum Decálogo de Maquiavel, em todo caso, para um melhor entendimento de todos nós, da brilhante e elegante figura que ele foi, vamos tentar criar uns mandamentos como sendo dele. Acredito que esta fosse a sua ótica, a ótica que ele relata em sua obra e aconselhava (e continua aconselhando) aos detentores ou pretensos detentores do poder.

1- Zele apenas por seus interesses (em primeiro lugar pelos seus interesses, somente zele pelos interesses dos outros se eles vierem a coincidir com os seus interesses, ai eles passam a ser seus também. Quando você tiver que abrir mão de um interesse seu em beneficio do interesse de outros, que isso fique muito claro, que se sobressaia a sua grandeza).

2- Não honre a ninguém além de vc mesmo (não se submeta, não se diminua, não se agache, não seja subserviente. Se faça útil, indispensável, tenha orgulho do que faz e o faça com competência e honra).

3- Faça o mal, mas finja fazer o bem (quando por acaso você vier a fazer o mal, quando for obrigado a prejudicar alguém, ou um determinado grupo, faça, mas procure minorar ou esconder tal feito, tal atitude e seus efeitos).

4- Cobice e procure (Busque, lute para) obter o que puder (que sua voz tenha força e suas ações tenham peso, importância e conseqüência e para que consiga atingir seus objetivos).

5- Seja miserável. (Seja obstinado, não tenha medo ou pena, faça o que tem de ser feito - É APENAS SIMBOLICO! (esse exemplo vai causar a maior polêmica!) SERÁ QUE CAÍFAIS E PILATOS PRECISAVAM QUE JUDAS DENUNCIASSE, TRAÍSSE E ENTREGASSE JESUS A ELES? MAS A HISTÓRIA NOS CONTA QUE JESUS CHAMA JUDAS E LHE DIZ: FAZ O QUE TENS DE FAZER. E ELE O FAZ PENSANDO QUE O SEU MESTRE IRIA ENTÃO SE APRESENTAR COMO O FILHO DE DEUS, COMO O REI DOS JUDEUS E SE IMPOR SOBRE OS ROMANOS E O TEMPLO. POR ISSO ATÉ HOJE TODOS TENDEM A ACHAR QUE JUDAS FOI UM MISERÁVEL, POR QUE FEZ O QUE TINHA DE SER FEITO, O QUE PRECISAVA SER FEITO - isso não significa não ter consciência) JUDAS TEVE CONSCIÊNCIA. ENFORCOU-SE NA HORA QUE TEVE CONCIÊNCIA DE QUE NÃO TINHA CONCIÊNCIA DO QUE REALMENTE FAZIA.

6- Seja brutal (Seja firme. Seja duro, não tenha pena da dor da injeção de benzetacil (?) que tenha que aplicar. Lembre-se da cura que provirá dela.

7- Engane o próximo toda vez que (for indispensável e que for possível, de tal forma e de preferência que esse próximo - e os distantes também - não descubra que foi enganado) puder.

8- Mate (Imobilize, tire de combate, faça com que eles não possam lhe causar nenhum dano ou problema) os inimigos, e se for preciso mate (coopte, consiga o apoio irrestrito, caso contrario terá que agir com estes como se fossem inimigos) os amigos também.

9- Use a força (a justiça, a sabedoria, a inteligência, o poder...) em vez da bondade ao tratar com o próximo.

10- Faça o mal de uma só vez o bem faça aos pouquinhos... ou: Pense exclusivamente na guerra. NÃO SEI QUAL DOS DOIS ANALISAR. O PRIMEIRO É AUTO-EXPLICATIVO E JÁ ESTÁ INSERIDO EM NOSSO COTIDIANO, NA NOSSA CULTURA. O SEGUNDO É MAIS DADO A INTERPRETAÇÃO: Pense exclusivamente na guerra. (Pense sempre em primeiro lugar em suas estratégias, em sua logística, em seus movimentos, em suas ações e nas possíveis reações de seus parceiros e adversários). GUERRA É O JOGO DA VIDA.

Das coisas que eu gosto - Stand-up Comedy

A identidade da esquerda!

Resumo de artigo de Leandro Konder no Jornal do Brasil!

1.
Os impasses da esquerda e a malandragem da direita criam um espaço peculiar - :.....nem esquerda nem direita souberam ocupar e manter esse lugar , vide Jânio e Collor . Esse é um espaço que vem crescendo no vácuo da fragilidade institucional brasileira, e ocupado agora pelo Lula ...que montou uma base heterogênea para governar - que por vezes o impede de governar - e engloba democratas, liberais, conservadores, populistas e até socialistas.


2.
Para não se perder nesse ambiente a esquerda deve se recordar do princípio gramsciano: "pessimismo da inteligência, otimismo da vontade”. A discussão empobreceu, a resignação se expande, e o espírito questionador está anêmico.


3.
A esquerda tem consciência desse drama e o enfrenta procurando não morrer. Quer mudar sem encerrar a luta e sem morrer. Conclui esclarecendo - o que entende por esquerda - hoje - ...são espíritos críticos que propõe alternativas aos malefícios que a desigualdade social acarreta para a humanidade. Seriam especialistas na luta contra a injustiça e na arte da sobrevivência.

quinta-feira, março 27, 2008

A IMPRENSA E A CLASSE MÉDIA!

1. O segmento da imprensa que tem como referência a classe média, e no caso, especialmente os jornais e revistas, tratam com uma equação muito mais complexa do que muitos imaginam. Os grupos ativos e ideológicos da classe média, e que por isso mesmo atraem e mobilizam a cobertura da imprensa, em geral agitam ofertas e necessidades quase sempre minoritárias.

2.
Tem características muito diferentes dos mesmos grupos que falam para os setores populares, pois estes vocalizam demandas óbvias e primárias, em relação a emprego, moradia, saúde, escola, urbanização... e portanto falam para a grande maioria destes setores. Claro que o mesmo acontece com a imprensa direcionada aos setores populares. Com isso se dá uma natural sinergia entre os grupos ativos e a imprensa, neste caso.


3.
Com a classe média não é assim. Em geral os grupos ativos e ideológicos sinalizam demandas de vanguarda ou de valores que na maioria das vezes não são socialmente significativas. Muitas vezes a imprensa se surpreende com a sensação que teve que o tema mobilizava e os fatos mostraram que prevaleceu a grande maioria silenciosa que não viu seus interesses incorporados, neles.


4.
São muitos os exemplos. Drogas, aborto, e tantos outros. Agora mesmo no caso do IPTU. Mobilizar a classe média para pagar mais imposto era uma contradição nos termos e só poderia ter resultado no que resultou: só os ideológicos - e nem todos - responderam de fato, insignificantemente. O lógico seria na defesa da classe média: "- pague para não perder dinheiro". E foi o que a racionalidade econômica produziu, apesar da campanha.


5.
As famílias de classe média enfrentam ou se preocupam em enfrentar no futuro, problemas de drogas com seus filhos. O tema liberação choca a grande maioria dela. O aborto é sempre indesejável - para os que admitem, e claro para os que não admitem. Ninguém pode ser a favor do aborto, o que seria uma aberração. O que se pode discutir é a criminalização. Mas não é assim que a questão é percebida. E com isso esses grupos ativos se isolam e ficam falando consigo mesmos.


6.
Outro risco é usar temas que tem a concordância natural da classe média, mas que por não terem como resultar em médio prazo, terminam provocando uma sensação de impossibilidade e frustração, e terminam produzindo como mensagem final, a idéia que nada daquilo tem solução, retirando força desta ou daquela cobertura temática da imprensa.


7.
Muitas vezes os temas gratos a classe média dentro de uma redação de órgão de imprensa, criam a sensação de que respondem as demandas e expectativas da classe média. E terminam afetando os laços de confiança entre imprensa e a classe média. Claro, e por isso tudo, é muito mais fácil fazer imprensa popular: os mesmos temas que sempre avançam, imagens impactantes e manchetes chamativas. Com a classe média, não é tão simples. É muito mais complexo.

A GALINHA

AVE BEM CONHECIDA
Quando o assunto é economia, os brasileiros sabem muito bem o significa Vôo da Galinha. O fenômeno e a ave já são bastante conhecidos por aqui, onde a euforia do crescimento econômico sempre foi breve e efêmero.
SUBSTITUIÇÃO DA AVE
Desta vez, sustentado pelo clima e pelo apetite do mundo todo, as commodities foram grandes responsáveis pela salvação da nossa pátria. Junto com a liberação do crédito, que impulsionou decisivamente a economia interna, a galinha foi substituída, momentaneamente, por uma outra ave com mais autonomia de vôo.
AVE SÍMBOLO
Como o nosso forte é não saber dosar qualquer euforia, mais por falta de capacidade administrativo/governamental, as desconfianças já começam a incomodar. E já inicia assim uma possibilidade de vermos a galinha voltar a ser a ave símbolo da economia brasileira.
ÁGUIA
Não se iludam: os EUA, mesmo com a crise que estão vivendo, e que é muito séria, têm a águia como símbolo. Isto já admite uma virada de página da crise pela determinação. Já o Brasil, por preferir a pobre galinha, pode perder a grande oportunidade de se manter em vôo, caso não tome atitudes corretivas em tempo.
TEMPO E DINHEIRO
Volto a repetir: bem antes dos produtos estarem dispostos nas prateleiras, é preciso que sejam industrializados. Quando a indústria percebe que não tem capacidade de atender rapidamente os consumidores, mais investimentos são exigidos para tanto. Mas isto leva tempo e dinheiro até que mais produtos cheguem ao alcance dos consumidores.
NO SOLO
E para não matar a galinha, que sempre tenta voar, algumas medidas são necessárias. Na maioria das vezes elas são amargas e de pouca compreensão. E se influenciadas pela imprensa que prefere discutir futebol (e aí também com pouco conhecimento), aí a sociedade menos esclarecida grita ainda mais. Resultado: a galinha, pesada e incapaz de permanecer no ar, volta ao solo.
POVO EMBRIAGADO
Independente do prazo, sem energia suficiente não há investimento que possa prosperar. E isto é um complicador que, infelizmente, vai atrasar muitos investimentos por aqui. Como o governo não percebe por ser incompetente, pensa que as commodities só subiram de preço graças ao Lula. E, o povo, mais uma vez embriagado, acredita.

Fonte: PONTOCRÍTICO.COM

Sobre uma certa Pessoa, Fernando!

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

terça-feira, março 25, 2008

POLÍTICA ELEITORAL: OFERTA OU DEMANDA?

1. Muitos cientistas políticos e muitos jornalistas políticos insistem em suas análises, pensar a política eleitoral como um processo de Oferta, simples oferta. Os marqueteiros influenciam muito os candidatos nesta direção. É como se vencesse quem "oferecesse" melhor. Como se fosse um supermercado de candidaturas. Os eufemismos com "mercado" ajudam esta confusão e produzem erros políticos graves.

2.
Na verdade as Eleições têm como base um processo de Demanda. Os eleitores não nasceram no dia das convenções e carregam suas idéias, valores, convicções, problemas, expectativas... por muitos anos. Este Blog já chamou a atenção para o fato que a Política tem raízes longas no tempo, pois é transmitida por proximidade, ou seja, os próximos aos lideres, que vão recebendo a experiência anterior em geral oralmente, em reuniões e assembléias e debates e conversas.


3.
Claro que há exceções a essa regra, como comunicadores, artistas, esportistas, personagens que ganharam notoriedade em suas profissões... Mas representam, se muito, 20% na formação dos quadros políticos.


4.
A análise de longo prazo da "demanda" eleitoral, permite aos analistas - politólogos ou jornalistas ou políticos - perceberem por baixo do nível do mar, correntes que impulsionam a política nesta ou naquela direção, e que configuram "demandas" construídas através do tempo e de ampla permanência, que sofrem os ajustes no tempo.


5.
Uma vez identificadas estas "correntes marinhas" os candidatos e governos, saberão muito melhor em que direção "nadar" e como se comunicar com a corrente, ou as correntes, que os reconheçam - ou os possam reconhecer - como referência de voto. E sendo assim a probabilidade de sinergia é muito maior.


6.
Muitas vezes um candidato - até com bom potencial de crescimento lê as pesquisas, e vê os temas mais destacados e ajusta sua comunicação para tratar deles. Só que estes temas podem não ser da "corrente" que o tem como referencia, e com isso eles são arrastados pelas correntes de outros, para muito longe de seu objetivo. E - no final - se tenta explicar o fracasso por uma campanha mal feita, por um debate, pela publicidade, etc. Na verdade, 'pegou o trem errado'.


7.
Quem quiser participar de uma eleição com chance, antes de ser reativo aos temas conjunturalmente dominantes e de contratar um bom publicitário, deveria - com sua equipe, incluindo pelo menos um bom politólogo e pelo menos um político sênior, identificar que "correntes marinhas" são essas, e qual delas corresponde à sua trajetória política.

O FRACASSO DA ESTRATÉGIA DE ALIANÇA DO MODEM - O "CENTRO" INGÊNUO! QUE SIRVA DE LIÇÃO NO BRASIL!

1. O fracasso da estratégia municipal do MoDem está bem ilustrado pela derrota de François Bayrou (foto) em Pau, mesmo tendo no segundo turno eleitos alguns prefeitos daquele movimento. De modo geral, a presença de listas do MoDem, em lugar de perturbar o duelo entre a direita e a esquerda, favoreceu mais a esquerda.

2.
Os Prefeitos socialistas, que concluíram alianças com o partido de François Bayrou desde antes do primeiro turno (Dijon, Grenoble, Montpellier, Roubaix) beneficiaram-se, assim, de um aumento de votos, que assegurou suas eleições. O apoio dos eleitores MoDem parece ter sido menos vantajoso no tocante aos candidatos de direita (Angers, Reims, Périgueux e Colombes). Apenas Antoine Rufenacht, Prefeito do Havre (UMP), beneficiou-se de sua aliança com o MoDem para manter seu posto.


3.
Ao findar o segundo turno, resta saber o que a esquerda fará de uma vitória, capaz de revelar-se embaraçosa em seu processo de recomposição a nível nacional, tendo em vista seu próximo congresso. Pelo seu lado, a direita deve levar em conta um aviso que indiscutivelmente envolve uma dimensão nacional. Deve demonstrar que recebeu essa mensagem de decepção, mas sem reconhecer abertamente o caráter nacional desse voto. Enfim, o MoDem se acha, ao final do segundo turno das eleições municipais, diante de sua terceira derrota, depois das grandes esperanças despertadas pela votação de François Bayou em 2007.

segunda-feira, março 24, 2008

UM BOM COMEÇO

Autoridades monetárias dos Estados Unidos e da União Européia passam a discutir medidas de vacinação do sistema financeiro contra o retro vírus da chamada irracional exuberância.
O estouro da bolha imobiliária made in USA abriu espaço político para essa intervenção técnica. No diagnóstico tardio da bolha, as autoridades monetárias jogam a toalha. Elas admitem que o sistema padece de vazios de regulação e desvios de supervisão.
Logo, o negócio é corrigir desvios e eliminar vazios. De preferência, sem sair do 8 da gandaia para o 800 da camisa-de-força.

O controle remoto do mercado pode ser modulado no tamanho, no formato e no conteúdo adequados. Ocorre que, até aqui, os Bancos Centrais ainda não sabem como fazer a coisa certa. Mas já sabem finalmente, como se faz a coisa errada.

É um bom começo.
E analistas financeiros de bancos, de empresas e de consultorias do ramo projetam para este ano um PIB de 4,5%, abaixo do PIB 2007, que emplacou 5,4%.
Esse par de números aponta para uma desaceleração da reaceleração da economia brasileira. Certo?

Não é por aí. Crescer 4,5% sobre 5,4% é desempenho tanto mais satisfatório porque realizado em regime de estabilidade inflacionária.

O IGP-M que o diga. Ele acumulou 7,5% no ano passado e está projetado, pelos mesmos analistas, para 5,1% este ano. Portanto, em declínio.

Ocorre que na economia real os sinais apontam em outra direção. Este primeiro trimestre deve fechar com PIB anualizado de 6%. Não é nem de 5%. Resultado: as empresas já estão revendo suas projeções 2008 para frente e para o alto. É exatamente disso que a economia do Brasil precisa.
Mas é exatamente disso que o Banco Central do Brasil tem medo. Que pena.

Das coisas que eu gosto - A arte de Andrea Bocelli

domingo, março 23, 2008

MARX, O MODO DE PRODUÇÃO ASIÁTICO, E... LULA!

1. A Carga Tributária do Brasil - levando em conta os que pagam impostos, ou seja, a economia formal - e a economia interna - certamente supera a dos países nórdicos e é a mais alta do mundo, superando os 50% do PIB. Os tentáculos do Estado Federal do Brasil colocam de joelhos a Federação. As MPs colocam de joelhos o Poder Legislativo. E agora sua arrogância procura constranger o Poder Judiciário com ações convergentes nas declarações de Lula e na ação judicial da bancada do PT. Sem falar nas Estatais e na construção de uma estrutura remunerada de terceiro estado com as ONGs.

2.
Em sua coluna dominical no La Nacion, o jornalista sênior Mariano Grondona (foto), faz uma analogia entre o que ocorre na Argentina - e que serve muito mais para o Brasil, e o que Karl Marx chamou de Modo de Produção Asiático. Lembra que a linha central do raciocínio de Marx era a apropriação da mais valia pelos proprietários, contra os que trabalham "exploradores e explorados". Mas faz uma exceção quando trata especialmente da China. Leia abaixo esse trecho da coluna de Grondona.


"
La segunda idea de Marx que aquí nos interesa subrayar es que a las diversas explotaciones que denunció habría que agregar otra que el autor de El capital llamó el "modelo asiático", en virtud del cual el Estado explotaba a todos los miembros de la sociedad, fueran ellos amos o esclavos, señores feudales o siervos de la tierra, patrones u obreros. Al llamar "asiático" a este tipo de explotación, Marx estaba pensando en la China de su tiempo, donde la burocracia de los mandarines o altos funcionarios explotaba a todos los habitantes del imperio por igual. Esta segunda idea de Marx permite preguntarse si en la Argentina de hoy los productores rurales explotan a sus asalariados, si la urbe que consume alimentos explota a los productores rurales, si los industriales explotan a sus obreros o si es el Estado el que, a través de sus mandarines o funcionarios, explota a la entera sociedad. En pleno siglo XXI, ¿es acaso la Argentina de los Kirchner un nuevo caso de explotación "asiática"? "

PESQUISA SOBRE USO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO BRASIL –TIC DOMICÍLIOS: USO E POSSE!

Disponível para download em: www.celtic.br

1.
Alguns dados importantes. 34% ou 45 milhões de pessoas usaram internet nos últimos 3 meses. 87% usam também para ter informações.


2.
Dos que usam, o uso de internet em lan houses, internet café...: em 2005 eram 18%; em 2007 são 49%, sendo que 51% entre os homens e 46% entre as mulheres.


3.
Enquanto isso (ler coluna D. Kramer no ESP), pesquisa da empresa de comunicação FSB com 246 deputados federais, mostra que a principal fonte de informações para eles são os jornais com 69,9%. TV: 11,8%. Internet 12,6%. Rádio 8,7%. Revistas 0,4%. 96,3% lêem jornal todos os dias.


4.
Num mundo de resposta rápida como o de hoje, só 12,6% estarem linkados na internet para se informar, mostra uma Câmara de Deputados, informada fora de tempo e, portanto com baixa capacidade de ter iniciativa, atuando de forma reativa.
E o fato de não terem blog nem página mostra que eles não terão fontes para sair com os fatos na frente.

sábado, março 22, 2008

AVALIAÇÃO DO GOVERNO LULA E ELEIÇÕES DE 2010!

1. Desde maio de 2007, quando o DEM realizou através do Instituto GPP uma ampla pesquisa nacional - (adaptando os termos de uma pesquisa do Nouvel Observateur-IPSOS, pré-eleitoral) -, que o DEM sabe que a questão fulcral da avaliação positiva é a conjuntura econômica e não a bolsa-família e similares. Os programas assistenciais com o tempo perdem eficácia política, pois inevitavelmente a dignidade das pessoas exige muito mais. E vem as novas demandas e pressões.

2.
Na pesquisa citada se fez um teste de otimismo na forma adaptada, perguntando se o eleitor achava que estava vivendo melhor que seus pais e se achava que seus filhos viveriam melhor que ele. Nos dois casos os índices foram muito altos. Com isso o DEM ajustou seus comerciais e programas de TV para um discurso proporcionalmente mais pró-ativo, com realizações de seus governantes...


3.
Há um elemento que está sempre implícito nas decisões de voto: a insegurança ou a segurança que os candidatos e governos projetam. Em estudo realizado após as eleições argentinas onde Meném venceu Bordón, em que tudo levava a crer que Bordón iria para o segundo turno, se verificou um erro diagonal na campanha de Bordón. Ao falar de emprego ele se dirigia aos desempregados. A comunicação correta para tratar de desemprego é aos empregados, que poderão perder seus empregos, projetando insegurança.


4.
Quando a economia não vai bem, os empregados ficam inseguros quanto a perderem o emprego e a comunicação política dirigida a eles tem alta produtividade eleitoral. Quando a economia cresce a taxas suficientes para criar expectativa de aumento do emprego, por menor que seja, a sensação de segurança dos que estão empregados aumenta. Essa sensação de segurança tende a levar o eleitor para um ambiente de não-mudança.


5.
Este será um fator muito importante daqui para 2010. Quanto a contaminação das "sub-primes" afetarão a atividade econômica até o ponto em que produzam - mesmo que na margem - desemprego? Esse é o Ponto de Insegurança onde a comunicação política aos empregados (latu sensu, trabalhadores, profissionais e empresas), sinalizando insegurança, passa a ter impacto crescente, revertendo o ambiente de avaliação positiva. Até aqui não se pode projetar uma outra conjuntura econômica em direção a 2010.


6.
A máquina federal é poderosa. Com as taxas de juros nas nuvens e a inflação crescendo, e FHC numa postura politicamente blasé, o ministro da saúde José Serra saiu de minguados 8% e terminou em robustos 21% que criaram um segundo turno. Se foi assim em 2002, mantida essa conjuntura econômica, hoje, é evidente que o candidato presidencial irá também para este patamar, seja ele quem for.


7.
Portanto os 30 e tantos por cento de Serra, irão derreter, talvez para mais perto dos 20%, trocando com o candidato do governo.


8.
Melhor portanto - num quadro como o de hoje - é pensar em Serra e Lula do B com 20%, Ciro com 10%, Heloisa com 5%, e um boqueirão de 45% para a entrada de um candidato conservador e/ou crescimento em campanha de quaisquer deles e do não-voto. É esse o quadro de hoje. Pesquisa serve para projetar e não para olhar para trás.

GALLUP: McCAIN COMPETITIVO NOS DOIS CENÁRIOS!

Segundo pesquisa Gallup de 12/03/2008, a suposta vantagem de Obama sobre Clinton num confronto com McCain não se confirma. Obama tem 46 versus 44 de McCain. Hillary, 47% versus 45%. Ou seja, os números ainda informam que McCain é competitivo nos dois cenários.

Das coisas que eu gosto - O humor de Marcelo Mainsfield!

quinta-feira, março 20, 2008

FIM DO MUNDO ADIADO

Nos últimos 9 meses o fim do mundo já foi adiado 3 vezes. Em agosto, em janeiro e agora em março. Em agosto, no estouro da bolha hipotecária habitacional made in USA e abusa.
Em janeiro, na primeira medição dos estragos da bolha, nas contas e nos cofres dos agentes financeiros hospedados por ela, a bolha.
E agora em março, pela quebradeira de bancos e fundos de maior... - os elos da corrente que não podem quebrar e têm de ser assistidos ou socorridos. Além, claro, da ação protetora de bombeiro do Fed e dos Bancos Centrais da Europa e da Ásia.

O mundo não acabou, a recessão global continua só na ameaça, 2008 nada tem de parecido com a Grande Depressão dos anos 30, desencadeada pelo gigantesco tsunami financeiro de 1929.

A crise atual não é sistêmica e não é econômica nem comercial.
É uma crise financeira. Dentro dela, uma crise bancária. Dentro dela, uma crise hipotecária. Que pode resultar em perdas totais de US$ 1 trilhão. Pois em março de 2000, no estouro da bolha ponto.com em Wall Street, as perdas somaram US$ 13 trilhões em valor de mercado.
Pois o mundo não acabou em 15 de março de 2000, não acabou no 11 de setembro de 2001 - bem ao contrário, engatou um ciclo espetacular de 5 anos corridos de prosperidade global.

E o mundo não vai acabar nesta travessia de 2008. Vai voltar aos trilhos no mais tardar em 2009, do alto do maior estoque de liquidez do capitalismo vencedor e do maior excedente econômico da História da Humanidade.
É isso aí.

Charge: Marco Jacobsen

Verdades mais que verdadeiras!

" Jesus Cristo é o caminho"
Eu sou o pedágio. Edir Macedo.

INTERNET CRESCE DE 13% PARA 24% NAS ELEIÇÕES PRIMÁRIAS NOS EUA!

Segundo um estudo da Pew Research Center for the People & The Press e Pew Internet & American Life Project, 24% dos americanos disse que a Internet é a principal fonte de notícias para esta campanha. Em 2004, no mesmo estudo, apenas 13% o afirmaram. Esta investigação concluiu ainda que a Internet é o principal espaço para os jovens entre os 18 e os 20 anos. Nesta faixa etária, 42% dos inquiridos atestaram que utilizam regularmente a Internet para se informarem sobre os candidatos e as incidências da campanha. Em 2004, este número apenas atingia os 20%.

Seja um LÍDER!

O Brasil visto de vários ângulos!




quarta-feira, março 19, 2008

Das coisas que eu gosto - Sapateado Irlandês

Frase do Ano

O PAPEL DA EMOÇÃO NA POLÍTICA!

David Brook é colunista do New York Times sobre o livro de Drew Westen

1.
Drew Westen (foto), professor de psicologia da Universidade de Emory,
surgiu com um verbete tardio nesse campo, e seu livro “O Cérebro Político: O Papel da Emoção ao Decidir o Destino do País” está muito em voga. Ele pega um interessante pedaço de neurociência e utiliza-o para polir os clichês convencionais do gênero “Porque os Democratas Perdem”. Westen começa observando que a pesquisa recente acabou com a teoria de que a mente é racional, sem paixão, e que emergiu do Iluminismo do século XVIII. As pessoas confiam na emoção para dirigir o processo de tomada de decisão e chegar a conclusões que as fazem sentir-se bem.

2. A razão e a racionalidade para ele, portanto, desempenham um papel limitado nas decisões políticas. “A mente sem paixão dos filósofos do século XVIII“, diz Westen “nos permite prever algo entre 0.5 e 3% das mais importantes decisões políticas que as pessoas tomarão no decorrer de suas vidas”. Em seguida, ele afirma que os Democratas têm perdido, porque estavam apelando para a parte racional da mente.

3.
Por exemplo: o lado direito da boca de John Edwards tende a levantar-se. “Os seres humanos, de modo inato, não gostam de assimetrias faciais”, observa Westen, “e isto deveria ter chamado a atenção dos assessores”. “Rostos sorridentes naturalmente ativam partes do cérebro (e mímica facial por parte do observador) que reforçam felicidade, e não desagrado.


4.
Os Republicanos continua Westen, são brilhantes no uso de palavras e imagens que desencadeiam cascatas emocionais. Ronald Reagan usou a palavra “confisco” em relação à taxação, e foi capaz de persuadir as pessoas a concordar com impostos mais baixos.


5.
Westen insta os candidatos democratas a bater forte, e inclui um número de discursos que ele desejaria que os candidatos democratas tivessem feito. Ele desejaria, por exemplo, que Al Gore houvesse “batido” mais em George Bush por ter sido um bêbado.


6.
O problema central do livro de Westen é que ele realmente não faz uso do que
sabemos sobre a emoção. Ele expande a obra de Antonio Damasio (foto), sem aplicar a concepção de Damasio quanto à maneira pela qual a emoção emerge da razão e para ela contribui. Neste enfoque mais sofisticado, as emoções são produzidas pelo aprendizado. À medida que passamos pela vida, aprendemos que causa leva a que efeito. Quando, mais tarde, nos defrontamos com situações semelhantes, as emoções ressaltam possíveis resultados, atraindo-nos para algumas ações e desviando-nos de outras.

7.
Em outras palavras, as emoções fazem parceria com racionalidade. Não é necessário simplificar demais as coisas para apelar às emoções. Não é necessário entender alguma linguagem secreta que irá desencadear alguns disparos neuro-emocionais. A melhor maneira de ganhar votos é oferecer às pessoas uma visão precisa do mundo e um conjunto de políticas que parecem tendentes a produzir bons resultados. É assim que se torna os eleitores felizes.

terça-feira, março 18, 2008

A REUNIÃO DOS PRESIDENTES EM SANTO DOMINGO PARA DISCUTIR A GRAVE CRISE ENTRE EQUADOR, VENEZUELA E COLÔMBIA!

Nota recebida de um diplomata presente a reunião: a) Ninguém entendeu a ausência de Lula que havia telefonado para vários deles se colocando como pacificador. Pior quando souberam que era para fazer comícios no Rio. E pior ainda, quando veio a desculpa da presença do Presidente de Portugal e souberam que só o recebeu depois das 20hs, e que a data comemorativa era no dia seguinte. b) a mudança de atitude do Equador e Venezuela que cinicamente trocaram afagos com o presidente da Colômbia se deveu a que as provas de envolvimento de Chávez e Corrêa que Uribe tem, são contundentes. O melhor era dar apertos de mãos e se Uribe (foto) voltar as assunto dirão que é ele que está provocando.

Como foi criado o Logotipo das Olimpíadas da China ...





Das coisas que eu gosto - Ópera: Nessum Dorma

segunda-feira, março 17, 2008

CRISE AMERICANA – ELE BEM QUE AVISOU!

Os alertas de que a crise da economia americana é mais séria do que se imaginava partiram hoje de muitos lugares, notadamente Banco Mundial e FMI. Nem precisava. Basta uma pesquisa na Internet para verificar a turbulência nos mercados mundiais. Até o ministro Guido Mantega (Fazenda) está dizendo que o bicho é feio, não é? O governo começa a abandonar a tese de um país blindado contra os solavancos.
Cumpre recuperar aqui um trecho da entrevista de Alan Greenspan (foto), ex-presidente do Fed, concedida a Marcio Aith, editor-executivo de VEJA, em setembro do ano passado, publicada na edição nº 2026. O seu prognóstico de curto prazo está se cumprindo. Mas verifiquem que há advertências também sobre o médio prazo, que incluem uma sacudidela na economia chinesa. Todos torceram para que Greenspan estivesse sendo apenas pessimista em relação ao estouro na bolha imobiliária. Não estava. Era realismo. Tomara que esteja errado sobre a outra parte de suas antevisões. Seguem trechos da entrevista:

O MUNDO VIVE UMA DE SUAS MAIS LONGAS FASES DE PROSPERIDADE. QUANDO ELA ACABA?
Essa expansão ocorre em um ambiente raro de inflação e juros baixos. Isso não vai durar para sempre. Já há sinais claros de que seus motores perdem força, ao menos nos Estados Unidos. As grandes empresas já estão investindo cada vez menos, passaram a recomprar volumes cada vez maiores de suas próprias ações e a distribuir mais dividendos. Essa mudança de comportamento só ocorre quando o mundo corporativo não encontra melhor uso para o dinheiro. Além disso, o preço de produtos de alta tecnologia tem caído com menor velocidade. É um indício de que esses produtos têm sido renovados com mais lentidão. Juntos, esses fatores sinalizam a redução do potencial de crescimento do país porque, quanto menores forem os investimentos em tecnologia, mais lento é o avanço da produtividade. Em conseqüência, menor é a capacidade de um país crescer sem inflação.
NÃO É APENAS UM SOLUÇO?
Temo que não. Tenho observado os ciclos econômicos desde a década de 40. Com tal profundidade e persistência, as mudanças tecnológicas que alavancaram a produtividade ocorrem apenas a cada cinqüenta ou 100 anos. Historicamente, nas economias avançadas, as pessoas parecem ser incapazes de aumentar sua produção por hora a taxas superiores a 3% ao ano durante períodos prolongados. Essa é, aparentemente, a velocidade máxima com que a inovação humana é capaz de impulsionar o padrão de vida das sociedades. É o limite da inteligência humana. Essa taxa chegou a 6% em alguns anos da década de 90. O mais natural é que retorne, com o tempo, a seu padrão natural. Só que em um ambiente econômico muito mais eficiente, sem rupturas, em que as crises são mais facilmente acomodadas. Há muitos desafios à frente, mas o mundo, especialmente os Estados Unidos, é hoje mais capaz de absorver rupturas e de se recuperar de choques.
O QUE FAZ A ECONOMIA MUNDIAL SER HOJE MAIS EFICIENTE?
O mundo do capitalismo global é mais flexível, resistente, aberto, autocorretivo e adaptável do que antes. O controle dos governos sobre a vida diária dos cidadãos diminuiu, as forças do mercado substituíram alguns poderes que estavam nas mãos do estado e várias barreiras que impunham limites ao empreendedorismo foram eliminadas. Veja o caso da economia americana. Sua maior força é a resiliência proporcionada pela desregulação dos mercados financeiros e por uma maior flexibilidade dos mercados de trabalho. E, mais recentemente, pelos grandes avanços da tecnologia da informação. Esses avanços vão ficar.
EM SEU LIVRO, O SENHOR DIZ QUE, ALÉM DA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA, A TRANSFORMAÇÃO DA CHINA EM UMA ECONOMIA DE MERCADO EXPORTADORA PERMITIU QUE A INFLAÇÃO MUNDIAL PERMANECESSE SOB CONTROLE, MESMO COM JUROS BAIXOS. POR QUANTO TEMPO A CHINA CONTINUARA INUNDANDO O MUNDO COM PRODUTOS BARATOS?
Não por muito tempo. Isso também já está mudando. O preço das exportações chinesas tem subido substancialmente desde que finalizei meu livro, em junho. O que isso significa? Que talvez o impacto desinflacionário máximo do processo de transformação da China numa economia de mercado já tenha sido atingido. De agora em diante, ocorrerá com menos intensidade. Será mais difícil manter a taxa de inflação mundial na casa de um dígito, verificada em quase todo o mundo. É a primeira vez que se registra uma inflação tão baixa desde o fim do padrão-ouro e da adoção do papel-moeda, na década de 30.
PODE-SE AFIRMAR ENTÃO QUE O SENHOR DEIXOU A PRESIDÊNCIA DO FEDERAL RESERVE NO FIM DA FESTA E SEU SUCESSOR, BEN BERNANKE, É QUEM VAI AMARGAR A RESSACA?
É verdade. Tive muita sorte como presidente do Federal Reserve. Muitos economistas creditam o controle inflacionário das últimas décadas principalmente à vigilância dos bancos centrais. Mas eu não creio que as ações ou a credibilidade monetária tenham tido um papel tão essencial. Esse controle pode ser creditado à tecnologia, à transformação da China em economia de mercado e à globalização. Ao longo dos anos 90, fiquei muito impressionado com a facilidade com que passamos a influenciar, com a política monetária, a taxa de juros de longo prazo. Ficou mais fácil cumprir a missão. Creio que haverá mais pressão inflacionária no futuro próximo. Sob o ponto de vista dos preços, a economia americana deverá entrar em um período similar ao registrado entre 1945 e 1980.
A ATUAL TURBULÊNCIA NOS MERCADOS TEM ALGUMA RELAÇÃO COM ESSE CENÁRIO?
Não, são fenômenos distintos. Mas é preocupante. Freqüentemente temos crises de natureza bancária ou mobiliária. A atual turbulência tem as duas. Começou nos ativos lastreados em créditos mobiliários, refletiu-se nos títulos emitidos por empresas e acabou contagiando os bancos comerciais e os bancos de investimentos. As instituições financeiras começaram a correr atrás de seus devedores e a se preocupar com seu próprio capital. Nesse processo, passaram a emprestar menos. Felizmente as grandes companhias estão em excelente forma financeira, e a economia americana tem essa capacidade extraordinária de recuperar-se de choques.
JÁ HAVIA SINAIS DA BOLHA IMOBILIÁRIA QUANDO O SENHOR DEIXOU O CARGO?
Havia alguns sinais, mas só percebi sua extensão e gravidade no fim de minha gestão, entre 2005 e 2006.
COMO O SENHOR REAGE À CRITICA DE QUE, EM SUA GESTÃO, O FED ALIMENTOU ESSA BOLHA AO MANTER TAXAS DE JURO EXCESSIVAMENTE BAIXAS?
A política monetária produz efeitos complexos. Quando o problema foi se revelando para nós em sua plenitude, concluímos que nosso trabalho era o de impedir que o sistema bancário americano se paralisasse. Só assim asseguraríamos o funcionamento da economia.
QUAL É O PRINCIPAL ENTRAVE À SOLUÇÃO DA ATUAL CRISE?
Temos cerca de 200 000 residências, recém-construídas ou quase acabadas, que ainda não foram vendidas. Estão penduradas no mercado. Só 5 000 delas são liquidadas por mês. Ao mesmo tempo, o ritmo de construção de novas casas mantém-se elevado. A não ser que haja drástica redução na construção de novas residências ou o aumento das vendas das que já existem, o preço de todos os imóveis vai despencar. A história ensina que isso afetaria a propensão ao consumo dos americanos. Acredite, ninguém quer que isso ocorra.
NOS ÚLTIMOS ANOS, CONVENCIONOU-SE QUE COMPLEXAS ESTRUTURAS DE CRÉDITOS PROMOVERIAM A DIVERSIFICAÇÃO DO RISCO E REDUZIRIAM A VULNERABILIDADE DO SISTEMA BANCÁRIO. HÁ QUEM DIGA AGORA QUE ESSA CAPACIDADE DE DISPERSÃO SEJA JUSTAMENTE O PROBLEMA, JÁ QUE NINGUÉM SABE QUAIS INVESTIDORES FORAM "CONTAMINADOS" POR TÍTULOS GARANTIDOS POR CRÉDITOS IMOBILIÁRIOS PODRES.
É verdade que ninguém sabe onde os créditos podres estão. Mas, nesta altura do jogo, isso não tem importância. O crucial é saber se os donos desses papéis têm alguma noção de seu valor de mercado. Algo me diz que grande parte deles nunca soube, mesmo quando os compraram. O pânico paralisante do mercado só vai se dissipar quando esses investidores descobrirem o valor real dos papéis que têm em mãos. Isso poderá ser um choque, mas eles seguirão adiante. O problema é o medo paralisante, não a constatação de que se perdeu dinheiro. De vez em quando há surtos de exuberância descolados da realidade. Quando a realidade se assenta, a exuberância se converte em medo. O medo é a base de muitas de nossas reações econômicas. É o fundamento da aversão ao risco. É a maior causa das crises.
(...)
Leia íntegra da entrevista aqui

"IDEB", UM ESTÍMULO À EVASÃO ESCOLAR NUM QUADRO DE EXCLUSÃO SOCIAL!

1. É sempre bom ter um índice de aferição de resultados para compará-los no tempo. Mas a construção desses índices num país desigual deve ser feita com muito cuidado, para não ser um indutor de mais desigualdades.

2.
Uma criança pobre na escola é a única ponte sustentável de inclusão. Seus problemas em casa - ausência de mesa, estante, livros, acesso digital -... seus problemas de família - mais de 50% das famílias com renda menor que 2 salários mínimos, o chefe é a mulher, violência doméstica... certamente são problemas para a progressão escolar, independente da inteligência e esforço da criança.


3.
Por isso o atraso ou repetência de uma criança ou adolescente pobre não pode ser tratado na forma darwiniana de uma escola jesuítica clássica: fora! Ao contrário: deve-se buscar no limite manter este adolescente integrado no ambiente escolar. Desta forma uma escola publica e aberta socialmente, terá sempre e por definição, um tempo médio maior por faixa de idade.


4.
Como avaliar uma escola que consegue esta progressividade mesmo com um tempo médio maior por faixa de idade? Certamente de forma positiva. Deve-se reconhecer e aplaudir esta luta pela permanência e integração e contra a evasão escolar.


5.
Paradoxalmente o IDEB - é um índice criado pelo MEC que - aritmeticamente - premia a evasão escolar. O IDEB tenta ser um indicador sintético que relaciona informações de rendimento escolar e desempenho.


6.
IDEBji = Nji x Pji , onde N = média da proficiência em português e matemática padronizada para um indicador entre zero e dez , e P = indicador de rendimento baseado na taxa de aprovação: j = unidade de ensino; i = ano do exame e do censo escolar.


7.
Assim, se alunos que não estão sendo aprovados forem de algum modo imediatamente excluídos da escola, a taxa de aprovação sobe e P sobe, aumentando o IDEB. Também a nota média provavelmente será maior aumentando N.


8.
Diz o documento do MEC: "Em suma, um sistema de ensino ideal seria aquele em que todas as crianças e adolescentes tivessem acesso à escola, não desperdiçassem tempo com repetências, não abandonassem a escola precocemente e, ao final de tudo, aprendessem. A combinação entre fluxo e aprendizagem do Ideb vai expressar em valores de 0 a 10 o andamento dos sistemas de ensino.”


9.
Independente da melhor das intenções e da coerência harvardiana, o índice do MEC - o IDEB - se for para avaliar para valer e "punir", é um indutor a evasão escolar, a expulsão logo após a repetência. Um indutor de mais desigualdade social.

domingo, março 16, 2008

NAPOLEÃO: - D. JOÃO VI FOI O ÚNICO HOMEM QUE TIROU PROVEITO DE MIM!

Le Monde, 5 de março de 2008 - “Obrigado Napoleão”, Dizem os Brasileiros - trechos.

1.
Há pressa, porque Napoleão ordenou que o General Junot invadisse Portugal. Lá vai ele que marcha rumo a Lisboa, encabeçando uma tropa de 25 mil homens. Na manhã do 29 novembro, a chuva parou, o sol brilha, o vento sopra. A ordem de partida é dada. A frota desce lentamente o Tejo e distancia-se sob proteção de uma esquadra inglesa. Já era hora. A tropa precursora de Junot chega ao cais uma hora depois da partida do último navio. O louco empreendimento do general acabará rápido. Milhares de insurgentes pegarão armas contra os regimentos que voltarão à França em agosto 1808. Sobre Dom João, Napoleão teria gritado: “Ele foi o único homem que tirou proveito de mim”.


2.
Depois de 52 dias de travessia, Dom João desembarca em Salvador da Baía. Pela primeira vez um soberano da Europa toca o solo da América. A festa dura uma semana. Esta escala é um golpe político. Dom João reafirma sua autoridade sobre a população das províncias do norte, ao redor de uma cidade, Salvador, primeira capital do Brasil e nostálgica de não o ser mais.


3.
Três séculos depois de sua descoberta por Pedro Álvares Cabral, o Brasil ainda era uma terra inexplorada. Era um país com fronteiras mal definidas, sem verdadeiro poder central, sem comercio interior nem dinheiro. Seus três milhões de habitantes quase não se sentem “brasileiros”. A chegada do príncipe transforma a colônia em metrópole. Sob seu impulso, o Rio cresce, fica mais bonito e mais sofisticado.


4.
Ele abre-se aos produtos e às idéias. Dom João implanta um estado estável e organizado. Ele dá ao Brasil sua unidade territorial, política, econômica e lingüística. Enquanto a América espanhola pega febre e rasga-se, o Brasil se emancipa tranqüilamente sob tutela portuguesa. Em 1815, o regente proclama o “Reino Unido do Portugal, do Brasil e de Algarve”, tornado o Rio equivalente a Lisboa. O Brasil de hoje festeja com orgulho o bicentenário da chegada de Dom João. Ele organiza exposições, imprime selos e emite moedas comemorativas. No último carnaval, várias escolas de samba fizeram dele seu tema de desfile. Um dos refrãos, cantado pela multidão, terminava com um alegre: “Adeus Napoleão!” Adeus, e obrigado.

Manobras radicais

O Plenário do Senado, palco de embates memoráveis que fazem parte do acervo republicano, assistiu nesta semana a uma das mais tumultuadas sessões de sua história. Na seqüência de debates marcados pela tensão, os governistas extrapolaram o regimento da Casa para aprovar a medida provisória que criou a TV Pública. Sem qualquer prurido, utilizando o rolo compressor contra a minoria, os governistas impuseram restrição de tempo para os oradores que desejassem encaminhar a matéria em debate. Uma prática que vai de encontro às tradições da Casa de Rui Barbosa e desrespeita o próprio regimento.
Nosso posicionamento não era contrário à TV Pública, mas tínhamos convicção formada sobre a necessidade de discutir o modelo por meio de um projeto de lei, ensejando um itinerário legislativo adequado às discussões e análises das comissões técnicas das Casas do Congresso Nacional, contemplando inclusive a realização de audiências públicas com a presença dos segmentos interessados da sociedade brasileira.
Lutamos o bom combate, mas fomos surpreendidos por ardilosas manobras das lideranças governistas, que nos levaram a abandonar o Plenário em protesto contra a condução da matéria.

Colhemos algumas lições importantes desse lamentável episódio no qual, por um triz, não assistimos a cenas de pugilato num espaço destinado ao embate das idéias. Diante das manobras urdidas pela base de apoio ao governo, ficou patente que é inadiável a reforma do Regimento Interno do Senado Federal.

Preservar a instituição deve ser uma preocupação permanente de todos nós. O que aconteceu naquela sessão que rompeu a madrugada é algo inaceitável, mesmo para uma democracia imberbe. Podemos até condescender e assimilar o desgaste individual, mas não podemos contribuir para que ocorra o desgaste permanente do Senado. Estou convicto de que uma reforma no regimento pode nos estimular a respeitá-lo.

Recuperar a credibilidade diante da opinião pública é uma tarefa urgente e que impõe novas posturas aos parlamentares. A restauração ética passa necessariamente pelos procedimentos internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Não podemos mais transigir com a enxurrada de medidas provisórias ostensivamente inconstitucionais e que não atendem nem mesmo aos requisitos de admissibilidade inscritos na Carta Magna. Aliás, é chegada a hora de banir do cotidiano legislativo todas as peças ficcionais que o parlamento escoa. A oposição não pode selar compromisso com a ilegalidade e nem permitir que o Poder Executivo tutele o Congresso Nacional.

Desde o dia 1º de janeiro de 2003 exercemos oposição ao Governo do presidente Lula, numa moldura democrática, civilizada e propositiva. Não pautamos a nossa ação pela intransigência sistemática. Infelizmente, Sua Excelência o presidente Lula faz questão de jactar-se como o verdadeiro ‘salvador da pátria' e de atribuir à oposição um caráter conspiratório contra a sua gestão. As falas do presidente - os "recados" e "lembretes" ditados em palanques - fazem parte de uma estratégia para confundir a opinião pública, numa tentativa de satanizar aqueles que democraticamente exercem o direito de oposição. Enquanto militou na oposição, o presidente Lula assumiu postura intransigente em relação aos seus antecessores.

A orientação recebida do Palácio do Planalto pela liderança do governo - e aplicada à risca naquela sessão de triste memória - leva a crer que está aberta uma temporada de manobras radicais.


Senador
Alvaro Dias - 2º Vice Presidente do Senado, vice-líder do PSDB.

sexta-feira, março 14, 2008

Das coisas que eu gosto - Dilbert

O Primeiro na aldeia ou o segundo em Roma?

Trechos da coluna dominical do jornalista sênior Mariano Grondona - em La Nacion.

1.
Quando Julio César marchava com suas legiões para a conquista de Roma, passou por uma pequena aldeia. Os membros de sua comitiva começaram a zombar dela até que Julio César os surpreendeu com esta frase: "Preferiria ser o primeiro nesta aldeia do que ser o segundo em Roma".


2.
Para seguir o rastro de uma carreira política, deve-se perguntar, então, qual é a ambição de seu personagem. Resigna-se ele a compartilhar o poder com outros para juntar-se a um grande projeto, ou sua sede de poder é tamanha que estaria disposto a reduzir o espaço de sua supremacia desde que não a compartilhasse com ninguém? Enquanto não podemos responder esta pergunta, ficamos sem conhecer o argumento central de uma determinada vida política.


3.
Temos de saber primeiro o que na realidade os políticos com poder, pretendem fazer depois, se não tiverem êxito ou fracassarem. Mas, é possível decifrar as intenções de um homem de poder, quando a arte política consiste em ocultá-las? Para lográ-lo, desde já, não é preciso ler seus discursos, mas sim observar suas ações. "Pelos fatos vocês o conhecerão". O comportamento concreto de um homem de poder se encaixa, então, na hipótese máxima, a ambição de uma dominação sem concessões, mesmo que seja a custo do espaço. Ou a hipótese mínima, a ambição de compartilhar para somar?

Pergunto: A carapuça serviu no Lulla?

A MAIS GRAVE ILEGALIDADE NO CASO DOS CARTÕES CORPORATIVOS!

1. Os cartões corporativos pagaram de tudo, de bailarinas, academias, tapioca, casas de massagem, musculação... Pilantragem para todos os gostos.

2.
Mas a ilegalidade matriz, essa inescapavelmente de responsabilidade dos ministros da fazenda e do planejamento, e de cada ministro individualmente, foi o uso do cartão - ou seja, um gasto orçamentário - sem o correspondente empenhamento anterior da despesa.


3.
No setor publico a legalidade de um ato, exige que exista orçamento autorizado para ser empenhado. Em seguida a despesa é realizada. Depois liquidada. E enfim, paga.


4.
No caso dos cartões, o Banco do Brasil, dava cobertura financeira a todos eles. Mas ninguém se preocupava em saber, se a despesa a ser realizada com o cartão, havia sido previamente empenhada no orçamento.


5.
Esse procedimento foi amplo, geral e irrestrito pelos usuários, com o lastro ministerial. Na administração pública isso é crime cujo remendo seria em cada caso, o ministério respectivo, abrir processo e o usuário fazer formalmente o reconhecimento da despesa e justificar a razão da urgência. Caso contrário o TCU terá a obrigação de enquadrar - ministros e um a um os usuários - processá-los por crime de responsabilidade e fazê-los devolver o dinheiro gasto nos cartões sem prévio empenhamento. Um a um. E já!

quarta-feira, março 12, 2008

COMENTÁRIO DE UM CLINTONIANO DE CARTEIRINHA, SOBRE OBAMA!

Robert Reich foi secretário de trabalho no governo Bill Clinton

1.
"Obamania" não tem nada a ver com políticas específicas. É antes um eco com o tom quase perfeito de John F Kennedy que ouvimos em 1960 e Robert Kennedy ouviu em 1968. É um chamado por unidade nacional e sacrifício - não no interesse militar, mas na causa da justiça social, tanto no país como em volta do mundo. Seu apelo é por mais engajamento cívico, não necessariamente mais governo. Ele tem a voz e expõe as técnicas de organizador comunitário que foi um dia em Chicago, demandando as pessoas para se associarem. É a primeira vez desde 1968 que a América se vê tão mobilizada por esses ideais...


2.
Ver o entusiasmo por Obama como uma virada potencial para a esquerda não descreve o que está ocorrendo. Ele não está prometendo e não promoverá o nível europeu de bem estar e impostos. Mas os Estados Unidos parecem mesmo começar um novo capítulo político. A nação quer se ver inspirada de novo, como há 40 anos. Lembre-se que nem JFK ou seu irmão eram esquerdistas. Eram realistas, mas também idealistas. Eles entendiam que nada de bom acontecia em Washington a menos que o público estivesse mobilizado para fazê-lo.

terça-feira, março 11, 2008

O PRESIDENTE COMO IMAGINÁRIO POPULAR E A QUEDA DE POPULARIDADE DE SARKOZY!

1. Num artigo no Le Monde de 27/02/08 - Jérôme Jaffré (foto) - explica a queda de popularidade de Sarkozy, a partir da idéia que os franceses têm do que deveria ser o tipo ideal de presidente. Cita especialmente os dez anos de De Gaulle e os quatorze de Mitterand. Jaffré inclui neste tipo ideal três funções que diz serem associadas àquele tipo ideal.

2.
A primeira é ser um árbitro, um árbitro ator, que decide e traça linhas após debates e discussões. Sarkozy é totalmente diferente, lançando idéias como decisões e diante as reações, as modula.


3.
A segunda função clássica é a de agregar, ultrapassando o quadro político que o levou ao poder. Sarkozy permanece como líder de fato do UMP.


4.
Finalmente a terceira função esperada de um presidente na França, é dedicar-se ao essencial. Jaffré cita De Gaulle em Memórias da Esperança, quando definiu o presidente como "o homem responsável pelo essencial". A Sarkozy pode-se acrescentar... e do acessório.


5.
Jaffré concluiu. Pode-se pensar que o modelo de Sarkozy não seja De Gaulle, mas Tony Blair, chefe ao mesmo tempo do país e de seu partido, cara a cara com a opinião publica, brilhante orador que vai a base defender suas políticas... Mas na França, a sagração do presidente ungido pelo sufrágio universal, a amplitude de seus poderes sem contrapeso, torna a transposição das práticas inglesas para os hábitos da V Republica, excessiva, e às vezes, insuportável.

"Democratas de lá e tucanos de cá"

Eduardo Graeff - cientista político - secretário geral da presidência FHC. Trechos do artigo no Estado de São Paulo de 14/10/2007

1. Os democratas - EUA - são bons de Políticas e ruins de política. Bons para diagnosticar objetivamente e propor soluções razoáveis para os problemas do país. Ruins para lidar com as crenças e valores básicos do eleitor. Acontece que essas crenças e valores, carregados de emoção, ditam as preferências eleitorais muito mais do que a análise racional das propostas dos candidatos.

2.
O equilíbrio precário entre razão e emoção na política e no comportamento
humano em geral não é novidade. Westen se apóia nos pais da matéria, para apresentar os próprios achados de professor de psicologia e pesquisador em neurociência. Num experimento na reta final da eleição presidencial de 2004, ele mostrou a republicanos e democratas de carteirinha slides com declarações flagrantemente contraditórias de ambos os candidatos. A maioria reconheceu a contradição no adversário, mas não no próprio candidato.

3.
O cérebro político é um cérebro emocional. O eleitor decide primeiro com as "tripas" (ou o coração, diríamos) e só depois busca racionalizações para a decisão tomada. Os Estados Unidos têm um sistema bipartidário enraizado em 150 anos de história; um terço dos eleitores é democrata, um terço republicano, e eles normalmente votam com os respectivos partidos. A ampla maioria, independentemente de filiação partidária, compartilha os valores do "sonho americano", que combina fé em Deus, na Constituição, na comunidade próxima e no esforço individual. Não preciso listar as diferenças óbvias.


4.
Não adianta ter propostas dos melhores especialistas para tudo quanto é problema social e econômico se falta ao partido e seus candidatos um núcleo básico de valores pelos quais estejam prontos a brigar. Também não basta ter valores. É preciso pregá-los sem medo de ser repetitivo e traduzi-los em declarações de princípio que mostrem ao eleitor que o candidato conhece seus problemas e sabe como enfrentá-los, mesmo sem entrar em detalhes.


5.
A biruta das pesquisas de opinião não substitui a bússola das convicções. As pesquisas são fundamentais para mapear o terreno, apontar as áreas mais e menos férteis e ajudar o candidato a apurar a forma da sua mensagem. Querer extrair das pesquisas o conteúdo da mensagem é caminho certo para o desastre. O eleitor pode ser pouco informado, mas tem percepção apurada - como qualquer primata - para a insinceridade, a hesitação, o medo, em última análise.


6.
Onde não há controvérsia não há emoção. Evitar os temas controvertidos é outro atalho para a derrota. Idem evitar a todo custo propaganda negativa do e contra o adversário. As emoções positivas e negativas andam juntas. Querer trabalhar só o positivo é deixar o adversário correr solto em metade do "cérebro político" e acabar cedendo para ele o campo inteiro.