Segundo um estudo da Pew Research Center for the People & The Press e Pew Internet & American Life Project, 24% dos americanos disse que a Internet é a principal fonte de notícias para esta campanha. Em 2004, no mesmo estudo, apenas 13% o afirmaram. Esta investigação concluiu ainda que a Internet é o principal espaço para os jovens entre os 18 e os 20 anos. Nesta faixa etária, 42% dos inquiridos atestaram que utilizam regularmente a Internet para se informarem sobre os candidatos e as incidências da campanha. Em 2004, este número apenas atingia os 20%."Especialismo é saber-se cada vez mais de cada vez menos até saber-se tudo de nada; do mesmo modo que generalismo é saber-se cada vez menos de cada vez mais, até não se saber nada de tudo." (William James)
quinta-feira, março 20, 2008
INTERNET CRESCE DE 13% PARA 24% NAS ELEIÇÕES PRIMÁRIAS NOS EUA!
Segundo um estudo da Pew Research Center for the People & The Press e Pew Internet & American Life Project, 24% dos americanos disse que a Internet é a principal fonte de notícias para esta campanha. Em 2004, no mesmo estudo, apenas 13% o afirmaram. Esta investigação concluiu ainda que a Internet é o principal espaço para os jovens entre os 18 e os 20 anos. Nesta faixa etária, 42% dos inquiridos atestaram que utilizam regularmente a Internet para se informarem sobre os candidatos e as incidências da campanha. Em 2004, este número apenas atingia os 20%.quarta-feira, março 19, 2008
O PAPEL DA EMOÇÃO NA POLÍTICA!
David Brook é colunista do New York Times sobre o livro de Drew Westen1. Drew Westen (foto), professor de psicologia da Universidade de Emory,
surgiu com um verbete tardio nesse campo, e seu livro “O Cérebro Político: O Papel da Emoção ao Decidir o Destino do País” está muito em voga. Ele pega um interessante pedaço de neurociência e utiliza-o para polir os clichês convencionais do gênero “Porque os Democratas Perdem”. Westen começa observando que a pesquisa recente acabou com a teoria de que a mente é racional, sem paixão, e que emergiu do Iluminismo do século XVIII. As pessoas confiam na emoção para dirigir o processo de tomada de decisão e chegar a conclusões que as fazem sentir-se bem.
2. A razão e a racionalidade para ele, portanto, desempenham um papel limitado nas decisões políticas. “A mente sem paixão dos filósofos do século XVIII“, diz Westen “nos permite prever algo entre 0.5 e 3% das mais importantes decisões políticas que as pessoas tomarão no decorrer de suas vidas”. Em seguida, ele afirma que os Democratas têm perdido, porque estavam apelando para a parte racional da mente.3. Por exemplo: o lado direito da boca de John Edwards tende a levantar-se. “Os seres humanos, de modo inato, não gostam de assimetrias faciais”, observa Westen, “e isto deveria ter chamado a atenção dos assessores”. “Rostos sorridentes naturalmente ativam partes do cérebro (e mímica facial por parte do observador) que reforçam felicidade, e não desagrado.
4. Os Republicanos continua Westen, são brilhantes no uso de palavras e imagens que desencadeiam cascatas emocionais. Ronald Reagan usou a palavra “confisco” em relação à taxação, e foi capaz de persuadir as pessoas a concordar com impostos mais baixos.
5. Westen insta os candidatos democratas a bater forte, e inclui um número de discursos que ele desejaria que os candidatos democratas tivessem feito. Ele desejaria, por exemplo, que Al Gore houvesse “batido” mais em George Bush por ter sido um bêbado.
6. O problema central do livro de Westen é que ele realmente não faz uso do que
sabemos sobre a emoção. Ele expande a obra de Antonio Damasio (foto), sem aplicar a concepção de Damasio quanto à maneira pela qual a emoção emerge da razão e para ela contribui. Neste enfoque mais sofisticado, as emoções são produzidas pelo aprendizado. À medida que passamos pela vida, aprendemos que causa leva a que efeito. Quando, mais tarde, nos defrontamos com situações semelhantes, as emoções ressaltam possíveis resultados, atraindo-nos para algumas ações e desviando-nos de outras.7. Em outras palavras, as emoções fazem parceria com racionalidade. Não é necessário simplificar demais as coisas para apelar às emoções. Não é necessário entender alguma linguagem secreta que irá desencadear alguns disparos neuro-emocionais. A melhor maneira de ganhar votos é oferecer às pessoas uma visão precisa do mundo e um conjunto de políticas que parecem tendentes a produzir bons resultados. É assim que se torna os eleitores felizes.
terça-feira, março 18, 2008
A REUNIÃO DOS PRESIDENTES EM SANTO DOMINGO PARA DISCUTIR A GRAVE CRISE ENTRE EQUADOR, VENEZUELA E COLÔMBIA!
Nota recebida de um diplomata presente a reunião: a) Ninguém entendeu a ausência de Lula que havia telefonado para vários deles se colocando como pacificador. Pior quando souberam que era para fazer comícios no Rio. E pior ainda, quando veio a desculpa da presença do Presidente de Portugal e souberam que só o recebeu depois das 20hs, e que a data comemorativa era no dia seguinte. b) a mudança de atitude do Equador e Venezuela que cinicamente trocaram afagos com o presidente da Colômbia se deveu a que as provas de envolvimento de Chávez e Corrêa que Uribe tem, são contundentes. O melhor era dar apertos de mãos e se Uribe (foto) voltar as assunto dirão que é ele que está provocando.segunda-feira, março 17, 2008
CRISE AMERICANA – ELE BEM QUE AVISOU!
Os alertas de que a crise da economia americana é mais séria do que se imaginava partiram hoje de muitos lugares, notadamente Banco Mundial e FMI. Nem precisava. Basta uma pesquisa na Internet para verificar a turbulência nos mercados mundiais. Até o ministro Guido Mantega (Fazenda) está dizendo que o bicho é feio, não é? O governo começa a abandonar a tese de um país blindado contra os solavancos.Cumpre recuperar aqui um trecho da entrevista de Alan Greenspan (foto), ex-presidente do Fed, concedida a Marcio Aith, editor-executivo de VEJA, em setembro do ano passado, publicada na edição nº 2026. O seu prognóstico de curto prazo está se cumprindo. Mas verifiquem que há advertências também sobre o médio prazo, que incluem uma sacudidela na economia chinesa. Todos torceram para que Greenspan estivesse sendo apenas pessimista em relação ao estouro na bolha imobiliária. Não estava. Era realismo. Tomara que esteja errado sobre a outra parte de suas antevisões. Seguem trechos da entrevista:
O MUNDO VIVE UMA DE SUAS MAIS LONGAS FASES DE PROSPERIDADE. QUANDO ELA ACABA?
Essa expansão ocorre em um ambiente raro de inflação e juros baixos. Isso não vai durar para sempre. Já há sinais claros de que seus motores perdem força, ao menos nos Estados Unidos. As grandes empresas já estão investindo cada vez menos, passaram a recomprar volumes cada vez maiores de suas próprias ações e a distribuir mais dividendos. Essa mudança de comportamento só ocorre quando o mundo corporativo não encontra melhor uso para o dinheiro. Além disso, o preço de produtos de alta tecnologia tem caído com menor velocidade. É um indício de que esses produtos têm sido renovados com mais lentidão. Juntos, esses fatores sinalizam a redução do potencial de crescimento do país porque, quanto menores forem os investimentos em tecnologia, mais lento é o avanço da produtividade. Em conseqüência, menor é a capacidade de um país crescer sem inflação.
NÃO É APENAS UM SOLUÇO?
Temo que não. Tenho observado os ciclos econômicos desde a década de 40. Com tal profundidade e persistência, as mudanças tecnológicas que alavancaram a produtividade ocorrem apenas a cada cinqüenta ou 100 anos. Historicamente, nas economias avançadas, as pessoas parecem ser incapazes de aumentar sua produção por hora a taxas superiores a 3% ao ano durante períodos prolongados. Essa é, aparentemente, a velocidade máxima com que a inovação humana é capaz de impulsionar o padrão de vida das sociedades. É o limite da inteligência humana. Essa taxa chegou a 6% em alguns anos da década de 90. O mais natural é que retorne, com o tempo, a seu padrão natural. Só que em um ambiente econômico muito mais eficiente, sem rupturas, em que as crises são mais facilmente acomodadas. Há muitos desafios à frente, mas o mundo, especialmente os Estados Unidos, é hoje mais capaz de absorver rupturas e de se recuperar de choques.
O QUE FAZ A ECONOMIA MUNDIAL SER HOJE MAIS EFICIENTE?
O mundo do capitalismo global é mais flexível, resistente, aberto, autocorretivo e adaptável do que antes. O controle dos governos sobre a vida diária dos cidadãos diminuiu, as forças do mercado substituíram alguns poderes que estavam nas mãos do estado e várias barreiras que impunham limites ao empreendedorismo foram eliminadas. Veja o caso da economia americana. Sua maior força é a resiliência proporcionada pela desregulação dos mercados financeiros e por uma maior flexibilidade dos mercados de trabalho. E, mais recentemente, pelos grandes avanços da tecnologia da informação. Esses avanços vão ficar.
EM SEU LIVRO, O SENHOR DIZ QUE, ALÉM DA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA, A TRANSFORMAÇÃO DA CHINA EM UMA ECONOMIA DE MERCADO EXPORTADORA PERMITIU QUE A INFLAÇÃO MUNDIAL PERMANECESSE SOB CONTROLE, MESMO COM JUROS BAIXOS. POR QUANTO TEMPO A CHINA CONTINUARA INUNDANDO O MUNDO COM PRODUTOS BARATOS?
Não por muito tempo. Isso também já está mudando. O preço das exportações chinesas tem subido substancialmente desde que finalizei meu livro, em junho. O que isso significa? Que talvez o impacto desinflacionário máximo do processo de transformação da China numa economia de mercado já tenha sido atingido. De agora em diante, ocorrerá com menos intensidade. Será mais difícil manter a taxa de inflação mundial na casa de um dígito, verificada em quase todo o mundo. É a primeira vez que se registra uma inflação tão baixa desde o fim do padrão-ouro e da adoção do papel-moeda, na década de 30.
PODE-SE AFIRMAR ENTÃO QUE O SENHOR DEIXOU A PRESIDÊNCIA DO FEDERAL RESERVE NO FIM DA FESTA E SEU SUCESSOR, BEN BERNANKE, É QUEM VAI AMARGAR A RESSACA?
É verdade. Tive muita sorte como presidente do Federal Reserve. Muitos economistas creditam o controle inflacionário das últimas décadas principalmente à vigilância dos bancos centrais. Mas eu não creio que as ações ou a credibilidade monetária tenham tido um papel tão essencial. Esse controle pode ser creditado à tecnologia, à transformação da China em economia de mercado e à globalização. Ao longo dos anos 90, fiquei muito impressionado com a facilidade com que passamos a influenciar, com a política monetária, a taxa de juros de longo prazo. Ficou mais fácil cumprir a missão. Creio que haverá mais pressão inflacionária no futuro próximo. Sob o ponto de vista dos preços, a economia americana deverá entrar em um período similar ao registrado entre 1945 e 1980.
A ATUAL TURBULÊNCIA NOS MERCADOS TEM ALGUMA RELAÇÃO COM ESSE CENÁRIO?
Não, são fenômenos distintos. Mas é preocupante. Freqüentemente temos crises de natureza bancária ou mobiliária. A atual turbulência tem as duas. Começou nos ativos lastreados em créditos mobiliários, refletiu-se nos títulos emitidos por empresas e acabou contagiando os bancos comerciais e os bancos de investimentos. As instituições financeiras começaram a correr atrás de seus devedores e a se preocupar com seu próprio capital. Nesse processo, passaram a emprestar menos. Felizmente as grandes companhias estão em excelente forma financeira, e a economia americana tem essa capacidade extraordinária de recuperar-se de choques.
JÁ HAVIA SINAIS DA BOLHA IMOBILIÁRIA QUANDO O SENHOR DEIXOU O CARGO?
Havia alguns sinais, mas só percebi sua extensão e gravidade no fim de minha gestão, entre 2005 e 2006.
COMO O SENHOR REAGE À CRITICA DE QUE, EM SUA GESTÃO, O FED ALIMENTOU ESSA BOLHA AO MANTER TAXAS DE JURO EXCESSIVAMENTE BAIXAS?
A política monetária produz efeitos complexos. Quando o problema foi se revelando para nós em sua plenitude, concluímos que nosso trabalho era o de impedir que o sistema bancário americano se paralisasse. Só assim asseguraríamos o funcionamento da economia.
QUAL É O PRINCIPAL ENTRAVE À SOLUÇÃO DA ATUAL CRISE?
Temos cerca de 200 000 residências, recém-construídas ou quase acabadas, que ainda não foram vendidas. Estão penduradas no mercado. Só 5 000 delas são liquidadas por mês. Ao mesmo tempo, o ritmo de construção de novas casas mantém-se elevado. A não ser que haja drástica redução na construção de novas residências ou o aumento das vendas das que já existem, o preço de todos os imóveis vai despencar. A história ensina que isso afetaria a propensão ao consumo dos americanos. Acredite, ninguém quer que isso ocorra.
NOS ÚLTIMOS ANOS, CONVENCIONOU-SE QUE COMPLEXAS ESTRUTURAS DE CRÉDITOS PROMOVERIAM A DIVERSIFICAÇÃO DO RISCO E REDUZIRIAM A VULNERABILIDADE DO SISTEMA BANCÁRIO. HÁ QUEM DIGA AGORA QUE ESSA CAPACIDADE DE DISPERSÃO SEJA JUSTAMENTE O PROBLEMA, JÁ QUE NINGUÉM SABE QUAIS INVESTIDORES FORAM "CONTAMINADOS" POR TÍTULOS GARANTIDOS POR CRÉDITOS IMOBILIÁRIOS PODRES.
É verdade que ninguém sabe onde os créditos podres estão. Mas, nesta altura do jogo, isso não tem importância. O crucial é saber se os donos desses papéis têm alguma noção de seu valor de mercado. Algo me diz que grande parte deles nunca soube, mesmo quando os compraram. O pânico paralisante do mercado só vai se dissipar quando esses investidores descobrirem o valor real dos papéis que têm em mãos. Isso poderá ser um choque, mas eles seguirão adiante. O problema é o medo paralisante, não a constatação de que se perdeu dinheiro. De vez em quando há surtos de exuberância descolados da realidade. Quando a realidade se assenta, a exuberância se converte em medo. O medo é a base de muitas de nossas reações econômicas. É o fundamento da aversão ao risco. É a maior causa das crises.
(...)
Leia íntegra da entrevista aqui
"IDEB", UM ESTÍMULO À EVASÃO ESCOLAR NUM QUADRO DE EXCLUSÃO SOCIAL!
1. É sempre bom ter um índice de aferição de resultados para compará-los no tempo. Mas a construção desses índices num país desigual deve ser feita com muito cuidado, para não ser um indutor de mais desigualdades.2. Uma criança pobre na escola é a única ponte sustentável de inclusão. Seus problemas em casa - ausência de mesa, estante, livros, acesso digital -... seus problemas de família - mais de 50% das famílias com renda menor que 2 salários mínimos, o chefe é a mulher, violência doméstica... certamente são problemas para a progressão escolar, independente da inteligência e esforço da criança.
3. Por isso o atraso ou repetência de uma criança ou adolescente pobre não pode ser tratado na forma darwiniana de uma escola jesuítica clássica: fora! Ao contrário: deve-se buscar no limite manter este adolescente integrado no ambiente escolar. Desta forma uma escola publica e aberta socialmente, terá sempre e por definição, um tempo médio maior por faixa de idade.
4. Como avaliar uma escola que consegue esta progressividade mesmo com um tempo médio maior por faixa de idade? Certamente de forma positiva. Deve-se reconhecer e aplaudir esta luta pela permanência e integração e contra a evasão escolar.
5. Paradoxalmente o IDEB - é um índice criado pelo MEC que - aritmeticamente - premia a evasão escolar. O IDEB tenta ser um indicador sintético que relaciona informações de rendimento escolar e desempenho.
6. IDEBji = Nji x Pji , onde N = média da proficiência em português e matemática padronizada para um indicador entre zero e dez , e P = indicador de rendimento baseado na taxa de aprovação: j = unidade de ensino; i = ano do exame e do censo escolar.
7. Assim, se alunos que não estão sendo aprovados forem de algum modo imediatamente excluídos da escola, a taxa de aprovação sobe e P sobe, aumentando o IDEB. Também a nota média provavelmente será maior aumentando N.
8. Diz o documento do MEC: "Em suma, um sistema de ensino ideal seria aquele em que todas as crianças e adolescentes tivessem acesso à escola, não desperdiçassem tempo com repetências, não abandonassem a escola precocemente e, ao final de tudo, aprendessem. A combinação entre fluxo e aprendizagem do Ideb vai expressar em valores de 0 a 10 o andamento dos sistemas de ensino.”
9. Independente da melhor das intenções e da coerência harvardiana, o índice do MEC - o IDEB - se for para avaliar para valer e "punir", é um indutor a evasão escolar, a expulsão logo após a repetência. Um indutor de mais desigualdade social.
domingo, março 16, 2008
NAPOLEÃO: - D. JOÃO VI FOI O ÚNICO HOMEM QUE TIROU PROVEITO DE MIM!
1. Há pressa, porque Napoleão ordenou que o General Junot invadisse Portugal. Lá vai ele que marcha rumo a Lisboa, encabeçando uma tropa de 25 mil homens. Na manhã do 29 novembro, a chuva parou, o sol brilha, o vento sopra. A ordem de partida é dada. A frota desce lentamente o Tejo e distancia-se sob proteção de uma esquadra inglesa. Já era hora. A tropa precursora de Junot chega ao cais uma hora depois da partida do último navio. O louco empreendimento do general acabará rápido. Milhares de insurgentes pegarão armas contra os regimentos que voltarão à França em agosto 1808. Sobre Dom João, Napoleão teria gritado: “Ele foi o único homem que tirou proveito de mim”.
2. Depois de 52 dias de travessia, Dom João desembarca em Salvador da Baía. Pela primeira vez um soberano da Europa toca o solo da América. A festa dura uma semana. Esta escala é um golpe político. Dom João reafirma sua autoridade sobre a população das províncias do norte, ao redor de uma cidade, Salvador, primeira capital do Brasil e nostálgica de não o ser mais.
3. Três séculos depois de sua descoberta por Pedro Álvares Cabral, o Brasil ainda era uma terra inexplorada. Era um país com fronteiras mal definidas, sem verdadeiro poder central, sem comercio interior nem dinheiro. Seus três milhões de habitantes quase não se sentem “brasileiros”. A chegada do príncipe transforma a colônia em metrópole. Sob seu impulso, o Rio cresce, fica mais bonito e mais sofisticado.
4. Ele abre-se aos produtos e às idéias. Dom João implanta um estado estável e organizado. Ele dá ao Brasil sua unidade territorial, política, econômica e lingüística. Enquanto a América espanhola pega febre e rasga-se, o Brasil se emancipa tranqüilamente sob tutela portuguesa. Em 1815, o regente proclama o “Reino Unido do Portugal, do Brasil e de Algarve”, tornado o Rio equivalente a Lisboa. O Brasil de hoje festeja com orgulho o bicentenário da chegada de Dom João. Ele organiza exposições, imprime selos e emite moedas comemorativas. No último carnaval, várias escolas de samba fizeram dele seu tema de desfile. Um dos refrãos, cantado pela multidão, terminava com um alegre: “Adeus Napoleão!” Adeus, e obrigado.
Manobras radicais
O Plenário do Senado, palco de embates memoráveis que fazem parte do acervo republicano, assistiu nesta semana a uma das mais tumultuadas sessões de sua história. Na seqüência de debates marcados pela tensão, os governistas extrapolaram o regimento da Casa para aprovar a medida provisória que criou a TV Pública. Sem qualquer prurido, utilizando o rolo compressor contra a minoria, os governistas impuseram restrição de tempo para os oradores que desejassem encaminhar a matéria em debate. Uma prática que vai de encontro às tradições da Casa de Rui Barbosa e desrespeita o próprio regimento.Nosso posicionamento não era contrário à TV Pública, mas tínhamos convicção formada sobre a necessidade de discutir o modelo por meio de um projeto de lei, ensejando um itinerário legislativo adequado às discussões e análises das comissões técnicas das Casas do Congresso Nacional, contemplando inclusive a realização de audiências públicas com a presença dos segmentos interessados da sociedade brasileira.
Lutamos o bom combate, mas fomos surpreendidos por ardilosas manobras das lideranças governistas, que nos levaram a abandonar o Plenário em protesto contra a condução da matéria.
Colhemos algumas lições importantes desse lamentável episódio no qual, por um triz, não assistimos a cenas de pugilato num espaço destinado ao embate das idéias. Diante das manobras urdidas pela base de apoio ao governo, ficou patente que é inadiável a reforma do Regimento Interno do Senado Federal.
Preservar a instituição deve ser uma preocupação permanente de todos nós. O que aconteceu naquela sessão que rompeu a madrugada é algo inaceitável, mesmo para uma democracia imberbe. Podemos até condescender e assimilar o desgaste individual, mas não podemos contribuir para que ocorra o desgaste permanente do Senado. Estou convicto de que uma reforma no regimento pode nos estimular a respeitá-lo.
Recuperar a credibilidade diante da opinião pública é uma tarefa urgente e que impõe novas posturas aos parlamentares. A restauração ética passa necessariamente pelos procedimentos internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Não podemos mais transigir com a enxurrada de medidas provisórias ostensivamente inconstitucionais e que não atendem nem mesmo aos requisitos de admissibilidade inscritos na Carta Magna. Aliás, é chegada a hora de banir do cotidiano legislativo todas as peças ficcionais que o parlamento escoa. A oposição não pode selar compromisso com a ilegalidade e nem permitir que o Poder Executivo tutele o Congresso Nacional.
Desde o dia 1º de janeiro de 2003 exercemos oposição ao Governo do presidente Lula, numa moldura democrática, civilizada e propositiva. Não pautamos a nossa ação pela intransigência sistemática. Infelizmente, Sua Excelência o presidente Lula faz questão de jactar-se como o verdadeiro ‘salvador da pátria' e de atribuir à oposição um caráter conspiratório contra a sua gestão. As falas do presidente - os "recados" e "lembretes" ditados em palanques - fazem parte de uma estratégia para confundir a opinião pública, numa tentativa de satanizar aqueles que democraticamente exercem o direito de oposição. Enquanto militou na oposição, o presidente Lula assumiu postura intransigente em relação aos seus antecessores.
A orientação recebida do Palácio do Planalto pela liderança do governo - e aplicada à risca naquela sessão de triste memória - leva a crer que está aberta uma temporada de manobras radicais.
Senador Alvaro Dias - 2º Vice Presidente do Senado, vice-líder do PSDB.
sexta-feira, março 14, 2008
O Primeiro na aldeia ou o segundo em Roma?
Trechos da coluna dominical do jornalista sênior Mariano Grondona - em La Nacion.1. Quando Julio César marchava com suas legiões para a conquista de Roma, passou por uma pequena aldeia. Os membros de sua comitiva começaram a zombar dela até que Julio César os surpreendeu com esta frase: "Preferiria ser o primeiro nesta aldeia do que ser o segundo em Roma".
2. Para seguir o rastro de uma carreira política, deve-se perguntar, então, qual é a ambição de seu personagem. Resigna-se ele a compartilhar o poder com outros para juntar-se a um grande projeto, ou sua sede de poder é tamanha que estaria disposto a reduzir o espaço de sua supremacia desde que não a compartilhasse com ninguém? Enquanto não podemos responder esta pergunta, ficamos sem conhecer o argumento central de uma determinada vida política.
3. Temos de saber primeiro o que na realidade os políticos com poder, pretendem fazer depois, se não tiverem êxito ou fracassarem. Mas, é possível decifrar as intenções de um homem de poder, quando a arte política consiste em ocultá-las? Para lográ-lo, desde já, não é preciso ler seus discursos, mas sim observar suas ações. "Pelos fatos vocês o conhecerão". O comportamento concreto de um homem de poder se encaixa, então, na hipótese máxima, a ambição de uma dominação sem concessões, mesmo que seja a custo do espaço. Ou a hipótese mínima, a ambição de compartilhar para somar?
Pergunto: A carapuça serviu no Lulla?
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