quinta-feira, abril 19, 2007

VIVER... E CONVIVER... COM O NARCOTRÁFICO!

Resumo do artigo de Sergio Aguayo Quezada - "Vivir con el `narco` - professor do Centro de Estudios Internacionales de El Colegio de México".

1.
Passaram vinte anos, morreram ou desapareceram dezenas de milhares de pessoas, para que o Estado mexicano assumisse seriamente o desafio lançado pelo crime organizado, capaz de impor sua lei em 40% do território mexicano. Algumas semanas atrás começou uma guerra, mas ainda de incerto desenlace.

2. Esse ano cumpre-se duas décadas desde que o presidente Miguel de la Madrid colocou o narcotráfico como a principal ameaça à segurança nacional. Foram palavras sonoras, mas vazias de conteúdo.

3. Essa displicência suicida tem sido a norma e preparou o terreno para que a delinqüência crescera e até fundara enclaves territoriais fechados ao acesso das forças de segurança.

4. Com poucos dias de governo o novo presidente do México informou que empregaria "toda a força do Estado para recuperar dos delinqüentes os espaços públicos" e "resgatar a México" (as implicações dessa última frase são escalofriantes). O exército se lançou em oito Estados. A utilização das Forças Armadas era a última opção dada à corrupção, ineficácia e impotência de centenas de milhares de policiais mal remunerados.

5. Tirar as tropas dos quartéis tinha como principal objetivo demonstrar a firmeza do presidente e recuperar o espaço cedido ou conquistado pelo crime organizado. No desenho original, o exército patrulharia as ruas enquanto que se intensificava as ações de inteligência requerida para deter os capos e desmantelar os esquadrões sicários. A estratégia parecia tão sensata como pareciam realistas os objetivos. Recebeu os aplausos de uma sociedade farta de seqüestros, assaltos à mão armada e execuções.

6. Seis semanas depois de iniciada a Operação, eu visitei Tijuana, onde dialoguei com uma amostra mais ou menos representativa de conhecedores do submundo criminoso. O entusiasmo inicial havia desaparecido. e prevalecia o desconcerto e o desalento entre acadêmicos, lideres sociais e jornalistas.

7. Os efetivos militares relaxaram e nunca se deteve os capos cujos apelidos, manias e lugares de reunião são bem conhecidos em uma cidade que voltou a viver debaixo da ameaça de seqüestros e execuções.

8. O futuro da segurança mexicana é incerto porque se desconhece a força dos cartéis e a reação que terão diante das extradições de seus chefes aos Estados Unidos, as detenções e as desapropriações. Absorverão com estoicismo os golpes? Aumentarão as execuções de policiais e soldados? Recorrerão ao terrorismo contra alvos civis? Buscarão dissimular-se entre a população ou se entrincheirarão em seus enclaves territoriais?

quinta-feira, abril 12, 2007

O CASO POLITICAMENTE GRAVE NA AMÉRICA LATINA É O DA ARGENTINA E NÃO O DA VENEZUELA, PAÍS MONOPRODUTOR DE PETRÓLEO E SEM LINKS RELEVANTES COM A REGIÃO

VALOR
Kirchner privilegia Chávez e isola a Argentina do mundo
O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, está planejando uma viagem pela América Latina para a metade deste ano. Será sua primeira visita oficial à região desde que foi assumiu, em janeiro passado. A agenda inclui passagens pelo Brasil, Chile, Uruguai, Colômbia e México. Ainda não está confirmado oficialmente, mas a chancelaria do Canadá cogita também uma rápida passagem pelo Haiti, segundo informou o jornal canadense "Globe and Mail". Se confirmado esse roteiro, Harper será mais um dos líderes de países industrializados a deixar a Argentina fora de seu roteiro.
Este ano já visitaram a América do Sul o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o primeiro ministro italiano, Romano Prodi, e o presidente alemão, Horst Köhler. Nenhum deles passou por Buenos Aires. O caso de Prodi surpreende, pois a Argentina, com uma das maiores comunidades italianas no mundo, tem até um senador no Parlamento italiano.

terça-feira, abril 10, 2007

Bibliografia necessária: "A manilha e o libambo"

Para aclarar as mentes confusas ou, apenas, dar de comer a quem tem fome de bibliografia de boa qualidade, aí vai uma dica indispensável: A manilha e o libambo, de Alberto da Costa e Silva. É um calhamaço e tanto, mas deve ser levado a sério porque conta, tim-tim por tim-tim, a história dos negros envolvidos pela escravidão. Mapas, datas, informações surpreendentes, quilos de coisas interessantíssimas a respeito do tráfico de escravos através dos séculos. Recomendamos fortemente sua leitura para a "ministra" da "desintegração"!
Talvez, se ela tiver a ousadia de passar pelo sumário e chegar ao final, ela se desintegre...

A melhor charge... bateu todas!

QUAL É HOJE A PRINCIPAL AMEAÇA À DEMOCRACIA?

O problema hoje não são apenas as tentativas, diagnosticadas por Dewey (foto) na sua época, de usar a democracia (como fim) contra a democracia (como meio). Trata-se, agora – e isso é muito mais difícil de perceber – de usar a democracia (como meio) contra a democracia (como-meio-que-é-o-próprio-fim), não confrontando os meios democráticos, substituindo-os por meio violentos (como faziam a extrema-direita e a velha esquerda revolucionária) e sim esvaziando esses meios de sua substantividade enquanto se mantém a sua casca, a sua liturgia, a sua ritualística formal.
Conquanto o Dewey-educador pareça ser razoavelmente conhecido entre nós, pouco se conhece, no Brasil, do Dewey-político. Refiro-me a John Dewey (1859-1952), o chamado filósofo da América, que no texto “Democracy is Radical”, publicado em janeiro de 1937, em "Common Sense" nº 6, estabeleceu as bases para uma compreensão da democracia que, infelizmente, parece não ter sido ainda alcançada, quer pelos nossos liberais, quer pelos nossos social-democratas. Trata-se de um pequeno artigo, de duas páginas, que passou meio desapercebido pelos teóricos da democracia da sua época e que continua, até hoje, sendo praticamente ignorado pelos que querem trabalhar com a radicalização da democracia (apesar do título já ser surpreendente, considerando-se a época em que foi escrito, ou seja, há mais de 70 anos).
Dewey começa o seu artigo, intitulado "A democracia é radical", dizendo que "poucas são as discordâncias entre os grupos de esquerda sobre os fins sociais a que aspiram, sobretudo se as compararmos com as enormes e explícitas diferenças que os separam na hora de determinar quais meios devem servir a tais fins e de que modo obtê-los. Semelhante discrepância sobre os meios – prossegue ele – é a expressão máxima da tragédia que a democracia vive em nossos dias. As autoridades da Rússia Soviética proclamam que, com a adoção legal da sua nova Constituição, o país conseguiu institucionalizar a democracia pela primeira vez na história. Quase ao mesmo tempo, Goebbels anuncia publicamente que o nacional-socialismo alemão é o único modelo de democracia para o futuro. É possível que, para os que cremos na democracia, expressões de tal jaez não passem de piada de mau gosto. Depois de um período no qual a democracia foi objeto de chacota e escárnio, parece que agora se tornou conveniente aclamá-la".

E continua John Dewey. "Certo é que ninguém que tenha seus pés fora do solo germânico dará crédito à afirmação de que a Alemanha é uma democracia e menos ainda que represente o modelo perfeito de democracia. Não obstante, a acusação de que os chamados Estados democráticos somente conseguiram atingir democracias "burguesas" merece nossa atenção. Por "democracia burguesa" se entende um sistema político no qual o poder recai, em última instância, nas mãos do capitalismo financeiro, por mais que se proclame que o governo é do, para e pelo povo. Examinando as coisas com certa perspectiva histórica, fica claro que a emergência de governos democráticos foi sempre o correlato de uma transferência do poder, que deixou de estar nas mãos do setor agrário para servir aos interesses do setor industrial e comercial".

Mas "essa transferência do poder – lembra o nosso filósofo – jamais teve lugar sem que se travasse certa luta. No desenvolvimento dessa luta, os representantes das novas forças de produção proclamavam que sua causa não era outra que a da liberdade e da livre escolha e iniciativa privada dos indivíduos. No continente e, em medida menor, na Grã Bretanha, a manifestação política da livre empresa adotou o nome de liberalismo. Os chamados partidos liberais eram os que apostavam na ação econômica dos indivíduos levada ao máximo e na mínima intervenção ou controle social. Com essa postura defendiam os interesses dos que desenvolviam sua atividade na industria e no comércio. Se todo o significado do liberalismo se esgotasse nessas manifestações, então o liberalismo como tal já teria cumprido seu papel e seríamos loucos se tentássemos ressuscitá-lo".

Dewey reconhece então que "esse movimento fracassou definitivamente na hora de levar à prática fins como a liberdade e a afirmação do indivíduo, coisa tanto mais grave se levarmos em conta que foi esse mesmo movimento que propôs tais objetivos, invocando-os liminarmente para estabelecer a legitimidade de sua supremacia política. Porém o mesmo movimento que uma vez representou esses fins, outorgou a uns poucos o poder sobre as vidas e os modos de pensar da maioria. A capacidade de impor as condições sob as quais a grande massa pública pode ascender aos meios de produção e aos bens que sua atividade requer, foi o instrumento fundamental de repressão das liberdades e o principal obstáculo para o desenvolvimento da individualidade através dos séculos. Seria absurdo negar que a mudança de senhores trouxe certas melhorias para as massas. Porém magnificar essas melhorias e fazer ouvidos moucos a todos os abusos e iniqüidades, ao despotismo, as repressões e as guerras, abertas ou encobertas, que concorrem no presente sistema, não passa de hipocrisia intelectual e moral. O falseamento e a estupidificação da personalidade humana que pratica o atual regime pecuniário e competitivo desmentem o dictum segundo o qual o sistema social vigente encarna a liberdade e a autonomia do indivíduo, e o desmentem em qualquer acepção de liberdade e individualidade na qual estas existam para todos por igual".

Mas "os Estados Unidos – aponta John Dewey – constituem uma importante exceção da tese segunda a qual, de um ponto de vista histórico, o nascimento da democracia respondia ao interesse de uma classe industrial e comercial, se bem que seja certo que, no processo de formação da constituição federal, essa classe tivesse colhido mais frutos da revolução dos que aqueles que lhe correspondiam. Não menos certo é que conforme este grupo foi se construindo com base no poder econômico, se apossou de crescentes quotas de poder político. Porém é simples e plenamente falso que este país seja meramente uma democracia capitalista, nem sequer em termos políticos. A agitação que nestes momentos vive o nosso país representa algo mais do que o protesto de uma nova classe – chame-se-a de proletariado ou de qualquer outra forma – contra uma autocracia industrial firmemente instalada no poder. É mais uma manifestação do espírito originário e imemorial da nação contra toda força usurpadora e destrutiva absolutamente estranha à democracia".

"Este país – continua argumentando Dewey – nunca contou com um partido político "liberal" de tipo europeu, ainda que durante as últimas campanhas o Partido Republicano tenha feito suas muitas consignas parecidas. Porem os ataques que os líderes do partido lançam sobre o liberalismo, considerando-o como mais uma manifestação da ameaça vermelha, demonstra que, nos Estados Unidos, o liberalismo conta com uma origem, um marco sociocultural e uma finalidade distintas. No fundamental, trata-se de uma tentativa de levar à prática os modos de vida democráticos, conferindo-lhes todo seu significado e seu amplo alcance. Não há nenhuma razão concreta para tentar salvar o termo "liberal". Porém temos todas as razões para não permitir que, com as censuras feitas ao liberalismo, se percam de vista os métodos e as aspirações da democracia. Esse perigo de eclipsar a democracia não se reduz a uma mera questão teórica; é uma questão candente e prática".

Chegamos assim ao centro da questão colocada por John Dewey. "A democracia não somente encarna fins que até os ditadores reivindicam hoje como próprios, fins como a segurança dos indivíduos e a oportunidade para que desenvolvam suas respectivas personalidades. A democracia significa, antes de qualquer coisa, defender os meios necessários para que tais fins possam ser levados a termo. Os meios que a democracia se esforça por articular são aqueles próprios da atividade voluntária em total ausência de coerção; trata-se de obter assentimento e consenso sem impor violência alguma. É a força da organização inteligente versus a força da organização imposta de fora para dentro e de cima para baixo. O princípio fundamental da democracia consiste em que os fins da liberdade e da autonomia para todo indivíduo somente podem ser alcançados empregando-se meios condizentes com esses fins. Defender a bandeira do liberalismo neste país, independentemente do que o liberalismo chegou a significar na Europa, é ter o valor de insistir na liberdade de crença, investigação, debate, reunião, educação e tudo isso sobre a base de um método de inteligência pública oposto às práticas coercitivas cujo exercício se defende em nome da liberdade final de todos os indivíduos. Não é difícil perceber certa hipocrisia intelectual e uma absoluta contradição moral no credo de todos aqueles que defendem a necessidade de que determinada classe social exerça uma ditadura, conquanto temporária, coisa que também pode constatar-se na postura dos que proclamam que no atual sistema econômico reina a liberdade de iniciativa e a igualdade de oportunidades".

Ele reconhece – num movimento ainda mais ousado – que “não há contradição alguma entre a busca de meios liberais e democráticos combinada com a defesa de fins socialmente radicais. E não só não há contradição, senão que nada nos induz a pensar que seja possível alcançar fins sociais radicais por meios que não sejam liberais e democráticos. Nem a história, nem a natureza humana, aportam razão alguma em defesa dessa possibilidade. Há quem pense que os que estão no poder jamais o abandonarão de moto próprio, se não se lhes forçar a fazê-lo empregando um poder ainda maior, porém esta idéia só pode ser corretamente aplicada no caso de ditadores, os quais pretendem estar atuando em nome das massas oprimidas, quando o certo é que estão fazendo uso do poder contra essas mesmas massas. O fim da democracia é, por si mesmo, de natureza radical. Pois se trata de um fim que jamais chegou a ser atingido em nenhum país e em nenhuma época. É um fim radical porquanto requer grandes mudanças nas instituições existentes, nas instituições sociais, econômicas, legais e culturais. Quando o liberalismo democrático não reconhece esses pontos, nem na teoria, nem na ação prática, deixa de ser consciente de seu próprio significado e das exigências que este impõe.”

Dewey conclui seu artigo acrescentando que "não há coisa mais radical do que insistir na articulação de métodos democráticos que sirvam como meios para efetuar mudanças sociais radicais. É assim que não falamos por falar quando qualificamos de reacionária a posição que confia implantar-se pela superioridade da força física. Pois este é o método de que o mundo vem dependendo até agora, um método com o qual o mundo volta a armar-se para a sua perpetuação. É fácil entender por que os que convivem com as iniqüidades e as tragédias cotidianas que caracterizam o atual sistema, por que os que são conscientes de que, afinal, contamos já com os recursos necessários para implantar um sistema que garanta a segurança e a igualdade de oportunidades para todos, hão de mostrar certa impaciência e anseiem acabar com o atual sistema, não importa qual seja o método. Porém a obtenção dos fins democráticos não pode divorciar-se da aplicação de meios democráticos. Temos que acalentar a esperança de que o ideal democrático renasça e se coesione em uma ampla mobilização. Porém esta causa não alcançará mais que vitórias parciais se não brotar de uma verdadeira confiança em nossa natureza humana comum e no poder da ação voluntária e baseada em uma inteligência pública e coletiva".

Eis a íntegra do libelo de Dewey, que deveria ser lido e relido todos os dias, ao levantar e antes ir para cama, pelos democratas hoje confrontados com renovadas tentativas de usar a democracia contra a democracia. O que espanta é a clareza desse senhor de quase 80 anos – e há 70 anos – diante de uma questão que se arrasta sem solução teórica e prática até os dias de hoje. Por que John Dewey pôde ter tamanha clareza? Por duas razões (é a minha hipótese): em primeiro lugar porque ele estava realmente convertido à democracia como idéia (e isso significa estar convencido da necessidade da sua radicalização) e, em segundo lugar, porque ele vivia um momento histórico em que a democracia estava sendo usada instrumentalmente para legitimar a autocracia (tanto à direita, com o nacional-socialismo alemão, quanto à esquerda, com o bolchevismo da III Internacional ainda em expansão). Volto assim à minha velha tese segundo a qual só se pode conceituar – e, portanto, conceber a – democracia diante da autocracia.

Mutatis mutandis, tudo indica que vivemos hoje um momento semelhante. Não estamos na iminência de uma guerra generalizada (como estava Dewey em 1937, na ante-sala da segunda grande guerra mundial) e não existem ameaças totalitárias globais semelhantes ao nazismo e ao comunismo. No entanto, a perversão da política promovida pelos diversos populismos (remanescentes ou reflorescentes, sobretudo na América Latina) constitui uma ameaça seriíssima à democracia que só pode ser plenamente percebida por quem está convencido – como Dewey estava – da necessidade da radicalização da democracia. Infelizmente tanto os liberais quanto os social-democratas de hoje não estão convencidos disso. Crêem que basta se postar (e ainda por cima timidamente) na defesa das regras formais do sistema representativo, com suas instituições e procedimentos limitados ao voto secreto, às eleições periódicas, à alternância de poder, aos direitos civis e à liberdade de organização política, enfim, ao chamado Estado de direito e ao império da lei. Parodiando Tayllerand, parecem não ter esquecido nada e também não ter aprendido nada com o século passado. Mas enquanto eles cochilam, vai avançando o uso da democracia contra a democracia com o fito de manter no poder, por longo prazo, grupos privados que proclamam o ideal democrático como cobertura para enfrear o processo de democratização das sociedades que parasitam.

O grande adversário da democracia hoje – pelo menos entre nós, na América Latina – não é uma suposta extrema-direita (aqui residual ou vestigial), nem sequer uma velha esquerda intoxicada pelas idéias bolchevistas, e sim o neopopulismo em suas diversas formas, da chavista a lulista. É bom reler Dewey – que pregava a indissociabilidade entre meios e fins democráticos – para ter tal clareza e não ficar lutando contra inimigos imaginários. A principal ameaça à democracia agora vem daqueles que respeitam um certo formalismo democrático (se especializando em disputar eleições e inclusive multiplicando processos eletivos; por exemplo, convocando plebiscitos e, em seguida, legitimando, sempre com base em critérios de maioria, alterações institucionais que introduzem procedimentos autocratizantes) para solapar substantivamente os procedimentos democráticos.

Mas o problema hoje não são apenas as tentativas, diagnosticadas por Dewey na sua época, de usar a democracia (como fim) contra a democracia (como meio). Trata-se, agora – e isso é muito mais difícil de perceber – de usar a democracia (como meio) contra a democracia (como-meio-que-é-o-próprio-fim), não confrontando os meios democráticos, substituindo-os por meio violentos (como faziam a extrema-direita e a velha esquerda revolucionária) e sim esvaziando esses meios de sua substantividade enquanto se mantém a sua casca, a sua liturgia, a sua ritualística formal. O mal em política hoje não está na introdução de práticas de guerra (reacionária ou revolucionária) que substituam as práticas não-violentas que caracterizam a democracia e sim na perversão da política como "arte da guerra" (ou como 'continuação da guerra por outros meios': a fórmula inversa de Clausewitz), mantendo-se os mesmos meios, ditos pacíficos, porém não pazeantes das relações políticas, gerando um clima adversarial que vinca as sociedades de cima a baixo por falsas contraposições entre elites e povo, entre conservadores e progressistas, entre direita e esquerda, como fazem – cada qual a seu modo – tanto Chávez, quanto Evo, quanto Lula. É claro que, a partir de certo momento, esse modo de perverter a política e parasitar a democracia acabará tendo que restringir mais abertamente as liberdades. Mas se ficarmos esperando tal momento em que eles avançarão o sinal da legalidade (ou da imagem justificável de legitimidade), já será muito tarde para reagir e, inclusive, para resistir.

A principal ameaça à democracia hoje é o neopopulismo. Os democratas devem, portanto, centrar agora todas as suas energias no combate ao neopopulismo, em todas as suas formas, inclusive naquela que é a mais safada de todas e a mais difícil de ser desmascarada porquanto mimetiza as formas de corrupção endêmicas à política tradicional como estratégia para degenerar as instituições e tomá-las por dentro: a lulista.

QUE FALTA QUE FAZ A INTELIGÊNCIA!

É incrível! As oposições estão caindo na armadilha de discutir a culpa dos controladores de vôo quando o centro - político - da questão seria discutir a incompetência do governo, o aparelhamento da ANAC e a corrupção da Infraero. Alguns se deixaram possuir pela problemática - ideológica - envolvida no acordo sindical do governo com os controladores e ficam debatendo coisas como quebra da hierarquia e da disciplina. Sim, houve quebra do regulamento militar, mas esse não é o problema principal. O caos aéreo tem muitas causas - vejam a nota abaixo - e agora o governo, mais uma vez com a colaboração da oposição, vai conseguir se eximir de suas responsabilidades concentrando as atenções gerais na insubordinação dos sargentos da Aeronáutica! O líder do governo, já deu a tônica: agora está provado, disse ele, que a CPI do Apagão Aéreo era mesmo desnecessária, pois tudo não passava de uma sabotagem dos controladores de vôo. Isso não é verdade, mas tem lá sua verossimilhança, que aumenta muito com a ajuda da mídia e das oposições... Ora, façam-me o favor: burrice tem limite!

Vôo cego

Desmentidos, esparrelas, tergiversações e recuos têm marcado a atitude presidencial em diversas situações de crise.
"SE QUEDEN tranquiles". Pronunciada em tom jocoso, e num castelhano menos castiço que o seu português, a frase do presidente Lula inspira tanta confiança quanto as informações de um comissário de bordo numa empresa aérea dirigida por Cantinflas.

quinta-feira, abril 05, 2007

PERÓN: SUPERMACHISTA, DELETANDO EVITA E EXALTANDO ISABELITA, QUE ENFRENTA HOJE UM MANDADO DE PRISÃO!

O escritor Tomas Eloy Martinez o entrevistou - com gravador - em 1970 e conta em sua coluna de 20/01/07 passagens desta entrevista e as "relações" com Evita - sua concorrente e Isabelita - sua dócil companheira. Trechos.

Isabel, la mejor discípula

1. El sábado 28 de marzo de 1970, cuando llegaban a su fin mis cuatro días de conversaciones con Juan Domingo Perón, en los que el exiliado de 75 años me permitió grabar la historia de su vida, me atreví por fin a formularle la observación que había tenido todo el tiempo en la punta de la lengua: "¿Se da cuenta, general, de que Evita está ganándole la batalla de la historia?". Tal como lo esperaba, Perón se encrespó. En la grabación se lo oye golpear su escritorio de la quinta 17 de Octubre, situada en las afueras de Madrid. Las tazas de café tintinean, las cucharitas vuelan por el aire. El tiempo no ha borrado el disgusto de Perón, que está todavía allí, en las cintas.

2. El viejo general no podía pasar por alto el desafío: "Eva fue un producto mío", dijo con voz ronca. "Yo la preparé para que fuera lo que fue. En la mujer hay que despertar las dos fuerzas extraordinarias que son la base de su intuición: la sensibilidad y la imaginación. Cuando esos atributos se desarrollan, la mujer se convierte en un instrumento maravilloso de la voluntad del hombre. Claro, es preciso darle también un poquito de conocimiento. De otro modo, no sirve ni para los menesteres".

3. Isabelita pasava. "Vea, general: esta sí que es una mujer hecha y derecha. De acero para obedecer sus órdenes y llena de ternura cuando se le tocan los sentimientos". Era una alusión clarísima al carácter intransigente de Evita, a la cual Perón acababa de llamar "fanática y sectaria, incapaz de transar con lo que no es peronista".

4. "He tenido muchos discípulos en la vida", respondió. "Ninguno ha llegado tan lejos como Isabel (ao lado foto atual) en el aprendizaje de la conducción. En cada tarea que le he encomendado ha hecho las cosas muy bien. Tiene inteligencia e instinto, y a mi lado ha ido adquiriendo una habilidad para mandar mejor que la de los políticos profesionales".

Complemento deste Blog: Perón morava em um casarão em Madrid. No sótão estava o corpo de Evita esperando a volta para ser definitivamente sepultado em Buenos Aires. “El brujo” Lopez Rega (depois ministro de Isabelita que criou um grupo de terror que assassinava opositores e que morreu na prisão em Buenos Aires em 1984) e Isabelita tinham sessões quase diárias junto ao corpo de Evita. Isabelita penteava seus cabelos sob a regência "del brujo" de forma a atrair o magnetismo de Evita para si. Gabriel Garcia Marques não ficcionaria tão longe.

quarta-feira, abril 04, 2007

TV PT (DA SÉRIE "SOMOS LOUCOS PELO LULLA")

SAIU A PROGRAMAÇÃO DA REDE PÚBLICA DE TV
Acaba de ser divulgada a programação da Rede pública de TV:

6:30 MST Rural - Apresentação José Rainha e João Pedro Stédile

7:00 Quatro Dedos de Prosa - papo-cabeça com o Presidente Lula;

8:00 Moda Brasil - Apresentação Marisa Letícia, hoje com episódio sobre bolsas (família, esmola, bandido, etc);

9:00 Turismo Sexual - Com a sexóloga/ministra Marta Suplicy.

10:00 Filme: Apertem os Cintos, os Controladores de voô, as companhias aéreas e até o aeroporto sumiram - estrelando Valdir Pires e Grande Elenco;

12:00 PAC man - Estrelando Guido Mantega;

13:00 Casos de Polícia: Com Roberto Jefferson, José Dirceu, Delúbio Soares, Antônio Pallocci, o Churrasqueiro, etc, etc, etc.

14:00 A Escolinha do Professor Luizinho - Com o próprio;

15:00 Filme: Querida estiquei o PIB - com o ganhador do "oscar" - Lula da Silva

17:00 Sessão Contos de Fada: Episódio de hoje: "Nunca na História desse País" - Narração - Lulinha paz e amor

19:00 Pequenas Empresas Grandes Negócios - como ficar milionário em um mandato - A incrível História do monitor de Zoológico que se tornou mega-empresário do dia para a noite - Estrelando: Lulinha

19:30 "O gás acabou" com Evo Morales

20:00 Jornal Sensacional

21:00 Novela: "Páginas do Diário Oficial"

22:00 Filme: "Os bom companhêro" - Com Lula de novo

23:00 Mini-série: Voltas ao mundo em 8 anos;

00:00 Filosofando - Apresentação, Luís Inácio

2:00 Filme: "O Estado Sou Eu - A história de Luís XIII do Brasil" - Estrelando: é Lula de novo.

4:00 MST na madrugada - ao vivo do pontal do Paranapanema

"TV DO EXECUTIVO - 24 HORAS NO AR"
(quer dizer, se não houver pobrema com os controladores de voô)

FRASE DO DIA!

Os pobrema nos aeroporto é passajero!

AMÉRICA LATINA: ENSINO UNIVERSITÁRIO, MUITO, MUITO LÁ EMBAIXO! E O BRASIL?

Coluna de Rosendo Fraga em La Nacion do dia 24 de janeiro de 2007. Resumo.

01. O ranking mundial de Universidades realizado pelo diário The Times mostra apenas uma Universidade da América Latina entre as 200 melhores do mundo. É a Universidade Autônoma do México, que ocupa o lugar 74 (é isso mesmo setenta e quatro). Depois, no lugar 500 aparece a Universidade Austral da Argentina, seguida depois pelas Universidades Católicas do Chile e do Peru. Só as Universidades Africanas ficaram em lugar pior que as latino-americanas.

02. As Exportações da América Latina alcançaram 650 bilhões de dólares em 2006, graças à valorização das matérias primas. As Exportações da Bolívia cresceram 46%; do Peru 37%; do Equador 27%; da Venezuela 26%; do México 20%; do Uruguai 20%; do Brasil 16%; da Colômbia 15%; da Argentina 14% e do Paraguai 13%.

03. Entre 1980 e 2002 a América Latina cresceu 2,2% ao ano. Há três anos cresce mais que 4% e ano passado cresceu 5,3%. O maior crescimento foi de Cuba com 12%. Depois Venezuela 10%, e em terceiro Argentina com 8,5%. Uruguai, Colômbia e Peru cresceram acima da média. Bolívia e Equador cresceram 5%. México cresceu 4,8%. O crescimento mais baixo foi o do Brasil com 2,8%.

04. A Indigência - menos de 1 dólar diário por pessoa - alcança 14,7% da população ou 79 milhões de pessoas. Em 2005 havia sido 15,4% caindo, portanto 0,7%.

05. A penetração da Internet em toda a região alcançou no fim de 2006, 16% da população. É exatamente a média mundial, mas os paises mais pobres da Ásia aumentam a penetração da Rede em forma mais acelerada.

segunda-feira, abril 02, 2007

SUICÍDIOS!

Quem ler as estatísticas de suicídio na Suécia, não se espante. Lá, sempre que alguém descumpre as leis ou normas e morre por isto, as estatísticas chamam de suicídio. Por exemplo, as mortes por acidente de trânsito quando configurado excesso de velocidade, ou ultrapassagem em ponto proibido ou... são classificadas como "suicídios". E - de certa forma - são mesmo.

domingo, abril 01, 2007

COMUNICAR NOS DIAS DE HOJE!

Este Blog já resumiu aqui artigos que tratam da queda de produtividade na comunicação através dos meios tradicionais. Num deles, o autor falava da morte do comercial de 30 segundos em TV.
Meio & Mensagem publica um texto de Regina Augusto tratando desta questão crucial, especialmente para a comunicação política, onde os comerciais e programas de TV estão tendo hoje baixíssimo retorno e mínima memorabilidade. Seguem trechos.

1. A Procter & Gamble, segundo maior anunciante dos Estados Unidos, com investimento na casa dos US$ 4 bilhões em 2006, passou recentemente o seguinte briefing às suas agências globais: como construir marcas sem o uso da mídia tradicional. No início do mês, Jim Stengel, chief marketing officer da P&G, foi enfático em sua palestra na conferência da American Association of Advertising Agencies (4As) ao reforçar a necessidade de novas formas de aproximação com o consumidor.

2. Ele diz que o trabalho de comunicação realizado pelas quase 300 marcas da P&G da maneira tradicional ainda funciona muito bem, mas admite que não há como negar que as alterações no cenário impõem meios diferenciados de abordagens mercadológicas — o que demonstra que o ritmo das mudanças não é captado tão rapidamente como se deseja e se propala.

3. Além disso, está claro para companhias do porte da P&G que, quanto mais próximas estiverem de sua base de consumidores, mais terão de ceder o controle. Esse é um grande desafio para as marcas que historicamente, ao longo do século passado, comandaram essa relação.

4. Com o surgimento da internet e a proliferação dos blogs e das redes sociais, os indivíduos estabelecem uma teia de relacionamentos, independentemente do consentimento das empresas. E é justamente essa capacidade de trocar mensagens entre si com grande velocidade, em uma escala sem precedentes, que deslocará para os consumidores o eixo de domínio das ações de comunicação das marcas.

5. Fica evidente que a gigante mundial de bens de consumo ainda não sabe quais são os caminhos mais eficientes para alcançar o público nesse novo panorama. E passou a bola às suas agências, em uma nítida demonstração de que este é um jogo que necessita, mais do que nunca, de um trabalho a muitas mãos para obter soluções eficazes e surpreendentes, pois não há referências para isso. A construção dessa estrada de relacionamento entre marcas e consumidores na era do colaborativismo tem como ponto de atração o fato de subverter algumas ordens e hierarquias das idéias.

COMO É A LICENÇA MATERNIDADE PELO MUNDO!

ALEMANHA. 14 semanas com salário integral.
ARGENTINA. 13 semanas com 60% da remuneração.
ÁUSTRIA. 16 semanas com salário integral.
BÉLGICA. 15 semanas com 82% da remuneração.
BRASIL. 16 semanas com salário integral.
CANADÁ. 17 semanas com salário integral.
CHILE. 18 semanas com salário integral.
CUBA. 18 semanas com salário integral.
ESPANHA. 16 semanas com 75% da remuneração.
EUA. 12 semanas sem vencimentos.
FINLÂNDIA. 15 semanas 80% da remuneração.
FRANÇA. 16 semanas com 84% da remuneração.
HOLANDA. 16 semanas com salário integral.
ISRAEL. 12 semanas com 75% da remuneração.
ITÁLIA. 14 semanas com 80% da remuneração.
JAPÃO. 14 semanas com 60% da remuneração.
MÉXICO. 12 semanas com salário integral.
NORUEGA. 18 semanas com salário integral.
NOVA ZELÂNDIA. 14 semanas sem vencimentos.
PORTUGAL. 12 semanas com salário integral.
SUÉCIA. 68 semanas a serem divididas entre mãe e pai.
URUGUAI. 12 semanas com salário integral.