sábado, abril 12, 2008

PARTE DA IMPRENSA NÃO ENTENDE A INTERNET COMO UM MEIO DE COMUNICAÇÃO!

Acho curioso que sempre que algum político responde uma pergunta por e-mail, de TV, Rádio ou Jornal, o veículo cita esse fato: - O prefeito, o Deputado, o Senador, etc.., respondeu por e-mail que... Curioso porque nunca dizem que o ministro respondeu por telefone, ou o deputado respondeu num gravador, ou que respondeu cara a cara num restaurante ou em seu gabinete. Por que a internet merece um destaque negativo, ou um "caco" como se fosse uma forma menor de responder a indagação de um repórter?
A internet é um veiculo de comunicação, tanto quanto o telefone e a palavra, e ao mesmo tempo um meio de comunicação como a imprensa. Mas - como sempre - em períodos de mudança de padrão tecnológico, o hábito dificulta a compreensão de quem por anos opera da mesma forma, com saudades da gravata desapertada, da mesinha com papéis, da máquina de escrever, de um telefone que levava horas para chegar ao entrevistado, do bom papo no bar...

Para os jornais só vale a entrevista com um gravador na mão e um fotógrafo do lado. Para o rádio só vale a entrevista com um gravador, estúdio ou telefone e a voz ao vivo. Para a TV só vale a entrevista com as imagens editadas do entrevistado respondendo.

Na entrevista por e-mail a resposta vai editada e sucinta. Não há pergunta-pegadinha, não há foto, não há imagem editada, não há voz... Mas por outro lado há a vantagem - cada dia maior - de entrevistar, consultar, perguntar, esclarecer, a qualquer hora do dia e da noite. Ontem com equipamentos fixos, os comentários eram de que o entrevistado ficava sentado atrás de um micro, o dia inteiro. Mas esses comentários permanecem num quadro em que os equipamentos são móveis e miniaturizados, com antena e portanto a disposição do entrevistado e do repórter o dia inteiro em qualquer lugar.

Num período de transição como ainda estamos por aqui, tudo isso choca e se torna incompreensível para uma cultura tradicional de imprensa. Isso atrasa a comunicação especialmente num mundo rápido. Alguns jornais pensam que a edição do jornal na internet deve ser uma reprodução eletrônica do jornal, quase que como uma cópia página a página. Na verdade o veículo com isso não muda. Todos os jornais de Curitiba fazem isso, pensando a internet como extensão do jornal. Não é!

Na edição do jornal na internet com as matérias devem ser listadas verticalmente, sem diagramação, sem leads e ou manchetes ou destaques, o editor é cada leitor pessoalmente. Uma micro-noticia pode ser a noticia relevante para quem lê e não a que o editor daquela página gostaria. A ausência de fotos nas páginas internas na edição internética, rompe com a hegemonia da imagem e garante a hegemonia do texto, do conteúdo e a hierarquização feita pelo consumidor.
O que hoje é percebido como mau uso do tempo ou ausência física, será em breve o cotidiano da imprensa, com a internet como vanguarda ou pelo menos entendida como meio com características próprias. A agenda externa fechada evita que a presença da cobertura da imprensa dramatize o contato com a população, sempre pronta para dizer o que a faz aparecer no dia seguinte ou no mesmo dia nas páginas, voz ou tela. E aí temos uma caricatura e não um retrato do fato, independente que a avaliação do repórter seja essa ou aquela, para abrir (rádio e jornal), ou fechar (TV) a matéria.
A liberdade de imprensa não pode ser vista só, como a liberdade dos meios de comunicação. É também a liberdade dos entrevistáveis que podem escolher seus métodos. Amanhã muitos que ainda não sabem, saberão que perderam tempo nestes tempos de mudança, e que o mundo da comunicação já não era/não é o mesmo.

Um Novo Desenvolvimento

Trechos do artigo da presidente do Chile - Michelle Bachelet - no El País.

1. As lideranças progressistas enfrentam novos desafios. Disso trata esta conferência de cúpula de Londres neste inicio de abril. Do surgimento de um novo desenvolvimentismo sustentável, mas, ao mesmo tempo, diferente daquele dos anos noventa, e que deve enfrentar os novos dilemas do mundo moderno. O novo desenvolvimentismo é a continuação de uma boa história. Os tradicionais valores de centro-esquerda – a liberdade, a igualdade, a solidariedade, os direitos humanos, a paz – foram acertadamente transformados num corpo de idéia e de estilos políticos em meados dos anos noventa e levados ao poder com singular êxito.

2.
Nós, progressistas e desenvolvimentistas, podemos governar eficientemente na era da globalização, não temos de apresentar credenciais de bom manejo econômico a ninguém. Nós, devemos também assumir a responsabilidade de novos temas e, antes de tudo, devemos enfrentá-los com maior coordenação entre os Estados. Só é possível considerar os grandes problemas da humanidade neste novo século se fortalecemos a ação multilateral.


3.
As mudanças climáticas, a energia, a pobreza, as pandemias, as migrações, o crime organizado, entre outros, são todos temas que exigem sofisticados esforços de ação coletiva a nível planetário. E cabe a nós, encabeçar o citado esforço, que alguns denominam de cosmopolítica.


4.
Quanto ao comércio e à integração econômica, o livre comércio deve ser considerado, sem dúvida alguma, um objetivo desenvolvimentista de primeiro nível. Isto sim, um comércio que seja livre para todos. Por isso, convocamos a todos para redobrar os esforços para executar a Rodada Doha.


5.
Também trataremos da reforma das instituições multilaterais, esperando lograr o maior “acordo para acelerar o processo de reforma das Nações Unidas”. Porém, além disso, espero que realizemos uma discussão a fundo sobre quais devem ser os princípios que orientem uma reforma nas instituições financeiras internacionais.

sexta-feira, abril 11, 2008

Cartãozinho. . . - E quem paga a festa?

OS MINISTROS SE DESGASTAM! O JOGO ESPERTO, AGORA COM DILMA!

1. Semana passada Lula num discurso pac-iano em Caxias, dizia que a crise de dengue no Estado do Rio, era de responsabilidade da União, do Estado e da Prefeitura. E disse não com humildade de co-responsável, reconhecendo seus erros. Disse apontando culpados. Ou seja: ele não se enquadrava em nenhuma das três instâncias, ou seja, ele nada tinha a ver com o governo federal. Plainava apenas!

2.
Se esse jogo de tratar todos na terceira pessoa, dando um sentido de alteridade, vai pegando enquanto a economia desliza no que resta da onda mundial, o mesmo não ocorre com o governo. As avaliações das funções de governo - saúde, educação, transportes, inclusão social, emprego, inflação... são apenas sofríveis quando não fortemente negativas como saúde e segurança.


3.
Se ele vai se esquivando dos problemas, com seus ministros não acontece o mesmo. Em primeiro lugar pelo desconhecimento generalizado de todos, mesmo os mais exaltados como Dilma. Mesmo essa ninguém sabe quem é. Alguns ministros são conhecidos apenas em seus estados como Marta ou Patrus, mas fora deles, nada, igualmente. Por isso mesmo, quando surge um fato negativo e Lula se esquiva, os ministros são descobertos e passam a ser o alvo.


4.
Há uma forma - esperta ou cínica - de Lula jogar no fogo seus ministros. Sempre que surge um fato negativo contra algum deles, Lula sai aparentemente em defesa do ministro. E em entrevistas repete o fato dezenas de vezes e "defende" o ministro em cada uma dessas vezes. Com isso quem está vendo a TV, ouvindo rádio ou lendo jornal, não pode deixar de colar o fato ao ministro, citados em conjunto.


5.
Alguns ingênuos pensam que Lula está defendendo seu ministro (a). Na verdade está queimando-o (a). A elogiada e defendida Dilma, é a bola da vez. Depois de tantas "defesas" todo mundo sabe que ela estava na frente, atrás ou do lado do dossiê contra FHC e Sra. Ninguém mais duvida disso depois de ouvir tantas vezes Lula "defendê-la". Como em todos os casos anteriores, virá a desmontagem, e então Lula - cinicamente - dirá: fiz tudo o que pude, te defendi dezenas de vezes... mas... Dilma é a bola da vez. talvez não seja ainda, a bola sete, mas que é a bola seis não há duvida nenhuma. Lula é seu médico de cabeceira na CTI para onde a levou. O Capitão do Time Dirceu - como Lula o chamava - deu o lugar a Capitã do Time como Lula a chama. Nem o eufemismo mudou.

LULA E O TERCEIRO MANDATO!

Recebido de um conhecido cientista político que pediu para não ser identificado!

- Sou leitor do seu Blog, e de sua lista de discussão. Uns dias atrás você falava que os comícios que o Lula vem fazendo pelo Brasil, em nome do PAC, eram atos políticos fora de tempo e que iriam esgotar, antes do tempo, o governo dele. Gostaria de discordar. Você tem razão que esse tipo de caravana termina por engordar a popularidade dele. Mas o que discordo é que isso seria um erro dois anos antes de 2010. Não é. O que Lula procura com essa máxima popularidade engordada, é criar o clima para que o Congresso se sinta estimulado, ou quem sabe pressionado, a autorizar um plebiscito esse ano, coincidente com as eleições municipais, que decidiria sobre o seu terceiro-mandato. Parece-me claro que é este o objetivo de Lula. E, portanto, nesse sentido, ele está no tempo certo. A "eleição" que interessa a ele é a desse ano, ou seja, o plebiscito do terceiro mandato. Um abraço.

quinta-feira, abril 10, 2008

Doyle acha absurdas indenizações a anistiados

O jornalista Hélio Doyle (foto), que é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, subscreveu o documento que circula na internet em repúdio às indenizações de R$ 1,2 milhão para Ziraldo e R$ 1,02 milhão para Jaguar, fundadores do semanário Pasquim, que alegaram terem sido perseguidos pela ditadura. Os demais fundadores do jornal, como Millôr Fernandes, recusaram a mamata. "Entramos na briga por opção política e pessoal, assumindo os riscos", afirma Doyle, que considera tudo isso "realmente vergonhoso". O jornalista, cuja trajetória se confunde com a história recente da esquerda brasileira, acha justas as indenizações, "mas por valores bem inferiores a esses que estão sendo pagos", àqueles que perderam seus empregos ou ficaram impossibilitados de trabalhar em decorrência de atos arbitrários da ditadura - ou que foram incapacitados para o trabalho em decorrência de torturas e violências. Perseguido por sua militância de esquerda e certa vez demitido "por motivos políticos" da TV Globo, Hélio Doyle acha que não se enquadra nesses casos, por isso jamais pensou em pedir indenização. "Minhas cinco prisões não impediram que continuasse a trabalhar" - lembra - "Não recebia credencial para cobrir Planalto, Itamaraty ou ministérios militares, mas cobri o Congresso e outros ministérios e isso não prejudicou minha carreira."

Ameaça à democracia brasileira, Paulo Brossard

Artigo do eminente Jurista e ex-Ministro do STF, Dr BROSSARD !!

Zero Hora de 10 de março de 2008.

Entre duas guerras, por Paulo Brossard*

A semana finda começou com ruidosa ameaça de guerra na América do Sul, que, felizmente, não explodiu, antes implodiu, não passando de bravatas e dentes rilhados. Contudo, o perigo não passou e basta um doido para fazer uma asneira. De mais a mais, há um fato notório, de suma gravidade, a azedar o ambiente. A existência das Farc em território colombiano é inegável e insuportável. Queiramos ou não, elas existem e imperam em área própria, que, se já foi maior, não deixa de existir e na qual exercem poderes paraestatais. A despeito de sua anomalia, há quem lhes faça o preconício. A indústria do seqüestro de pessoas é um de seus instrumentos de ação; o outro diz respeito à indústria de droga. Não sei como essa atividade se processa, mas que ela existe é fato de notoriedade mundial. O seqüestro de pessoas é outro dado de igual notoriedade. E as pessoas apreendidas ou preadas como animais são mantidas em condições subumanas. A libertação de algumas, ultimamente ocorrida, por munificência dos seqüestradores, confirma a selvageria sistematizada. Sabe-se que o número de pessoas aprisionadas é grande, mas não se sabe sua real dimensão. De qualquer sorte, o fato é certo e incompatível com um mínimo de humanidade. É o caso da senadora Íngrid Betancourt, presa faz seis anos, que vai morrendo lentamente. Muita coisa se pode recuperar, mas o tempo não se recupera. O mínimo que se pode dizer é que isso chega ao nível da selvageria. E há quem veja benemerências nesse quadro teratológico. De modo que a guerra anunciada e trombeteada foi contida, mas ninguém pode dizer que esteja afastada. E isto é um perigo para todos, os vizinhos inclusive, ou principalmente.

Entre nós, vêm acontecendo coisas surpreendentes, mas conduzidas com perícia impecável. A meu juízo, e não é de hoje, existe um plano superiormente concebido e cientificamente executado capaz de paralisar o Estado, mais do que o governo.

Faz alguns anos que vai se processando e progredindo. Tudo começou pela mudança do dicionário.

Sob a vaga alegação de grilagem, valha o neologismo, imóveis rurais passaram a ser invadidos, mantidas as vítimas em cárcere privado e submetidas a humilhações pesadas. As invasões se davam geralmente à noite, de surpresa; era grande o número de invasores; só que a invasão trocou de nome, passou a chamar-se "ocupação pacífica". Os invasores não eram invasores nem esbulhadores, mas "posseiros", só que posseiros sem posse. Geralmente pessoas de outros lugares, em organização paramilitar. Passaram a ser anunciadas com precisão e realizadas com exatidão, nos locais marcados, nos dias e horas divulgados até pela imprensa. Quando o lesado recorria à Justiça e obtinha a reintegração na posse de que tinha sido esbulhado, os invasores apelavam para a concessão de prazo para a desocupação. A invasão podia ser feita de repente, a saída, não; demandava tempo. Entre os invasores, era imprescindível a presença de mulheres e crianças.

Et pour cause. Expandiu-se. Decreta-se, por exemplo, o "abril vermelho" e o "abril vermelho" é executado com pompa e circunstância.

Num certo momento, uma entidade nova, feminina e com crianças, entrou a praticar atos de violência. Foi na calada da noite que os trabalhos que se vinham processando no Horto Florestal Barba Negra, na Barra do Ribeiro, foram destruídos.

Agora, no Rosário, se repete a ocorrência. E, quando a Brigada é movimentada, arma-se a resistência. As invasoras não aceitam desocupar o imóvel, que elas condenaram por sua própria autoridade. Dizendo-se maltratadas, acusam a Brigada de violenta, e recebem a solidariedade do seu co-irmão, o MST, que bloqueia oito rodovias gaúchas.

Engane-se quem quiser. É assim que começa a calculada destruição institucional.

Que começa? Começou faz muito, e continua pontualmente.

Aqui no Rio Grande há um imóvel que foi invadido oito vezes e até a autoridade judiciária é afrontada ostensivamente. Tiro o chapéu para a execução do plano, cientificamente concebido e tecnicamente executado. As Farc estão aí, dando exemplo. Estarei exagerando?

*Jurista, ministro aposentado do STF

Das coisas que eu gosto - Beatles in Get Back

quarta-feira, abril 09, 2008

Falta de convicção democrática (e de caráter)

Pois é... Fico aqui pensando sobre a falta de convicção democrática dos nossos agentes políticos e sociais, inclusive dos melhores, daqueles que admiramos, que falam de boca cheia da democracia, que defendem a justiça social e protestam elevada estima e consideração pela liberdade, contra a exclusão...
Não ouvi quase nem um pio dessa turma toda contra o genocídio que a ditadura chinesa pratica no Tibet. Genocídio cultural e físico mesmo. O Tibet não é China, mas o exército marxista-leninista chinês invadiu o país, destruiu (milhares de) mosteiros, matou a valer, obrigou o Dalai Lama a se refugiar na Índia, ocupou o território com outra população. Isso está ocorrendo há mais de três décadas. E continua hoje. Os soldados da ditadura militar chinesa (sim, é militar mesmo a ditadura lá) prosseguem matando tibetanos. E nossos libertários não dizem nada.

Os que são conhecidos, não dão entrevistas para os grandes meios de comunicação. Os que têm sites e blogs não emitem sua opinião. Parece que ninguém quer desagradar a China, nem os USA, nem a ONU, nem a direita, nem a esquerda.

Os empresários admiram a China pela triunfal performance do seu capitalismo de Estado. Alguns, quem sabe, ficam pensando que ainda poderão fazer bons negócios por lá (os famosos "negócios da China"?). Outros, vendedores de produtos culturais e ilusões, ficam sonhando com o imenso mercado consumidor chinês. Outros, ainda, por um cruel ironia da história, estão nas mãos dos chineses em termos econômicos (é o caso dos Estados Unidos).

Mas a maior parte dos que se omitem é por razões ainda menores. Que coisa, heim? Desconfio que por trás da falta de convicção democrática, há uma generalizada falta de caráter mesmo.
A verdade é que nossos "libertários" não têm absolutamente o que dizer sobre o genocídio praticado pela ditadura chinesa no Tibet, mesmo porque não têm nenhuma convicção democrática. Tanto que, se pudessem, implantariam aqui um regime tão hediondo quanto o que vigora na China. Pelo menos é isso que deixam entrever aqueles dentre eles que integram esse desgoverno infame que está aí, desconstruindo a República, bem como aqueles que o apóiam nos segmentos mais representativos da sociedade.
De resto, a omissão de todos diante do holocausto da população e da cultura tibetana é um testemunho eloqüente da degradação a que chegamos, num mundo onde os valores que poderiam nortear os indivíduos, os povos e as nações encontram-se completamente subvertidos. E o nosso país, volto a dizer, é um proverbial exemplo disto, já que não só convive com a degradação das suas instituições como se tornou cúmplice dessa infâmia.

Lula por Dora

Veja essa, Veja (08/04/08)

Uma maravilha de síntese a que foi feita por Dora Kramer (foto), do presidente do Brasil:
"Lula interpreta a lei à luz de sua conveniência, altera os fatos conforme seu interesse, ataca aos desaforos todo e qualquer contraditório, substitui o debate pela agressão verbal, enerva-se se os poderes Legislativo e Judiciário não se comportam como linhas auxiliares de seus projetos e só convive bem com a obediência e a reverência."

Raio X do crânio de Hugo Chaves

terça-feira, abril 08, 2008

“De Quoi Sarkozy Est-il le Nom?” (Sarkozy É o Nome de Quê?)

Em seu novo livro, o filósofo Alain Badiou diz que o presidente francês é sintoma do medo e das divisões da sociedade francesa

O filósofo Alain Badiou (foto), de 70 anos, ex-aluno do marxista Louis Althusser e um dos principais pensadores da atualidade, transformou seu seminário do ano passado na École Normale Supérieure, em Paris, em espaço de discussão sobre a eleição de Nicolas Sarkozy e o que ela representa no cenário político de uma França na qual a esquerda vive uma crise sem precedentes.
O livro “De Quoi Sarkozy Est-il le Nom?” (Sarkozy É o Nome de Quê?) é o resumo daqueles seminários numa das escolas que formam a elite intelectual francesa. Badiou apresenta o novo presidente francês como um sintoma da sociedade que ultrapassa o próprio personagem. Ele vê seu país caminhar para “cair no modelo ianque, a dominação dos ricos, o duro trabalho dos pobres, o controle de todos, a suspeita sistemática para com os estrangeiros, o desprezo dos povos que não vivem como nós”.
Badiou captou o mal-estar sentido por parte dos franceses que vivem, segundo ele, uma ressurgimento do “pétainismo”, cuja principal característica é um desejo de segurança. Enfim, Sarkozy seria produto do medo. Produto de uma história francesa dividida entre dois pólos: revolução e contra-revolução, resistência e colaboração, desejo de liberdade e igualdade e desejo de autoritarismo e ordem.
“Acho que Sarkozy tem uma visão deformada da humanidade. Ele pensa que todo mundo pode ser corrompido, me parece profundamente convencido disso. Na sua opinião, todo mundo tem um preço. Ele tem medo de encontrar pessoas que não têm preço”, diz Badiou.
Em poucos meses, a obra vendeu 20 mil exemplares, um sucesso extraordinário no mundo das idéias e sobretudo no campo filosófico. Os livros de Badiou não costumam vender mais de 3 mil exemplares.
Na entrevista a seguir, Badiou afirma que Sarkozy representa o fim de um longo período histórico na França e defende que o Partido Comunista Francês seja dissolvido e as idéias marxistas sejam retomadas em um outro dispositivo político _nem a internacional de Marx, nem o partido de Lênin. "Hegel dizia: 'Tudo o que nasce merece morrer'. Pois bem, o Partido Comunista Francês nasceu em 1920 e pode morrer em 2010", diz o filósofo.

*

O que levou o sr. a escrever este livro?
Alain Badiou: Durante meu grande seminário público do ano passado, senti quase fisicamente que as pessoas estavam preocupadas com a eleição presidencial e que, mesmo que não fosse meu tema, era preciso falar disso. É o que afirmo no início do livro.
Eu disse: vejo que é preciso que lhes fale disso, e então fiz uma aula antes da eleição e duas outras após a eleição. Foi no contato direto com o público que freqüenta meu seminário na École Normale Supérieure que senti que deveria, na qualidade de filósofo, falar sobre o problema. Antes da eleição, porque eles estavam preocupados, e depois, porque estavam deprimidos.

O sr. pode explicar o título do livro?
Badiou: Acho que o significado da eleição de Nicolas Sarkozy (foto) ultrapassa sua pessoa. Eu não queria somente falar do personagem, queria falar do que se passa hoje e de fatos que são resumidos nesse personagem. Isso é mais importante que o personagem, e por isso intitulei meu livro “De Quoi Sarkozy Est-il le Nom?”. Essa é a pergunta importante. Quis explicar às pessoas que não era minha opinião sobre Sarkozy, mesmo que eu tenha uma opinião sobre ele e a expresse, mas a questão era explicar o que estava acontecendo com essa eleição de Sarkozy. É uma situação política na qual Sarkozy é mais um nome que uma força verdadeira.

Na Itália, os políticos e a política perdem credibilidade junto aos eleitores. Sarkozy, que foi comparado a Berlusconi, vai na direção do descrédito da política?
Badiou: Há duas razões que me fazem pensar que Sarkozy vai contribuir para tornar as pessoas mais céticas em relação à política. A primeira é que ele é extraordinariamente cínico do ponto de vista da relação da política com o dinheiro. Ele freqüenta abertamente os milionários, fez um presente aos ricos com diminuição de impostos.
Quando, logo depois de sua eleição, foi jantar no Fouquet’s, grande restaurante de ricos, e quando partiu num cruzeiro no iate de um milionário, ele fazia isso de maneira deliberada. Quer que todo mundo possa dizer: “Sou rico, tenho o direito de ser rico”. Ele quer que os políticos possam freqüentar os ricos de maneira aberta. Isso é uma mudança na França, é uma novidade. Mitterrand, por exemplo, disse a seu ministro Tapie, que era um homem de negócios: “Cuidado, os franceses não amam o dinheiro”.
Um dos objetivos de Sarkozy é fazer com que os franceses amem o dinheiro, e isso é uma corrupção intelectual, essa ligação cínica entre a política e o dinheiro. Um dia ou outro haverá escândalos. Sem dúvida, haverá escândalos. E a segunda razão é que ele agrava o caráter espetacular da política. Ele passa o seu tempo a utilizar a mídia, com golpes espetaculares, ele está em toda parte, não por razões políticas profundas, mas porque quer se mostrar. Resumindo, sua relação com o dinheiro, com a mídia e com o espetáculo, acho que tudo isso não vai numa boa direção e não contribui para devolver a confiança nos políticos e na política.

Alguns políticos socialistas aderiram ao governo de Sarkozy. Ser socialista na França é realmente ser de esquerda?
Badiou: Acho que os socialistas na França se adaptaram à política governamental e ao sistema econômico e político dominante. Pouco a pouco. A diferença é mais ou menos a que há entre os republicanos e os democratas nos Estados Unidos. São partidos que na realidade estão de acordo sobre a parte mais importante da política, da gestão do Estado e da gestão da economia e que têm uma pequena diferença no tratamento da questão social. Mas, desse ponto de vista, acho que a palavra socialismo não quer mais dizer grande coisa.
Durante muito tempo e mesmo no início do governo Mitterrand a palavra "socialismo" significava que se ia nacionalizar a economia, os grandes bancos etc. Eles desistiram completamente disso. Penso que a diferença entre a esquerda e a direita, entre os socialistas e o partido dominante é muito pequena, o que explica aliás que importantes socialistas possam fazer parte do governo Sarkozy. E haverá outros. Fala-se muito da possibilidade de Jack Lang tornar-se ministro da Justiça. Eu diria que a identidade política é mais importante que a diferença hoje.

A França era vista como o último bastião da luta contra a dominação americana. O sr. diz que sob Sarkozy ela vai “cair no modelo ianque, a dominação dos ricos, o duro trabalho dos pobres, o controle de todos, a suspeita sistemática para com os estrangeiros, o desprezo dos povos que não vivem como nós”. É esse o futuro da França?
Badiou: Sem dúvida. Infelizmente, penso que isso é certo. Veja o discurso de Sarkozy sobre o homem africano, sua verdadeira alegria em ser recebido por Bush e por sua família, a decisão de participar mais ativamente da guerra no Afeganistão. Começa-se a falar da entrada da França na Otan e, em política interna, ele dá aos ricos menos impostos e, aos pobres, mais trabalho. Creio que nos dirigimos para um modelo americano de sociedade. Aliás, isso é o que se chama na França há muitos anos de modernização.
Quando você é pobre e do povo e lhe falam de modernização, desconfie. Isso quer dizer que eles vão fazer uma revisão das leis trabalhistas. Será uma data muito importante na história do regime, e mesmo na história da França, já que eles vão transformar as leis trabalhistas para agradar evidentemente ao patronato.
Do ponto de vista do modelo de sociedade, é para isso que a gente caminha, e, do ponto de vista da política externa, caminhamos na direção de uma normalização da política francesa. O gaullismo representava uma pequena exceção francesa, um pouco de distância em relação aos americanos.

Sarkozy fará um alinhamento automático com os Estados Unidos?
Badiou: Acho que as coisas se farão progressivamente e lentamente. Vai depender das posições das outras potências européias. A França é muito próxima das posições alemãs. Mas essa é uma tendência. A tendência é de se alinhar com o que chamamos de Ocidente.

O sr. se chocou com os panfletos que a polícia colocou nas caixas de correio para pedir à população que denuncie as pessoas que participaram de confrontos em Villiers-le-Bel, em novembro de 2007?
Badiou: Isso me chocou muito. Você sabe que no meu livro falei da época do pétainismo (do general Pétain, que governou a França na época da ocupação nazista) e da Colaboração (com o nazismo). Acho que incitar as pessoas à delação e à denúncia é uma coisa horrível. Que a polícia faça seu trabalho. Não é preciso transformar todo mundo em espião de seu vizinho.
Acho que isso ajuda a criar uma atmosfera detestável e não é uma boa forma de resolver os problemas dos bairros populares. Isso vai indispor as pessoas umas contra as outras, vai colocar os adultos contra os jovens, vai dividir os estrangeiros e os franceses. Essa prática é detestável. Fiquei chocado, mas não surpreso, infelizmente.

O sr. diz no livro: "O que Sarkozy mais teme é que seu medo se torne visível". Qual é o medo de Sarkozy ?
Badiou: O medo principal de Sarkozy é o de encontrar uma resistência verdadeira no campo político ou popular. Ele é um homem que tem necessidade de seduzir todo mundo. Ele funciona com cooptação. Logo se viu isso. Ele é um homem que pensa que não existe mais verdadeira oposição. Por isso, acho que é um homem que ficaria muito à vontade com um partido único.
Penso que ele teme as oposições verdadeiras, os conflitos verdadeiros e que só está à vontade quando existe um consenso, quando há acordo. Ele governa de maneira clara pela cooptação e pela corrupção. Acho que ele tem uma visão deformada da humanidade. Ele pensa que todo mundo pode ser corrompido. Ele me parece profundamente convencido disso. Todo mundo tem um preço a seu ver. Ele tem medo de encontrar pessoas que não têm preço.

O sr. pensa que ele ousaria suspender o direito de greve?
Badiou: Ele tenta por todas as formas limitar esse direito. Já existe o serviço mínimo, que é uma restrição ao direito de greve. Mas tudo vai depender da relação de forças, do que vai acontecer nos movimentos sociais nos próximos meses e anos. Isso vai ser determinante.
Se o compararmos a Thatcher na Inglaterra que também era pela modernização e que devastou literalmente a Inglaterra, vê-se que um episódio fundamental foi o momento em que Thatcher conseguiu quebrar a greve dos mineiros. Isso foi um episódio central para seu governo. Haverá algo análogo para Sarkozy? Será que, em determinado momento, vai haver uma prova de força da qual surgirá claramente um vencedor e um vencido? Não se sabe ainda.
As coisas ainda estão indefinidas. No meu livro, digo que Sarkozy representa o fim de um longo período histórico na França em que imperava a balança direita-esquerda. Ele inaugura algo novo e como sempre não se sabe onde isso vai chegar.

Ele sabe o que quer e onde vai ?
Badiou: Acho que não. Por isso ele é mais o nome do período que seu ator. Penso que ele mesmo não sabe muito bem onde vai. Ele tem o gozo do poder de uma maneira muito visível. Mas, fora esse gozo do poder e de algumas direções da qual eu falei antes, americanização no sentido amplo, por onde isso vai passar, quais vão ser os detalhes da vida política na França, não se sabe ainda.

Sartre dizia que "a esquerda é um grande cadáver que cheira mal". O que está acontecendo com a esquerda francesa que não consegue encontrar um líder ou líderes para reestruturá-la?
Badiou: Acho que Sarkozy encontrou uma forma de transformar a direita. Ele encontrou um meio essencial que foi a reunificação da direita e da extrema-direita. É preciso ver que Sarkozy ganhou porque tirou votos do Front National (de Jean-Marie Le Pen). Atualmente não existe um processo simétrico à esquerda. A grande questão da esquerda oficial é saber se ela é capaz de unificar a esquerda e a extrema-esquerda.
É preciso saber que o reino de Mitterrand foi fundado inteiramente sobre o fato de que o Partido Socialista e o Partido Comunista pela primeira vez em suas histórias se aliaram, e que o Partido Socialista “comeu” o Partido Comunista. Mitterrand comeu o Partido Comunista como Sarkozy comeu o Front National. Isto é absolutamente simétrico.

Comento
Uma coisa que a entrevista do senhor Badiou não revelou, é que Sarkosy venceu a eleição, principalmente por falar àqueles que pagam a conta das políticas governamentais. E a conta, para classe média francesa, sempre foi muito alta.

Das coisas que eu gosto - Natalie Imbruglia in Face Mask

segunda-feira, abril 07, 2008

O novo hino do Congresso Nacional!

MARCO AURELIO GARCIA APARECE EM FOTO NO COMPUTADOR DE RAUL REYES - SEGUNDO DAS FARC MORTO EM COMBATE COM EXÉRCITO COLOMBIANO, AFIRMA CHÁVEZ!

1. Durante as entrevistas que Chávez deu em Recife no dia 27 de março ele afirmou que no computador de Raul Reyes, estava foto de Marco Aurelio Garcia com narco-guerrilheiro morto. A imprensa latino-americana deu mais atenção a Chávez e talvez tenha passado despercebido pela imprensa brasileira mais atenta a Lula.

2.
Numa das noticias é dito que uma semana antes, Marco Aurelio Garcia esteve com Chávez em Caracas.


3.
Abaixo trechos destas notícias.


Clarin
: 28 de março!

Chávez recordó que le había hablado antes de ayer a su colega colombiano Alvaro Uribe para comentarle acerca de "ciertas declaraciones, o provocaciones, que salen de Colombia". Fue entonces que denunció: "*Dicen que viene ahí una foto de Marco Aurelio (García, el asesor internacional de Lula da Silva) en un campamento (de las FARC) *y saldría de esa computadora que da para todo".


AP/AFP/EFE. Recife.
*"No se extrañen si de pronto aparece una fotografía de Marco Aurelio (García, asesor de Lula en asuntos internacionales) o una fotografía mía en un campamento de las FARC (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia)", comentó en tono irónico. *