quarta-feira, abril 23, 2008

UM GOVERNO IMPOSTO PELAS CIRCUNSTÂNCIAS!

1. Um texto que ajuda a entender o governo Lula foi escrito ainda no final dos anos 20, pelo jornalista, escritor e filósofo espanhol José ORTEGA y GASSET (foto). Aqui foi publicado numa coletânea de textos pela Bibliex, agrupados com o título: - A Rebelião das Massas". O artigo específico é Um Dado Estatístico e este trecho está na página 81. Diz assim:

2.
"Esse poder publico tenta se justificar. Não se apóia absolutamente no futuro, mas ao contrário, restringe-se ao presente e diz candidamente: - Sou um modo anormal de governo, que é imposto pelas circunstâncias. Isto é pela urgência do presente, e não por cálculos em relação ao futuro.


3.
Por isso sua atuação resume-se em fugir do conflito do momento; não em resolvê-lo, mas em escapar dele momentaneamente, usando de qualquer meio, mesmo a custa de acumular maiores conflitos para depois. Quando exercido diretamente às massas, o poder público sempre tem sido assim: onipotente e efêmero. Carece de projeto, segue a deriva. Por isso nada constrói, embora suas possibilidades, seus poderes, sejam enormes."

"Vestido-Sofá" !!!


Olha a Mulher-Sofá aí, gente !!!...
Que chique, diretamente da Holanda, nossa "Primeira-Dama" demonstrando como não ter a menor classe!
Vejam, o vestido é idêntico ao sofá.
Achou ridículo ???
Eu também, mas temos o que merecemos!!!

terça-feira, abril 22, 2008

Nota Oficial do Clube Militar

Clique na imagem para vê-la ampliada, e ler a nota.

DUELO DE BANJO

Para escapar ao stress da vida citadina, quatro amigos com personalidades bem distintas decidem fazer canoagem num rio da Georgia, rio esse que está prestes a sofrer algumas alterações estruturais. O fim-de-semana é a altura indicada para todos deixarem o trabalho de lado, para fugirem um pouco à extenuante vida familiar e se dedicarem a algum ócio. As paisagens do local escolhido são belíssimas (se bem que extremamente selvagens) e tudo parece ser desafiante e prometedor. O grande problema é que alguns elementos da população local, perante a estranheza que aquele grupo de amigos lhes provoca, decidem seguir impiedosamente os recém-chegados. A abordagem começa como um jogo de provocações, onde se atestam todas as diferenças culturais e de personalidade, mas logo a situação descamba para ataques selvágens e chocantes em que o "grupo citadino" tudo terá de fazer para sobreviver! "Deliverance", um filme realizado por John Boorman nos idos de 72, continua a ser um objeto cinematográfico fresco e visceral, que encena o conflito cultural entre o rural e o urbano, assunto esse que estava na ordem do dia na altura em que o filme foi lançado. O argumento está milimetricamente construído e traz à memória algumas das questões levantadas pelo livro de William Golding, "O Senhor das Moscas": como reage um grupo a um cenário que lhe é completamente desconhecido e que o coloca em situações de grande intensidade emocional e física?; como gerir a natureza humana e a alienação num contexto desregrado?; quem assume a liderança e quem se deixa liderar (e porquê)?. ... "Deliverance" prima por ser um verdadeiro marco do cinema dos anos 70 que ousou em jogar com assuntos da agenda política da altura. É uma experiência intensa, nervosa, que sobreviveu ao teste do tempo e que contém algumas cenas que ficaram vincadas na cultura popular, nomeadamente aquela em que a frase "I'm gonna make you squeal like a pig!" é proferida. Esta cena continua a ser completamente aterrorizante e um bom exemplo do quão transgressor foi o filme na sua época. Jon Voight, Burt Reynolds, Ned Beatty e Ronny Cox dão interpretações sentidas e recheadas de nuances, reclamando toda a nossa atenção e colocando-nos em conflito com os nossos próprios padrões morais. Atualmente são poucos os thrillers que conjugam tanta inteligência, minimalismo e visceralidade. Nomeado para 3 Óscar.
No filme Amargo Pesadelo (Deliverance), ocorre esta cena inesquecível que ficou conhecida como "Duelo de Banjo" apesar de um deles tocar um violão....... O homem com o violão desafia um menino mudo e limítrofe, com um banjo, e é incrível esse duelo! Um dos mais bonitos do cinema!!!!
Sinopse: Filme de 1972 - Diretor: John Boorman - com (John Voight e Burt Reynods).
O Rio Chatooga, nos montes Apalaches, vai ser represado e com isso um lindo vale será destruído. Como última aventura, quatro amigos: Lewis Medlock (Burt Reynolds), Ed Gentry (Jon Voight), Drew Ballinger (Ronny Cox), Bobby Trippe (Ned Beatty), homens extremamente urbanos, resolvem fazer uma última aventura descendo as corredeiras do rio, em busca de adrenalina, emoção e maior contato com a natureza.
Abaixo, o espetacular vídeo da cena conhecida como "Duelo de Banjo".

Lula pelego?

Lula, a chamada "metamorfose ambulante", não se tornou ele próprio um pelego? Assim como defendeu a gastança dos sindicatos em nome da autonomia sindical, agora defende sua própria gastança na Presidência em nome da segurança nacional. Isso me lembra uma historinha de 1980, bem no início do PT, quando João Figueiredo estava no governo e Lula estava para ser julgado na Lei de Segurança Nacional. Junto com alguns outros, eu o acompanhei numa viagem à Europa e aos Estados Unidos em busca de apoio. Como outros na comitiva, eu acreditava piamente que tudo era em prol da liberdade sindical e da democracia, e as coisas caminharam bem, colhemos muita simpatia e apoio nos ambientes democráticos e socialistas que visitamos. Mas, chegando à Alemanha, fomos surpreendidos pela recepção agressiva do secretário-geral do sindicato alemão dos metalúrgicos. Claro, ele também era a favor da democracia e estava disposto a defender os sindicalistas. Sua agressividade tinha outra origem: o sindicato alemão que representava havia enviado algum dinheiro a São Bernardo e cobrava do Lula a prestação de contas! A conversa, forte do lado alemão, foi num jantar, e não permitia muitos detalhes, mas era disso que se tratava: alguém em São Bernardo falhou na prestação de contas e o alemão estava furioso. Lula se defendeu como pôde, mas, no essencial, dizia que não era com ele, que não sabia de nada.
A viagem era longa. Antes da Alemanha, havíamos passado pela Suécia, e fomos depois a França, Espanha, Itália e Estados Unidos. Em Washington, tivemos um encontro com representantes da AFL-CIO, e ali repetiu-se o mesmo constrangimento. Embora não tão agressivos quanto o alemão, os americanos queriam prestação de contas sobre dinheiro enviado a São Bernardo. Mas Lula, de novo, não sabia responder à indagação referente às contas. Ou não queria responder. Não era com ele.
Do artigo do Prof. Francisco Weffort

sexta-feira, abril 18, 2008

LULA ESTÁ... ONDE O PROBLEMA NÃO ESTÁ!

O presidente que vive a escapulir da capital nem pensou em visitar as cidades do Nordeste arrebentadas pelas enchentes. Assim como não cogitou pisar em Jacarepaguá, em Campo Grande ou na Baixada Fluminense, focos dramáticos de dengue. Na Roraima dos arrozeiros, nunca apareceu. Podia tirar a limpo ele mesmo as denúncias de trabalho escravo, mas deixar o palácio para se enfiar no interior do Pará? Pelo jeito, o acidente da TAM estreou um protocolo - Lula, lembre-se, ignorou Porto Alegre e São Paulo e guardou silêncio por dias. Criar uma agenda positiva não é algo trivial na administração pública. Mas Lula leva ao extremo a decisão de só sair na boa. Além de fugir de Brasília, mantém distância das outras desgraças da República.

GABEIRA E A BOLSA-DITADURA!

1. A revista Veja em matéria sobre a bolsa-ditadura - O Preço de um ideal - traz análises e depoimentos sobre o sentido de solicitar indenização, na linha do que escreveu o Millor Fernandes: - Era uma revolução ou um investimento?

2.
No corpo da matéria cita: “O direito a indenização deveria se restringir aos casos de comprovado e irreparável prejuízo", diz o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), que foi preso e exilado, mas não pediu um centavo por isso.


3.
Mais ou menos, diria este Blog. Pediu sim, embora indiretamente. Pediu que se contasse como tempo de serviço para aposentadoria o período em que foi perseguido. Claro que tem um impacto financeiro, forte, definitivo e com direito a pensão de dependentes. Imagine se todos os exilados, presos, que ficaram em clandestinidade, pedissem essa contagem? Quem pagaria, se não os cofres do Tesouro, aliás, da Previdência Social? Aliás, o mesmo caminho do ex-presidente do PT e deputado, José Genoíno. Vejamos.


4.
'Nº Processo: 2003.01.20837 Requerente: Fernando Paulo Nagle Gabeira.

Data/Descrição: 19/03/2008 / Setor de Análise - 16/10/2007 - Setor de Protocolo e Diligência - 04/10/2007 / Setor de Protocolo e Diligência - 08/05/2007 / Setor de Análise - 11/04/2007 / Setor de Análise - 21/02/2006 / Setor de Análise - 07/07/2004 / Juntada de documentos - 27/06/2003 - Remessa de Processos à 1ª Câmara. Encontrados 8 andamentos.

PENSILVÂNIA DEVE FECHAR A DISPUTA DEMOCRATA NOS EUA!

É preciso estar atento às primárias na Pensilvânia, previstas para o próximo dia 22, quando praticamente se decidirá a disputa entre Barack Obama e Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata à Presidência dos EUA. Estarão em jogo 188 delegados decisivos para manter vivas as chances de Hillary. Os analistas acham que ela já perdeu.

quinta-feira, abril 17, 2008

ÁREA DEMANDADA EM TODO BRASIL, SOB O ARGUMENTO DE ANTIGOS QUILOMBOS É IGUAL AO ESTADO DE SÃO PAULO!

1. Este Blog recebeu de um oficial de patente máxima das FFAAs um material a respeito das conseqüências da hiper-flexibilização do conceito de quilombos e do uso político que está sendo feito pelo INCRA, fora de suas atribuições, com atropelamento da legislação e das decisões judiciais. Caso está na órbita do STF que deve decidir nas próximas semanas.

2.
A auto-declaração, o aceite para qualquer reunião no passado, a desnecessidade de uso capião, a possibilidade de atribuir-se a ocupação em qualquer tempo, mesmo que séculos atrás sem presença por este tempo, etc... está produzindo um abuso de gigantescas proporções.


3.
Paradoxalmente, a maior área demandada em hectares está no Amazonas, onde a escravidão não teve nem de longe a proporção e significado que teve no Nordeste e no Sudeste. E por que no Amazonas?


4.
Em Porto Alegre a demanda está alcançando quase 100 locais. No Rio até o local da Ordem Terceira é demandado, além de Parque na Fonte da Saudade e o Alto-Leblon quase todo. Marambaia é outro exemplo, com história que impede aquela interpretação.


5.
Os textos do INCRA introduziram a expressão "território" o que incorpora a possibilidade de autonomia e demarcação. Estes "territórios" uma vez demarcados deixam de pertencer a ocupantes individuais e passam a ter controle coletivo, abrindo uma brecha de extrema gravidade no futuro da integridade territorial brasileira. Coincidentemente muitas das áreas demandadas são de alto valor, sem nenhuma fixação recente de possíveis descendentes nelas.


6.
ONGs estrangeiras financiam tais demandas oferecendo recursos para o encaminhamento das auto-declarações.

quarta-feira, abril 16, 2008

ÁLVARO DIAS - "Se houve conspiração, Lula é o responsável"

Senador diz que dossiê sobre FHC foi obra de petistas contra Dilma, mas admite que oposição é incapaz de abalar o presidente

Por OCTÁVIO COSTA E RUDOLFO LAGO
Qualquer que seja o resultado das investigações que serão conduzidas pela Polícia Federal a respeito do vazamento de informações sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth – que a oposição batiza de dossiê e o governo chama de banco de dados –, um ponto a essa altura é incontestável: o senador Álvaro Dias (PSDBPR) é um dos personagens centrais desse enredo. Os papéis passaram pelas suas mãos antes de se tornarem públicos. Nesta entrevista à ISTOÉ, o senador oposicionista confirma que teve acesso aos documentos e invoca o direito constitucional de sigilo da fonte para não dar explicações sobre quem lhe levou a papelada. É mais um episódio da guerra pesada que governo e oposição travam no Congresso. Dias, porém, aposta que o vazamento do documento que chamusca a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a abate em plena tentativa de vôo presidencial, é obra do “fogo amigo” petista que tornou-se público numa manobra precipitada, com o propósito de constranger Dilma. “Nessa selva petista, tucano não sobrevive”, ironiza o senador. O fato é que a papelada, seja qual for seu autor e seu objetivo, serviu de motivação para que Dias voltasse a exercer seu estilo pesado de oposição. No episódio do mensalão, Dias foi o primeiro político adversário a pedir claramente o impeachment do presidente Lula. Para Dias, a oposição perdeu, ali, por timidez, a sua melhor oportunidade de abater Lula. Hoje, padece de um discurso incapaz de retirar o presidente dos seus altos índices de popularidade e enfrenta dificuldades para se manter unida. Lula, na opinião de Dias, é o político “com maior capacidade de transferência de votos” que ele já conheceu nos seus mais de 30 anos de vida política. Isso dá a medida do quanto poderá ser renhida a disputa eleitoral em 2010. Abaixo, a entrevista que Dias concedeu à ISTOÉ em seu gabinete no Senado.
ISTOÉ – Foi o sr. que vazou para a imprensa o dossiê sobre os gastos do presidente Fernando Henrique e dona Ruth?
Álvaro Dias – Evidente que não. O dossiê existe. Isso está comprovado. Foi formatado na Casa Civil. A própria ministra Dilma Rousseff anunciou- o, em São Paulo, quando disse: “Temos uma bala na agulha, não vamos apanhar quietos, estamos fazendo um levantamento sobre os gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.” Logo em seguida jornais noticiaram que o governo preparava um dossiê. E coincidentemente o líder do governo no Senado (Romero Jucá) vinha propor a instalação da CPI, mudando a estratégia oficial. Antes, a tentativa de impedir, e, agora, o desejo de instalar. Na esperança de confundir as coisas, desviando o foco para o governo passado.
ISTOÉ – Esse teria sido, então, o objetivo do dossiê?
Dias – Na verdade, houve um duplo objetivo. Primeiro, confundir a opinião pública. E o outro, intimidar a oposição, chamando-a para entendimento. Aliás, o equívoco foi quando ocorreu a elaboração de um requerimento a várias mãos propondo instalar a CPI na Câmara dos Deputados. Nós não dependemos da maioria para instalar CPI no Congresso. Outro equívoco, a meu ver, foi incluir o governo passado. Não havia nenhuma denúncia formalizada.
ISTOÉ – Se a estratégia era essa, como o sr. explica o vazamento?
Dias – O vazamento é a conseqüência. Não existiria vazamento, se não existisse o dossiê. Há uma diferença entre o banco de dados, que existe, e o dossiê, que também existe. Ambos são filhos de uma mesma construção. A identidade é que é diferente. No banco de dados não vão se encontrar nomes como dona Ruth, Arthur Virgílio, Aloísio Nunes. Lá serão encontrados os nomes dos coordenadores das despesas, hoje chamados de ecônomos. Já no dossiê, há uma coluna à direita, de “Observações”, onde se configura um modelo diferente, com os nomes das pessoas e algumas observações que demonstram a má-fé.
ISTOÉ – Como o levantamento chegou a suas mãos?
Dias – Eu não fui fonte das informações, como alguém alegou. Fui ouvido por vários jornalistas, manifestei minha opinião e disse que vi páginas do dossiê. Na verdade, algumas pessoas tiveram acesso a essas informações. Como elas chegaram, não sei dizer. Mas é muito fácil a Polícia Federal descobrir. Estranho é anunciar que a PF vai investigar o vazamento e não investigará a feitura do dossiê. O substantivo é a existência do dossiê, que possibilitou o seu vazamento.
ISTOÉ – Os dados, então, já circulavam pelo Senado?
Dias – A notícia sobre a existência do dossiê circulou desde o início de fevereiro. Então, veio o esforço do governo propondo a CPI no Senado inicialmente, depois se acabou aceitando a CPI mista, numa negociação que realmente não ficou bem. É claro que os farejadores começaram a perseguir esse dossiê e a buscar informações. Eu tive acesso às informações na semana anterior à divulgação. Tive notícias de que outras pessoas também viram. As pessoas temem se apresentar como fonte porque alegam tratar-se de informações sigilosas. Mas não são.
ISTOÉ – Se as informações não são sigilosas, por que o sr. não revela sua fonte?
Dias – Há um erro quando se questiona um senador sobre fontes. As pessoas parecem esquecer que o artigo 56 da Constituição, em seu parágrafo sexto, assegura ao parlamentar não revelar as fontes das suas informações. O sigilo da fonte é essencial no processo democrático, principalmente num país como o nosso, em que os escândalos de corrupção pipocam. Quem ofereceria informações delicadas à imprensa se não tivesse certeza do sigilo? É claro que comprometeria o processo de investigação.
ISTOÉ – O sr. acredita na tese de conspiração contra a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência?
Dias – Se há conspiração é interna corporis. É uma conspiração doméstica, familiar. Essa ave tucana não sobrevive nessa selva petista do Palácio do Planalto. Se houve conspiração, o presidente da República é o grande responsável. Ele antecipou o processo eleitoral, a meu ver, indevidamente. O PT é um partido de facções. É possível que isso tenha despertado o conflito interno. Eu não saberia assegurar se houve conspiração doméstica e se o presidente deu combustível para o fogo amigo. No vazamento, houve uma precipitação. Talvez alguém que não morra de amores pela candidatura da ministra tenha atravessado o cronograma estabelecido.
ISTOÉ – O sr. vê relação entre os problemas da ministra e a tese da reeleição do presidente Lula?
Dias – Há forte suspeição de que tenha havido aí uma estratégia do presidente. O lançamento da candidatura da ministra seria uma forma de desviar o foco, enquanto ardilosamente se prepara o plano para um terceiro mandato. Até porque a ministra não tem grande apelo popular. Portanto, pode ter sido o modelo ideal para o presidente ocupar o espaço e viabilizar o projeto de terceiro mandato. O deputado autor da proposta na Câmara (Devanir Ribeiro, do PT de São Paulo) é do círculo de amizades do presidente. Enquanto o presidente afirma não desejar o terceiro mandato, o deputado continua agindo. Nós temos o direito de acreditar numa encenação do presidente.
ISTOÉ – A oposição denuncia erros e corrupção do governo, enquanto o presidente vive uma popularidade jamais vista. Por que isso acontece?
Dias – O País está dividido ao meio. Essas denúncias encontram eco numa parte da sociedade, que independe dos programas assistencialistas do governo. Mas isso não tem sido suficiente. O presidente Lula tem, de fato, uma popularidade surpreendente. É o líder político com a maior capacidade de transferência de votos que eu já conheci em 33 anos de mandato eletivo. A minha conclusão é que a população pobre cultiva a virtude da gratidão e responde aos benefícios diretos que recebe. E iludem-se os que acham que seja só o Bolsa Família. O presidente Lula hoje tem uma imagem tão forte que anulou seus coadjuvantes. Eles não existem. É por isso que a população não sabe os nomes dos seus ministros. O governo Lula é Lula. Houve ainda um aparelhamento do Estado e a criação de uma relação de promiscuidade com os movimentos sociais, em convênios ministrados pelos ministérios que vão parar em ONGs ligadas a esses movimentos.
ISTOÉ – Falta à oposição um discurso para essa parcela diretamente beneficiada pelas políticas sociais do governo?
Dias – Falta. A oposição sente-se impotente diante desse arsenal cuja montagem surpreendeu. A verdade é que houve um certo receio da oposição em criticar o governo Lula. Um receio de que prevalecesse a teoria do preconceito. De que estamos criticando Lula porque é um operário e nós da elite estamos combatendo o homem. A oposição tornou-se tímida. O movimento oposicionista cresceu durante a crise do mensalão, mas a oposição perdeu a oportunidade. Eu defendia que se instaurasse ali um processo de impeachment porque havia condições para isso. Reconheço que poderia não haver apoio popular. Mas a obrigação da oposição era propor a instauração do processo, mesmo que o impeachment não viesse a ocorrer. A verdade é que a oposição não ocupou os espaços e não teve capacidade de mobilizar a opinião pública.
ISTOÉ – E agora, em 2008, a oposição pode ter sorte melhor?
Dias – Eu não confundo eleição municipal com eleição federal.
ISTOÉ – Mas o presidente Lula confunde, ele está federalizando as eleições.
Dias – É verdade. O presidente tenta transferir a sua popularidade para aparelhar os municípios com seus prefeitos. É legítimo. Quer aumentar a força eleitoral. Mas não estará em discussão o governo Lula na eleição municipal. São peculiaridades locais. É o caso da aliança entre PSDB e PT em Belo Horizonte. Isso acontece porque os partidos não são unitários e ideológicos. O espectro partidário é o “samba do crioulo doido”. Não há programas, não há ideais. As condições locais é que prevalecem.
ISTOÉ – A aliança entre o PSDB e o DEM está prestes a se acabar?
Dias – Acho que temos de manter a boa relação, principalmente em função da atividade no Legislativo, nessa tarefa difícil de fazer oposição ao presidente Lula. Eu não vejo problemas em que ocorram confrontos entre o PSDB e o DEM nas eleições municipais. Mas alguns deveriam ser evitados. É o caso principalmente de São Paulo. Eu acho que se devem realizar todos os esforços para se estabelecer um projeto único. Há uma relação muito forte entre o Gilberto Kassab e o José Serra. O Kassab é da maior lealdade ao Serra. Eu imagino que seja possível, com uma presença forte do Serra, haver um entendimento. A favor do mais forte. Que não se coloque desde já que é o Geraldo Alckmin. Que se estabeleça um prazo: final de maio. Quem estiver mais bem situado apóia o outro.
ISTOÉ – Se não houver o entendimento, há risco de se perder a eleição?
Dias – Não creio. Acho que Marta Suplicy tem um teto. Haverá segundo turno, e no segundo turno, se não estiverem unidas, as forças de Kassab e Alckmin se unirão. Alckmin é o favorito. É um político já testado no Executivo, que administrou um Estado tão importante, com a complexidade que tem São Paulo, com baixa taxa de rejeição. Isso é um patrimônio extraordinário.
ISTOÉ – Em 2010, o sr. considera possível derrotar um candidato apoiado pelo presidente Lula?
Dias – Sim, porque a transferência de votos tem limites. Não é ele o candidato. Por maior que seja o esforço do presidente Lula com relação aos candidatos postos, a oposição é a grande favorita para 2010.

Para não haver mais dúvidas

Em 2004, o Arquivo Nacional, Órgão subordinado a Casa Civil da Presidência, publicou o documento chamado: "Subsídios para um DICIONÁRIO BRASILEIRO de Terminologia Arquivística" . Este documento define:
dossiê:
Unidade de arquivamento constituída de documentos relacionados entre si por assunto (ação, evento, pessoa, lugar, projeto).
banco de dados ver base de dados // base de dados: Conjunto de dados processados eletronicamente, organizados de acordo com uma seqüência lógica que permite o acesso a eles de forma direta, por meio de programas de aplicação. // arquivo: Conjunto de documentos produzidos e acumulados por uma entidade coletiva pública ou privada, pessoa ou família, no desempenho de suas atividades, independente da natureza dos suportes.

ENVIADO A ESTE BLOG, POR UM ESPECIALISTA QUE TRABALHA NO PALACIO DO PLANALTO E QUE AGREGOU O COMENTÁRIO ABAIXO
:

-A única diferença conceitual entre dossiê e banco de dados está no suporte dos documentos. No primeiro é feita reunião física de documentos e na segunda são reunidos dados de documentos de maneira eletrônica ou com ajuda de algum software. Porém, a acumulação anormal de informações denota alguma intenção fora do normal. O fato é que alguém precisou reunir de maneira não natural documentos e informações para atender a alguém ou a algum propósito. Qualquer maneira diferente de arranjo de documentos, seja banco de dados ou dossiê, é não natural, e só existe por necessidade de atender a alguma necessidade não natural.

O que você faria no lugar dele?

segunda-feira, abril 14, 2008

Com a boca cheia de formigas - Aguinaldo Silva

Em 1978, quando a ditadura já seguia em velocidade de cruzeiro e muitos intelectuais de esquerda haviam dado um jeito de mamar de novo nas tetas do governo que supostamente ainda condenavam, eu ganhei o I Prêmio Abril de Jornalismo no gênero “melhor reportagem individual”, com uma matéria intitulada “Pobres Homens de Ouro”.
Os Homens de Ouro, se vocês não sabem, era o ovo da serpente do qual nasceu o Esquadrão da Morte e seus afiliados da época, todos de sinistra memória. Então, aos olhos de todos, inclusive os meus, os mocinhos (ou seja, a polícia) eram os bandidos.
Esse foi um cacoete que adquirimos naqueles tempos difíceis, e do qual muitos não se livraram até hoje: para estes, a polícia não presta. E os bandidos, mesmo aquele psicopata sedento de sangue do ônibus 174, são apenas heróis românticos, justiceiros dispostos a expropriar o que lhes pertence e que nós, a chamada “elite”, lhes roubamos, porque temos o atrevimento de trabalhar e ganhar dinheiro.
Naquela época, os Homens de Ouro, que eram sete e incluíam o famoso Mariel Mariscot, era o que havia de mais temível. Ao escrever sobre eles, e mostrar como eles progrediram na vida através do terror e da mão grande, eu fui premiado, mas causei preocupação aos amigos, que me perguntavam a toda hora: “você não tem medo?”
Eu tinha. Então eu era – desculpem a falta de modéstia – uma das “estrelas” dos jornais alternativos Opinião e Movimento, para os quais fazia matérias semanais Muitas vezes eu saía de madrugada de minha casa no então ameno bairro de Santa Teresa para entregar meus textos na redação dos jornais no Jardim Botânico. E enquanto atravessava a Rua das Laranjeiras, o Cosme Velho e o Túnel Rebouças no meu Fusca, tinha a nítida sensação de que estava sendo seguido. Em geral estava. Mas as ameaças nunca passavam disso.
Então eu já tinha sido preso (fiquei 70 dias na Ilha das Flores, 45 dos quais incomunicável), e também fui processado três vezes, sempre por delitos de opinião, que permitiam ao então Ministro da Justiça, o dr. Armando “no coments” Falcão, me enquadrar na Lei de Imprensa.
Podia, por causa da prisão e dos processos, ter pedido indenização ao governo atual, como fizeram muitos. Mas não acho que o povo tenha que pagar pelos agravos que sofri em virtude de minhas convicções políticas. Por isso prefiro viver às minhas próprias custas. E se tem alguma coisa da qual vou me orgulhar na hora da morte é de sempre ter vivido do meu trabalho e jamais ter mamado nas tetas de nenhum governo.
Sim, na época eu tinha medo. Mas por mais sangrenta que fosse a ditadura, as aflições que então sofríamos por causa disso não tinham tanto peso quanto têm as aflições de hoje, quando somos supostamente livres. É que na época os militares até podiam impor arbitrariamente sua vontade. Mas pelo menos não eram fundamentalistas, não achavam que tinham a missão divina de reorganizar e assim salvar o mundo. E agora...
Agora os que não concordam com o que está aí também sentem medo. E são seguidos na calada da noite. E são ameaçados. E têm suas contas bancárias secretamente devassadas. E recebem telefonemas sinistros disparados de celulares com IDs privados. E morrem sim, porque alguns, como aquele prefeito lá de Santo André, são mortos nunca se sabe porquê nem como.
Digo a vocês sem maiores rodeios. Neste momento eu sinto medo, e tenho sérias razões pra isso. A julgar pelo que dizem os telefonemas disparados dos tais celulares com IDs privados, por motivos alheios à minha vontade posso até nem terminar a novela DUAS CARAS, que tanta discussão está gerando.
Mas fica o aviso: se eu parar não será por minha própria vontade. E embora, no final de contas, o que eu faço seja “apenas Chinatown”, ou seja, uma novela, se eu não puder terminá-la porque amanheci, como dizem os tais telefonemas: “com a boca cheia de formigas”, espero que um dia Mamãe História se pronuncie e alguém venha a ser responsabilizado por isso.
Mas não se preocupem. Isso ainda não é uma despedida. Até o próximo texto!

Fonte aqui.