sábado, outubro 11, 2008

Geléia geral

As lições emanadas da primeira etapa do pleito municipal consolidam convicções e aprofundam aprendizados indispensáveis para o observador da cena política nacional.
As eleições realizadas no último domingo estamparam sem rasuras a fragilidade dos partidos políticos. Como afirmei da tribuna no meu primeiro pronunciamento após a divulgação dos resultados, estamos assistindo à falência partidária no Brasil. Não temos partidos programáticos, mas siglas para registro de candidaturas que se associam para eleger. E, nessa associação, assiste-se a alianças estapafúrdias. Estabelece-se uma espécie de geléia geral, uma balbúrdia capaz de impingir muitas dúvidas ao eleitor, por mais esclarecido que seja. Na verdade, consagra-se uma anarquia programática.

Na reta final da campanha, no Paraná, testemunhei no próprio peito a confusão generalizada em que se transformou o nosso cenário eleitoral. Em determinado dia fui a oito cidades diferentes e coloquei na camisa oito números diferentes. O PSDB coligado com o PT, o PSDB coligado com o PCdoB, os democratas coligados com o PT.

A anarquia geral e irrestrita configura de forma inequívoca um quadro partidário carcomido. O excesso de siglas é sintoma que se exacerba a cada pleito eleitoral. Podemos denominá-las de qualquer alcunha, menos partidos políticos. As afinidades ideológicas e a observância aos preceitos programáticos são letra morta de estatutos ficcionais.

Presenciei no plenário do Senado Federal o esforço de lideranças governistas que interpretaram o resultado das eleições como uma vitória do governo. Mas como? Não se trata de vitória "oficial" e muito menos da oposição. O pleito foi essencialmente municipal, com questões paroquiais prevalecendo e relações de natureza política locais definindo as alianças que disputaram as eleições. Portanto, não há que se fazer cotejamento entre governo e oposição.

Não posso deixar de registrar que são poucos os oposicionistas no país atualmente, seja no município, no estado ou na União. Não me reporto apenas à oposição ao governo federal. Faço referência à oposição ao PSDB, aos democratas, ao PMDB. Não importa o partido que esteja no poder, a oposição desaparece.

Sem maiores delongas esse é o quadro real da política brasileira. Não há como ignorar essa realidade. A falência partidária está nos convocando a uma ação responsável para promovermos uma reforma política que confira ao Brasil um modelo compatível com a nossa realidade. O que aí está já foi condenado.

Discordo de algumas análises que insistem em estabelecer paralelos e previsões eleitorais para 2010, com base nas eleições de 2008. Não há como se estabelecer um parâmetro, porque as eleições de 2010 se darão, mais uma vez, em torno de nomes, e não de partidos políticos. Os nomes é que aglutinarão forças partidárias díspares, heterogêneas, em razão do dilaceramento programático partidário. Aliás, o governo atual é um exemplo disso: forças partidárias contraditórias dão suporte a um governo absolutamente heterogêneo, que não tem uma face definida. É essa a política brasileira, e dizer outra coisa é falsidade.

Devemos reconhecer que avançamos no processo eleitoral. O aprimoramento da legislação determinando o fim daquela parafernália nas ruas das cidades - a pirotecnia do "showmício" e o bazar de brindes, camisetas, bonés - trouxe economia e respeito ao eleitor, que adquiriu maior independência no ato de julgar e eleger. Tive a satisfação e a surpresa de participar de grandes concentrações populares. A tese de que o povo comparecia aos comícios apenas para ver artistas não se confirma. A população, quando motivada, comparece à praça pública, e não o faz de coração vazio.

Há muito a ser feito e o itinerário da reforma política é rigorosamente incontornável. Não podemos olvidar a esperança que nutrimos por dias melhores, mas o espaço para encenação deixou de existir.

O Senador Alvaro Dias é 2º vice-presidente do Senado e vice-líder do PSDB

sexta-feira, outubro 10, 2008

O que vai naqueles furgões que acompanham o presidente dos EUA

E a gente pensa que tem problemas

A mulher que atinge 200 orgasmos por dia
O barulho de um trem, o secador de cabelo, uma máquina fotocopiadora - tudo isso é motivo para Sara Karmen, uma britânica de 24 anos, sentir um orgasmo. Somente durante os 40 minutos de uma entrevista ao jornal News of The World, ela teve 5 orgasmos.
A moça sofre da Síndrome de Excitação Sexual Persistente, que faz com que ela fique excitada por grandes períodos de tempo, mesmo sem ter um estímulo sexual.
'As vezes tenho muitas relações sexuais, na tentativa de acalmar-me, mas o meu namorado se chateia, porque atinjo o orgasmo com facilidade' – conta Sara.
Ela explica que a síndrome aumentou depois que ela completou 19 anos, logo após começar a tomar antidepressivos. 'Depois de algumas semanas, passei a sentir cada vez mais excitação. Tudo começou na cama, e o meu namorado estranhou a quantidade de orgasmos que eu atingia durante o ato sexual.'
O homem que não consegue engordar

John Perry sofre de um distúrbio que muitos gostariam de sofrer, nem que fosse por um dia. O inglês de 59 anos pode consumir a quantidade de alimentos que quiser e não consegue engordar. O distúrbio, chamado lipodistrofia, faz com que o corpo queime rapidamente a gordura que absorve.
Quando tinha cerca de 12 anos, Perry comentou que começou a emagrecer sem nenhum motivo aparente. Os médicos, sem ainda saber a causa, imaginaram que ele estivesse sofrendo com uma úlcera estomacal e o orientou para que tentasse comer, na tentativa de aumentar o peso, mas sem nenhum resultado. O problema de Perry é causado pela produção de insulina, que é seis vezes maior do que uma pessoa normal.

O homem que não sente frio

Difícil acreditar que alguém consiga suportar temperaturas muito baixas. Wim Hof conseguiu provar que isso é possível.
O holandês de 48 anos, que ficou conhecido como o 'Homem de Gelo', já correu uma maratona no Pólo Norte, apenas vestindo um short e nadou cerca de 80 metros em água gelada.
Por uma condição incomum, Hof não sofre de hipotermia, como ocorre com a grande maioria dos seres humanos. Ao invés disso, o fluxo sanguíneo, que em temperaturas muito baixas é enviado apenas para os órgãos vitais, no caso dele, continua sendo fornecido para todo o corpo, não permitindo que ele sofra com ulcerações.

O garoto que não podia dormir

Que filhos pequenos mudam totalmente a rotina da casa, não é nenhuma novidade. Mas agora imagine, uma criança que não dorme, nem cochila por 3 anos.
Foi o que ocorreu com Rhett Lamb, que não tinha experimentado uma soneca na vida. O problema era causado por uma anomalia no tecido cerebral, chamada: má-formação de Chiari. Parte do seu crânio era anormalmente pequena e acabava exercendo uma pressão sobre o cérebro.
Em maio deste ano ele passou por uma cirurgia e finalmente dormiu. Seu pai declarou que dividiu com a mãe do garoto a responsabilidade de monitorá-lo durante o sono.

A garota que é alérgica à água

Ashleigh Morris, uma australiana de 19 anos, não pode usufruir de hábitos comuns à jovens da sua idade. Ela não pode ter contato corporal com água. Morris sofre de um doença de pele raríssima, chamada Urticária Aquagênica, que é um processo de alergia extrema à água.
Segundo reportagem do FOXNews, há 5 anos, Morris vem sendo obrigada a mudar seus hábitos higiênicos, pois chegar perto da água - para ela - faz com que sinta fortes dores. Quando Ashleigh se molha, seu corpo explode em feridas e caroços, que levam cerca de duas horas para aliviar.
Como não há cura ou tratamento, Ashleigh preferiu parar de fazer esportes e tudo o que a faz suar.

A mulher que não consegue esquecer

Uma californiana de 41 anos tem, reconhecidamente, a melhor memória do mundo. A mulher, que é conhecida apenas como 'AJ', lembra-se de quase todos os dias de sua vida, a partir dos 11 anos de idade. Segundo ela, sua memória passa como um filme, 'ininterrupta e incontrolável'. Ela, por exemplo, lembra claramente do que ocorreu no episódio de 'Murphy Brown' em 28 de março de 1988. Além disso, ela recorda-se de fatos mundiais, idas ao mercado, temperatura e outras tantas informações que pessoas comuns não conseguem recordar.
A capacidade AJ é tão difícil de explicar que James McGaugh, Elizabeth Parker e Larry Cahill, neurocientistas da Universidade da Califórnia em Irvine, que a estudam já há sete anos, tiveram de batizar sua anomalia de síndrome hipertimésica.

A adolescente que se alimenta apenas de Tic Tac

Natalie Cooper, de 17 anos, moradora de Kent, no sudeste da Inglaterra, sofre de uma doença misteriosa: ela vomita toda vez que ingere algum alimento sólido. A única coisa que ela pode comer, com segurança, é a bala Tic Tac. Inicialmente, os médicos acreditavam que a menina sofria de bulimia, mas logo abandonaram a idéia.
Por razões ainda inexplicáveis, o Tic Tac é a única comida que não a deixa mal. Porém, Nathalie precisa ingerir outros tipos de nutrientes através de uma fórmula especial, via tubo.
A adolescente descobriu que poderia tolerar as balas de 2 calorias quando experimentou em casa. 'Elas realmente me dão um pouco de energia, mas eu como mais para passar a fome. É psicológico'.
Nathalie não possui a mesma energia de outros jovens. Após trabalhar numa loja por um tempo, ela não agüentou a intensidade de um turno de 6 horas. Em breve, ela espera se consultar com novos especialistas para buscar uma cura, antes de iniciar a vida universitária.

O homem que está há 1 ano e 3 meses soluçando

Se você já teve soluços durante um longo espaço de tempo sabe o quanto é desagradável, para não dizer desesperador. Agora imagine um homem soluçando por mais de 1 ano, de forma ininterrupta. Pois, foi o que aconteceu com Chris Sands, de 24 anos. Chris soluça em média a cada dois segundos.
Chris Sands, que é músico, disse que sua carreira ficou prejudicada e acredita que a cirurgia conseguirá lhe devolver uma vida normal. Segundo os médicos do Queen's Medical Centre, um tubo será implantado no estômago de Chris para monitorar o nível de acidez, pois ele sofre de refluxo ácido, motivado por uma falha em uma das válvulas.
Chris lembra que sua primeira crise ocorreu em 2006, mas logo passou. Entretanto, desde fevereiro de 2007, nem mesmo dormindo ele pára de soluçar. Desesperado, ele afirma que já ficou de cabeça para baixo, tomou susto, colocou uma linha vermelha na testa, bebeu água de várias maneiras diferentes.

A mulher que desmaia sempre que ri

Kay Underwood, 20 anos, tem cataplexia, ou seja, qualquer espécie de emoção forte que tenha pode fazê-la desmaiar, devido ao enfraquecimento repentino dos músculos. Excitação, raiva, medo, surpresa, e até vergonha podem provocar o desmaio.
Sua condição anormal foi descoberta há cinco anos, quando chegou a perder a consciência por mais de 40 vezes em um único dia.
Tal como muitos dos doentes de cataplexia, Kay sofre também de narcolepsia - adormece sem mais nem menos.

A mulher que tem alergia à tecnologia

Parece piada, mas Debbie Bird é absolutamente alérgica à tecnologia. Para ela, falar no telefone celular, cozinhar no forno de microondas ou dirigir um carro, são tarefas praticamente impossíveis. Tudo porque Bird possui uma sensibilidade ao campo eletromagnético criado pela maioria dos aparelhos eletrônicos.
Como consequência, Debbie sofre com uma dolorosa alergia na pele e nas pálpebras, que acabam inchando e ficando 3 vezes maior do que o normal. Para diminuir o problema, ela criou uma espécie de zona livre da influência eletromagnética.

Convidaram o cara errado...!!!

quinta-feira, outubro 09, 2008

Liderança para Tempos Difíceis

Trechos do artigo do politólogo argentino Natálio Botana em La Nacion. Refere-se à Argentina. Serve como luva para o Brasil.

1. Na atualidade, devido às transformações que a prática da democracia afronta por toda parte, as lideranças ascendem e descendem num ritmo vertiginoso. A opinião expressa nas pesquisas é responsável por este vai-e-vem, e também as mobilizações, os protestos e o constante questionamento dos governantes veiculado por diversos meios de comunicação. A superioridade dos dirigentes nas democracias do começo do século XXI é volátil.

2. Esta relação é, em principio, positiva, porque coloca a democracia num plano de horizontalidade. Mas as estruturas representativas perdem prestígio, os parlamentos se transformam em correias de transmissão dos interesses sociais prontos para capturar o espaço público, e os partidos políticos não cumprem sua função primordial de oferecer à cidadania um projeto fundado em valores comuns e na capacidade para realizá-lo.

3. Uma vez que o barco entra num mar tempestuoso, as lideranças deveriam modificar-se ainda mais, sob pena de provocar uns naufrágios que, lamentavelmente, se repetem ao longo das últimas décadas. Nesta abrupta transformação do cenário, a oposição deve fazer suas contas. Não nos referimos à contestação social, que costuma ocupar as ruas e as estradas na defesa de seu interesse particular, mas sim, sobretudo, a oposição política nos partidos e, por meio deles, no Congresso e no regime federativo do país. Que oferta de governabilidade pode-se ir desenhando, enquanto está virando o vento de trás de que tanto se falava?

4. A indignação moral, diante do que acontece, tem asas curtas na ausência de uma vontade política que atraia e incorpore e, ao mesmo tempo, esteja disposta a enfrentar a descrença dos cidadãos e os “poderes de obstrução” incrustados em nossa sociedade. O ideal de governo representativo recomenda consolidar lideranças nascidas no seio dos partidos.

5. Na hipótese de uma liderança sem partido, de uma pura liderança de opinião formada ao calor da conjuntura e do impulso mediático, corre o risco de diluir-se numa desorganizada improvisação. São considerações que por acaso valham a pena levar em conta nestes momentos de crise internacional.

O mundo vai acabar

LULA NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
FALANDO SOBRE ORTOGRAFIA
Mais uma prova que o fim está próximo, são os sinais do Armageddon, o livro do fim do mundo.

quarta-feira, outubro 08, 2008

SEGUNDO TURNO UMA OUTRA DINÂMICA E A PESQUISA DE INTENÇÃO DE VOTO!

As pesquisas de intenção de voto no segundo turno, feitas no primeiro turno, têm uma importância relativa. Podem até sinalizar favoritismo, mas isso depende muito das circunstâncias em que ocorre o primeiro turno.
Uma delas é a diferença de tempo de TV. Quando um candidato que lidera pesquisa tem uma grande vantagem no tempo de TV, ao se entrar no segundo turno quando os tempos são iguais (dez minutos), todos os dias, o eleitor tem a sensação de que não conhecia o suficiente o candidato que aumentou seu tempo de TV e passa a fazer um novo julgamento.

Esse, por exemplo, é o risco de um candidato que já tem os dez minutos no primeiro turno e que no segundo não muda nada e seu adversário igualando o tempo e aproveitando bem, passa a ser um novo candidato no segundo turno. Novo no sentido de aparecer com uma nova intensidade, enquanto o que já tinha os dez minutos é como se já fosse coisa conhecida.

Outra delas é quando as dinâmicas das candidaturas são distintas. Quando uma está em processo de esgotamento e de reversão, mesmo que leve, e o outro com menos tempo de TV no primeiro turno, passa por uma curva ascendente. Essa combinação cria um acelerador muito forte que iguala as condições no segundo turno, mesmo que as intenções de voto dêem uma grande vantagem ao primeiro.

Os exemplos são muitos. Portanto não há que tomar a pesquisa de intenção de voto no segundo turno como um fato. Deve-se analisá-la nas suas circunstâncias relativas ao tempo de TV e dinâmica na fase final do primeiro turno.

Vamos despoluir! - Proposta para as cidades que tem segundo turno

Esses cartazes espalhados pelas ruas e especialmente pelos corredores de maior movimentação da cidade são um horror. Nunca se viu tamanha poluição visual. Por incrível que pareça está dando saudade do tempo dos outdoors, tamanho o descalabro. E com a vergonha de se ver atrás de cada um deles, uma pessoa fingindo que está segurando, num trabalho quase servil.
No segundo turno cada um dos candidatos tem 10 minutos de programa todos os dias, na TV e no Rádio, além do mesmo tempo para comerciais. A imprensa fará a cobertura apenas de dois. Os debates estarão garantidos.

Portanto não há nenhuma razão para no segundo turno se repetir esta monstruosa poluição visual. Os candidatos - sejam eles quais forem - que passarem ao segundo turno deveriam fazer (quem sabe desde já todos) um acordo para que o trabalho eleitoral de rua ficasse restrito a panfletagem, carros de som e bandeiras. E nada mais.

Não há nenhuma razão para este gasto enorme e esta agressão ao meio ambiente urbano. A Cidade agradeceria!

Así se baila un tango!

terça-feira, outubro 07, 2008

Virtudes da Prudência Política

Trechos do artigo de Rafael del Aguila (foto) - Politólogo da Universidade Autônoma de Madrid publicado no Clarin.

1. “Para ser homem, é preciso negar-se a ser Deus”, dizia Camus. Talvez seja este um primeiro elemento de uma política de moderação capaz de evitar o fanatismo. É preciso negar-se a colocar-se a si próprio numa posição "omnímoda" e toda poderosa que caracteriza os idealistas utópicos e os realistas obtusos. Ambos os pontos de vista converteram o século XX e estão a caminho de converter o século XXI num inferno de violência, brutalidade política, guerra, limpezas étnicas, terrorismo, extermínios.

2. Para começar, o perigo dos ideais não consiste em tê-los, mas sim como eles se mantêm. Não consiste em crer ou não crer, mas em como se crê. Dogmáticos e fanáticos consideram uma agressão insuportável qualquer argumento que os obrigue a rever ou a colocar em questão seus ideais. Ao contrário, as políticas moderadas vivem de convicções, cujo núcleo principal é a abertura à crítica e à auto-reflexão permanentes.

3. Estas políticas se orgulham de manterem-se abertas a argumentações, experiências, sentimentos ou acontecimentos, que eventualmente poderiam levá-las a reapresentar suas crenças e seus ideais. E, do mesmo modo, tal como a dúvida na ciência não é paralisante, mas constitui um estímulo para o avanço na investigação, estas políticas crêem que a abertura, a ironia e a autocrítica constituem sua razão de ser e seu maior poder.

4. Transformamos nossas crenças porque uma pessoa experimentada não é a que tem muitas experiências, mas sim a que está aberta a novas experiências. A abertura e a exposição à mudança é sua lei fundamental. Desde aqui se procura oferecer uma alternativa conseqüente; isto é, que tenha por objetivo a geração de conseqüências preferíveis, com a ação política. E por aqui se começa por temer certas políticas tirânicas, realizadas em nome de altos ideais ou de necessidades iniludíveis.

5. A alternativa impecável é equivocada. Do bem nem sempre procede o bem, a justiça estrita nem sempre produz resultados de acordo com o bem comum democrático, o honesto nem sempre é útil. Estas opções estão baseadas numa metafísica harmonizante incompatível com um olhar para o mundo minimamente realista e verdadeiro.

6. Devido a este dilema, a política de moderação existe sem garantias, nem fundamentos. Ninguém, senão nós próprios, nossa reflexão e nossos juízos, e nossas ações, podem determinar o nível de tolerância nos meios que usemos. Apenas uma deliberação aberta a todos pode-nos assinalar onde não estamos dispostos a chegar sob nenhuma circunstância.

7. Mas não é preciso ter demasiadas ilusões; julgamos e tomamos cursos de ação alternativos nos âmbitos políticos contingentes e inseguros. Nossas mesmas ações produzem efeitos e envoltas de reações que nunca podemos prever e antecipar ou controlar por completo. Isso não nos exime de julgar e de atuar. Mas sim nos impõe atuar com prudência.

8. É preciso ter a coragem de tomar posição contra a injustiça ou a tirania, e assumir que devemos fazer isso até mesmo quando não estivermos totalmente seguros de nada (nem da superioridade absoluta de nossos ideais, nem da consecução perfeita dos fins da ação). Porque um homem civilizado é aquele que se atreve a se arriscar por coisas que considera cruciais, mesmo quando tenha dúvidas delas. Além disso, habitualmente, não poderemos escolher o bem e teremos de conformar-nos com o mal menor.

9. Não poderemos garantir a liberação absoluta e transparente, e teremos de nos conformar com as pequenas liberdades que nos fazem, precisamente, livres. Importa o pequeno, as mudanças e as rebeldias locais, a dissidência pontual, a solução dos problemas reais, as resistências ao intolerável. A consecução de um mundo, que, se não for completamente justo e perfeito, ao menos é decente.

Só pensa naquilo...!!!

Resumo dos candidatos!

domingo, outubro 05, 2008

Crises, Ciclos e História

Trechos do artigo de Gabriel Tortella (foto) (catedrático emérito na Universidade de Alcalá) em 25/09/08, El País.

1. Para uma pessoa com alguns anos de idade e alguma leitura da História, a presente crise tem algo de monótono, de repetitivo, de déjà-vu. As crises e os ciclos são, como seu nome o indica, recorrentes: acontecem periodicamente, a cada determinado número de anos. As flutuações econômicas ocorrem porque a gente não aprende com o passado.

2. Há muitas teorias a respeito. Eu vou propor aqui uma variante daquela que são denominadas de "teorias psicológicas do ciclo". Eu afirmo que as flutuações econômicas se devem a que a gente não sabe História; trata-se de uma variante do conhecido aforismo de George Santayana, não vulgar, menos atinado: "Os que não recordam o passado estão condenados a repeti-lo”.

3. A maior parte dos serem humanos se comporta como se o presente fosse durar indefinidamente: mais tecnicamente, extrapolam o presente para o futuro. As decisões econômicas são tomadas como se o futuro fosse ser uma simples continuação do presente, o que implica pensar que a economia irá evoluir de maneira contínua, e não cíclica. E é isso, precisamente, que causa os ciclos: não se acredita que irá acontecer.

4. Em economia, as expectativas se realizam por si mesmas. Mas, em outros casos, como neste, se produz o efeito contrário: as expectativas, no longo prazo, se voltam contra elas mesmas. Porém, a grande pergunta é: quanto tempo vai durar esta crise? A História diz algo sobre isso? A única coisa evidente é que pode durar 10 anos. É verdade que as mais recentes, que antes citei, duraram cerca de 2 ou 3 anos.

5. Mas esta crise tem aparência de ser duradoura a nível internacional, porque existem graves incertezas acerca dos preços relativos de produtos tão importantes, como o petróleo e os alimentos, porque esta larga década precedente de baixos níveis de juros estimulou investimentos em setores cuja viabilidade está agora sendo contraditada e porque, após as recentes catástrofes nas bolsas, levará muito tempo para reconstruir um sistema internacional de crédito, hoje em ruínas.

6. Contudo, uma vez no poder, se fez muito pouco para prevenir uma crise anunciada com lucidez: nem frear os gastos para aumentar o superávit em tempos de bonança, nem reformar as estruturas de distribuição para melhorar a competitividade e moderar os preços, nem modernizar os centros de ensino e de investigação para livrar-nos da dependência tecnológica e melhorar a produtividade.

7. Se quisermos uma recomendação eficaz para paliar futuras crises, aqui vai uma: estudar mais História. Tem ela muito para nos ensinar.

AS DIFERENÇAS ENTRE PESQUISAS E ENTRE ESTAS E RESULTADOS ELEITORAIS!

As pesquisas têm efetivamente a margem de erro que informam se forem realizadas dentro das residências dos entrevistados, quando um pesquisador com experiência pode desconfiar do perfil social informado pelo eleitor. Em pesquisas residenciais se elimina erros sobre o local de moradia do entrevistado.
Nas grandes cidades como Rio e SP - com os índices de violência existentes - as pessoas raramente deixam o entrevistador entrar em sua casa. Mesmo que a entrevista seja feita em ruas internas e de preferência com pessoas entrando ou saindo de sua residência, aquela margem de erro é algo maior.

Mas quando a entrevista é feita em locais de concentração de pedestres, a margem de erro cresce ainda mais. Por exemplo: se o eleitor - ressabiado com o entrevistador - informa uma renda menor do que a que tem ou um nível de instrução maior do que o que tem, vai ser agrupado em uma classe distinta da real. E com isso, a pesquisa incorpora um desvio, significativo e inevitável.

Da mesma forma, quando o pesquisador não vai à periferia dos bairros ou não entra em favelas, contatando os que saem ou entram nelas. Em geral estará entrevistando a capa superior daquela favela.

Suponhamos que a tendência mais provável é que as pessoas reduzam seu nível de renda com receio de serem assaltadas pelo "falso" entrevistador. Neste caso, as pesquisas que são publicadas teriam um viés contra os candidatos que tenham um viés mais popular e a favor dos que tem um viés de classe média.

No dia da eleição - numa série delas desde a maquininha - a abstenção chega a 16%/17% e os votos brancos e nulos somados, a 7%/8% num total de 23%/24%. A pesquisa está apurando sobre o total do eleitorado e, portanto também aqueles que no dia não votam ou anulam/branco seu voto. As pessoas que se abstêm em geral estão no exterior, estão doentes, são procurados pela polícia, são de extrema pobreza, são muito idosos.

Por isso deve-se dar sempre às pesquisas no Rio e SP a idéia que estão retratando faixas de intenção de voto. No Rio seria melhor dizer "hipótese" de voto. Mas a precisão dessas faixas fica muito aquém do que seria se os elementos citados atrás não ocorressem.

Por isso é bom que todos tenham paciência e acompanhem as tendências geográficas e sociais nas pesquisas, de forma a fazer sua própria projeção da tendência do eleitorado. E esperar os últimos dias.