"Especialismo é saber-se cada vez mais de cada vez menos até saber-se tudo de nada; do mesmo modo que generalismo é saber-se cada vez menos de cada vez mais, até não se saber nada de tudo." (William James)
quarta-feira, novembro 12, 2008
"CIDADÃOS E CONSUMIDORES: AOS PRIMEIROS HÁ QUE CONVENCÊ-LOS, AOS OUTROS HÁ QUE SEDUZI-LOS!"
Trechos da entrevista do sociólogo Rafael Roncagliolo (ex-Le Monde Diplomatique, ex-Interviú) ao La Nacion.1. Em todo o mundo há uma crise de representatividade dos partidos. Os partidos políticos tradicionais se converteram em máquinas eleitorais que só funcionam quando há eleições. Isso é parte de uma mudança, na qual a relação cara a cara foi transformada em relações midiáticas. Isso justifica o ressurgimento, nos últimos anos, de uma política baseada em caudilhos.
2. Ao congressista não lhe interessa a repercussão do que diz no Parlamento, porque o que interessa é a repercussão do que diz no espaço midiático. Isso é, claramente, uma deterioração da ação do Congresso. Desapareceu a relação cara a cara com a célula partidária.
3. Não pode haver democracia se não existam instituições que estejam encarregadas do trabalho de representação política e que compitam por esta representação. Diz-se que os partidos funcionam como as garagens, porque apenas se retira o carro do estacionamento para competir e, depois, volta-se a guardá-lo...
4. As democracias na América Latina estão funcionando muito bem como democracias eleitorais. A democracia contemporânea nasceu com base no pressuposto de que os eleitores são cidadãos que precisam ser convencidos. Então, a democracia institui um mercado eleitoral, no qual os políticos fazem suas ofertas, que são suas propostas, e os cidadãos escolhem entre essas propostas. Este é o pressuposto básico da democracia.
5. As transformações tecnológicas dos últimos tempos determinaram que os eleitores não fossem considerados cidadãos, mas sim consumidores. A diferença é que, quanto aos cidadãos, é preciso convencê-los e, quanto aos consumidores, é preciso seduzi-los. Neste cenário, as ofertas dos políticos deixam de ser propostas e passam a ser mecanismos publicitários de sedução do eleitor. Isso destrói o pressuposto básico da democracia.
6. É óbvio que os candidatos não mais têm interesse sobre os temas a debater. Interessa a eles os aspectos formais do debate, como a luz, a ordem da exposição, os tempos e a disposição das câmeras. Ou seja, a vida política passou a ser controlada por novos especialistas.
7. Hoje, é preciso estar nos meios de comunicação de massa para existir. Os meios não têm êxito no momento de dizer quem ganha, mas sim ao estabelecer quais os que estão na competição. Pode-se dizer que os meios substituíram os políticos no papel de fixar a agenda. Então, não são mais dirigentes, voltados para oferecer uma direção aos cidadãos, mas sim dirigidos, no sentido de que o bom político é o que melhor interpreta as pesquisas e que faz o que o público pede.
8. Isso não significa que os meios de comunicação possam fazer o que quiser com a opinião pública, mas sim que alguns deles têm um papel desmedido. Os legisladores foram substituídos por líderes midiáticos em sua influência sobre a opinião pública. Por outro lado, não quero deixar de reconhecer a tarefa de fiscalização e de transparência que levaram a cabo os meios mais sérios em nossas democracias.
terça-feira, novembro 11, 2008
VEROSSIMILHANÇA E JORNALISMO!
Jean Daniel (foto), consagrado diretor do "Nouvel Observateur", escreveu artigo semana passada para o El País. Nele, comenta o caso de uma denúncia furada sobre o escritor tcheco-francês quando era jovem e a forma que a imprensa cobriu o caso. Abaixo trechos do artigo.1. “Meu único universo é a novela”, diz o escritor Milan Kundera. Mas nem mesmo assim conseguiu evitar a calúnia. Foi vítima dessa nova prática jornalística que consiste em colocar alguém debaixo de suspeita com uma manchete e uma fotografia. Há quase 60 anos – sim, 60 anos! – um jovem agente tcheco dos serviços secretos norte-americanos foi detido pela polícia em Praga. Segundo os arquivos, então controlados pelos serviços soviéticos e agora acessíveis a qualquer investigador, o homem que denunciou o espião não fora outro senão o escritor francês de origem checa Milan Kundera (foto abaixo), então com 21 anos.
2. Há três semanas, um semanário de Praga difundia este “descobrimento” e a ele
dedicava um número especial. A notícia correu como um rastilho de pólvora por todas as partes e, naturalmente, também pela França. O escritor a recebeu como disse então “como um soco na cara”. Kundera não sabia nada do assunto, sequer ouvira falar dele. Num comunicado, afirmou que tudo era falso. Nos dias seguintes, as personalidades mais eminentes do mundo literário francês e europeu manifestaram sua solidariedade para com Milan Kundera.3. Os jornalistas, que haviam tido notícia por primeira vez da informação acusadora, já conheciam tanto o desmentido do autor, quanto a emoção de seus pares. Isso os fez optar pela prudência. Mas por que essa prudência já não serviu para nada? Porque, segundo as novas práticas de nosso ofício, quando aparece uma manchete e uma fotografia incriminando uma personalidade, esta personalidade fica debaixo de suspeita. Não se afirma que a informação seja correta, mas se apresenta ela como possível e inclusive verossímil.
4. Nós, jornalistas, temos de nos ver todos os dias com este problema, e sempre da mesma forma. Vendemos verossimilhança. E, no reino do verossímil, a calúnia nunca perde vitalidade. A situação de Kundera não deixa de ser tristemente paradóxica. Depois de tudo, ele próprio antecipava em suas novelas os estragos da chamada “sociedade da transparência".
5. O escritor crê, e não deixa de repeti-lo desde que o assunto foi divulgado, na discrição e na privacidade da vida íntima. Pensa que se deve julgar uma obra por seu conteúdo e não pelo que se acredita descobrir na vida do autor. Kundera foge sistemática e furiosamente de todos os meios de comunicação. Eu digo que o caráter sistemático de suas negativas pode impacientar alguns. Milan Kundera teve a ingenuidade de pensar que, como havia renunciado de praticar o jogo da sobre exposição mediática, a discrição e o silêncio o protegiam.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Visões do medo
Os contornos e desdobramentos da crise financeira mundial em curso ainda constituem um enigma até mesmo para os mais abalizados analistas econômicos. Sua extensão e prolongamento são objeto das mais variadas interpretações e proguinósticos. Não se trata de divisar entre otimistas e pessimistas, mas há evidente dificuldade de mensurar os efeitos no médio e longo prazo dos reflexos dessa crise. O que se evidencia é o crescente temor que assola governantes e governados de todo o planeta. Não há vaticínio infalível e só o tempo poderá mostrar os verdadeiros efeitos na economia real.A postura da oposição no Congresso Nacional é de total apoio às medidas do governo que objetivem enfrentar a travessia difícil que se avizinha. Atribuir qualquer outra motivação seria leviandade. A propósito, não foi outro o comportamento do bloco oposicionista ao longo da gestão do presidente Lula. Jamais foi feita oposição ao Brasil.
Não podemos ignorar a magnitude da crise e, nesse ambiente de incertezas, o medo não deixa de povoar o inconsciente coletivo. A prontidão em prol da defesa dos interesses nacionais não pode ceder à tentação de escamotear a verdade ou transferir responsabilidades e eventualmente tentar capitalizar com fins eleitoreiros. Nesse momento, o palanque não é o lugar adequado para sediar o debate qualificado sobre as alternativas possíveis à crise que infelizmente já bateu a nossa porta.
A ação do Banco Central do Brasil tem sido correta e assegura a cota indispensável de equilíbrio e realismo em meio às turbulências enfrentadas. O pior dos mundos seria ignorar os dados de realidade. Inicialmente, o próprio presidente da República tentou "isolar" o Brasil da crise, a veia onírica sempre presente nas artérias do atual governo. O discurso mudou reconhecendo a gravidade do quadro, mas ainda existe controvérsia nas declarações oficiais. As pastas setoriais emitem sinais contraditórios, principalmente no tocante aos gastos de custeio.
Há sinais preocupantes. Segundo a Abdib - Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base - 324 grandes obras de infra-estrutura podem atrasar por escassez de crédito no País. É um canteiro de obras em construção ou já contratadas que corre o risco iminente de paralisia em razão da falta de crédito advinda da crise financeira internacional. As obras demandam aproximadamente R$ 90 bilhões para serem concluídas nos próximos anos.
Nesse contexto, é inaceitável que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financie obras de infra-estrutura no exterior, considerando que aproximadamente 70% do volume de recursos deverão sair desse banco de fomento.
Ratifico, mais uma vez, a nossa disposição de cooperar com o governo federal de forma transparente e sem subterfúgios. A população deve ser informada sobre o andamento da crise. Os esclarecimentos são necessários e qualquer tentativa de camuflar a verdade nessa hora deve ser rechaçada.
As reações humanas esboçadas nos momentos de crise possuem muitas facetas. Os artistas retratam com matizes diferenciados o que percebem no cenário da alma dos homens. Numa serigrafia da "dama das artes plásticas brasileiras", a pintora, gravadora e escultora Tomie Ohtake, intitulada "visões do medo", pertencente ao acervo do Senado Federal e que ornamenta uma das paredes de meu gabinete, o medo é retratado em cores fortes e previsíveis, mas surpreendentemente o verde que simboliza a esperança se sobrepõe e define o cromatismo. A visão da consagrada artista nascida no Japão e que adotou o Brasil como sua pátria nos leva a enxergar que, em meio a tantas dificuldades, há um horizonte de oportunidades a ser descortinado.
Senador Alvaro Dias - 2º Vice Presidente do Senado, vice-líder do PSDB
domingo, novembro 09, 2008
O heróico Soldado Mário Kosel Filho
Mário Kosel Filho (foto) nasceu no dia 6 de julho de 1949, em São Paulo. Filho de Mário Kosel, gerente da Fiação Campo Belo e Therezinha Vera Kosel. O Kuka, como era conhecido, cursava o antigo colegial, à noite, e fazia parte Grupo Juventude, Amor, Fraternidade, da Paróquia Nossa Senhora da Aparecida, em Indianópolis, que tinha como símbolo uma rosa e um violão e havia sido idealizado pelo Kuka.- Serviço Militar
Aos 18 anos ingressou no Exército sendo designado para o 4º Regimento de Infantaria, Regimento Raposo Tavares, em Quitaúna, sendo considerado pelos seus superiores como um Soldado exemplar.
Na madrugada fria e de pouca visibilidade do dia 26 de junho de 1968, no Quartel General do II Exército, as guaritas estavam guarnecidas por jovens soldados que prestavam o serviço militar obrigatório, entre eles, Mário Kosel Filho, que, como todos os outros tinha apenas seis meses de instrução e de serviço nas fileiras do Exército.
Tinham sido alertados a respeito da situação de insegurança que o país atravessava e que os quartéis eram alvos preferenciais de ações terroristas.
Foram igualmente informados do assalto ao Hospital Militar, poucos dias antes, em que foram vítimas seus colegas do Regimento.
Um grupo de dez terroristas, da VPR, carregando dinamite em uma camionete Chevrolet, se deslocou em direção ao Quartel General (QG) com a missão de infringir o maior número de vítimas e danos materiais ao QG.
Uma das sentinelas, atenta, dispara contra o veículo que se aproximava aceleradamente do portão do Quartel.
O soldado Rufino dispara 6 tiros contra o mesmo que se choca contra a parede externa do quartel.
Kozel sai do seu posto e corre em direção ao carro para ver se há alguém ferido no seu interior.
A carga com 50 quilos de dinamite explode dilacerando seu corpo e espalhando a destruição e morte num raio de 300 metros.
Seis militares ficaram feridos:
o Coronel Eldes de Souza Guedes e os soldados João Fernandes de Souza, Luiz Roberto Juliano, Edson Roberto Rufino, Henrique Chaicowski e Ricardo Charbeau.
- Diógenes - herói da esquerda escocêsa

Diógenes José Carvalho de Oliveira (foto) um dos 10 terroristas que mataram o soldado Mário Kosel Filho recebeu uma indenização de R$ 400.337,73 e mais uma pensão mensal vitalícia, livre de imposto de renda.
Por ter assassinado o soldado Mário Kosel Filho e outros tantos crimes, a Comissão de Anistia e o Ministro da 'Injustiça', Tarso Genro, resolveram premiá-lo.
- O facínora Diógenes (Currículo vitae)
- 20/03/1968 - construiu a bomba que explodiu uma na biblioteca da USIS, consulado dos EUA. Três estudantes foram feridos: Edmundo Ribeiro de Mendonça Neto, Vitor Fernando Sicurella Varella e Orlando Lovecchio Filho, que perdeu o terço inferior da perna esquerda:
- 20/04/1968 - preparou a bomba, que foi lançada contra o jornal 'O Estado de São Paulo', ferindo três inocentes;
- 22/06/1968 - participou do assalto ao Hospital do Exército em São Paulo;
- 26/06/1968 - lançou um carro-bomba contra o Quartel General do II Exército, matando o soldado Mario Kosel Filho, e ferindo mais quinze militares;
- 01/08/1968 - participou do assalto ao Banco Mercantil de São Paulo;
- 20/09/1968 - participou do assalto ao quartel da Força Pública, quando foi morto, a tiros, o sentinela soldado Antonio Carlos Jeffery;
- 12/10/1968 - às 8hs e 15min, Diógenes se aproximou do capitão Chandler, do Exército dos EUA, que retirava seu carro da garagem e na frente da mulher e dos seus filhos Luane e Todd de 3 anos, Jeffrey com 4 e Darryl com 9, o assassinou com seis tiros;
- 27/10/1968 - participou do atentado à bomba contra a loja Sears da Água Branca;
- 06/12/1968 - participou do assalto ao Banco do Estado de São Paulo ferindo, a coronhadas, o civil José Bonifácio Guercio;
- 11/12/1968 - assalto à Casa de Armas Diana onde foi ferido a tiros o civil Bonifácio Signori;
- 24/01/1969 - coordenou o assalto ao 4º RI, em Quitaúna, com o roubo de grande quantidade de armas e munições;
- 02/03/1969 - Diógenes e Onofre Pinto foram presos na Praça da Árvore, em Vila Mariana;
- 14/03/1970 - foi um dos cinco militantes comunistas banidos para o México, em troca da vida do cônsul do Japão em São Paulo;
- 1986 - era o assessor do vereador do PDT Valneri Neves Antunes, antigo comparsa da VPR e, ironicamente, fazia parte do movimento 'Tortura Nunca Mais';
- Na década de 90 - ingressou nos quadros do PT/RS, sempre assessorando seus líderes mais influentes;
- Diógenes do PT
Diógenes José Carvalho de Oliveira foi também conhecido pelos codinomes de 'Leandro', 'Leonardo', 'Luiz' e 'Pedro'.
Durante a CPI da Segurança Pública, no RS, ganhou destaque na mídia uma gravação em que ele dizia estar falando em nome do governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, e solicitava que o então chefe da Polícia Civil, delegado Luiz Fernando Tubino, 'aliviasse' a repressão aos bicheiros.
Diógenes era o presidente do Clube de Seguros da Cidadania, uma organização criada para arrecadar fundos para o PT.
- Vítimas dos 'heróis' da esquerda escocesa
As famílias dos patriotas abaixo, ao contrário dos celerados membros da camarilha 'companheira' não receberam, até hoje, nenhuma indenização por parte da Comissão de Anistia e do Ministro da 'Injustiça', Tarso Genro.
12/11/64 - Paulo (Vigia - Rj)
27/03/65 - Carlos Argemiro (Sargento do Exército - Pr)
25/07/66 - Edson Régis De (Jornalista - Pe)
25/07/66 - Nelson Gomes (Almirante - Pe)
28/09/66 - Raimundo De Carvalho (Cabo Pm - Go)
24/11/67 - José Gonçalves Conceição (Fazendeiro - Sp)
07/11/68 - Estanislau Ignácio (Civil - Sp)
15/12/67 - Osíris Motta (Bancário - Sp)
10/01/68 - Agostinho F. Lima - (Marinha Mercante - Am)
31/05/68 - Ailton De (Guarda Penitenciário - Rj)
26/06/68 - Mário Kozel (Soldado Do Exército - Sp)
27/06/68 - Nelson (Sargento PM - Rj)
27/06/68 - Noel De Oliveira (Civil - Rj)
01/07/68 - Von Westernhagen (Major Ex. Alemão - Rj)
07/09/68 - Eduardo Custódio (Soldado PM - Sp)
20/09/68 - Antônio Carlos (Soldado PM - Sp)
12/10/68 - Charles Rodney (Capitão do Ex. Usa - Sp)
12/10/68 - Luiz Carlos (Civil - Rj)
25/10/68 - Wenceslau Ramalho (Civil - Rj)
07/01/69 - Alzira B. De Almeida - (Dona de Casa - Rj)
11/01/69 - Edmundo Janot (Lavrador - Rj)
29/01/69 - Cecildes M. de Faria (Inspetor de Pol. - Mg)
29/01/69 - José Antunes Ferreira (Guarda Civil - Mg)
14/04/69 - Francisco Bento (Motorista - Sp)
14/04/69 - Luiz Francisco (Guarda Bancário - Sp)
08/05/69 - José (Investigador De Polícia - Sp)
09/05/69 - Orlando Pinto (Guarda Civil - Sp)
27/05/69 - Naul José (Soldado Pm - Sp)
04/06/69 - Boaventura Rodrigues (Soldado PM - Sp)
22/06/69 - Guido - Natalino A. T. (Soldados PM - Sp)
11/07/69 - Cidelino Palmeiras (Motorista de Táxi - Rj)
24/07/69 - Aparecido dos Santos (Soldado PM - Sp)
20/08/69 - José Santa (Gerente De Banco - Rj)
25/08/69 - Sulamita Campos (Dona De Casa - Pa)
31/08/69 - Mauro Celso (Soldado PM - Ma)
03/09/69 - José Getúlio - João G. (Soldados da PM)
20/09/69 - Samuel (Cobrador de Ônibus - Sp)
22/09/69 - Kurt (Comerciante - Sp)
30/09/69 - Cláudio Ernesto (Agente da PF - Sp)
04/10/69 - Euclídes de Paiva (Guarda Particular - Rj)
06/10/69 - Abelardo Rosa (Soldado PM - Sp)
07/10/69 - Romildo (Soldado PM - Sp)
31/10/69 - Nilson José de Azevedo (Civil - Pe)
04/11/69 - Estela Borges (Investigadora do Dops - Sp)
04/11/69 - Friederich Adolf (Protético - Sp)
07/11/69 - Mauro Celso (Soldado PM - Ma)
14/11/69 - Orlando (Bancário - Sp)
17/11/69 - Joel (Sub-Tenente PM - Rj)
17/12/69 - Joel (Sargento - PM - Rj)
18/12/69 - Elias (Soldado do Exército - Rj)
17/01/70 - José Geraldo Alves Cursino (Sgt PM - Sp)
20/02/70 - Antônio A. Posso Nogueró (Sgt PM - Sp)
11/03/70 - Newton de Oliveira Nascimento
31/03/70 - Joaquim (Investigador de Polícia - Pe)
02/05/70 - João Batista (Guarda de Segurança - Sp)
10/05/70 - Alberto Mendes (1º Tenente PM - Sp)
11/06/70 - Irlando de Moura (Agente da PF - Rj)
15/07/70 - Isidoro (Guarda de Segurança - Sp)
12/08/70 - Benedito (Capitão do Exército - Sp)
19/08/70 - Vagner L. Vitorino (Guarda de Seg. - Rj)
29/08/70 - José Armando (Comerciante - Ce)
14/09/70 - Bertolino Ferreira (Guarda de Seg. - Sp)
21/09/70 - Célio (Soldado PM - Sp)
22/09/70 - Autair (Guarda de Segurança - Rj)
27/10/70 - Walder X. (Sargento da Aeronáutica - Ba)
10/11/70 - José Marques (Civil - Sp)
10/11/70 - Garibaldo (Soldado PM - Sp)
10/12/70 - Hélio de Carvalho (Agente da PF - Rj)
07/01/71 - Marcelo Costa Tavares (Estudante - MG)
12/02/71 - Américo (Soldado PM - Sp)
20/02/71 - Fernando (Comerciário - Rj )
08/03/71 - Djalma Pelucci (Soldado PM - Rj)
24/03/71 - Mateus Levino (Tenente da Fab - Pe)
04/04/71 - José Júlio Toja (Major do Exército - Rj)
07/04/71 - Maria Alice (Empregada Doméstica - Rj)
15/04/71 - Henning Albert (Industrial - Sp)
10/05/71 - Manoel Silva (Soldado PM - Sp)
14/05/71 - Adilson (Artesão - Rj)
09/06/71 - Antônio Lisboa Ceres (Civil - Rj)
01/07/71 - Jaime Pereira (Civil - Rj)
02/09/71 - Gentil Procópio (Motorista de Praça - Pe)
02/09/71 - Gaudêncio - Demerval (Guardas Seg. - Rj)
--/10/71 - Alberto Da Silva (Civil - Rj)
22/10/71 - José (Sub-Oficial da Marinha - Rj)
01/11/71 - Nelson Martinez (Cabo PM - Sp)
10/11/71 - João (Cabo PM - Sp)
22/11/71 - José Amaral (Guarda De Segurança - Rj)
27/11/71 - Eduardo Timóteo (Soldado PM - Rj)
13/12/71 - Hélio F. (G.Seg. - Rj) - Manoel da Silva (Com.) - Francisco B.
(Mot.)
18/01/72 - Tomaz P. de Almeida (Sargento PM - Sp)
20/01/72 - Sylas Bispo Feche (Cabo PM - Sp)
25/01/72 - Elzo Ito (Estudante - Sp)
01/02/72 - Iris (Civil - Rio De Janeiro)
05/02/72 - David A. (Marinheiro Inglês - Rj)
15/02/72 - Luzimar Machado De (Soldado PM - Go)
27/02/72 - Napoleão Felipe Bertolane (Civil - Sp)
06/03/72 - Walter César (Comerciante - Sp)
12/03/72 - Manoel (Guarda de Segurança - Sp)
12/03/72 - Aníbal F. de A. (Coronel Exército - Sp)
12/03/73 - Pedro (Capataz da Fazenda Capingo)
08/05/72 - Odilon Cruz (Cabo do Exército - Pa)
02/06/72 - (Sargento PM - Sp)
29/06/72 - João (Mateiro da Região do Araguaia - Pa)
Set/72 - Osmar (Posseiro - Pa)
09/09/72 - Mário Domingos (Detetive Polícia Civil - Rj)
23/09/72 - Mário Abraim Da (2º Sgt do Exército - Pa)
27/09/72 - Sílvio Nunes (Bancário - Rj)
01/10/72 - Luiz Honório (Civil - Rj)
06/10/72 - Severino F. - José I. (Civis - Pe)
21/02/73 - Manoel Henrique (Comerciante - Sp)
22/02/73 - Pedro Américo Mota (Civil - Rio De Janeiro)
25/02/73 - Octávio Gonçalves Moreira (Del. de Pol - Sp)
.../06/73 - Francisco Valdir (Soldado do Exército - Pa)
10/04/74 - Geraldo José (Soldado PM - Sp)
Solicito publicação
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Rua Dona Eugênia, 1227
Petrópolis - Porto Alegre - RS
90630 150
Telefone:- (51) 3331 6265
sábado, novembro 08, 2008
quinta-feira, novembro 06, 2008
quarta-feira, novembro 05, 2008
Um abraço é uma mensagem política
Trechos de matéria no El País de 28/10/2008.1. Para os peritos em comunicação é certo que a gesticulação e o não-verbal transmitem diariamente mensagens em nada depreciáveis na vida política. Por exemplo, esses modos paternalistas tendem a estar ligados, segundo Rubiales, a uma cultura da "direita". Na opinião de Roberto Izurieta, docente de organização política da Universidade George Washington e assessor de campanhas, “no âmbito das relações internacionais, as relações pessoais desempenham um papel importantíssimo”.
2. Numa reunião de cúpula, num jantar, numa reunião entre representantes de diferentes países ou num debate transmitido pela televisão, o uso do corpo, a postura, o movimento das mãos, um sorriso e inclusive um beijo podem resultar em aspectos decisivos. Tudo está relacionado, segundo peritos, com o caráter, o gênero, a cultura ou a origem de cada um.
3. As investigações do antropólogo britânico Desmond Morris demonstraram, por exemplo, que os árabes, os países mediterrâneos e africanos pertencem a culturas "de contato", e, por outro lado, os norte americanos, escandinavos, anglo-saxãos e asiáticos pertencem a culturas de "não contato".
4. A comunicação não-verbal pode inclusive transcender uma ofensa, quando falamos dos círculos do poder. Porque, entre os políticos, a gesticulação é um traço de caráter que está muito relacionado com o carisma e com uma imagem vencedora. De que depende então esse êxito visual? "O carisma não é de uma só classe”, indica Ricardo Izurieta, que acompanhou de perto a campanha dos candidatos à presidência dos Estados Unidos da América. “Porque o carisma é a emoção de quem está contente consigo mesmo”. E, para estar contente, o desejável consistiria em adaptar o protocolo, ao caráter de cada um.
5. “Nas campanhas eleitorais, as expressões corporais e os gestos constituem aspectos fundamentais. Não se pode esquecer que o ato do voto é, definitivamente, um ato de confiança, e a confiança é um sentimento, é algo que pertence à esfera emocional. Num debate, por exemplo, encontramos posturas, expressões, caras que ultrapassam muitos conhecimentos racionais e institucionais, explica Izurieta.
6. Mas como conseguir que um candidato projete essa confiança? Além do olhar, são necessários abraços, sorrisos, um choro e uma clara efusão? Depende.
7. "Os bons treinadores de políticos em campanhas eleitorais conhecem uma das regras básicas da comunicação institucional", prossegue Izurieta. "Antes de mais nada, não se deve mudar a forma de ser dos candidatos. É importante levar em conta que os debates, os encontros e as relações internacionais e institucionais se realizam em cenários antinaturais e incômodos por definição. Pois bem, deve-se procurar que o candidato se sinta cômodo. E para sentir-se cômodo, devem-se desenvolver certas habilidades de cada um. Além disso, existem técnicas para desenvolver esse tipo de carisma diante de um público moderno, que percebe cada vez mais a comunicação da imagem como algo decisivo. Aqui se encontra a importância da comunicação corporal".
8. Por esta razão, nas palavras de García Huete, um personagem da esfera pública deveria estar consciente da necessidade de coerência entre as linguagens verbal e não-verbal. Porque tem de haver coerência? Coloquemos um exemplo. “Se alguém, diante de um auditório, diz que ‘vai para a esquerda’ e, ao mesmo tempo, levanta a mão direita, a maioria dos que escutam e observam assumirá esta mensagem: esse senhor caminha para a direita". Por isso, é importante que as palavras sejam acompanhadas de gestos coerentes. Começando pelo olhar.
9. "E é que o contato visual é o fundamental. Se um interlocutor baixa os olhos ou não mantém o olhar, por exemplo, pode-se chegar a acreditar que está mentindo”, acrescenta esse psicólogo acostumado ao treinamento de personagens públicos em questão de comunicação não-verbal. A distância física entre pessoas também desempenha um papel muito importante. “Se, por exemplo, alguém entra em nosso campo de movimento e recuamos, pode-se produzir um ruído capaz de provocar a interrupção da comunicação que estávamos mantendo”.
10. De todas formas, embora sejam evidentes as diferenças culturais e de gênero, também existem algumas exceções à regras. São as expressões do rosto. Em particular, a manifestação pública de alegria pode constituir a chave do êxito de uma mensagem política. Por quê? “Diz-se que em torno de 60% das emoções e do que sentimos podem ser lidos nos gestos e nas expressões dos rostos”, comenta García Huete. "E a gente, por vezes de forma inconsciente, prestará muita atenção nesses aspectos, assim como nos movimentos das mãos”.
terça-feira, novembro 04, 2008
Fortaleza da Solidão
"INSISTIR EM MANTER A DEMANDA ACELERADA VAI TRAZER MAIS INFLAÇÃO"
Trechos do artigo - Contágio e Conseqüência - de Alexandre Schwartsman - (foto) economista-chefe para América Latina do Banco Santander e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central.Folha de S. Paulo
HÁ pelo menos três canais por onde o impacto da crise nos afeta diretamente: comércio global, preços de commodities e, finalmente, fluxos de capitais.
A combinação deles deverá implicar não apenas a redução da taxa de crescimento, mas também uma alteração importante na sua composição, à medida que a demanda interna, fator preponderante da aceleração do crescimento nos últimos quatro anos, deverá encontrar limites bem mais claros à sua expansão. Não há dúvida, porém, que esses três fatores mudaram de direção, isto é, podemos esperar queda de preços de commodities, desaceleração do comércio global e menores fluxos de capital. A resultante não poderia ser mais clara: a capacidade importadora se reduz e, portanto, também a diferença entre o crescimento da demanda doméstica e do produto deverá cair, revertendo o processo observado nos últimos anos. A trajetória da taxa real de câmbio depende mais de variáveis externas do que a mera diferença de taxa de juros. Em resumo, o choque externo reverteu as condições que permitiam o crescimento rápido da demanda doméstica com efeitos inflacionários mitigados (não eliminados) pela disponibilidade de importações. Insistir em manter a demanda doméstica acelerada só há de trazer mais depreciação cambial e inflação. Vamos tentar não repetir esse erro?
segunda-feira, novembro 03, 2008
Nunca se viu coisa semelhante na história da humanidade
Olavo de Carvalho (foto)Mídia Sem Máscara, 1 de novembro de 2008
Em guerra contra o Islam revolucionário, o país já quase vencedor prepara-se para nomear comandante-em-chefe um político apoiado entusiasticamente pela Al-Qaeda, pelo Hamas, pela Organização de Libertação Palestina, pelo presidente iraniano Ahmadinejad, por Muammar Khadafi, por Fidel Castro, por Hugo Chávez e por todas as forças anti-americanas, pró-comunistas e pró-terroristas do mundo, sem nenhuma exceção visível.
É exatamente como se, em plena guerra do Vietnã, se colocasse na Casa Branca um queridinho de Ho-Chi-Minh.
No entanto, se você sugerir, mesmo suavemente, que tantos inimigos dos EUA estão a favor de Obama porque ele deve estar pelo menos um pouquinho a favor deles, metade do eleitorado americano dirá que você é um maldito racista e uma boa parcela da outra metade o chamará de desequilibrado, de paranóico, de teórico da conspiração.
Está proibido aplicar a Obama a velha regra de bom senso: “O amigo do meu inimigo é meu inimigo”. Para provar sanidade, o cidadão americano tem de acreditar piamente que Obama não fará nada, absolutamente nada em favor dos comunistas e islamofascistas que o amam, mas fará tudo para defender a nação que ele mesmo chama de nazista e a Constituição que, segundo ele, é causa de males horríveis.
Se você acha que a aposta na fé obâmica é alta demais e que seria mais prudente investigar um pouco a vida do sujeito, saiba que isso se tornou praticamente inviável: ele mandou bloquear, nos EUA e no Quênia, o acesso a todos os seus documentos, mesmo sobre a sua vida pública, desde a sua certidão de nascimento até a lista dos pequenos doadores da sua campanha, passando pelo seu histórico escolar em Harvard e Columbia, que é alegado ao mesmo tempo como prova definitiva dos altos dons intelectuais da criatura, só negados, evidentemente, por racistas contumazes. A mídia considera um insulto e uma presunção doentia qualquer tentativa de examinar esses papéis, e três tribunais, da Pensilvânia, de Washington e de Ohio, já sentenciaram que o cidadão comum não tem nenhum direito de averiguar sequer a nacionalidade de Barack Hussein Obama. É preciso acreditar nele sob palavra, ou cair fora da sociedade decente.
Mas a palavra dele também não esclarece nada. Ele já inventou tantas lorotas sobre sua vida (que foi membro da Comissão de Bancos do Senado, que seu tio libertou Auschwitz, que seu pai foi pastor de cabras), já omitiu tantos dados essenciais (que foi membro de um partido socialista, que é primo do genocida Raila Odinga, que fez campanha para ele no Quênia, que seu irmão está à míngua numa favela em Mombasa, que sua tia é imigrante ilegal nos EUA), e já camuflou de tal modo suas ligações com a Acorn, com o terrorista William Ayers, com o agitador islâmico Louis Farrakhan, com o vigarista Tony Resko, etc., que tentar descobrir a verdadeira biografia dele é quase missão impossível. Seu próprio livro de memórias, que lhe rendeu a fama de escritor, é de autoria duvidosa: exames realizados com métodos computadorizados de investigação autoral concluíram que não foi escrito por Obama, mas sim por William Ayers.
Resta a hipótese de tentar descobrir alguma coisa através de testemunhas. O que elas contam é interessante. A avó diz que ele nasceu no Quênia e não no Havaí como ele afirma, seus irmãos quenianos dizem que ele é muçulmano e não cristão como afirma, sua irmã diz que ele nasceu num hospital quando ele afirma que nasceu em outro, o patrocinador de seus estudos em Harvard diz que o dinheiro para isso foi fornecido por um notório agitador pró-terrorista, velhos conhecidos contam que ele sempre estava ao lado de Frank Marshall Davis quando este vendia cocaína. Até agora, o único testemunho seriamente desmentido foi o de um maluco de Minnesota que disse ter tido relações sexuais com o então senador Barack Obama – o que, se fosse verdade, não comportaria um milionésimo do risco para a segurança nacional contido nos outros depoimentos.
A essa altura, você pode perguntar: Mas por que os eleitores hão de confiar sob palavra num sujeito que não tem palavra nenhuma, que não se sabe com certeza nem onde nasceu, que esconde dois terços da sua vida e mente sobre o terceiro terço, que é amado por todos os que odeiam o país e mal consegue disfarçar suas afeições pelos amigos deles? Você, aí no Brasil, pode perguntar isso, mas, se estiver nos EUA, pergunte em voz baixa. Se você expuser suspeitas de maneira muito audível, o governo investigará seus antecedentes em busca de crimes hediondos como dívidas de imposto e multas de trânsitos não pagas, como fez com Joe Encanador, ou então o levará para a cadeia como fez com com Brent Garner, de Lawrence, Estado do Kansas (v. www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=79513). Você corre também o risco de ter sua garagem vandalizada ou levar uns sopapos, como aconteceu com vários militantes republicanos.
A resposta à pergunta sobre os motivos de uma confiança tão despropositada constitui-se de quatro elementos:
1. A grande mídia, quase toda pertencente a adeptos e patrocinadores de Obama, não publica nada do que se sabe de grave contra ele, mas faz um alarde dos diabos em torno das menores insignificâncias que possam sujar a imagem dos seus adversários. A duplicidade de tratamento, que começou nos jornais e na TV, acabou por se impregnar na sociedade inteira como um hábito normal. Exemplo I: O boneco enforcado de Sarah Palin foi saudado pela própria polícia como uma inocente tirada de bom-humor. No dia seguinte dois moleques fizeram um boneco enforcado de Obama – e foram presos. Exemplo II: A jovem militante republicana Ashley Todd, após dizer-se assaltada, surrada e marcada a canivete com um “B” na face direita tão logo o assaltante percebera seu distintivo da campanha McCain, sofreu um bombardeio de insultos na mídia e rapidinho mudou de idéia, jurando que inventara a história toda. Ashley não explicou se foi apenas assaltada e surrada, tendo feito ela própria o corte no rosto, se houve apenas uma surra sem assalto nem corte ou se não houve coisa nenhuma e ela mesma se esmurrou até ficar de olho roxo e, não contente com semelhante desatino, em seguida escavou o “B” na própria face. Embora o desmentido sumário e cheio de lacunas soasse muito mais inverossímil do que a história originária, foi instantaneamente aceito como verdade final pela mídia inteira, sem mais perguntas, ficando portanto provado que esses republicanos são malvados o bastante para desfigurar o próprio rosto só para poder lançar a culpa num negro e, por tabela, no santíssimo Barack Obama. Exemplo III: Faltavam sinais de violência contra a militância obamista, mas logo foram providenciados. Dois jovens skinheads que pensavam em dar uns tiros em Obama, sem ter tomado ainda a menor providência nesse sentido, foram denunciados pela própria mãe. Embora seja virtualmente impossível encontrar algum skinhead nas assembléias evangélicas, nas missas católicas, nas convenções republicanas, no Hudson Institute ou na Heritage Foundation, o fato é o seguinte: se você quer ser considerado um Homo sapiens em vez de um Pithecanthropus erectus, tem de jurar que o plano dos dois idiotas traz a prova cabal de que o conservadorismo americano é racista, nazista e assassino por natureza. A Folha de S. Paulo garante.
2. A sociedade americana acredita na grande mídia porque não é capaz de imaginar uma empulhação geral e sistemática como a que aconteceu no Brasil quando todos os jornais e canais de TV ocultaram propositadamente por dezesseis anos a existência do Foro de São Paulo, a maior organização de delinqüência política que já existiu na América Latina. Tal como no título do famoso romance de Sinclair Lewis, todo mundo acredita que it couldn’t happen here, “isso não poderia acontecer aqui”. Bem, aconteceu.
3. O que quer que se diga contra Obama tem resposta automática: É racismo. A chantagem racial é tão violenta, geral e sistemática, que o simples fato de você dizer que está havendo chantagem racial prova que você é racista. O monopólio da violência verbal fica portanto com os democratas, enquanto os críticos de Obama se resguardam atrás de rodeios e circunlóquios autocastradores.
4. Obama não diz coisa com coisa. Seus discursos, quando não são totalmente vazios de conteúdo, se contradizem uns aos outros com a maior sem-cerimônia – e funcionam exatamente por isso. O conteúdo deles não tem a mínima importância; só serve de excipiente para a substância ativa, constituída de apelos mágicos e mensagens hipnóticas, de modo que após alguns minutos todo mundo está com a inteligência entorpecida ao ponto de aceitar, sem a menor reação crítica, afirmações como esta: “Vocês sentirão uma luz vindo do alto, experimentarão uma epifania e uma voz de dentro lhes dirá: Eu tenho de votar em Barack Obama”. Se o sujeito proclamasse isso por fé espontânea, diriam que é louco. Como o diz no melhor estilo da programação neurolingüística ericksoniana, votam nele para presidente da nação mais poderosa do mundo.
Os efeitos conjugados desses quatro fatores são quase milagres da fé, de um surrealismo atroz: as pesquisas mostram que três entre cada quatro americanos residentes em Israel preferem John McCain, mas três entre cada quatro judeus residentes nos EUA, longe das bombas palestinas e perto de uma TV ligada na CNN, preferem Obama."
sábado, novembro 01, 2008
Fundo extemporâneo
A aprovação pelo plenário da Câmara dos Deputados do Projeto de Lei n.º 3.674, de 2008, do Poder Executivo, criando o Fundo Soberano do Brasil, um fundo público de natureza contábil, vai exigir do Senado Federal um exame minucioso e exaustivo da moldura e dos propósitos do fundo proposto. É importante destacar que a aprovação do projeto só foi possível após a oposição concordar em votar o texto base e remeter vários destaques apresentados à apreciação do plenário na próxima semana.O momento exige cautela e qualquer ação governamental deflagrada no atual cenário conturbado deve ser precedida de amplo debate. Aliás, foi movido por essa preocupação que sugeri a criação de um comitê suprapartidário cuja missão seria propor e monitorar as medidas para combater os problemas advindos da crise financeira internacional. Um comitê anticrise asseguraria maior segurança às eventuais soluções adotadas pelo governo.
Não podemos deixar de considerar e passar em revista as opiniões credenciadas dos especialistas na matéria. O economista Edmar Bacha é taxativo ao afirmar que vamos nos endividar mais para aplicar no Fundo Soberano, que vai render menos do que vai custar essa dívida. O ex-ministro Pedro Malan igualmente expôs argumentos sólidos destacando que, além de não reunir condições fiscais, o Brasil não tem números favoráveis nas suas contas externas que permitam a criação do fundo soberano. Ele nos lembra que os países que lançaram fundo soberano têm, ao mesmo tempo, superávit fiscal nominal e saldo estrutural nas contas externas.
Conforme atesta recente trabalho técnico do consultor legislativo da Câmara dos Deputados Marcos Tadeu Napoleão de Souza, "esses fundos são criados, em geral, nos países onde é mais moderada a relação dívida pública/Produto Interno Bruto ou nos detentores de expressivos superávits gêmeos: fiscal e em transações correntes".
Ao observarmos a relação dos doze maiores fundos de riqueza soberana (dados de 2007) publicados pela revista The Economist, estão perfilados os Emirados Árabes Unidos, Cingapura, Arábia Saudita, Noruega, China, Kuwait, Austrália, Estados Unidos, Rússia, Brunei, entre outros países, com uma carteira de ativos que oscilam entre US$ 875 e 20 bilhões.
Considero emblemático o caso norueguês cujos ativos do fundo local (Norwegian Oil Fund) eram de aproximadamente US$ 373 bilhões no final do ano passado, cifra muito próxima ao Produto Interno Bruto do mencionado país escandinavo. Está patente que o perfil das nações que instituíram fundos soberanos é bem diverso do nosso.
No entorno da América do Sul, o Chile criou, em 2006, o Fundo de Estabilização Econômico e Social (FEES), mesmo ano da promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal, constituído num desenho compatível com a realidade chilena, direcionando seus recursos para os setores estratégicos da educação, saúde e habitação.
Estou convencido que é impróprio o atual momento para o lançamento de um fundo com essas características. O Brasil não ostenta as condições econômicas, dada a crise financeira internacional, já que apresentamos déficits crescentes em transações correntes com o exterior. A situação interna não inspira a criação de um fundo e se diferencia enormemente daquela vivida pelos países emergentes que criaram fundos soberanos. Um fundo extemporâneo é o mínimo que podemos dizer.
Senador Alvaro Dias - 2º Vice Presidente do Senado, vice-líder do PSDB
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