segunda-feira, março 12, 2007

EQUADOR! CAOS INSTITUCIONAL! A SITUAÇÃO MAIS GRAVE DE AMÉRICA LATINA!

01. As instituições de estado equatorianas pouco existem e há bastante tempo. De nada valeram as convocações anteriores de constituintes. Pouco tempo depois eram ignoradas pelos poderes. Nos últimos 10 anos caíram vários presidentes. A lista começa com o histriônico Bucarán e segue. A vice não assume e o presidente da câmara de deputados Fabian Alarcon dá um golpe e assume o poder. Convoca uma constituinte. No governo seguinte Alarcon é processado e preso por corrupção.

02. Quando parecia que a situação estabilizaria com Mauhad - por seu preparo intelectual - seu governo desintegra e ele renuncia. Na eleição seguinte Gutierrez, um militar que tentara um golpe antes, vence. Algum tempo depois substitui o supremo tribunal e termina caindo.

03. Na eleição do final de 2006 vence Rafael Correa. Ministro técnico do governo tampão anterior, descobre em pesquisas o nicho do discurso chavista e vence as eleições sem eleger um só deputado.

04. Chama uma constituinte sem passar pelo congresso ou por plebiscito em acordo com o TSE. Os deputados derrubam e o TSE cassa o mandato dos deputados que votaram contra o plebiscito. Ontem os deputados voltaram à câmara dos deputados, mas a polícia não apenas os impediu, como os reprimiu com extrema violência. A fragilidade de um STF que foi fechado pouco tempo atrás, a inexistência de servidores e carreiras estáveis (todos - absolutamente todos), são contratados por tempo determinado e ao começo de cada governo seus contratos terminam e são substituídos ou recontratados... são exemplos da fragilidade institucional.

05. Não se sabe ainda como se comportará o exército. Tudo é imprevisível! Tudo! Aliás, quase tudo. Resta o fato do Equador ter sido oficialmente dolarizado e o dólar é a única moeda que circula. Essa é - paradoxalmente - a única âncora do Equador contra o caos econômico, num quadro de caos político.

PRESIDENTE RAFAEL CORREA PROPÕE INSURREIÇÃO!
E no melhor estilo autoritário ataca a imprensa!

Rafael Correa pediu que se intensifiquem as mobilizações populares a partir desta segunda-feira, a fim de "notificar à oposição de direita que a cidadania não aceitará o bloqueio à Assembléia Constituinte". Mais especificamente: "El lunes a las calles a marchar, a demostrarle a los medios de comunicación vendidos a grupos de poder, a las mafias políticas defenestradas por el Tribunal Supremo Electoral que no hay punto de retorno, que no vamos a soportar más abusos, pero en forma pacífica".

Ao mesmo tempo, fez duras críticas aos meios de comunicação, que em 80% estão contra o Governo, enquanto 80% da população se mostram a seu favor. Tais meios o estariam "metendo num mesmo saco que o Parlamento", o que seria "totalmente injusto, inoportuno, imoral e parte da corrupção também".

Brasil: País do Presente

A síndrome de nação do futuro alimenta o nosso imaginário popular desde que Stefan Zweig, pelos idos dos anos 40, publicou a obra ''Brasil - País do Futuro''. O civismo de muitas gerações se nutriu desse jargão ufanista.
No crepúsculo dos sonhos surgiu um alento. Em 2003 - em forma de acrônimo cunhado pelo grupo Goldman Sachs surgiu o termo BRIC ''utilizado para designar o Brasil, Rússia, Índia e China'' os quatro países de maior potencial de crescimento econômico, projetando-se as próximas décadas.

A China, com o seu crescimento colossal, acompanhada da Rússia e Índia, vem seguindo o vaticínio lançado pelo mencionado banco de investimento norte-americano.

Lamentavelmente, o Brasil, estagnado economicamente há mais de duas décadas, caminha a passos largos para ser alijado do BRIC.

Em que pese a incapacidade de gerar desenvolvimento sustentável, o nosso País é dotado pela natureza de fatores inesgotáveis para enfrentar desafios e gerar riqueza. Há cinco séculos, desde 1549, quando Tomé de Souza implantou o primeiro governo geral na Bahia, a então nascente colônia portuguesa gerou o primeiro ciclo econômico virtuoso, expressado na agricultura da cana de açúcar.

Cinco séculos depois, a cana de açúcar volta a ter importância estratégica para a economia nacional. O Brasil é o maior produtor mundial de etanol, proveniente da cana de açúcar, com nível de eficiência superior em até seis vezes ao etanol gerado pelo milho, trigo e outros bens primários que os Estados Unidos de forma pioneira expandiram, a partir de política interna de privilégios e subsídios oferecidos aos agricultores norte-americanos.

O etanol brasileiro nasceu na década de 70, empreendendo autêntica revolução energética no cotidiano dos brasileiros. Em meio a crise do petróleo da década de 70 - o Brasil fortemente afetado - o governo brasileiro alterou a nossa matriz energética. Nascia então o Pró-Álcool, programa concebido para abastecer a frota nacional de veículos, tendo como carro-chefe o combustível oriundo da cana de açúcar.

Infelizmente, nas décadas seguintes, o programa foi sendo gradativamente desativado, a partir de sucessivos equívocos perpetrados pelos mais diferentes atores envolvidos na questão. Todavia, foi a ausência de diretriz governamental na definição de garantia de abastecimento para os veículos que levou milhões de brasileiros a rejeitar o carro a álcool. Os grandes produtores, por sua vez, adequavam as suas usinas à conjuntura dos preços internacionais, ou seja: se a cotação da tonelada de açúcar exportado era maior, porque produzir álcool? Foi o tiro de misericórdia no Pró-Álcool.

Em boa hora, reflexo da atual consciência ambiental, o etanol, por ser um combustível limpo e antipoluidor, ganhou importância mundial, ''surfando'' na onda da busca de combustíveis alternativos ditada pela estratégia global de desenvolvimento.

Nesse cenário, o Brasil desfruta de posição privilegiada. Contudo, se não definir o quanto antes política energética séria e enérgica na defesa dessa riqueza nacional, poderá ser atropelado. Não se trata de nenhuma tese conspiratória, mas de constatação baseada em dados de realidade. Na guerra da energia que já começa a ser travada e se alargará pelos próximos anos, o Brasil precisa ser ator ativo e não mero figurante.

Outra frente, na qual despontamos na vanguarda da pesquisa de combustíveis alternativos, é o biodiesel. Nesse caso, há se de ressaltar o notável trabalho da Petrobras, que há décadas traçou objetiva estratégia: não ser apenas uma petroleira, mas uma sólida empresa de energia. Ao longo de anos vem estudando e pesquisando outras fontes produtoras e geradoras de energia a partir da agricultura. O biodiesel brasileiro tem aí a sua origem. Essa estratégia impediu que o Brasil fosse atropelado ante a descoberta de diversas fontes de produção de biodiesel.

Se o programa do biodiesel for implantado com eficiência e competência técnica, poderá suplantar a importância do próprio etanol. O fato objetivo é que são dois vetores novos no cenário energético mundial onde a situação brasileira é, sob qualquer ângulo, extremamente privilegiada. É hora de lançar as bases do Brasil do presente, abandonando a quimera do futuro.


Senador Alvaro Dias - vice-presidente do Senado Federal

O FILÓSOFO JEAN BAUDRILLARD

NA ECO-RIO-92 EM ENTREVISTA, FALAVA DO BRASIL! 15 ANOS DEPOIS, NÃO PODERIA TER ACERTADO TANTO! PELO MENOS NA POLÍTICA!

Folha de São Paulo
. Caderno MAIS.

PERGUNTA - Você vê a questão da hiper-realidade no Brasil?
BAUDRILLARD - Eu não vejo o Brasil como um país hiper-real. Não é como a Califórnia, a América do Norte. Talvez porque o Brasil ainda não tenha passado pelo princípio de realidade, não pode se tornar hiper-real, porque o hiper-real é mais que o real, um tipo de confusão entre o real e o imaginário. Tem-se a impressão de que não existe um princípio de definição da realidade. É bem uma espécie de país de ficção, mas não de ficção de transparência. Tenho a impressão de que o Brasil está mais próximo do jogo da ilusão, da sedução, dessa relação dual, mas confusa.

PEQUENOS JORNAIS PODEM ENTRAR POR FLUXOS DE OPINIÃO EM EXPANSÃO E ACELERÁ-LOS... E MULTIPLICAR-SE!

The Washington Post.
Se há alguma notícia boa em relação ao negócio de jornais, ela pode ser encontrada nos menores jornais do ramo, mesmo com o naufrágio de seus irmãos maiores. A circulação de todos os jornais dos EUA declina desde 1987. Os jornais menores ("small papers", no original - RV), no entanto - diários e semanários de comunidades, com menos de 50 000 exemplares - , tem se constituído num farol brilhante, em uma indústria obscurecida. Assim como a Internet transforma dramaticamente os jornais maiores, muitas publicações menores resistem ao declínio com relativa facilidade e algumas estão inclusive, prosperando. Elas tem uma concorrência mais reduzida, empregam equipes menores com salários mais baixos e têm uma devoção zelosa às notícias locais, tanto as impressos como as online, segundo os experts. Entre 413 jornais do grupo de pequenos, 105 ganharam, em 2005, uma circulação mais ampla.

sexta-feira, março 09, 2007

URUGUAIOS QUEREM TLC COM EUA!

Clovis Rossi - Folha de São Paulo

Outra pesquisa é ilustrativa a respeito: no Uruguai, Bush tem apenas 12% de aprovação, mas 59% dos uruguaios querem um acordo de livre comércio com os EUA, inclusive a maioria dos simpatizantes da Frente Ampla, a coalizão esquerdista que governa o país. Traduzindo para o popular: gritemos "abajo los gringos", mas agarremo-nos ao portentoso mercado da única superpotência.

quinta-feira, março 08, 2007

O "corno" do ano!

Isto é que é marido compreensivo!
Clique na imagem para poder ler melhor a matéria.

quarta-feira, março 07, 2007

O aggiornamento tucano e a "refundação" do PT: mais ou menos a mesma coisa

A VEJA que saiu em 14/02/07 tem uma matéria de Otávio Cabral sobre o PSDB, intitulada "Em crise de identidade". É um texto correto e ameno, com o subtítulo: "Depois de ajudarem o PT a ganhar o comando da Câmara, os tucanos não sabem qual rumo seguir". O jornalista "pegou leve" mas, mesmo assim, não deve ter agradado muito a tucanos e adjacências (inclusive a seus críticos mais ácidos que parecem estar dando um tempo para ver se o PSDB consegue se arrumar). O subtítulo correto deveria ser: "Depois de ajudarem o PT a sair da crise, salvar Lula do naufrágio etc. etc. etc. e, ainda por cima, apoiarem o pior presidente que a Câmara poderia ter... alguns tucanos sabem muito bem qual o rumo a seguir [manter rigorosamente o mesmo comportamento vacilante, leniente, conivente e colaboracionista, para emplacar seus projetos pessoais de poder, é claro!], enquanto que outros continuam perdidos". Mas vamos então aguardar para ver no que dará o aggiornamento tucano sob a batuta de Tasso Jereissati, aquele que confessou na TV que poderá votar em um candidato adversário do seu próprio partido. Tudo indica - até agora, pelo menos - que tal intenção tucana terá um desfecho semelhante ao da "refundação" tarsista-marqueteira do PT. Quem conhece o assunto, se ainda tiver dois neurônios funcionando, está careca de saber que não adianta reciclar o chamado Partido da Social Democracia Brasileira: tem que mudar os fundamentos sobre os quais ele foi construído e, inclusive, a sua natureza de frente de personalidades, inadequadíssima para a disputa política nos tempos que correm.

PT e PSDB são irmãos siameses?
O que muda em cada um desses partidos hermanos é apenas o estilo. Enquanto FHC freqüentava o luxuoso Circuito Elizabeth Arden, vestindo becas às pencas em universidades européias, Lula prefere percorrer a Trilha Ho Chi Minh do populismo terceiro-mundista. FHC descascava charutos com Bill Clinton, obviamente, nos intervalos entre uma e outra "descascada" de charuto feita por Mônica Levinsky. Lula descasca charutos com Fidel Castro. FHC e Dona Ruth freqüentam bibliotecas. Lula e Dona Marisa só freqüentam palanques eleitorais, Lula não consegue ler um livro sequer, o máximo que faz é folhear algumas páginas dos livros que recebe de presente, como ele próprio já declarou. FHC formou-se na USP. Lula, no Senai. FHC financiava o MST, via Incra, deu um Paraná inteiro aos revolucionários comunistas do Sr. João Pedro Stédile. Lula continua financiando o MST via Incra, sorri para os fotógrafos vestindo o boné do cangaço moderno, com apoio total do ministro das Invasões, Sr. Miguel Rossetto. FHC indenizou terroristas e familiares, a exemplo de Lamarca e Marighela. Lula continua indenizando terroristas e familiares, e simpatizantes, como o escritor Carlos Heitor Cony, que recebeu, de uma tacada só, R$ 1,5 milhão, além de uma mesada mensal equivalente ao salário de ministro do STF, o maior permitido no serviço público. FHC passava seus feriados na Ilha de Marambaia. Lula também começou a passar suas férias na Marambaia, depois que começou a campanha para a reeleição, para dar sorte. As denúncias contra o governo FHC envolviam pivetes. As denúncias contra o governo petista comprovaram a existência de uma verdadeira máfia, atuante nas estatais e fundos de pensão, beneficiando muitas famiglias, a começar por Lulinha e os R$ 15 milhões recebidos da Telemar. FHC citava Max Weber. Lula cita sua mãe, aquela que 'nasceu analfabeta'. FHC gosta de tomar champanha e whisky on the rocks. Lula prefere engolir uma cachaça ou um mojito cubano junto com um churrasco fumegante.

FELIPE GONZÁLEZ -UM TANTO DESESPERANÇADO COM A AMÉRICA LATINA, NUM ARTIGO DIA 2 DE MARÇO DE 2007: "UTOPIAS REGRESSIVAS E DEBATES AGRESSIVOS!" trechos.

01. O debate em iberoamerica vai pelo caminho da aspereza, sobrecarregado de apelações desqualificadoras.

02. O debate se dá como uma confrontação falsamente ideológica. Seria do maior interesse uma reflexão sobre os projetos transformadores da realidade para lutar contra a desigualdade, não apenas como um problema ético, mas como lastro para o desenvolvimento. Ou sobre a deficiência que se suporta no campo das novas tecnologias com carências básicas na formação do capital humano. Ou sobre a energia como elemento de integração regional e de desenvolvimento a médio e longo prazos.

03. Com poucas exceções, há que se colocar como prioridade a melhoria do funcionamento das administrações publicas como um fator decisivo para a modernidade.

04. Um processo decisório previsível, transparente e eficiente, nos prazos e trâmites, se converteria em um grande estímulo para gerar confiança cidadã, e confiança dos atores econômicos internos e externos. Aumentar a credibilidade de nossos sistemas democráticos depende, em grande medida, da transformação do que se chama discricionalidade do poder, que em muitos casos é arbitrariedade, em um sistema com regras fáceis de se identificar, aliviando a vida dos cidadãos em quaisquer das suas relações com as administrações públicas. Trata-se de melhorar a qualidade da democracia.

A FARSA DO TÉRMINO DAS FILAS DO INSS!

O INSS implantou o agendamento telefônico para acabar com as filas nas suas agências. Conheça este depoimento e veja como funciona o serviço.

"Tentei durante todo o mês de dezembro realizar um agendamento telefônico no INSS. Não consegui contato. Em janeiro consegui. Marcaram para Maio. Ou seja 5 meses depois. Assim fica fácil acabar com as filas... Não atendem mais ninguém... Antes esperávamos umas 5 horas, mas éramos atendidos no mesmo dia. Agora temos que esperar 5 meses para resolver um problema de aposentadoria."

CHINA: NÚMEROS AMBIENTAIS! EL PAÍS - Espanha - DE HOJE!

"A fatura meio-ambiente, sem embargo, tem sido da mesma magnitude. Um terço do território está afetado pela chuva ácida. 70% dos rios estão contaminados. Dois terços dos resíduos líquidos urbanos, não são tratados. 300 milhões de pessoas não tem acesso a água potável. 400 mil pessoas morrem prematuramente a cada ano, em função da poluição do ar."

IRÃ: APRODUNDA-SE A INSTABILIDADE INTERNA!

"A República Islâmica fez mais progressos ao tempo do Imã Khomeiny – que sua alma repouse em paz – do que recentemente! Nós não deveríamos jamais estar com a equipe atual. É um sinal de que nós nos distanciamos dos objetivos reais da revolução e do Imã”.

Essa declaração acaba de ser feita por um dos 14 Aiatolás mais respeitados no Irã, Youssef Saanei, numa crítica sem precedentes ao Presidente Mahmoud Ahmadinejad. Fala ainda de “demagogia”, de “incapacidade” e de “promessas econômicas não cumpridas", ironizando ainda o aumento no preço da gasolina no Irã. Fala também de “direitos do homem e da mulher", que progrediam antes do novo Governo. Por fim e sobretudo, ele se refere ao “dossiê nuclear”. Este antigo companheiro do Aiatolá Khomeiny, investe contra “os slogans, que estão aqui, como nos EUA, para uso interno”, que “concorrem para a má imagem externa do Irã” e que “são capazes de comprometer nossa posição”, pois “não temos nada a ganhar com o isolamento internacional”. Foi a mais dura crítica jamais desferida contra o poderoso Chefe de Estado do Irã. Pode provocar o começo de sua queda e, assim, uma solução para evitar uma nova guerra no Oriente Médio.

DISCURSO DO EMBAIXADOR GUAICAÍPURO CUATEMOC

Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc (foto), de ascendência indígena, defendendo o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A conferência dos chefes de Estado da União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.

Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país ,com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.

Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação?

Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar :

Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo.

No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros , seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a Verdadeira Dívida Externa.

Agora resta que algum Governo Latino-Americano tenha a dignidade e coragem suficiente para impor seus direitos perante os Tribunais Internacionais.

Os europeus teriam que pagar por toda a espoliação que aplicaram aos povos que aqui habitavam, com juros civilizados.

Publicado no Jornal do Comércio - Recife/PE.

terça-feira, março 06, 2007

As águas turvas da Nestlé

Há alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões.
As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos. Mas o poder dessas águas permanece.
Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente.
A desmineralizaçã o de água é proibida pela Constituição.
Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação.
Em outras palavras, a PureLife é uma água química.
A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental,expondo a saúde da população a riscos desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido.
Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação.
Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada,inclusive estâncias minerais de outras localidades.
Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual. E finalmente obteve essa licença no início de 2004.
Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ong verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.
Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço.
No dia seguinte, o governo de Minas (PSDB), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé. Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso. Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão.
Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca.
Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço.
Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro.
A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero.
E qual é a real participação da Nestlé no programa? A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento.
Sim, a famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores para a substituição de leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.
A vendedora de leites e papinhas "substitutos" estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação. Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralizaçã o "parcial" das águas. O que é isso? Como será regulamentado?
Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar a tal desmineralizaçã o "parcial"? Além do que,"parcial" ou "integral", a desmineralizaçã o é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo.
E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé?
O que nós cidadãos ganhamos com isso?
Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água. É para essas empresas que o governo governa?

PS: Mais informações sobre o caso Nestlé, clique aqui.

segunda-feira, março 05, 2007

SEMPRE NA CONTRA MÃO

DESDE O BRASIL COLÔNIA
O Brasil, ao longo de todos os seus governos, desde a instalação do Governo Geral, em 1549, se caracterizou por um comportamento incrivelmente retrógrado: sempre deixou de tomar atitudes corretas que viessem a propiciar um contínuo crescimento e desenvolvimento. E, quando ainda faz algo é só para impedir qualquer avanço importante.
PERSISTINDO NA BURRICE
O curioso, para não dizer absurdo, é que governos de vários países bem sucedidos já adotaram sistemas inteligentes e adequados, nas áreas fiscal e tributária, e nem assim nos dignamos a copiar os feitos. Continuamos, lamentavelmente, persistindo com a burrice exemplar de quem adora viver no terceiro mundo.
NO DESTINO
Exemplo: Para não onerar a indústria com tributos sobre o consumo, a lógica, já praticada em vários países, determina que impostos desta ordem devem ser cobrados no destino. Ou seja, a incidência ocorre onde qualquer produto ou serviço é consumido. Além de facilitar a fiscalização arrecadadora de impostos, estimula quem se dedica a fabricar produtos.
UMA QUESTÃO DE LÓGICA
Agindo desta forma, os estados passariam a se esforçar muito mais para atrair empresas que têm como finalidade um maior aumento de empregos e da renda dos seus colaboradores. Com isto, os governos estaduais estariam propondo um aumento do consumo, que por sua vez significam mais impostos para os caixas dos tesouros estaduais.
ÚNICA PREOCUPAÇÃO
Esta lógica, infelizmente, está totalmente fora da cabeça dos nossos governantes. O que eles querem mesmo é continuar disputando novas empresas, visando com isto mais impostos e não postos de trabalho. Tudo porque vivem com uma única preocupação: pagar a folha de seus funcionários.
REPRESENTANTE DAS CORPORAÇÕES
Os governantes, por vicio, jamais demonstram preocupação com a folha de pagamento da significativa maioria da sociedade de seus estados. Governante, aqui no Brasil, é, em última análise, um forte representante das corporações de servidores.
FORA DA AGENDA
Como estamos às vésperas de mais uma reunião do presidente Lula com os governadores, uma coisa já é sabida: qualquer discussão, ou proposta, que possa fazer do Brasil um país mais alinhado com um mundo moderno, os governadores não admitem que se fale. Estamos ferrados.

quinta-feira, março 01, 2007

QUEM ESTÁ EM CRISE?

CHINA E EUA
Bastou a queda do índice da Bolsa de Xangai, e a revelação do baixo crescimento do PIB no último trimestre americano, e os aprendizes de feiticeiros já saíram propagando notícias sobre crises em curso na China e nos EUA. A mídia mais sensacionalista, por questão de coerência, também não perdeu tempo. Detonou.
CHINA EM CRISE?
Antes que todos comecem a repetir estas besteiras é bom lembrar que, embora nenhum país esteja livre de passar por dificuldades, decididamente não é o caso da China e dos EUA neste momento. A China tem como problema bem conhecido o excesso de crescimento e não o contrário. As tão faladas medidas, que estão sendo ainda discutidas por lá, são para tentar diminuir o ritmo do crescimento e não para enterrar a economia do país. Isto não é crise.
EUA EM CRISE?
Os EUA, também para buscar maior equilíbrio do crescimento do PIB aumentou a taxa de juros básica. E, naturalmente, os efeitos já deram os primeiros frutos no último trimestre. Ou seja, os instrumentos usados para conter a euforia americana já começam a mostrar resultados. Isto também não é crise.
O BRASIL ESTÁ EM CRISE!
Vamos passar para a nossa situação, a qual deveria merecer todas as manchetes: o nosso PIB não cresceu coisa alguma. Numericamente aumentou 2,7% na renda das pessoas e 2,9% na arrecadação de impostos. O que prova que o aumento da arrecadação de tributos foi maior do que o pequeno aumento de renda do povo. Isto é crise. Pesada.
FREIO PUXADO
Vamos mais adiante: o governo brasileiro não toma qualquer medida para conter euforia dos impostos e das despesas públicas. Prefere, como se vê, conter o crescimento do PIB, como vem fazendo nos últimos vinte anos. Ano após ano a sociedade é sempre engambelada com falsas promessas de crescimento. E o governo só puxa o freio com impostos e altas despesas, impedindo assim o tal crescimento prometido.
MÁS COMPANHIAS
Além disto continuamos embriagados ideologicamente pelos princípios comunistas de Cuba, Venezuela e Bolívia. Países estes que empobrecem seus povos na mesma velocidade com que cerceiam a liberdade dos seus cidadãos. Más companhias, lamentavelmente, reconfirmadas pelo ex-embaixador Roberto Abdenur, o que atesta, com clareza, todos os comentários dos críticos deste governo. Isto é crise. Das grossas.
ESTAMO EM CRISE
Além das más companhias ideológicas temos a companhia dos derrotados países cujo desempenho do PIB foram pífios: Haiti e São Salvador. Estes conseguiram ser piores do que o Brasil, o que está deixando muito contrariados os seus habitantes. Eles demonstram que podem admitir tudo nos seus governos menos perder para nós. Isto é mais do que crise. É o fim da picada. SOMOS NÓS QUE ESTAMOS EM CRISE! SÓ PORQUE QUEREMOS! VIVA A CRISE!